08/08/2026

AVE AGOSTO - 117º aniversário de fundação da The Rosicrucian Fellowship

 Por Jonas Taucci

Agosto nos evoca a fundação da The Rosicrucian Fellowship (08 do referido mês em 1909) na cidade americana de Seattle (estado de Washington). Pouco depois iniciou-se a construção da Sede Mundial em outra cidade, Oceanside (estado da California).

Antigos probacionistas do Centro Rosacruz de São Paulo, diziam ser deveras interessante Seattle ter abrigado a fundação da TRF, pois este nome presta homenagem ao homônimo chefe indígena (1786-1866) das tribos Duwamish e Suquamish, daquela região.

Fontes documentais da história informam que Seattle, ao saber do interesse governamental americano em comprar áreas naquela localidade, mostrou-se surpreso pois – relatava detalhadamente - terras, animais, rios, peixes, árvores, pássaros, ar etc. não se vende ou compra-se, acrescentando também que devemos respeitar e amar a natureza.

Seus dizeres quanto a isto - para muitos - trata-se de um do primeiros Tratados Ecológicos conhecidos, sendo também inspiração musical, poética e adotado em escolas de diferentes graus em todo o mundo ao longo do tempo.

Abaixo, um resumo da Carta de Seattle (como é conhecida) que, com tradução do irmão probacionista Reili José Briguentti, foi lida no Centro Rosacruz de Santo André, pela também probacionista, irmã Rosalina Martinelli no dia 8 de agosto de 1984, quarta feira, onde observou-se o exato 75º aniversário de fundação da The Rosicrucian Fellowship (Jubileu de Diamante).



CARTA DE SEATTLE

“O grande chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. Ele assegurou-nos também de sua amizade e benevolência.

Porém, vamos pensar em tua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, virão com armas e a tomarão de nós. O grande chefe em Washington pode confiar no que digo, pois minhas palavras são como as estrelas - elas não perdem o brilho.

Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia é-nos estranha.

Nós não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. Como podes então comprá-los de nós? Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias arenosas, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo. Sabemos, vocês não compreendem o nosso modo de viver e não respeitam a natureza.

Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si os desertos. A vista de suas cidades é um tormento para os olhos de meu povo. Mas talvez isso seja assim por sermos selvagens que nada compreende, segundo vocês.

Não se pode encontrar paz nas cidades do seu povo. Não há um lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem da primavera ou o tinir das asas de insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é para mim uma afronta contra os ouvidos.

E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo, à noite? Nós preferimos o suave sussurro do vento sobre o espelho da água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia com aroma de pinho.

O ar é precioso porque todos dele necessitam - animais, árvores, humanidade. Não parece que vocês se importem com o ar que respiram.

Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: Seu povo deve tratar os animais como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e não compreendo que possa ser certo de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias, abandonados por vocês que os abatiam a tiros disparados do trem.

Não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um bisão. O que é o homem sem os animais? Se eles acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar à humanidade.

Tudo está relacionado entre si. O que fere a terra fere também os filhos da terra. Os nossos filhos viram seus pais serem humilhados na derrota.

Não tem grande importância onde passaremos nossos últimos dias: eles não serão muitos. Mais algumas horas ou invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra restará para chorar um povo que foi poderoso e cheio de confiança como o nosso.

De uma coisa temos certeza – talvez vocês saibam algum dia - o nosso Deus é o mesmo Deus de vocês!

Julgas, talvez, que o podes possuir da mesma maneira como desejas possuir a nossa terra.

Não podes.

Ele é Deus da humanidade inteira. E quer bem igualmente ao meu povo como ao teu. A terra é amada por Ele e causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador.

E sobre as águias? Terão ido embora. Restará o adeus à andorinha e o começo da luta para sobreviver. Talvez compreenderíamos se conhecêssemos com o que sonha seu povo, se soubéssemos quais as esperanças que transmitem aos seus filhos nas longas noites de inverno, quais as visões do futuro que oferece às suas mentes para que possam formar os desejos para o dia de amanhã.

Mas nós somos selvagens. Os sonhos de vocês são ocultos para nós. E por serem ocultos, temos de escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos, é para garantir as reservas de terra que nos prometeste.

Lá talvez possamos viver os últimos dias conforme desejamos.

Depois do último homem ter partido e a sua lembrança não passar de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças como era a terra quando dela tomaste posse. E com toda tua força, o teu poder, e todo o teu coração conserva-a para teus filhos e a ame. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus de vocês. Esta terra é querida por Ele.

Nem mesmo teu povo pode evitar o nosso destino comum".



Nesta mesma reunião, os irmãos probacionistas Ana R. Tempera e Armando Tempera – com tradução de Álvaro V. Ramos declamaram, alternadamente, cada uma das estrofes do poema abaixo, publicado da revista Rays from the Rose Cross (julho de 1980), não sendo informado o autor.


OS ROSACRUZES E SEU TRABALHO

Os ROSACRUZES constituem uma irmandade dedicada ao desenvolvimento das faculdades do homem, ao conhecimento das leis mais profundas e ao estabelecimento de uma Fraternidade Cristã sobre a Terra.

Os ROSACRUZES perfazem uma Ordem Secreta, todavia atuam externamente por meio de indivíduos e grupos. A Fraternidade Rosacruz é uma destas organizações. Ela foi criada para tornar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental acessível a todos que buscam respostas para os mistérios da vida e do ser humano.

