26/05/2019

A Única Salvação é o Conhecimento Aplicado


A preocupação dominante nas grandes metrópoles é encontrar meios de humaniza-las. Nos vastos centros urbanos emergem as mais contraditórias paisagens, os mais chocantes contrastes, os mais intricados e aparentemente insolúveis problemas. Por suposto, seus reflexos fazem-se sentir nas pessoas, traumatizando-as, neurotizando-as, gerando toda a sorte de enfermidades.

Deverá ser eternamente assim? Não haverá uma saída? Vejamos.

Se a vida nas palpitantes urbes apresenta uma série de inconvenientes, em contrapartida oferece uma gama valiosíssima de experiências, impossíveis de serem encontradas em outros lugares. A experiência traz consigo um conhecimento real, comprovado, não haurido livrescamente. A fonte maior dessas experiências é o relacionamento humano. Através do relacionamento promove-se um importante e rico intercâmbio de valores culturais, morais e espirituais. Só assim tomamos conhecimento e sentimos mais intimamente os problemas dos outros. O contato com os seres humanos faz-nos recordar sempre a humanidade existente dento de nós mesmos. Nós podemos prescindir disto, a menos que sejamos frios e duros blocos de concreto, como os que compõem a paisagem cinzenta das megalópoles.

Em o “Conceito Rosacruz do Cosmos” Max Heindel assinala que a “única salvação é o conhecimento aplicado”. Se a cidade grande enseja multivariadas experiências – e decorrente conhecimento – por que não aproveitamos as mesmas para humanizá-la, tornando-a um lugar aprazível, mais habitável? PODEMOS E DEVEMOS FAZÊ-LO.

O homem isolado é uma impossibilidade. Não podemos fugir à interdependência no relacionamento diário. Este enfatiza a necessidade e mar o próximo, mormente porque o próximo dos outros somos nós mesmo. A competição desenfreada, o temos de ser passado para trás, a pressa em fazer alguma coisa ou chegar a algum lugar, tão característicos dos grandes centros, promove uma angustia devoradora. Afinal o h homem é uma vítima da cidade, ou de si mesmo?

O ser humano descarrega sua insatisfação acusando uma cidade de ser desumana, quando, realmente, ele é que a torna assim pela sua vivencia egoísta. Nós a envolvemos com nossos sentimentos e pensamentos, e estes, em sentido coletivo, imprimem-lhe as características básicas, gerando inclusive seu destino. A cidade em que vivemos, é, de certo modo, uma soma do que somos. A menos que, pensemos e ajamos sempre visando o bem comum, continuaremos a fazer parte da “indesejável” paisagem do lugar em que vivemos.

Uma comunidade urbana é, em essência, algo maravilhoso. É o campo de evolução onde os seres humanos coexistem em torno de necessidades, de ideias e ideais. As experiências que ensejam devem, antes de mais nada, apurar a sensibilidade de seus habitantes em relação às suas belezas e aos anseios do próximo. A experiência deve conduzir o homem à maturidade. Mas, é mister identificar este termo no seu sentido mais profundo. “Alcançar a maturidade”, como definiu Weissman, não significa envelhecer. É passar da arrogância, cavadora de abismos, para a humanidade unificadora; da indiferença para o amor; da inveja para a gratidão; da insegurança para a tranquilidade. É aumentar em si os impulsos construtivos, livrando-se dos sentimentos destrutivos.

Assim a maturidade há de acompanhar a purificação de sentimentos, tornando-nos verdadeiramente cristãos na vida comunitária.

Amemos nossas cidades, amando e servindo seus habitantes.

Editorial da revista Serviço Rosacruz, maio de 1976

19/05/2019

A Gravitação Espiritual

por Gilberto Silos

Peter Russel, em sua obra O BURACO BRANCO NO TEMPO, faz uma interessante reflexão sobre a evolução da humanidade, estabelecendo um paralelo com a evolução de uma estrela. Afirma que nos dois casos há um padrão acelerado de desenvolvimento.

