domingo, 13 de outubro de 2019

A CARTA DA INICIAÇÃO

por Jonas Taucci
Deveria ter 14 ou 15 anos, quando minha avó – russa – pediu-me para postar uma carta no correio, endereçada a seu irmão que residia naquele país. Disse-me:

- Em cerca de 20 dias, chegará a seu destino; tempo necessário para que ele receba minhas felicitações pelo seu aniversário.

Estes tempos passaram. Hoje – via redes sociais, áudio e vídeo – mantenho contato meus parentes na Rússia em tempo real.

Mahatma Gandhi (1.869 – 1.948), disse certa vez, que se tudo o que já tenha sido escrito sobre espiritualidade fosse apagado e restasse “apenas” as Bem-aventuranças proferidas por Cristo, nada estaria perdido.

Tal é a profundidade destas nove (o número da humanidade) admoestações de Cristo (Evangelho de Mateus, capítulo 5), que são intituladas como “A CARTA DA INICIAÇÃO – DEGRAUS DO CAMINHO PARA O REINO DO CÉU , num artigo da revista Rays from the Rose Cross, Oceanside (setembro de 1.984). 

Afirma este texto, que  sua praticidade, em algum momento de nossa existência – presente ou futura – nos levará às esferas elevadas de espiritualidade.

Em consonância a este artigo de nossa Sede Mundial, há um trabalho realizado pelo irmão probacionista Roberto Gomes da Costa, da cidade do Rio de Janeiro, Brasil, que compilou cada “Bem aventurança” à luz dos dizeres de Max Heindel, fundador da Fraternidade Rosacruz, e também com as obras de Corinne Heline (livro Interpretações bíblicas da Nova Era) e John P. Scott (livro Interpretações esotéricas dos quatro evangelhos). Ambos foram membros da Fraternidade Rosacruz.

Vou tentar – resumidamente – descrever esta compilação, com algum breve comentário. Observemos que cada uma das Bem Aventuranças, relaciona-se com uma determinada Hierarquia Planetária. Associemos os dizeres de cada uma destas Bem aventuranças e seus respectivos planetas, com a  casa zodiacal por eles localizados em nosso tema natal (horóscopo).

Teremos assim, uma OBRA ALQUÍMICA para toda a humanidade, contudo obedecendo a individuação de cada um, pois os planetas estarão em casas diferentes para cada pessoa.


Importantíssimo ressaltar que apenas o conhecimento disto, terá o mesmo efeito de enviarmos uma carta - via correio - a um dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, solicitando a iniciação: NULO.

A PRATICIDADE será (sem trocadilho) o “selo” para se alcançar o destinatário (nosso Cristo Interno).

1) Bem aventurado os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Hierarquia Planetária de Mercúrio. Os humildes são aqueles que levam uma vida despojada de todas formas de vaidades adquiridas na Terra; intelectual, financeira etc. e  auxiliam os semelhantes, sabedores que isto representa um caminho ao resplendor dos planos superiores.

2) Bem aventurados os que choram, porque serão consolados. Hierarquia de Vênus. As dificuldades encontradas pelo aspirante em sua jornada evolutiva. Serão abençoados pelo trabalho realizado.

3) Bem aventurados os mansos, porque herdarão a Terra. Hierarquia Planetária da Lua. Quem estuda os Ensinamentos Rosacruz, sabe que as condições da Terra irão – com o passar do tempo – receber mais LUZ CRÍSTISICA, sendo esta Terra a que nós herdaremos. A mansidão (harmonia) interna de cada um de nós, e o reconhecimento de que somos todos pertencentes à onda de vida dos Espíritos Virginais. 

4) Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão fartos. Hierarquia Planetária de Urano. A sublimação de paixão em compaixão, egoísmo em altruísmo, conhecimento em sabedoria. Servir a divina essência oculta em cada semelhante.

