08/08/2026

AVE AGOSTO - 117º aniversário de fundação da The Rosicrucian Fellowship

 Por Jonas Taucci


Agosto nos evoca a fundação da The Rosicrucian Fellowship (08 do referido mês em 1909) na cidade americana de Seattle (estado de Washington). Pouco depois iniciou-se a construção da Sede Mundial em outra cidade, Oceanside (estado da California).

Antigos probacionistas do Centro Rosacruz de São Paulo, diziam ser deveras interessante Seattle ter abrigado a fundação da TRF, pois este nome presta homenagem ao homônimo chefe indígena (1786-1866) das tribos Duwamish e Suquamish, daquela região.

Fontes documentais da história informam que Seattle, ao saber do interesse governamental americano em comprar áreas naquela localidade, mostrou-se surpreso pois – relatava detalhadamente - terras, animais, rios, peixes, árvores, pássaros, ar etc. não se vende ou compra-se, acrescentando também que devemos respeitar e amar a natureza.

Seus dizeres quanto a isto - para muitos - trata-se de um do primeiros Tratados Ecológicos conhecidos, sendo também inspiração musical, poética e adotado em escolas de diferentes graus em todo o mundo ao longo do tempo.

Abaixo, um resumo da Carta de Seattle (como é conhecida) que, com tradução do irmão probacionista Reili José Briguentti, foi lida no Centro Rosacruz de Santo André, pela também probacionista, irmã Rosalina Martinelli no dia 8 de agosto de 1984, quarta feira, onde observou-se o exato 75º aniversário de fundação da The Rosicrucian Fellowship (Jubileu de Diamante).



CARTA DE SEATTLE

“O grande chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. Ele assegurou-nos também de sua amizade e benevolência.

Porém, vamos pensar em tua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, virão com armas e a tomarão de nós. O grande chefe em Washington pode confiar no que digo, pois minhas palavras são como as estrelas - elas não perdem o brilho.

Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia é-nos estranha.

Nós não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. Como podes então comprá-los de nós? Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias arenosas, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. Sabemos, vocês não compreendem o nosso modo de viver e não respeitam a natureza.

Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si os desertos. A vista de suas cidades é um tormento para os olhos de meu povo. Mas talvez isso seja assim por sermos selvagens que nada compreende, segundo vocês.

Não se pode encontrar paz nas cidades do seu povo. Não há um lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem da primavera ou o tinir das asas de insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é para mim uma afronta contra os ouvidos.

E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo, à noite? Nós preferimos o suave sussurro do vento sobre o espelho da água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia com aroma de pinho.

O ar é precioso porque todos dele necessitam - animais, árvores, humanidade. Não parece que vocês se importem com o ar que respiram.

Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: Seu povo deve tratar os animais como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo que possa ser certo de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias, abandonados por vocês que os abatiam a tiros disparados do trem.

Não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um bisão. O que é o homem sem os animais? Se eles acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar à humanidade.

Tudo está relacionado entre si. O que fere a terra fere também os filhos da terra. Os nossos filhos viram seus pais serem humilhados na derrota.

Não tem grande importância onde passaremos nossos últimos dias: eles não serão muitos. Mais algumas horas ou invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra restará para chorar um povo que foi poderoso e cheio de confiança como o nosso.

De uma coisa temos certeza – talvez vocês saibam algum dia - o nosso Deus é o mesmo Deus de vocês!

Julgas, talvez, que o podes possuir da mesma maneira como desejas possuir a nossa terra.

Não podes.

Ele é Deus da humanidade inteira. E quer bem igualmente ao meu povo como ao teu. A terra é amada por Ele e causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador.

E sobre as águias? Terão ido embora. Restará o adeus à andorinha e o começo da luta para sobreviver. Talvez compreenderíamos se conhecêssemos com o que sonha seu povo, se soubéssemos quais as esperanças que transmitem aos seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar os desejos para o dia de amanhã.

Mas nós somos selvagens. Os sonhos de vocês são ocultos para nós. E por serem ocultos, temos de escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos, é para garantir as reservas de terra que nos prometeste.

Lá talvez possamos viver os últimos dias conforme desejamos.

Depois do último homem ter partido e a sua lembrança não passar de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças como era a terra quando dela tomaste posse. E com toda tua força, o teu poder, e todo o teu coração conserva-a para teus filhos e a ame. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus de vocês. Esta terra é querida por Ele.

Nem mesmo teu povo pode evitar o nosso destino comum".



Nesta mesma reunião, os irmãos probacionistas Ana R. Tempera e Armando Tempera – com tradução de Álvaro V. Ramos declamaram, alternadamente, cada uma das estrofes do poema abaixo, publicado da revista Rays from the Rose Cross (julho de 1980), não sendo informado o autor.


OS ROSACRUZES E SEU TRABALHO

Os ROSACRUZES constituem uma irmandade dedicada ao desenvolvimento das faculdades do homem, ao conhecimento das leis mais profundas e ao estabelecimento de uma Fraternidade Cristã sobre a Terra.

Os ROSACRUZES perfazem uma Ordem Secreta, todavia atuam externamente por meio de indivíduos e grupos. A Fraternidade Rosacruz é uma destas organizações. Ela foi criada para tornar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental acessível a todos que buscam respostas para os mistérios da vida e do ser humano.

Os ROSACRUZES trabalham especificamente com os povos do ocidente e seus métodos de desenvolvimento espiritual são concebidos para atender as necessidades intelectuais e religiosas dessas pessoas.

A ESCOLA ROSACRUZ visa emancipar o indivíduo das dependências de fatores externos e alcançar, por sua vez, uma confiança plena em seu Deus Interno.

OS IRMÃOS DA ROSACRUZ trabalham para promover um desenvolvimento equilibrado entre mente e coração, razão e intuição. Eles se empenham em restabelecer a unidade dos três campos da expressão humana: arte, ciência e religião.

A ORDEM ROSACRUZ foi fundada no século XIV por Christian Rosenkreuz, um mensageiro da Grande Loja Branca das Divinas Hierarquias que guia a humanidade no caminho da evolução.

A IRMANDADE ROSACRUZ é uma das sete Escolas Menores de Mistérios do mundo. Seus Doze Irmãos, juntamente com o décimo terceiro - o chefe - não possuem organização física, sendo que seu trabalho é desconhecido para todos, exceto aos iniciados.

A FRATERNIDADE ROSACRUZ é uma escola que existe com o propósito de informar e instruir seus alunos no trabalho preparatório necessário que conduz, em última instância, ao Monte da Iluminação.


A tradução da Interpretação do Tema Natal pode ser vista aqui 


SUGESTÕES DE LEITURA:

1 - Filosofia Rosacruz em P&R Volume I perguntas 177 a 180 (Max Heindel), sobre o trabalho da Ordem Rosacruz e Fraternidade Rosacruz.
2 - Filosofia Rosacruz em P&R Volume II perguntas 140, 145 e 157 (Max Heindel), sobre o trabalho da Ordem Rosacruz, Fraternidade Rosacruz e Christian Rosenkreuz.
3 - Enterrem meu coração na curva do rio (Dee Brown), onde aborda-se, historicamente, acontecimentos à época do chefe indígena Seattle.


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