sábado, 19 de maio de 2018

A RELAÇÃO CIÊNCIA-RELIGIÃO-ARTE (1)

por Eduardo Aroso
A oposição ciência religião, vice-versa, é antiga. Com o aumento do ambiente materialista actual tem-se agudizado em posições académicas irredutíveis, mas também contendo uma falange significativa que chega a uma situação dir-se-ia crítica ou de fronteira, isto é, o cientista não sai, como lhe compete, da área científica, mas não enjeita outras componentes na busca de uma visão mais abrangente da vida (Leia-se Ciência e Religião, de Russel Stannard, edições 70). O confronto ciência/religião aconteceu no passado, por exemplo, com Galileu e Newton de um lado, e do outro a igreja dominante, o mesmo é dizer o pensamento vigente na época.

É óbvio que o tema daria matéria não só para um livro, mas para vários tratados. Este breve artigo pretende tão-só chamar a atenção para dois ou três pontos essenciais que, em combinação com a filosofia rosacruz, possa contribuir para esbater a barreira que se construiu pelo materialismo separando ciência-religião e até a arte. É sobejamente sabido que a Idade Média viveu intensamente a religião em detrimento da ciência «sufocada» (como diz Max Heindel) e dir-se-ia não desenvolvida como está hoje. Deus estava na religião. O Renascimento trouxe uma notável expansão em todas as artes, maior que a própria ciência moderna que começava então a despontar. Hoje, para muitos cientistas só a ciência pode explicar o mundo e, mais do que este, a própria Vida. Mas não só, pois muita gente segue o preceito de que o que a ciência não explica não é verdade e, sobretudo não confiável! Ou seja, se Deus não está na Ciência não existe, do mesmo modo que os místicos medievais não podiam admiti-Lo nos átomos ou nos feixes quânticos da nossa época, ou como em pleno Romantismo Beethoven percebia Deus através da música.

Se - como diz o povo e bem - «Deus está em toda a parte», é bem de ver que na Manifestação Ele não tem limites para essa Imanência. É esta a razão d’Ele estar tanto na Ciência, na Arte e na Religião. O fanatismo que eclodia no passado em certos momentos de vivência religiosa talvez não seja do mesmo teor de uma espécie fanatismo com que a ciência académica se posiciona como detentora da verdade, mas deixa-nos a pensar que, pelo menos: a) Em cada época tem havido mais propensão para aprofundar uma destas três áreas (religião, ciência, arte); b) Em qualquer uma delas se observa que o ser humano está em evolução, pois há ainda uma visão limitada do Todo; c) tudo indica que se caminhe (Era de Aquário) para uma plenificação do ser no sentido de as fazer convergir, revelando assim a divindade que existe na criatura terrestre e bem assim nesses três ramos do conhecimento e experiência humana.

«Em toda a sua relatividade, todo o progresso decorre duma evolução do conhecimento humano, seja qual for o seu estatuto, estendendo-se pelo místico, o 2 religioso, o científico, no quadro das mais diversas culturas». (António Amorim da Costa, professor de Química, jubilado, da Universidade de Coimbra, «Ciência e Mito», Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010). Adianta ainda o autor, como quem se situa bem na fase actual, a da separação (especialização) do saber: «Saber conviver com o intrincado da própria teia poderá ser a mais sábia das atitudes».

É interessante saber que Galileu (cientista que revolucionou a astronomia, condenado a abjurar o seu pensamento perante a Igreja Romana), na sua obra «Sidereus Nuncius» (publicado em Veneza em 1610) o título é o mesmo que o livro de Augusta Foss e Max Heindel, «The Message of the Stars», esta uma colectânea de escritos e horóscopos que quando foi editada constituiu um repositório de conhecimento que veio preencher um vazio, e que ainda hoje é de grande utilidade, muito em particular quanto às doenças. A filosofia rosacruz explica as razões da separação da ciência e da religião, ao longo dos tempos, da predominância de uma sobre a outra, para finalmente serem, como destino, os dois “braços” da Verdade de um modo mais explícito e equilibrado.