Os ROSACRUZES trabalham especificamente com os povos do ocidente e seus métodos de desenvolvimento espiritual são concebidos para atender as necessidades intelectuais e religiosas dessas pessoas.

A ESCOLA ROSACRUZ visa emancipar o indivíduo das dependências de fatores externos e alcançar, por sua vez, uma confiança plena em seu Deus Interno.

OS IRMÃOS DA ROSACRUZ trabalham para promover um desenvolvimento equilibrado entre mente e coração, razão e intuição. Eles se empenham em restabelecer a unidade dos três campos da expressão humana: arte, ciência e religião.

A ORDEM ROSACRUZ foi fundada no século XIV por Christian Rosenkreuz, um mensageiro da Grande Loja Branca das Divinas Hierarquias que guia a humanidade no caminho da evolução.

A IRMANDADE ROSACRUZ é uma das sete Escolas Menores de Mistérios do mundo. Seus Doze Irmãos, juntamente com o décimo terceiro - o chefe - não possuem organização física, sendo que seu trabalho é desconhecido para todos, exceto aos iniciados.

A FRATERNIDADE ROSACRUZ é uma escola que existe com o propósito de informar e instruir seus alunos no trabalho preparatório necessário que conduz, em última instância, ao Monte da Iluminação.


A tradução da Interpretação do Tema Natal pode ser vista aqui 


SUGESTÕES DE LEITURA:

1 - Filosofia Rosacruz em P&R Volume I perguntas 177 a 180 (Max Heindel), sobre o trabalho da Ordem Rosacruz e Fraternidade Rosacruz.
2 - Filosofia Rosacruz em P&R Volume II perguntas 140, 145 e 157 (Max Heindel), sobre o trabalho da Ordem Rosacruz, Fraternidade Rosacruz e Christian Rosenkreuz.
3 - Enterrem meu coração na curva do rio (Dee Brown), onde aborda-se, historicamente, acontecimentos à época do chefe indígena Seattle.


19/07/2026

A Chave de Todas as Curas

 por Max Heindel

Lembrando o aniversário de nascimento de Max Heindel, que ocorrerá nesta semana,  aproveito para postar a tradução desse artigo de sua autoria que foi publicado na seção "Healing" da revista "Rays from the Rose Cross". Esta tradução é da "Rays" de novembro/dezembro de 2004, mas o mesmo artigo consta também em exemplares dos anos 50 e 73 da mesma revista. Mais "tributos" a Max Heindel aqui.

Em algum momento, estive entre os doentes e muitos dos que me rodeavam estavam gravemente aflitos. Falavam constantemente sobre remédios, alimentos, climas e vários tratamentos, em um ou mais dos quais buscavam a cura.

Isso é natural; não pareceria razoável que um sofredor negligenciasse o uso de meios físicos nos quais ele tivesse fé. Existem medidas físicas que aliviarão qualquer enfermidade e ajudarão a efetuar uma cura e, se não as empregarmos, seremos negligentes em nosso dever.

Mas, é correto um paciente depositar toda a sua fé em algo externo a si mesmo para a cura? 

Não acreditamos que seja. Acreditamos que ele é responsável por sua condição e que a cura deve vir principalmente como resultado de seus próprios esforços, sejam eles conscientes ou inconscientemente empregados.

A doença de qualquer natureza é evidência de discórdia —desarmonia.

Mostra que violamos uma Lei da Natureza; pecamos. Muitas vezes não conseguimos nos lembrar de uma transgressão proporcional à gravidade de nossa doença. A Astrologia Médica nos dará Luz. 

Sabemos que é possível elaborar o horóscopo de um bebe assim que ele nasce e identificar as partes vulneráveis do seu corpo, suas tendências a certas doenças. A hereditariedade, por si só, não explicará satisfatoriamente essas tendências. Não acreditamos que um Deus justo permitiria que qualquer alma nascesse com predisposição a certas doenças, a menos que as merecesse.

O bebe não pecou nem violou as Leis da Natureza nesta vida. Parece haver apenas uma resposta razoável para o que o faz nascer com essas tendências: pecou em uma vida passada. Nessa vida anterior, ele tinha certas ideias falsas e distorcidas, que incorporou a este corpo ao renascer.

Construímos nossos próprios corpos e os construímos de acordo com nossos pensamentos e ideias anteriores. Aprendemos a construir certo construindo errado. Só atraímos harmonia — saúde — na medida em que a manifestamos anteriormente.

Se pecar ou violar as Leis da Natureza é a causa da doença, o remédio é evidente.

Devemos mudar nossa vida. Devemos viver em harmonia com Deus — o Bem — a Lei Universal. Devemos buscar sinceramente conhecer onde erramos. Devemos nos esforçar para controlar as fraquezas que trouxeram discórdia ao nosso corpo. E se crescemos até a maturidade, sabemos quais são essas fraquezas, pois elas já se manifestaram como tentações ou transgressões nesta vida.

Cristo ensinou o perdão dos pecados. Ele nos ensinou que, se aprendêssemos nossas lições, a Lei não permitiria que transgressões anteriores — pecados — reagissem sobre nós e nos fizessem sofrer. Ele poderia nos perdoar e "apagar o registro do ato"; isto é, se tivéssemos mudado nossa vida e houvesse pouca chance de cometermos a mesma falta novamente.

Nesse ensinamento reside uma grande esperança para nós.