No caso de uma estrela, é a força da gravidade que mantém unida e coesa a matéria que a compõe. Já na raça humana, o que lhe garante a evolução espiritual é a busca de um estado interior mais pleno. Nossa mente gravita para a harmonia e paz interior.

A consciência da maioria dos seres humanos está mais voltada ao exterior, à conquista do mundo material, na busca obsessiva por tudo aquilo que ele pode lhes oferecer em termos de conforto e segurança. Isso lhes bloqueia a percepção do que realmente consiste nosso verdadeiro objetivo enquanto habitantes deste lindo planeta azul.

Mesmo sem perceber, gravitamos para o nosso próprio centro. Com o passar do tempo e ajuda das experiências que vivenciamos, torna-se claro que, no fundo, o que estamos procurando é paz interior e amor. É no recôndito do nosso ser que podemos encontrar a única segurança possível. E, quanto mais reconheçamos nosso real objetivo, com mais celeridade caminharemos em sua direção. Estamos nos tornando conscientes não apenas do mundo à nossa volta, mas também do mundo dentro de nós, da nossa realidade interna e da consciência que a ilumina.

Em alguns aspectos   podemos identificar pontos comuns entre gravidade e amor. A gravidade é a atração da massa para si mesma, uma força que atrai o Universo físico para sua unidade original. Por outro lado, o amor pode ser como uma atração da vida para si mesma, o desejo por uma união consciente com a nossa própria fonte, com a essência do que nós somos.

Para o visionário Buckminster Fuller, o amor é a gravidade da metafísica. É ele que nos inspira à reconexão com nosso estado original de ´´graça interior``, depois de peregrinarmos pelos escuros labirintos da vida. E, como o E.T. do maravilhoso filme de Spielberg, nós só queremos voltar ao nosso ponto de origem.

Somos filhos pródigos de nós mesmos.

Iniciação

Muito a refletir e também, sentir, em apenas duas estrofes .

05/05/2019

O Aquarianismo de "O Pequeno Príncipe"

por Jonas Taucci
Faz poucas semanas, a convite de uma escola de Ensino fundamental e médio de São Paulo (Brasil), realizei uma (gratuita) palestra sobre o livro O Pequeno Príncipe do francês Antoine de Saint-Exupéry (1.900-1.944), nas dependências de seu enorme e belíssimo teatro.

Esta instituição de ensino adotou esta obra literária, e seus alunos a estão lendo para uma prova em breve. Teatro lotado, uma excelente interação por parte de professores, corpo docente da escola e alunos, foi algo marcante naquela uma hora e quinze minutos de apresentação.

Estes alunos, após o término da palestra e de uma dinâmica, me disseram que o desenho que mais os chamaram a atenção, foram os dois desenhos referentes a jiboia engolindo o elefante, onde os adultos o veem como um chapéu.


Recordei de imediato, o artigo publicado na revista Serviço Rosacruz, de outubro de 1.975 (desconheço o autor), sobre o significado esotérico e simbolismos do livro O Pequeno Príncipe”.

A grande maioria das pessoas, enxergam apenas o externo e a aparência deste mundo, enquanto algumas poucas observam o interno e a essência. Estas, crescem com uma insatisfação à superficialidade e partem na busca de elevação (Exupéry era aviador), sendo está uma vida de solidão quanto a materialidade (em boa parte do livro, o deserto é o cenário).

O asteroide (corpo denso) onde o Pequeno Príncipe mora, chama-se B-612, cuja somatória resulta em nove, o número da humanidade, e há nele três vulcões (Corpos vital, de desejos e a mente).

Neste mesmo asteroide, nosso herói remove os baobás (nossas mazelas) e cuida de uma rosa (o desabrochar de nossas faculdades latentes), representando assim um trabalho alquímico a ser realizado pelo aspirante rosacruz.

Em determinado momento, o Pequeno Príncipe diz:

Quando terminamos de fazer nossa higiene, pela manhã, é necessário fazermos, cuidadosamente, a higiene do planeta.