É consolador saber que Galileu, profundamente empenhado na ciência da astronomia e não só, tenha tido uma atitude conciliadora (sabe Deus com que cuidado naquela época!) da ciência e da religião: «Todas essas coisas por mim observadas e descobertas, não há muitos dias, mediante um perspicilium inventado e construído por mim, previamente iluminado pela graça divina» («Explicando A Astronomia e o Poder Religioso», de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, edições Ediouro). Na realidade, Galileu foi uma afronta para o pensamento aristotélico do funcionamento do universo que a Igreja defendia. Segundo os estudiosos, o cientista pretendia que a sua teoria não a afrontasse, mas que fosse um passo em frente no avanço da humanidade, tendo ficado decepcionado. Galileu provocou uma cisão no pensamento da época só comparável com a divisão da Igreja Ocidental (romana) e Oriental (ortodoxa) ou da cisão que Lutero trouxe ao catolicismo, conhecido como protestantismo. Dado que um ambiente científico gera um correspondente clima filosófico, a comprovação de que é a Terra (e demais planetas) é que gira à volta do Sol, e não este à volta do nosso planeta, ainda hoje nos faz pensar na clássica sentença «o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são." (Protágoras, séc. V A.C.).

Se por um lado expressa a ideia de relatividade, o que é certo é que durante a Idade Media e no Renascimento, nomeadamente através da Escolástica, esta expressão mais conhecida na abreviatura «o homem é a medida de todas as coisas» colocou de algum modo o ser humano numa posição egocêntrica, sobrepondo-o assim ao reino animal, vegetal e mineral, afirmação talvez derivada desse pensamento aristotélico antigo que colocava tudo a girar à volta da Terra. De um ponto de vista absoluto no ser humano 3 enquanto centelha divina, tudo gira à sua volta, posição irredutível, pois o Ego é indestrutível.

Mas isso pode obscurecer outra largueza de pensamento, como, por exemplo, a de hoje quanto à negação peremptória de muitos de que haja seres extraterrestres. A filosofia rosacruz explicita bem no capítulo da Cosmogénese que além do ser humano há outros seres mais elevados de outras ondas de vida. O orgulho intelectual que parece ter afluído à frase «o Homem é a medida de todas as coisas», decerto sem que Protágoras imaginasse, não foi tão sábio e pronto para divulgar o dito de S. Paulo em que o seguidor de Cristo diz do ser humano ser um pouco mais que animal e inferior aos anjos, deslocando assim a consciência para um ponto mais alto, o reino angélico. (Continuará)

Eduardo Aroso é Probacionista da The Rosicrucian Fellowship através de Portugal. 
Mais artigos do autor neste blog: (aqui)

terça-feira, 1 de maio de 2018

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”

por Jonas Taucci
Durante uma viagem que realizei, de trem, entre Roma (Itália) e Barcelona (Espanha), pude ver - em vários trechos - o espetacular Mar Mediterrâneo. O trem subiu pela costa oeste italiana, antes de entrar em território francês, e posteriormente a Espanha. Fui agraciado, em dado momento, com um maravilhoso e inesquecível pôr do sol.

Custou-me acreditar que esta cena – a enorme e portentosa bola de fogo a deitar majestosamente no horizonte mediterrâneo – fosse palco de uma das batalhas mais sangrentas da história: As Guerras Púnicas, acontecidas a mais de dois milênios.

RESUMIDAMENTE: AS GUERRAS PÚNICAS

***Foram batalhas, em número de três, entre Roma e Cartago (cidade estado do norte da África), sendo que na primeira, o conflito bélico naval foi horrível nas águas do famoso mar.

***Entraram em guerra pelo controle marítimo do Mar Mediterrâneo; rota importantíssima de comércio e também área vital militar.

***Estas três Guerras Púnicas ocorreram entre os anos 264 AC e 146 AC, com vitória romana, que passou a chamar este mar de Mare Nostrum (mar nosso), sendo fator importante para a consolidação do posterior Império Romano (27 AC à 470 DC, aproximadamente).

***Durante mais de um século o ódio imperou entre cartagineses e romanos, em terríveis batalhas navais e terrestres.

Estas informações constam em livros de história, contudo há um lado oculto (e posterior) a isso, informado por Max Heindel, em sua obra Ensinamentos de um Iniciado – capítulo IX – Luz mística sobre a guerra mundial (1914-1918) – Parte I – Fontes Secretas;

***Os cartagineses renasceram na Prússia (Alemanha) e os romanos renasceram em Albion (como também é conhecida as Ilhas Britânicas); o ódio entre ambos continuou, agora como palco a 1ª Grande Guerra Mundial.