Acreditamos que, para curar qualquer enfermidade, o meio mais eficaz, além de usar todas as medidas físicas em que temos fé, é buscar, com afinco e em oração, nossas fraquezase erradicá-las.

Para alguns de nós, isso não é fácil, pois exige mudanças em nossas vidas e requer tempo, paciência e perseverança. Mas, vivendo em harmonia com a Lei Universal, possibilitamos que nosso Pai, o Grande Médico, restaure a harmonia em nossos corpos, e tal cura é permanente.

Buscamos e estamos manifestando "o Reino dos Céus e sua Justiça e todas as coisas nos serão acrescentadas" — inclusive a saúde. 

Traduzido da revista Rays  from the Rose Cross de novembro/dezembro de 2004

QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ


Esse artigo faz parte de uma coleção de textos sobre cura da seção "Healing" da revista "Rays from the Rose Cross". Muitos deles foram traduzidos pela Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil e publicados na revista "Serviço Rosacruz".

Se você deseja divulgar, por favor mantenha os créditos. Veja mais como este aqui

12/07/2026

A SAGRADA CELEBRAÇÃO DO TEMPO

 por Jonas Taucci
A imagem acima - "Consolator" de Carl Bloch - utilizada na revista "Rays" de julho de 2003, nos indica o evangelho de Mateus (11:28) onde Cristo nos convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei”.

Não há possibilidade – inequivocadamente - de termos uma comunhão com o Maior Iniciado do Período Solar, sem o nascimento de nosso Cristo Interno.

O Ritual Rosacruz do Solstício de Dezembro chancela isto ao proferir que “É um fato sublime nós sermos Cristo em formação; quanto mais cedo nos convencermos que devemos dar nascimento ao Cristo Interno antes de podermos ver o Cristo exterior, mais depressa chegará o dia de nossa iluminação espiritual”.

O estar cansados e sobrecarregados refere-se ao acúmulo de egoísmo, inveja e demais mazelas que abrigamos: o nascimento de nosso Cristo Interno nos aliviará desta condição e a única forma para isto – mesmo em nossas limitações – consiste em procurar vivenciarmos os preceitos que Ele nos trouxe, durante o tempo em que estivermos aqui na Terra. O convite, saibamos, parte de cada Cristo Interno em formação em cada um de nós, a cada segundo de nossas vidas.

Este fator – o tempo – será a pauta deste artigo.


Em seu evangelho (03:23), Lucas nos informa que o Ministério de Cristo teve início após o batismo no rio Jordão, estando ele com cerca de trinta anos de idade.

Não há relatos na bíblia que Cristo tenha sido crucificado com trinta e três anos, porém neste mesmo evangelho (03: 01 e 02), há informações históricas: (Tibério, imperador de Roma), Pôncio Pilatos (governador da Judeia), Herodes (Tetrarca da Galileia) Filipe (Tetrarca da Itureia), Lisânias (Tetrarca de Abilene) e dos sumos sacerdotes Anás e Caifás. O historiador Flávio Josefo em sua volumosa obra, “História do povo hebreu”, corrobora com estas informações.

Conjugados estes personagens, datas e ocupações na história, realmente Cristo foi crucificado com trinta e três anos, perfazendo desta forma o número da humanidade (3X3=9) a que Max Heindel (Conceito Rosacruz do Cosmos, capítulo XVIII parte Constituição da Terra e Erupções Vulcânicas) classifica como sendo o número da humanidade.

Neste tempo de três anos, Cristo ensinou, curou e nos trouxe Seu Evangelho do Amor.


Max Heindel fundou a Fraternidade Rosacruz em agosto de 1909 vindo a falecer em janeiro de 1919. Foram praticamente uma década de seu tempo dedicado a construção de edifícios, correspondência, hidráulica, eletricidade, revista, horta, pintura, alvenaria e muitos outros afazeres. Ainda que auxiliado por Augusta Foss Heindel e outras pessoas mencionadas no livro “Memórias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz”, nos ombros deste pioneiro coube dedicar – integralmente – seu tempo nesta Obra.



O artigo abaixo, refere-se a um resumo e síntese da Lição Mensal do Estudante da The Rosicrucian Fellowship, Junho de 1971 “O Pleno Uso do Tempo” palestreada nos Centros Rosacruzes de Santo André, São Paulo e Penha no mês de julho de 1988, ocasião do 123º aniversário de nascimento de Max Heindel, por este colaborador.


O tempo encontra-se entre nossos maiores bens na Terra, contudo também está entre os mais mal-empregados pela humanidade. Se a maioria de nós gastássemos dinheiro, água, combustível, etc. da mesma forma que desperdiçamos o tempo, nos espantaríamos ante a perda resultante. Existe ainda o agravo de não se estar consciente disto

O alimento e outros produtos que consumimos ou utilizamos são finitos; quando se esgota compramos mais, repondo-os de uma forma econômica e consciente das necessidades. O tempo, este não há como repor. Portanto, não nos preocupa gastá-lo como em eletricidade etc. Caso teríamos de pagar por minutos, horas e dias de nossas vidas, certamente o utilizaríamos de uma forma mais sábia.

A famosíssima frase “matar o tempo”, é considerada normal dentro do vocabulário de praticamente todos os povos da Terra. Significa – de forma literal – desfazer do tempo; que ele passe (por quaisquer meios), simplesmente com a finalidade de que um momento posterior possa ser mais rapidamente alcançado, sendo de pouca importância como se transcorra o intervalo que se interpõe.