Este livro foi lançado primeiramente nos Estados Unidos em 1.943, e na França, somente três anos depois. Ambientalistas atuais, dizem que Exupéry já demonstrava à aquela época, uma preocupação com a saúde de nosso planeta, sinalizando uma advertência ecológica!  

Se traçarmos uma linha condutora – e cronológica - onde mitos e contos revelam verdades espirituais em suas entrelinhas, resumidamente teremos:

*** MITOLOGIA – Deuses, homens, semideuses.

*** CONTOS INFANTIS – Alguns autores e personagens:  Charles Perrault (1.628-1.703), Wilheim Grimm (1.786-1.859) e Hans Christian Andersen (1.805-1.875).  Cinderela, Branca de Neve e os sete anões, A gata borralheira, João e o pé de feijão, O gato de botas etc.

Lembro-me de inúmeras conversas que tive com o saudoso irmão probacionistas José Gonçalves Siqueira, sobre este assunto e o livro A psicanálise dos contos de fadas do autor Bruno Bettelheim.

Max Heindel, inicia seu livro Princípios Rosacruzes para a Educação da Criança, com a frase: “Talvez não haja assunto tão importante quanto a educação de crianças”

Torna-se perfeitamente lógico, haver livros infantis mais recentes e atuais, onde seus personagens, fatos e narrativas, possuem – ainda que veladamente, E CADA VEZ MAIS NÍTIDOS – ensinamentos aquarianos, pelo fato deste signo, por precessão dos equinócios estar se avizinhando. Seria O Pequeno Príncipe um destes livros?

Também vale ressaltar as palavras de Cristo:


E também estas: Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele (Marcos 10:15).

Era uma vez....

03/04/2019

Sobre a Extraordinária Vida Crística de uma Veterinária Ateia

por Jonas Taucci
Talvez por trabalhar a anos em pesquisas de livros, com catalogação aproximada em torno de um milhão cento e quinze mil, em vários idiomas, uma amiga de minha família procurou-me recentemente, contando haver um sério problema com sua filha:

- Ela é formada em veterinária, vegetariana, possui sua clínica e consultório próprio, atende também - uma vez por semana – gratuitamente. Participa de trabalhos voluntários para cuidar de animais abandonados.

Possui ainda o projeto de criar um “hospital vegetal”, onde cuidará de árvores, plantas, flores definhadas etc., com música (!), terra adubada, luz solar, água energizada com instrumentos musicais, poda e... amor.

É uma ótima filha, irmã, esposa, mãe e amiga, sempre dedicando sua vida ao auxílio dos desassistidos, visitando enfermos em hospitais. Contudo, ela é ateia. Você teria algum livro para me indicar, nas áreas religiosa, espiritualista ou esotérica para que eu possa dar lhe dar? Estou preocupada!

Respondi a esta senhora, que sua filha é um exemplo para toda a humanidade, e deixo claro que não estou promovendo qualquer apologia ao ateísmo, contudo as palavras de Cristo (Mateus 7:21), determina o tom:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”.

Vivemos em uma época em que, “meia dúzia de toques” em nosso celular, nos levará a várias religiões, seitas doutrinas, e – para nós, aspirantes rosacruzes - a todos os livros escritos por Max Heindel.

Conhece-los, nos fará alcançarmos o nascimento de nosso Cristo Interno?

Absolutamente, não.

Em Cartas aos Estudantes Max Heindel nos diz:


Impactante a frase do Sr. Heindel?

Aqui – também – nenhuma apologia a não se ler, mas o que estamos efetivamente fazendo com o conhecimento lido? Satisfazendo nosso apetite intelectual?

O profeta Jeremias (650 A.C. – 586 A.C.), nos revela uma das mais sublimes exaltações que existe com respeito ao nosso Eu Superior, sua expansão em nosso ser, e consequentemente o nascimento do Cristo Interno.

“Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde, e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto”. (Livro de Jeremias 17:08).

Basta - apenas - substituir a palavra “Senhor” por “Eu Superior”, e teremos uma citação iniciática:

“Bendito o homem que confia no seu Eu Superior e cuja esperança é o seu Eu Superior. Porque ele (o Eu Superior) é como a árvore plantada junto às águas, que estende suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde, e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto”.