Aqui um ponto importante para o aspirante rosacruz: a morte não aplacou a belicosidade entre estes espíritos, que se envolveram em novas (contudo antigas...) batalhas, por volta de dois mil anos depois das Guerras Púnicas. O ódio perdurou, ainda que em época e nacionalidades diferentes.

Max Heindel, em Cartas aos Estudantes # 47 (Os Auxiliares Invisíveis e o Seu Trabalho nos Campos de Batalha), escrita em outubro de 1.914 (em plena 1ª Guerra Mundial), solicitou a todos que orassem pela paz mundial: as espadas sendo fundidas em arados. Atualmente, não temos uma guerra mundial propriamente dita, contudo existem seriíssimos conflitos étnicos, religiosos, políticos etc. ao redor do planeta, causando muitos sofrimentos e mortes.

Nossa Sede Mundial (Oceanside), nos orienta a meditarmos pela paz mundial, quando a Lua transita pelos signos de água (Câncer, Escorpião e Peixes).

 Os Signos aquosos estão  relacionados com o aspecto sentimento, afetividade, coração e devoção

Cristo, no evangelho de João (14:27) diz:
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não a dou como a dá o mundo”.

À LUZ DOS ENSINAMENTOS ROSACRUZES:

***Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou.  (a paz do Cristo Interno de cada um de nós).

***Não a dou como a dá o mundo. (paz temporária, externa, governamental, política).

Não devemos entender esta passagem, como Cristo transferindo a SUA paz a cada ser humano.  Evidente que todos os anos, Ele nos visita, abençoando-nos com seu infinito amor, contudo a paz a que Ele se refere, é a paz interna de cada um de nós, conquistada pelo aspirante, resultante do desabrochar do Cristo Interno. Procuremos ler e meditar esta passagem, calmamente, do evangelho de João, como sendo os dizeres de nosso Cristo Interno.

Iremos nos maravilhar.

O Sr. Heindel, em Iniciação Antiga e Moderna (capítulo II – O Altar de Bronze e o Lavado) é enfático: Não é o Cristo externo que salva, mas o Cristo Interno”.

E no Ritual Rosacruz de Dezembro, voltado ao Natal, lemos ao final:

É um fato sublime nós sermos Cristos em formação; quanto mais cedo nos convencermos que devemos dar nascimento ao Cristo Interno antes de podermos ver o Cristo exterior, mais depressa chegará o dia da nossa iluminação espiritual. Cada um de nós será, oportunamente, conduzido pela Estrela até ao Cristo, mas é necessário acentuar, que não seremos conduzidos a um Cristo exterior, mas ao Cristo que esta no Interior”.   

A paz, particular de cada um de nós, fermentada pelo nosso Cristo Interno, quando conquistada por um número significativo da humanidade, irá abolir todo vestígio de guerras na Terra.

Nesta e em vidas futuras...

domingo, 22 de abril de 2018

A Conquista da Liberdade



Dentro de cada ser humano há um impulso para a liberdade. Manifesta-se às vezes como um alegre convite para "subir um degrau acima". Este impulso interno tem sido chamado "o descontentamento divino", que incita ao espírito conquistador a seguir adiante, para cima e para sempre. Este impulso é também responsável por nosso progresso no caminho espiral da evolução. Veja letra do hino ao signo de Àries, signo que representa o começo de um novo ciclo. (aqui)

Provavelmente não há maneira melhor de determinar até onde chegou alguém no caminho espiritual, do que considerando o grau de sua aspiração à liberdade, indicado pelo zelo com que se esforça em sua vida diária a fim de alcançar tal liberdade.

Mas aqui necessitamos decidir exatamente o que queremos dizer com a palavra liberdade. Liberdade de que ou para que? É uma interrogação lógica. Existem dois pontos de vista principais que podemos usar para obter uma perspectiva satisfatória deste polêmico tema.

domingo, 18 de março de 2018

A Invocação


Max Heindel em O Véu do Destino(*)

Orar é uma palavra da qual se tem abusado tanto que já não expressa, realmente, o exercício espiritual a que nos estamos referindo. Como já dissemos, sempre que formos ao nosso santuário, devemos ir como o enamorado que vai ao encontro de sua amada. Nosso espírito deve voar adiante como se pretendesse arrastar o nosso lento corpo a sentir antecipadamente as delícias que nos estão reservadas e devemos esquecer tudo o mais para só dar lugar aos pensamentos reverentes que nos acodem no caminho. Isto é literalmente exato e o sentimento necessário para alcançar bons resultados é unicamente comparável àquele que impele o amante ao ser querido e talvez ainda mais ardente e intenso.