Frequentemente nos queixamos da “curta duração do dia”, taxando-lhe como de não ser suficiente para com nossos afazeres.

Max Heindel (Filosofia Rosacruz em P&R – volume I resposta à pergunta 49), nos fala da inexistência do tempo nos Planos Superiores. Também o fundador da Fraternidade Rosacruz nos exorta que o tempo é importantíssimo em nossas vidas aqui na Terra:

“Recordamo-nos da preciosidade do tempo e da responsabilidade de como utilizá-lo no melhor proveito para o nosso crescimento anímico, somos responsáveis pelo que temos feito, pelo que deixamos de fazer, numa extensão muito maior do que aqueles que não estão familiarizados com o conhecimento dos propósitos de Deus, o qual nos foi outorgado através dos Irmãos Maiores”. (Carta aos Estudantes # 96 - Aumentar a Vida do Arquétipo).

Jamais haveremos de assimilarmos nossas lições na Terra se não empregarmos sabiamente o tempo e uma ótima sugestão para avaliar se estamos – ou não – utilizando-o desta forma, consiste na plena realização do exercício noturno da retrospecção.


Não se torna fator único utilizar o tempo (para nosso benefício e da humanidade) com ações unicamente físicas, ainda que isto seja muito louvável.


Nos momentos em que estamos nos transportes públicos, aguardando algum atendimento, ou mesmo em casa após termos concluído nossas lidas, podemos, na medida do possível, direcionar nossas orações e vibrações a pessoas necessitadas. Noticiários nos informam diariamente dos mais variados acidentes, conflitos bélicos, catástrofes etc. pelo mundo. Se direcionarmos pensamentos de luz para estas pessoas e locais, estaremos realizando um inestimável bem a elas.

Tais vibrações rodeiam todas estas situações e pessoas, envolvendo-as de fortaleza quando mais necessitam. Há uma possibilidade enorme de nossas orações serem exatamente o que elas necessitam para restaurarem suas esperanças.

Lucas (10: 38 a 42), nos fornece uma verdadeira SAGRADA CELEBRAÇÃO DO TEMPO.

Relata sobre Marta, que hospedou Cristo em sua casa, sendo que tinha uma irmã de nome Maria. Esta - aos pés do Mestre - dedicava seu tempo em ouvi-lo, conquanto Marta ocupava-se de outros afazeres.

Eis aí uma pérola de ensinamento à Luz dos Ensinamentos Rosacruzes para assimilarmos: Maria sintoniza seu tempo com Cristo e Marta o perfila com a materialidade. Há um fator – essencial – nisto que devemos desenvolver em nosso íntimo: provavelmente muitos de nós, se dadas duas opções (ouvir Cristo ou ocupar-se de outras tarefas), optaria pela primeira.

Antes de ouvirmos o Maior Iniciado do Período Solar, saibamos que os desassistidos são “Cristos”, a eles devemos ouvir, doarmos nosso tempo, auxiliando-os e servindo a Divina Essência neles oculta, o que constitui a base da fraternidade (Ritual Rosacruz – Serviço Devocional).

Mateus, em seu evangelho (25:31 a 46) informa que Cristo exortou que o estaremos servindo todas as vezes que fizermos isto para com a humanidade.

Diariamente nos deparamos com “Cristos”.Lhes damos nosso tempo?

Não há como pular etapas: apenas ouviremos Cristo depois de ouvirmos os necessitados.

O pleno uso do tempo requer discrição, direção e meta, a qual deve dirigir-se nossos esforços.

Ele também constitui-se no propósito de sentirmos a alegria da meditação, do encontro entre amigos verdadeiros, de observarmos o sorriso das crianças e da pequena flor silvestre.


Neste mês, dediquemos alguns instantes de nosso tempo, em gratidão (a mãe de todas as virtudes) a Max Heindel, por ocasião de seu 161º aniversário de nascimento.


Foto por Gabriel Meneghello, sobrinho deste colaborador

07/07/2026

Uma Casa sem Mãos

"Constroi para Ti Mansões Mais Majestosas, Ó, Minha Alma!" 
(Oliver W. Holmes)
Depois de se mudar para uma casa construída de acordo com seus planos e especificações minuciosos, se você observasse uma série de inconvenientes devido a falhas no projeto, a quem você culparia: a si mesmo ou ao construtor? Sendo sincero, você certamente assumiria a culpa e se esforçaria para melhorar a casa, ou, com a experiência adquirida, construiria um edifício que melhor atendesse às suas necessidades.

Da mesma forma, através dos alimentos que ingere e dos pensamentos que cultiva, você constrói (ou reconstrói) um templo: o seu corpo.

Inconscientemente, você coloca em prática as leis ainda pouco conhecidas da assimilação e do pensamento. Isso, aliado ao seu estilo de vida e ao cuidado (ou à falta dele), que dedica ao seu Corpo Denso, contribui significativamente para determinar seu estado de saúde atual.

No entanto, há algo ainda mais sutil, pelo qual você, no passado, construiu um plano mestre a partir do qual seu Corpo Denso atual foi estruturado e, de fato, é mantido. Através dos Ensinamentos Rosacruzes, sabemos que dia após dia estamos ajudando a construir uma forma arquetípica que determinará nosso estado de saúde física e mental em nossa próxima encarnação. O fato de estarmos inconscientes disso, importa pouco.