*** Bendito, bênçãos ao homem que confia e deposita esperança em seu Eu Superior: a prática do que se aprende.

*** Torna-se sempre alimentado pela iluminação, estendendo essa luz a todos seus corpos (denso, vital, de desejos e mente).

*** Este, não receia quando se aproxima as adversidades, pois confia em sua origem divina, sabedor da existência das leis do renascimento, causa/efeito e principalmente sua prerrogativa epigenética.

*** Mesmo em períodos difíceis, não abandona sua assistência aos seus semelhantes e demais reinos da natureza.

*** Agindo desta forma, produz – internamente – frutos doces e saborosos (o desenvolvimento espiritual).

Um dos maiores sintomas da ignorância constitui-se na ilusão do conhecimento.

02/04/2019

A Missão de Cristo e Seu Derramamento de Sangue

PERGUNTA
A missão de Cristo não poderia ter sido cumprida sem um método tão drástico como o da crucificação?

RESPOSTA: Poderia ter sido cumprida sem o método específico da crucificação, mas era uma necessidade absoluta que o sangue fosse derramado. Há vários graus de mestres e cada um requer diferentes condições para o cumprimento de sua tarefa. Alguns mestres, como Moisés e Buda, vêm para uma determinada nação e ajudam-na, eles mesmos desenvolvendo-se através desse trabalho. Os dois mestres mencionados acima atingiram um ponto tal em seu desenvolvimento, que seus corpos se tornaram luminosos. Ouvimos dizer que o rosto de Moisés chegou a brilhar tanto, que ele necessitou usar um véu.

Buda tornou-se luminoso no momento da sua morte. Cristo atingiu o estágio da luminosidade no momento da Sua transfiguração. Torna-se muito significativo que a parte mais importante do Seu trabalho, Seu sofrimento e morte, ocorreram após o evento da transfiguração. E enquanto tornou-se necessário para Moisés, Elias, Buda e outros mestres anteriores renascer repetidas vezes, a fim de carregar os pecados do seu povo, Cristo apareceu apenas uma única vez num corpo físico e não necessitará novamente usar tal veículo. Quando o espírito deixa o corpo de forma natural, leva consigo certas impurezas ao retirar-se lentamente do sangue coagulado. Mesmo num corpo tão puro quanto o de Jesus havia impurezas. A morte violenta, que fez o sangue fluir intensamente, liberou o Ego de Cristo do sangue num movimento brusco, abandonando toda impureza existente, de forma que Cristo emergiu do corpo de Jesus imaculado e sem os laços do destino que geralmente acompanham a vida no corpo denso.

Embasados no mesmo princípio, reconhecemos que embora atualmente ocorram guerras lamentáveis do ponto de vista humano, também é patente para o ocultista que elas purificam o sangue da raça, de modo que a humanidade se torna gradualmente menos violenta e mais espiritual. Podemos ainda dizer que também nisso se reflete a característica redentora do sacrifício dos animais. Quando a

humanidade passou pelo estágio animal, não possuía sangue vermelho repleto de paixão como nossos animais têm hoje. Não éramos tão evoluídos. Os animais de hoje, embora inferiores em evolução, encontram-se numa espiral mais elevada. Enquanto estamos sofrendo sob a Lei de Consequência, por termos de vencer as nossas paixões com a nossa própria força de vontade, os animais estão sendo ajudados e mantidos sob controle pelos seus espíritos-grupo. Quando atingirem o estágio humano no Período de Júpiter, tornar-se-ão uma humanidade superior, livre das paixões que fizeram deste mundo um lugar tão desolador. Desta forma, a natureza sempre transmuta qualquer mal que possamos cometer num bem mais elevado.

Respondendo à pergunta, podemos dizer que, no caso de Cristo, a morte violenta foi necessária porque capacitou o Espírito Cristo a retirar-se do corpo de Jesus sem reter quaisquer das impurezas inerentes ao veículo meramente humano.