"Como a gazela anela a água do arroio, assi.m minha alma está sedenta de Ti''. Esta é uma experiência real daquele que ama verdadeiramente a Deus. Se não tivermos este espírito, podemos cultivá-lo e consegui-lo por meio da oração, e uma das legítimas orações que devemos empregar constantemente, é a seguinte: "Aumenta meu amor por Ti, ó Deus! para que eu possa servir-Te melhor cada dia que passa. “Faze que as minhas palavras e os ditames do meu coração sejam sempre agradáveis á Tua presença, meu Senhor, minha Fôrça e meu Redentor”.

As invocações usadas para pedir coisas materiais entram em cheio na magia negra, pois, temos a promessa de: "Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas". Cristo nos indicou o limite a que podíamos aspirar no Pai Nosso quando ensinou seus discípulos a dizer : "O pão nosso de cada dia dai-nos hoje". Tanto no que diz respeito a nós mesmos como aos demais, devemos resguardar- nos de ultrapassar esse limite na invocação científica. Ainda quando oremos por bens ou bênçãos espirituais, devemos evitar que se manifeste qualquer sentimento egoísta em nossa prece, pois, destruiria o nosso crescimento anímico. Todos os santos nos provam que também tiveram seus dias de obscuridade e miséria quando o Divino Amante oculta a sua face e aparece a consequente depressão.

Tudo isso depende da natureza e da fôrça da nossa devoção. Amamos a Deus por Ele mesmo ou O amamos pelas alegrias que experimentamos na doce comunhão com Ele? Se for somente por este último motivo, nosso afeto é essencialmente tão egoísta como os sentimentos da multidão que o seguia pelo alimento que Ele havia fornecido. E tanto como naquele tempo, é agora necessário que Ele oculte de nós a manifestação de Seu terno amor e solicitude que nos faria cair de desgosto envergonhado se arrependidos. Felizes de nós se vencermos os defeitos de nosso caráter e aprendermos a lição de uma fidelidade invariável, tal como a agulha magnética que aponta para o Norte sem vacilar, embora chova, haja tormenta ou o céu esteja coberto de nuvens negras que ocultam do nauta a visão da estrela guia.

Dissemos que não se deve orar por coisas materiais e que devemos ter muito cuidado em nossas orações espirituais. Então assalta naturalmente esta pergunta: Qual deve ser o objeto da nossa invocação? E a resposta é geralmente: Adorar e Louvar. Devemos abandonar a ideia de que toda vez que nos dirigirmos a nosso Pai Celestial seja para pedir-lhe alguma coisa. Não ficaríamos contrariados se os nossos filhos estivessem a todo o momento nos pedindo coisas? Entretanto, não nos cabe na mente que Deus se desgoste por nossas importunas petições, porém tampouco devemos esperar que nos conceda tudo o que pedimos que muitas vezes seria para nosso próprio mal. Por outra parte, quando nos pomos em ação de graças e em oração, estamos nos colocando em situação favorável com a Lei de Atração. Estaremos assim em estado receptivo no qual poderemos perceber uma nova descida do Espfrito do Amor e da Luz, pondo-nos deste modo, mais perto de nosso adorado
ideal.

(*) O VÉU DO DESTINO em algumas traduções: A TEIA DO DESTINO
Este artigo foi extraído de: As Asas e a Força-Invocação - Clímax Final do livro acima citado.

sábado, 3 de março de 2018

Sobre o Rosacrucianismo de Romeu e Julieta (*)

"A Reconciliação dos Montecchios e Capuletos sobre os corpos mortos de Romeu e Julieta", Frederic Lord Leighton, 1835-55
por Jonas Taucci
Sabemos que a peça teatral Romeu e Julieta foi escrita e levada aos palcos por William Shakespeare (1.564-1.616), entre os anos de 1.591 a 1.595, contudo há pontos interessantes (e pouco conhecidos) que merecem uma análise.