A saúde que você tem nesta vida é resultado do que você construiu no passado por meio dessa força arquetípica que literalmente canta a sinfonia da vida. Assim como forças invisíveis de som e magnetismo organizam toda a matéria no mundo físico, esse arquétipo também organiza cada átomo e molécula do seu Corpo Denso.

Quanto mais em harmonia seus hábitos de vida estiverem com a natureza do arquétipo criado, melhor essa força criativa poderá se manifestar como saúde e felicidade. Por outro lado, quando você vive em desarmonia com as leis da natureza, esse arquétipo enfraquece e o resultado final é doença, dor e morte.

Ou você está aumentando a durabilidade desta forma, o que deve prolongar sua vida e lhe proporcionar mais saúde, ou está aniquilando o arquétipo, o que, por sua vez, o enfraquece e pode encurtar seus dias de vida.

Em sua forma superior de cura o que os Auxiliares Invisíveis fazem é restabelecer a harmonia divina nos corpos daqueles que procuram ajuda. No entanto, esses Auxiliares precisam também da ajuda do solicitante, seja este melhorando seu estilo de vida onde for necessário, seja cooperando com o envio dos relatórios semanais regulares sobre seu progresso.

Enviamos uma bênção de cura a todos, em nome do Cristo Recém-Ressuscitado.

Traduzido da revista Rays  from the Rose Cross de julho/agosto de 1989

QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ

Esse artigo faz parte de uma coleção de textos sobre cura da seção "Healing" da revista "Rays from the Rose Cross". Muitos deles foram traduzidos pela Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil e publicados na revista "Serviço Rosacruz".

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15/06/2026

Cristo Comeu Após a Ressurreição?

 
PERGUNTA:  No Capitulo 24, versículo 39 e seguinte de Lucas, lê-se que depois da Ressurreição, Cristo apareceu aos discípulos dizendo, "Apalpai-me”, e que em seguida Ele comeu. Como pode ser isso possível uma vez que Ele apareceu no corpo vital?


RESPOSTA: A resposta a esta pergunta exige o conhecimento dos princípios da materialização, Quando um médium materializante é usado por Espíritos com o propósito de serem vistos, primeiramente extraem o corpo vital do médium, todo ou em parte deixando o corpo denso num espantoso estado de prostração. F' um espetáculo que impressiona as pessoas desacostumadas a vê-lo. Com esse corpo vital, que já foi fotografado pelos cientistas pois as câmeras fotográficas podem registrar raios invisíveis aos olhos, eles produzem rapidamente o fenômeno desejado, pois trata-se de um corpo vivo e atrai a matéria vorazmente enquanto não entrar em colapso, tal como acontece imediatamente após a morte. Depois de fazerem uma matriz (molde) do corpo vital do médium, eles adicionam átomos físicos da atmosfera circundante, moldando um corро em qualquer forma que lhes agrade.

O corpo vital de um médium pode ser usado por qualquer número de Espíritos durante uma sessão, onde um deles reveste-se com a substância plástica e atraindo átomos da atmosfera, às vezes mesmo tomando-os de empréstimo aos assistentes que, geralmente, sentem-se exaustos após deixar a sala de sessões.

Durante os acidentes de afogamento e asfixia, a vítima sente-se muita calma e sossegada, depois da primeira reação, embora compreenda o perigo pelo qual está passando. O corpo vital é extraído antes do rompimento do cordão prateado, de maneira que ele retém a propriedade de atrair matéria do mundo físico. Portanto, as pessoas que morrem por afogamento ou asfixia, podem ser vistas por parentes muito distantes, às vezes por um só instante,. A vítima talvez tenha tido vontade de estar junto a amigos ou parentes, durante longo tempo, ao sentir-se livre dos grilhões de corpo, para lá transporta-se nas asas do desejo. As chegar junto à pessoa visitada, o corpo vital atrai partículas da atmosfera suficientes para se tornar visível Nesse momento talvez, rompe-se cordão prateado, o corpo vital entra em colapso, e visão se desvanece.

Vemos assim que o corpo vital tem a propriedade de atrair a si matéria física. E é muito mais fácil, para alguém que deixa o corpo inconscientemente, atrair partículas físicas para seu corpo-alma do que expulsá-las. O corpo-alma não está, naturalmente, sujeito à morte, decomposição ou colapso, Compreendemos facilmente, pois, que Cristo poderia usar este veículo para atravessar as paredes da sala onde se reuniam os Discípulos, e uma vez ali, atrair o material necessário para mostrar-se num veículo físico que se desintegrou no momento em que Ele se fol. E' digno de nota que a desintegração exige um esforço maior que a atração da matéria física.

Publicado na revista Serviço Rosacruz, agosto de 1973

Mais Perguntas e Respostas (veja aqui)

12/06/2026

O Fator Tempo no Mundo Espiritual

 
PERGUNTA: Há estações, tempos, eras e épocas no outro mundo?