Pergunta 101 do livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I Max Heindel

25/03/2019

Significado Esotérico dos Dois Ladróes

PERGUNTA: Qual o significado esotérico dos dois ladrões e da cruz?

RESPOSTA: Contrariamente à opinião geralmente aceita, os quatro Evangelhos não são absolutamente a biografia de Jesus, o Cristo. São fórmulas iniciáticas de quatro diferentes Escolas de Mistérios. Para encobrir o seu significado esotérico, a vida e o ministério de Cristo foram também entremeados. Isso pôde ser feito porque todos os iniciados, sendo individualidades cósmicas, têm experiências similares. Sabemos que Cristo falava à multidão por parábolas, mas o significado oculto delas era explicado aos Seus discípulos em particular. Paulo também “dava leite para os fracos e carne para os fortes”. Jamais pretenderam transmitir os símbolos ocultos para as pessoas comuns, ou fazer da Bíblia ”um livro aberto de Deus”, como muitos atualmente acreditam.

Ao ler na Memória da Natureza descobrimos que, quando da crucificação, não houve apenas dois, mas vários crucificados. Naquela época, a pena capital era imposta pelas mínimas transgressões e muitos sofreram essas mortes bárbaras. Deste modo, aqueles que pretendiam encobrir o significado oculto dos Evangelhos, precisavam encontrar algo com que preencher a narrativa e velar as circunstâncias realmente vitais da crucificação.

A história relativa aos ladrões é, portanto, um incidente verdadeiro, não possuindo nenhum significado esotérico.

Pergunta 99 do livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I Max Heindel

24/03/2019

Expansão de Consciência

Uma mensagem do ECOS da The Rosicrucian Fellowship, década de 80 (*)

No Capítulo do Conceito Rosacruz do Cosmos que trata do esquema ou caminho da evolução lemos: “Os três e meio Períodos que faltam serão dedicados ao aperfeiçoamento destes veículos, e a expansão de nossa consciência em algo semelhante a onisciência” (Veja Conceito Rosacruz do Cosmos - Caminho da Evolução - Os Sete Períodos) .Esta lição trata desta importante fase da evolução. Já caminhamos um grande percurso desde a consciência de sono profundo, do Período de Saturno ao estado de consciência de vigília atual, e estamos nos preparando para a elevada consciência espiritual que obteremos no Períodos de Vulcano. Este é o grande plano que nosso Criador traçou para nós – os Espíritos Virginais. Através das diferentes fases da involução fomos guiados por Seres Elevados, de variados graus de poder, porém, no tempo atual, nos encontramos no caminho evolutivo do desenvolvimento, e ampliando a nossa Consciência de Vigília, cujo desenvolvimento está em nossas próprias mãos, dependendo de nossa iniciativa e diligência, a fim de que cresça ou estacione.

Como Aspirantes sinceros e humildes temos plena consciência de nossos muitos defeitos. Como alcançar o crescimento anímico é o objetivo de nossos esforços diários, porque é este crescimento anímico que aumentará a nossa consciência. Frequentemente sentimos que não podemos nos concentrar ou meditar de forma correta ou tão profundamente como desejaríamos porque influências externas nos perturbam, e com facilidade pensamos que a tarefa de Aspirante é demasiada para nós. É então que somos tentados a fugir ao compromisso de nos desenvolvermos espiritualmente. Mas sabemos que o crescimento anímico não se acumula “fugindo da vida” ou das nossas obrigações para com a sociedade e para com o mundo físico. A consciência se produz pela guerra entre o Corpo de Desejos (que constrói) e o Corpo Vital que destrói). O Espírito renasce para obter experiência e esta só se pode alcançar pelo contato com nossos semelhantes no Mundo Físico de ação e reação.

A razão para a edificação de nosso intricado sistema de veículos eficientes durante a involução, foi para obter consciência própria pelo uso destes veículos conscientemente. Durante nossa jornada evolucionária, conseguimos poder anímico que é o alimento que o Espirito requer. Desde o princípio este nosso espírito foi uma parte de Deus, e agora, como sempre, “ vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” em Deus, porém, tem que se converter em um espírito humano, individualizado, consciente. Como tal, no devido tempo, deve dar-se conta de sua própria história passada, suas possibilidades atuais e suas futuras potencialidades.