5) Bem aventurado os misericordiosos,  porque alcançarão misericórdia. Hierarquia Planetária de Júpiter. O esforço humano em imitar Cristo. É comum associamos a Lei de causa e efeito somente às expiações de nossos erros, mas esta lei opera também na retribuição do bem praticado, o que ocorre no Primeiro Céu após nossa morte. Sejamos benevolentes (misericordiosos) com nossos irmãos.

6) Bem aventurado os puros de coração, porque verão a Deus. Hierarquia Planetária de Marte.  À época dos referidos escritos dos srs. Heindel, Scott e sra. Heline, o planeta Plutão não havia sido descoberto, cabendo a Marte ser o (único) regente do signo de Escorpião. Aqui, a lição da regeneração interna; não poderemos desabrochar nosso Cristo Interno se não desenvolvermos os
atributos do amor, verdade e pureza, uma obra alquímica que devemos realizar em nosso íntimo.

7) Bem aventurado os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Hierarquia Planetária do Sol. A erradicação do orgulho material, intelectual, espiritual etc.  de nossas vidas, contribuirá para a paz (pacificação) interna.

8) Bem aventurado os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Hierarquia Planetária de Saturno. Estarmos no mundo sem a ele pertencermos. Quando adotamos um regime vegetariano, sem álcool, cigarros
e drogas, conjugados por um sentimento e prática de auxiliar os necessitados, muitas vezes somos colocados “à margem da sociedade”.
O caminho torna-se assim, tão fino como o fio de uma navalha, contudo a coroa de espinhos irá se tornar um halo de luz após a iniciação.

9) Bem aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem  vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Regozijai-vos e
exultai, porque é grande vosso galardão nos Céus, pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós.  Hierarquia Planetária de Netuno.
Quanto mais alto aspiramos e praticamos a espiritualidade, mais seremos alvos de duras críticas. Nosso (ainda em formação) Cristo Interno sofrerá sem dúvidas enormes “flagelos” e será “crucificado”. Se formos persistentes no trabalho alquímico interno , haverá a “ressurreição” (iniciação).

Como estão nossos “selos, envelopes, cartas, agências do correio e destinatário” ?

domingo, 1 de setembro de 2019

Os Ensinamentos Rosacruzes e a Padaria

por Jonas Taucci
Frequento – diariamente – uma padaria localizada próxima de onde moro: ótima em tudo o que faz, geralmente sempre está com capacidade máxima de pessoas em seu (vasto) interior.

Dia desses, encontrei neste local, um casal de amigos que não via desde a muito tempo.  Lhes disse já estarmos no segundo semestre deste ano; o tempo passa célere.

O comentário de meu amigo a isto, foi:

- Quando entendermos que não é apenas um segundo semestre que estamos vivenciando, mas um primeiro semestre que já passou em nossas vidas, iremos – se tivermos uma maturidade espiritual para isso – valorizar o que realmente importa nesta presente existência na Terra, e descartar o que é supérfluo.  

Lembrei-me do livro Filosofia Rosacruz em P&R - volume I - de Max Heindel, pergunta # 15, onde pergunta-se:

- Quando um homem paga aqui suas dívidas, cuida de sua família e vive uma vida honrada, não estará em excelentes condições no outro mundo? 

O Sr. Heindel é objetivo na resposta: NÃO. E prossegue:

O objetivo de nossa estadia aqui na Terra, não deve ser entendido como apenas estes itens, ainda que sejam louváveis: há que se cultivar o altruísmo.

Se formos honestos com nossos semelhantes, feito doações generosas e termos até mesmo construído uma igreja, se não tivermos realizado estes atos com o coração, tornam-se inúteis. Somente quando damos por amor, é que a dádiva nos trará felicidades no outro mundo; não é o valor que damos, mas o espírito que acompanha o ato, é que importa, continua Max Heindel.