RESPOSTA: Não. Podemos dizer que lá é sempre um longo dia. Não existe tempo, porque ele aqui é determinado pela rotação da Terra sobre o seu próprio eixo e a sua revolução orbital em volta do Sol. Esses movimentos ensejam o dia e a noite, o verão e o inverno, o calor e o frio, etc., pois a sólida e opaca composição da Terra a torna impenetrável aos raios luminosos e ao calor emitidos pelo Sol. Dessa forma, uma das metades da Terra e sempre fria e escura. Como no outro mundo nada é opaco ou sólido não há calor ou frio, verão ou inverno. Não há luz, não há noite, mas somente um dia longo e brilhante. Em decorrência disso, notamos frequentemente que aqueles que passaram pelo processo da morte, embora lembrem perfeitamente de sua vida passada na Terra, não têm nenhuma consciência de tempo a partir do momento em que morreram. Algumas vezes perguntarão quanto tempo decorreu desde o seu passamento. Lá, só há um método para avaliar o tempo, usado pelo clarividente treinado em precisar acontecimentos quando está lendo na Memória da Natureza, isto é, observando as posições dos astros. Se o acontecimento que procura aconteceu em épocas históricas pode determinar imediatamente o ano da ocorrência prestando atenção em algum evento ocorrido na mesma época. Mas, quando tem de remontar a muitos milhares de anos como, por exemplo, quando deseja determinar a época das inundações atlantes, deve usar especificamente a precessão dos equinócios, o movimento retrógrado do Sol através dos doze do zodíaco, um movimento que requer aproximadamente vinte e seis mil anos para completar-se. Assim, poderá retroceder às épocas das inundações atlantes, contando quantos períodos de vinte e seis mil anos transcorreram entre a primeira e segunda inundações, a segunda e a terceira e, em seguida, desde essa época até os dias de hoje. Se não tiver conhecimentos da ciência estelar, não poderá fazer isso. Essa é mais uma razão para que o estudante de ocultismo se familiarize com a astronomia.

  Perguna 49 do livro A Fiosofia Rosacruz em 

Perguntas e Respostas de Max Heindel

Mais Perguntas e Respostas (veja aqui)



06/06/2026

UM HOSPITAL DE PLANTAS E FLORES: OS ESPÍRITOS DA NATUREZA

Por Jonas Taucci

Em seus sucessivos renascimentos na Terra, a humanidade trabalha com as formas externas e não possui a consciência do outro lado da vida na natureza que se constitui no interno e oculto para a grande maioria; perdeu-se a clarividência que em um remoto passado podia ver os Espíritos da Natureza e trabalhar conscientemente com eles.


Atualmente somente uns poucos possuidores da visão etérica positiva possuem esta faculdade. Há os que retem a clarividência negativa de vidas passadas e outras, todavia, que desenvolveram esta aptidão de forma positiva nesta época contemporânea.

Com o transcorrer dos anos, décadas e séculos, haverá nascimento de muitas pessoas dotadas da clarividência positiva e as possuirá mesmo na idade adulta, já que as crianças - até uma certa idade -, vê, conversa e brinca com determinados Espíritos da Natureza, que vivem na Região Etérica de nosso planeta, e esta constitui-se o lado interno da matéria”.


Dentro de poucos séculos esta visão – uma extensão da visão física - será um patrimônio na maioria da humanidade.


Estes Espíritos da Natureza realizam trabalhos importantes nas profundezas da terra e sua superfície, plantas, flores, oceanos, rios, ar, água, fogo etc.. Este labor, realiza-se sem que a maioria da humanidade o saiba.Abaixo, um simples bosquejo deste trabalho.


GNOMOS:Suas atividades estão relacionadas, na grande maioria, com o Éter Químico e Max Heindel nos informa que seus corpos são formados, principalmente, deste Éter. Trabalham no elemento terra, pintando as flores, dosando a clorofila na medida certa e adequada no Reino Vegetal, talham os cristais e vivem, aproximadamente centenas de anos, envelhecendo de uma forma não muito diferente dos seres humanos, o que resulta em figuras, animações e desenhos de gnomos das mais diferentes faixas etárias: de jovens a idosos.


FADAS: Pertencem, na realidade, ao grupo dos gnomos, também como campo de ação o elemento terra e - sob a instrução da Onda de Vida Angélica que lhes indicam imagens arquetípicas - realizam seus trabalhos na natureza, com predominância nas flores. 



ONDINAS: Formada em sua grande maioria pelo Éter de Vida, trabalham no elemento água: mares, oceanos, rios, lagos etc. Provavelmente a crença nas sereias originou-se delas. O escritor português Luiz de Camões (1524-1579) em sua monumental obra “Os Lusíadas” faz menção às Tágides, habitantes do rio Tejo em Portugal. As ondinas coordenam o ciclo de evaporação da água em sua liberação como chuva. Vivem mais que os gnomos.



SILFOS: Seus campos de atividades, são o ar, vento, atmosfera. Seus corpos são compostos, em sua maioria, do Éter Luminoso. Os silfos mais graduados coordenam o deslocamento de nuvens e suas robustas faces modelam, momentaneamente, desenhos e figuras nestas nuvens, como que esculturas. Os membros de menor evolução dos silfos, conduzem lufadas e correntes de ar que percorrem a Terra. Vivem milhares de anos.