Cristo advertiu a seus ouvintes: “Se, tu, portanto, perfeito como teu Pai é perfeito nos Céus”. Ele sabia que nenhum de Seus ouvintes possuía a perfeição de Deus no tempo em que Ele lhes falou, porém, que é possível ao homem conseguir. Por Suas palavras desejava “impressionar” e recordar à humanidade que, pelo esforço constante e pelo exercício da vontade, o homem poderá alcançar a perfeição. Ele quis elevar aos não sensitivos porque Ele sabia que nosso adormecido espírito tem que ser despertado, frequentemente por dolorosas experiências.

Reunimos material para o crescimento de nossa alma através de nossas experiências diárias. Como tratamos estes acontecimentos que enfrentamos em nossa existência diária, será nossa contribuição individual para com a vida. Cada um de nós experimentou um meio ambiente distinto e se equipou com um átomo-semente mais ou menos poderoso no começo da vida, e, por conseguinte a reação de cada um, é diferente, individualizada, e assim enriquecerá a obra da vida. Carecemos de poder suficiente apreciável sobre os sucessos com que temos de nos defrontar em nossa jornada desde o berço ao túmulo, porém, podemos determinar COMO reagir ante eles. Temos liberdade em demonstrar, face aos problemas da vida, debilidade ou valor ao enfrenta-los. Nesta luta divina, a alma é enriquecida e a quinta-essência deste crescimento anímico é extraído vida após vida, armazenando-se como poder vibratório. Este poder reunido pelo Espírito durante muitas vidas é o que sentimos quando nos colocamos em contato com nossos semelhantes. É o poder vibratório que com frequência cria imediato gostos ou aversões. O poder anímico se imprime em nossa própria alma e sentimos o seu efeito.

Richard Wagner, em sua Ópera Parsifal, teve um esplêndido êxito ao dar-nos um quadro revitalizado da velha lenda que fala da jornada do homem através da vida conforme enfrenta os perigos e domina as tentações. Finalmente, chega à conclusão de sua pesquisa com a alma enriquecida e sua alma expandida. Quando, pela primeira vez, Parsifal aparece em cena, é puro e sem malícia e, surpreendemente inocente. Deseja ser de alguma utilidade no Castelo do Graal, porém, antes de o conseguir, tem que enfrentar as realidades da vida e do mundo com seus perigos, porque tem que aprender a discernir. Este é o único meio de verificarmos onde somos débeis. Parsifal em sua inocência passa através de seus encontros com as donzelas e a tentadora Kundry sem prejudicar-se. Em seu doloroso encontro com Kundry obtém novo conhecimento que resulta em maior consciência. Parsifal viaja através do mundo, encontra sofrimentos e fadigas, e, agora quando retorna ao castelo do Graal está em condições de ajudar e seus esforços são aceitos prazerosamente, porque tem o domínio de si mesmo. Parsifal diz a seus amigos: “Vim através dos erros e sofrimentos, através de muitos fracassos e incontáveis angústias. Isso deveria dar a todos aqueles “QUE PROCURAM” novo alento para fazer o seu trabalho no mundo, sabendo que nada se perde e que todo esforço sincero é válido.

A essência de nossas experiências, vida após vida, se acumula e não se perde. O amor e entendimento adquirido fará nossa jornada para o alto mais feliz e mais proveitosa a todo aquele que tentar.