Shakespeare escreveu R&J, segundo analistas literários, baseado em:

*** Palácio do prazer (c. de 1.582), autor William Painter.

*** A trágica história de Romeu e Julieta (c. de 1.562), autor Arthur Brooke.

Contudo, anteriormente a estas datas, havia:

*** Romeu e Julieta (c. de 1.554), autor Matteo Bandello.

*** História recentemente encontrada de dois nobres amantes (c. de 1.530), autor Luigi Da Porto.

Mas, vejamos ainda; Masuccio Salernitano, aproximadamente em 1.476, escreveu cerca de 50 novelas - Novellino – uma delas narra o amor entre os personagens Mariotto e Gionnozza, que Luigi Da Porto alterou (!) para Romeu e Julieta.

Fica claro que nestas obras, seus respectivos autores – através dos tempos -  inseriram, retiraram, substituíram nomes, locais e acontecimentos, mas o amor entre os dois jovens, com fim trágico, permaneceu.

Para finalizar (ou não...) pesquisadores literários sustentam que todas elas tiveram como inspiração a Metamorfoses, de Ovídio, escrita por volta do ano... 8 D.C!

Mas – evidentemente – o  mais famoso Romeu e Julieta pertence a Shakespeare; encenado em praticamente todos os teatros do mundo - nos mais diversos idiomas - a mais de quatro séculos, e em muitas produções cinematográficas, além - é claro – de livros.

Max Heindel, na obra Conceito Rosacruz do Cosmos, capítulo XI – Gênese e Evolução do Nosso Sistema Solar, cita Skakespeare dizendo que um iniciado o influenciou em suas obras.

O teatro faz possível o estímulo às lagrimas e ao riso no coração humano como nenhuma outra forma artística; ambos sãos duas maneiras pelas quais a vida nos capacita a dissolver a cristalização das tensões do plexo solar.

Há várias formas de manifestações teatrais, entre elas e resumidamente:

*** TRAGÉDIA DRAMÁTICA -  Recordamos nossas agonias e sofrimentos internos.

*** SÁTIRAS – Nosso intelecto é exercitado de tal forma que nos surpreendemos ao presenciar nossas próprias reflexões.

*** DRAMA ROMANTICO – Nossas emoções são vivenciadas; o amor profundo, realizações de ideais, as aspirações.

*** DRAMA TRÁGICO – Induz aos sentimentos de compaixão pelo semelhante, e não por si.

*** COMÉDIA – Dissolve nosso (cristalizante) excesso da seriedade.
                          
Sobre Romeu e Julieta (de Shakespeare), resumidamente

*** Trata-se uma alegoria esotérica.

*** Todos nós possuímos (internamente) o arquétipo deste casal.

*** A união do casal de Verona, representa as Bodas Herméticas (alquímicas); o casamento” com nosso Eu Superior, a comunhão com nosso Cristo Interno, não estando relacionado a nada físico.

*** Ambos deram fim às suas vidas; representa o fato de termos de abater nossa personalidade, para que o Cristo Interno possa florescer.

 *** O ódio entre suas famílias (Montecchio e Capuleto) simbolizam as cristalizações que criamos e impedem a consumação deste matrimônio”.

*** A oportunidade de sublimar o acima exposto, reside no eixo: Leão (coração) – Aquário (altruísmo, amor crístico).

*** O salto por cima da sacada, realizado por Romeu - à noite - para encontra Julieta, não está, absolutamente, relacionado a nada carnal ou sexual.  Numa oitava superior”, trata-se da ousadia espiritual, o ímpeto de galgar esferas mais elevadas; a ação de Urano (amor crístico) rompendo limitações (Saturno), em pensamentos, palavras e atos na busca da união com o Cristo Interno.

O salto à noite, possui o significado deste “trabalho alquímico interno realizado silenciosamente”.
Pintura do italiano Francesco Hayes (1.791-1.882), “O último beijo de Romeu e Julieta”
Não nos esqueçamos:

- Conhecermos estas pérolas espirituais, transmitidas pelos Ensinamentos Rosacruzes, devem estar acompanhadas de sua praticidade.

A propósito, Goethe não criou o personagem Fausto nem o enredo deste livro.

Mas isto é outra história, outra alegoria esotérica que retrata a evolução da humanidade e fica para outra oportunidade...

(*) De uma palestra baseada na obra Estudos de Astrologia, de Elman Bacher, realizada na biblioteca municipal da cidade brasileira de Santo André, com o apoio do Centro Rosacruz de Santo André, em abril de 1.986, por ocasião do 370º aniversário de falecimento de William Shakespeare.

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