SALAMANDRAS: Seus Corpos estão compostos, principalmente, do Éter Refletor em conjunto com o Éter Luminoso, a que foi chamado de ”Luz Astral” pelo médico, alquimista e astrólogo suíço Philippus Aureolus Theophastus Bombastus Von Hohenhein (1493-1541), mais conhecido por Paracelso.  Max Heindel o cita em A Mensagem das Estrelas. As salamandras trabalham com o elemento fogo e o calor, sendo também associadas com a eletricidade e as forças magnéticas da Terra. Suas atividades são, principalmente, subterrâneas; erupções vulcânicas e correntes de lava, Nenhum fogo possui a possibilidade de ser acesso sem as salamandras. Em relâmpagos nos céus – para os que possuem a visão etérica – elas podem ser observadas. Não há dúvidas que existem uma quantidade enorme de suas utilidades, advindos do fogo e calor. Desta forma, as salamandras possuem um papel vital e construtivo na evolução da Terra. Vivem milhares de anos, e alguns clarividentes positivos relatam que algumas  delas possuem a forma de lagartos ou labaredas de fogo.



Não somente em nosso plano físico a vida pulsa, mas em todo universo.


As características dos referidos Espíritos da Natureza acima, estão alicerçadas – resumidamente - numa série das Lições Mensais do Estudante da The Rosicrucian Fellowship, durante os meses do ano de 1969, intituladas “Os Habitantes dos Planos”.


Ainda que louváveis os avanços das últimas décadas sobre a preservação da natureza, biomas e meio ambiente (mais comentados do que aplicados), através de leis governamentais, estamos distante de uma situação em que o amor pela natureza, brotará (sem nenhum trocadilho...) do íntimo de cada ser humano  e substituirá  as Leis Ambientais decretadas pelo homem.

  

Aqui, um exemplo.


Cristovam Martins foi um probacionista que durante muitos anos frequentou o Centro Rosacruz de Santo André. 

Morador deste mesmo município, possuía nos fundos de sua casa uma varanda com muitos vasos dos mais diferentes tamanhos; estes abrigavam as mais variadas plantas e flores. Alguns estavam em mesas, outros pendurados em árvores frutíferas e outros ainda em prateleiras.


Na entrada desta varanda, havia uma placa com dos dizeresHospital de plantas e flores - Atendimento Gratuito” envoltas em aleatórias notas musicais desenhadas.


Em uma mesa, havia um “aparelho estereofônico” que reproduzia discos de vinis (os conhecidos - à época - Compactos e Lps) e um gravador portátil para fitas K-7, com idêntica função.


Algumas destas plantas e flores eram suas e de sua esposa. A grande maioria, não.


Durante muitos anos este probacionista manteve uma determinada atividade, voluntária e gratuita.


Tudo iniciou-se quando um vizinho o informou possuir em sua casa, uma planta que se encontrava em precárias condições: ressequida, murcha e com folhas despencando.


Nosso amigo probacionista solicitou então que ele trouxesse a planta – que estava num vaso – para sua residência, e algumas semanas depois a devolveu com a maioria das folhas viçosas, caule ereto e brotos despontando.


Ao ser indagado como conseguiu isto, informou:


Pintara várias garrafas de vidro – incolor - de verde. Dizia ser esta a cor da clorofila, o pigmento encontrado nas plantas que é responsável por captar a  luz solar para realização da fotossíntese, num resumo básico. Afirmava também que Max Heindel e Augusta Foss Heindel associam esta cor com o signo zodiacal de Câncer; o primeiro dos signos aquáticos, num maravilhoso gráfico da relação signos/regentes/metais/cores (A Mensagem das Estrelas – Capítulo III – Você nasceu sob uma boa estrela?).

 

Após isto - estando as garrafas secas - introduzia nas mesmas água para deixá-las, na parte matinal, expostas ao Sol, por algumas horas, tampadas. Depois, eram levadas para sombra com o objetivo de voltaram à temperatura ambiente. Seu estoque destas garrafas verdes com água, era considerável.


Constantemente, Cristovam Martins regava as plantas, contudo, nos dias em que a Lua transitava por signos aquáticos (Câncer, Escorpião e Peixes) o fazia com água das garrafas.


Entrementes, seu aparelho estereofônico ou gravador executava músicas, predominantemente do Período Barroco, inundando a varanda (Hospital de plantas e flores) de composições maravilhosas.


Este concerto musical era intercalado com o chilrear de vários pássaros, pois nosso amigo probacionista colocou vários bebedouros em sua varanda o que resultou na visita diária destes amigos alados. Havia também um chafariz, não muito grande, que  recebia igualmente a visita destes cantores.



Nosso doutor de plantas e flores, diariamente, monologava com elas (da mesma forma que seres humanos falam” com determinados animais: cães, gatos etc.) dizendo-lhe que elas eram importantes para o vaso, para a terra que dava sustentáculo para a sua raiz, importante também para o ar, humanidade e a natureza.


Este tratamento dado para com o Reino Vegetal, foi logo divulgado pelo amigo de nosso irmão probacionista, aos vizinhos, amigos e parentes.


Desnecessário dizer que a partir disto, muitas plantas e flores adoecidas foram levadas à casa de Cristovam Martins, onde a grande maioria foi recuperada e uma minoria não, talvez num paralelo aos enfermos animais e pessoas que são levadas para as clínicas veterinárias e médicas, respectivamente.


Esta foi a origem do Hospital de plantas e flores, que jamais nosso amigo e irmão probacionista cobrou, sendo mantido em atividade por longos anos.