(*) Tradução da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil publicada na revista Serviço Rosacruz, agosto de 1982

TERMOS ROSACRUZES - LETRA M

  MEMÓRIA DA NATUREZA

Quando o investigador ocultista deseja estudar um acontecimento do passado da humanidade, pode facilmente chamar ante sua mente a imagem desse acontecimento existente na Memória da Natureza. Há na Natureza uma “gravação” de nosso passado que abarca até mesmo mínimos detalhes. O clarividente treinado, que pode ler na Memória da Natureza, pode observar as diversas vidas de um homem, como se uma película cinematográfica se desenvolvesse ante ele no sentido inverso. Veria primeiramente a vida atual do homem em questão, depois seu nascimento, sua estadia nos mundos invisíveis, depois a morte de sua vida anterior, o panorama que por si mesmo se desenvolveu em sentido inverso, passando, se houve, a idade adulta, a juventude, a adolescência e a infância até o nascimento, e assim sucessivamente através das diversas vidas.

Do livro Dicionário de Termos Rosacruzes, tradução pela Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil 

07/03/2019

Tratado Esotérico sobre a Geladeira

Elias e a viúva de Serapta ( I Reis,17), 1630, Bartholomeus Breenbergh

por Jonas Taucci
Os Ensinamentos Rosacruzes estão alicerçados no Cristianismo Esotérico, onde não devemos nos esquecer – por mais conhecimentos e informações que possamos obter – as palavras do Cristo:

“Aquele que quiser ser o maior entre vós, seja o servo de todos”

Evangelho de Lucas (04:21 a 30), palavras de Cristo:

- No tempo do profeta Elias, não choveu por muito tempo, houve fome e muitas viúvas em Israel. Porém apenas uma viúva, em Serapta (Sidônia), recebeu a visita de Elias, que a alimentou. (I Reis Capítulo 17)

- No tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel, contudo nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, de nacionalidade síria. (II Reis Capítulo 05).

A fome (espiritual) e a cura ao leproso (purificação/iluminação), vieram às pessoas que não pertenciam à comunidade judaica, nem a Israel. Possuir o “carimbo” de pertencermos a uma religião, doutrina, filosofia, seita etc. não significa – em termos de avanço evolutivo espiritual - absolutamente nada.


Naamã banhando-se no Jordão (II Reis, 5:10-14). Gravura, autor desconhecido. 
Fonte Wikimmedia Commons

Das palavras de Cristo acima, tira-se uma das lições mais importantes (senão a mais...), para o aspirante rosacruz:

Pertencermos à Fraternidade Rosacruz e sabermos – sobejamente - seus livros, cursos, textos, palestras etc., não se constitui numa garantia de crescimento e desenvolvimento espiritual. Com certeza, há pessoas muito mais dimensionadas dentro da escala evolutiva, que, por praticar - talvez ainda que inconscientemente - os Ensinamentos Rosacruzes, avançaram mais na Senda, não conhecendo absolutamente nada sobre estes ensinamentos...

Pode surgir a retórica:

- Procuro estudar e aprender estes Ensinamentos Rosacruzes, para os colocar em prática, conscientemente.

Surge a réplica:

- Estamos realmente fazendo isso, ou apenas cultuando e idolatrando nossos conhecimentos, pensando em si próprio?

Tudo o que nos pertence, por excesso, pertence (ou deveria pertencer...) aos necessitados.

*** A quantas andam as roupas em nossos armários?

*** Como está o abastecimento de nossa geladeira?

*** Temos remédios que perderam o prazo de validade?

***Quanto tempo dedico a meu próximo, efetivamente, visitando pessoas enfermas e necessitadas?

Há um outro fator – importantíssimo, atrelado a este princípio:

Atualmente fala-se muito de desapego. Desapego não significa abster-se das coisas físicas, na verdade significa estas coisas não possuírem as pessoas.

No informativo de nossa Sede Mundial (Oceanside), bimestre janeiro/fevereiro deste ano de 2.019, há uma admoestação (literalmente, e sem trocadilhos) CRUCIAL:

- ... não se chega à iniciação sentado numa poltrona dando conselhos ou falando da vida alheia. Se valorizamos o que aprendemos, pratiquemos essas verdades, tornando-se canais autoconscientes para o bem e esforcemo-nos em fazer a diferença em nossa vida, comunidade e mundo.

Muitos sonham em visitar o Templo Rosacruz (etérico).

Poucos possuem um lampejo ao semelhante, ao visitar sua geladeira...