Por Jonas Taucci
A verdadeira morada do espírito é o Lar Celestial, nossos esforços devem ser dirigidos a isto. O propósito de nossas sucessivas vidas aqui é o amalgamento de nossa vivencias e a finalidade destas, em amadurecimento espiritual: a vida nos ensina lições e assimilando-as iremos em direção da real moradia.
Nosso amadurecimento espiritual determina – concomitantemente - a libertação final de Cristo de sua “prisão terrestre”, a Trajetória Anual do Cristo, sobejamente conhecida pelo aspirante rosacruz. Nesta época do ano as igrejas cristãs enfatizam os sofrimentos do calvário e o sacrifício do Cordeiro (Áries) de Deus em benefício do gênero humano, e sua ressureição. Todos os sermões e liturgias convergem para este tema: É Páscoa.
Meditando sobre o fato ocorrido a mais de dois mil anos atrás à luz dos Ensinamentos Rosacruzes, veremos que aquelas horas de intenso sofrimento, de Cristo no calvário, foram menores se comparadas com o que Ele suporta presentemente.
Carregar aquela cruz de madeira na agitada Jerusalém de vinte séculos passados ouvindo chacotas e insultos são ultrapassados pelo carregar a cruz de toda humanidade; esse madeiro gigantesco impregnado de todas as mazelas humanas.
Sacrifício maior para o Mais Alto Iniciado do Período Solar (Cristo) é permanecer ligado a um planeta como o nosso, de vibrações envoltas em egoísmo, inveja e ódio.
Cristo somente bradará o “Consumatum est” definitivo quando todos nós nos elevarmos espiritualmente e o liberarmos de sua missão na Terra. Na qualidade de seguidores dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, nossa responsabilidade torna-se gigantesca: cumpre-nos viver nossas vidas tão altruisticamente quanto seja possível, nos esforçando a que nenhum pensamento, palavras e ações agreguem baixas vibrações na Terra.
Verdadeiramente, na qualidade de seres humanos, estamos sujeitos a quedas e erros, mas nosso labor consiste em evitá-los, mantendo uma vigilância (Ora et Labora).
Ao cairmos, que não nos falte forças para o soerguimento e ajustamentos apropriados a canais de conduta.
Se a ocasião constitui-se própria para meditarmos como aliviar os sofrimentos do Cristo, também torna-se propícia a participarmos das alegrias da Páscoa: regozijarmos não apenas pelo auxílio Dele, mas também termos a consciência de que preciosas oportunidades de serviço nos são oferecidas diariamente.
Alegremo-nos – muito - por não sermos meros coadjuvantes, mas partícipes do processo da liberação do Cristo de sua jornada à Terra.
A Páscoa assinala a vitória da vida sobre a morte, do espírito sobre a matéria, do altruísmo sobre o egoísmo, da sincera amizade sobre a inveja e do amor sobre ódio.
Muito provavelmente estes preceitos inspiraram Max Heindel a escrever que “Para esses iluminados a Páscoa proporciona uma percepção profunda que todos os homens são peregrinos na Terra: que o verdadeiro lar do espírito é no Reino Celestial: e que para alcançar esse reino todos devem esforçar-se por aprender as Lições da Escola da Vida o mais depressa possível, o que possibilita a cada um buscar a aurora do dia que o libertará permanentemente da escravidão da Terra. Para tais iluminados a Páscoa simboliza a aurora de um dia feliz em que toda a humanidade – como também Cristo – estará permanentemente livre da opressiva confinação à materialidade, podendo então elevar-se aos Reinos Celestiais e tornarem-se pilares da fortaleza na Casa do Pai, onde não mais sairão” (Interpretação Mística da Páscoa – Capítulo I – O Cristo Cósmico).
A MANSÃO DOURADA
O texto acima retrata uma síntese de artigo publicado no Editorial da revista Serviço Rosacruz (Centro Rosacruz de São Paulo), edição de março/abril de 1987. O poema, autoria de Veda Burnaugh Collins (colaboradora da revista Rays from the Rose Cross), consta na edição de março de 1975, do referido órgão de divulgação dos Ensinamentos Rosacruzes da The Rosicrucian Fellowship, com tradução da Equipe Permanente de Tradutores Probacionistas da Fraternidade Rosacruz.
Ambos, texto e poema, foram lidos – respectivamente - pelos probacionistas Armando Tempera e Ana R. Tempera, no domingo de Páscoa, 31 de março de 1991, no Centro Rosacruz de Santo André.
A Páscoa também deve ser compreendida como RENOVAÇÃO; um ano astrológico termina (Piscis) e outro inicia-se (Áries), já que a Celebração Pascal calcula-se, também, pelo ingresso do Sol no signo ígneo e cardinal de Áries.
A renovação de nossos pensamentos, dizeres e ações temperados com o serviço amoroso e desinteressado aos nossos irmãos, ganha um impulso adicional nesta parte do ano.
Os Ensinamentos Rosacruzes possuem a natureza Aquariana, sendo Urano regente deste signo astrológico e ainda que não tenhamos em nosso Tema Natal a quadratura de Saturno com Urano, Elman Bacher (Estudos em astrologia - volume II capítulo IV – Urano: Liberta!) nos fala de sete conflitos entre este aspecto astrológico citado, tratando-se de um verdadeiro Compêndio Alquímico para que todos nós o realizemos, aludindo isto a uma RENOVAÇÃO:
- Velho contra o novo.
- Escravidão contra transcendência.
- Medo contra libertação.
- Instinto da segurança contra ânsia de aventura.
- Crença e raça contra universalidade.
- Tribo contra indivíduo.
- Ortodoxia contra realização.
Olhemos para o nosso interior, colocando, separadamente, cada um destes sete itens numa balança de dois pratos, separadamente, auferindo-os. Tiremos conclusões, renovemo-nos e, com a aplicação do discernimento, procuremos destilá-los diariamente munidos da fé de que - num futuro dia - vivenciaremos plenamente o que foi dito pelo profeta Isaías (58:10) aproximadamente em 700 A.C.



