Ao devolver as plantas ou flores para seus donos – recuperadas - lhes dava uma folha de papel onde lia-se:


Comparemos o homem com a flor e perceberemos, então, a grande importância e significado deste emblema, O homem toma seu alimento pela boca, de onde desce. A planta recebe o alimento pelas raízes, forçando-o para cima, O homem reveste seu amor de paixão e tem os órgãos da geração voltados para a terra, escondendo-o com vergonha devido a essa mácula de sua paixão. A planta desconhece a paixão, e realiza a fecundação de maneira mais pura e casta, isto é, ela projeta seus órgãos geradores, a flor, para o Sol,  um espetáculo de rara beleza.  O homem, decaído e passional, exala o mortífero dióxido de carbono, enquanto a casta flor inala esse veneno, transmuta-o e devolve, puro, doce e perfumado, um fragrante elixir da vida”. (Max Heindel - Iniciação Antiga e Moderna – capítulo A Sagrada Glória de Shekinah – parte  A Lua Cheia como um fator de crescimento anímico).

    

Este trabalho realizado por Cristovam Martins, nos faz recordar o Livro de Salmos (capítulo 121), onde podemos – também - entendê-lo revestido da astrologia:



Fica também como informativo – e registro histórico - onde por muitas décadas, farmácias (!) distribuíam no início de cada ano, de forma gratuita, os famosos Almanaques (geralmente patrocinados por determinadas marcas de medicamentos), com diversos assuntos abordados: receitas culinárias, curiosidades geográficas, palavras cruzadas, estórias infantis, etc. Havia ainda uma seção de jardinagem e agricultura, onde as fases da Lua estavam associadas ao plantio, poda e colheita. 



Max Heindel, Filosofia Rosacruz em P&R volume II – Pergunta 108 nos fala das influências astrológicas sobre o Reino Vegetal  e que foi publicado no blogue Rosacruz e Astrologia (veja aqui) 


Sobre música, luz e cor, a vasta literatura rosacruz fornece pérolas de ensinamentos do ponto de vista oculto.


O fundador da Fraternidade Rosacruz, em sua obra Ensinamentos de um Iniciado (capítulo XXIV - O Arco Nas Nuvens - veja nota em sugestões para leitura), faz menção a um livro (“Princípios da Luz e Cor” de autoria do médico americano Edwin D. Babbitt que viveu entre 1828-1905). Trata-se de um fabuloso tratado oculto sobre luz, cores e suas propriedades.

O Sr. Heindel classifica este livro como interessante, outorga a qualificação de clarividente para seu autor e que esta obra, após ser lida, o fez incursionar-se na Memória da Natureza para investigações sobre o referido assunto, como ele mesmo relata em seu livro.


Cristovam Martins, ao tomar conhecimento disto, utilizou-se da EPIGÊNESE para inaugurar o “Hospital de Plantas e Flores” que, absolutamente, brotando (mais uma vez sem trocadilhos...) de seu íntimo colaborou na preservação das mesmas e certamente também no trabalho realizado pelos Espíritos da Natureza.


Dizia sempre que o aspirante rosacruz não deve acomodar-se na aquisição dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. Há que se ter um propósito nisto: que eles se tornem algo vivente em nosso interior, que neles haja movimento, atividade e ação, direcionados a nos tornarmos servidores da humanidade e a todas as Ondas de Vida que na Terra possuem seus campos de evolução.


Nosso amigo probacionista também enaltecia o trabalho realizado, por alguns anos, na Sede Mundial (Oceanside) pelo Monte Ecclesia Sanitarium: pessoas lá se instalavam por dias, semanas ou meses para o tratamento de certas enfermidades, com o devido acompanhamento de enfermeiras e médicos graduados. Alimentação vegetariana, hidroterapia, fisioterapia, cromoterapia, termoterapia e diatermia com ondas curtas eram utilizados. Na obra Memórias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz de Augusta Foss Heindel,há este relato (Terceira Parte -O trabalho em Mount Eclésia e os novos prédios - O Sanatório de Monte Eclésia).



 Cristovam Martins possuía outras (maravilhosas) particularidades. Com calçados apropriados era um entusiasta da dança sapateada: sincronizava músicas, sons das batidas dos sapatos no chão e performance corporal que a todos encantavam nos remetendo a Elman Bacher em sua obra Estudos em Astrologia - volume VI capítulos VII (A Dança) e VIII (A Música). Era também um "rádio amador" (rede de comunicação com equipamento condizente que ele possuía) e, até onde tenho conhecimento, pioneirissimamente divulgava os Ensinamentos Rosacruzes entre os anos 60 e início da década de 80 desta forma.



Muita saudade Cristovam Martins deixou aos que lhe conheceram. Certamente também no Reino Vegetal e Espíritos da Natureza...




SUGESTÕES DE LEITURA

1 - O Arco nas Nuvens (Cap. XXIV de Ensinamentos de um Iniciado) também foi pubicado em formato de folheto pela TRF e traduzido pelo Centro de São Paulo. Você pode ver aqui
2 - Revista Rays from the Rose Cross, da TRF : Meses: abril, maio, agosto e novembro de 1933, onde o artigo "As Cores Cósmicas e suas Influências" com autoria de Elois J. Jenssen, nos transmite uma profunda compreensão sobre o assunto.
3 - Revista Rays from the Rose Cross, da TRF: Junho de 1933, artigo " Musicoterapia". A importância da música nos hospitais, saúde, presídios e muitas outras áreas. Também na evolução da humanidade. Os artigos acima descritos, foram traduzidos e palestrados no Centro Rosacruz de São Paulo, em 1982
4 - A Vida Secreta das Plantas (Peter Tompkins e Christopher Bird).
5 - A Vida Secreta das Árvores (Peter Wohlleben).