E enumera algumas atitudes a serem praticadas:

*** Manifestar verdadeira amizade.

*** Auxiliar as pessoas a terem fé em si mesmas.

*** Colaborar para que se reergam – com novo ânimo – após uma dura queda.

*** Doar-se à serviço da humanidade.

E conclui Max Heindel, dizendo que se a pessoas que formulou a pergunta (# 15 do livro citado), não tiver agido por amor, não estará bem após a morte; sofrerá uma terrível monotonia que o ensinará a preencher a sua vida com algo que tenha real valor; assim em vidas futuras, a sua consciência o estimulará a realizar coisas melhores do que ganhar dinheiro.

O casal de amigos e eu mudamos de assunto, e desta vez falamos sobre os patês maravilhosos que esta padaria confecciona.

Dias depois, lhes enviei uma receita extraída do livro “Cozinha Vegetariana”, que segue abaixo.

Este livro – com mais de 600 receitas (salgadas e doces), -  é de autoria de dedicados irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz, Sede Central do Brasil e outros Centros, que em 1.981 o escreveram e publicaram (sem trocadilho...) deliciosamente.

Inúmeros de seus exemplares foram presenteados a vários restaurantes vegetarianos na cidade de São Paulo, perfazendo assim uma enorme divulgação dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental à época.


PATÊ FÁCIL DE ESPINAFRE (mais receitas vegetarianas aqui)

INGREDIENTES – 1 maço de espinafre, 2 colheres de manteiga, alho, cebola, 2 gemas, 2 colheres de azeite, cheiro verde e sal do Himalaia.

PREPARO – Depois dos espinafres bem lavados, cozinhe-os sem água em fogo brando. Escorra o líquido e corte-os extremamente miúdos. Doure as cebolas e o alho na manteiga. Junte-os aos espinafres, com o cheiro verde e deixe refogar mais uns minutos com as gemas. Tempere com sal a gosto e azeite.

Dei – ainda – a este casal de amigos, duas sugestões:

1) passar este patê no pão integral de forma, e enfeitar com palmito e tomates em rodelas.
2) convidar-me para a degustação.

Fui atendido em ambos itens, e no segundo levei a sobremesa; sua receita fica para outro texto...

terça-feira, 23 de julho de 2019

RECORDANDO...


Entre todos os tributos à Max Heindel dos quais tenho tomado conhecimento, uma das frases que me chamou a atenção foi a de Francis Lion quando disse:

“Modestamente ele se afastava daqueles que o procuravam apenas levados pela curiosidade, mas estava sempre atento àqueles que necessitavam de assistência, sendo nesses casos sempre bondoso, protetor e forte amparo, ensinando-nos assim, a servir através do próprio exemplo. ”

Não só o exemplo aqui transparece, mas também a coerência que firmemente Max Heindel mantinha com relação à máxima fundamental dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental como ele próprio afirma em sua carta aos estudantes de janeiro de 1917, quando ensina que “todo desenvolvimento oculto começa no corpo vital”.

Em nada de sua literatura e ensinamentos esboça-se a valorização do apelo à curiosidade, aos fenômenos, ou ao conhecimento pelo conhecimento, o que também me faz lembrar a frase mais repetida nas reuniões devocionais aos domingos, no Centro da Fraternidade Rosacruz em São Paulo, que deixo registrada na imagem acima.

Outros tributos a Max Heindel:

domingo, 14 de julho de 2019

A Saúde e o Desenvolvimento Espiritual


Max Heindel sempre se utilizando da Analogia em seus ensinamentos. Desta vez usa um objeto de uso pessoal - um relógio, e um outro, que evidentemente era de seu conhecimento profissional – um cronômetro, a fim de responder a pergunta:

PerguntaSendo um corpo sadio necessário para o desenvolvimento espiritual, o que oferecem os Ensinamentos Rosacruzes a alguém que não esteja em perfeitas condições físicas no presente momento? Será a saúde perfeita o resultado do estudo desta filosofia? Se o ensinamento for praticado, proporcionará uma boa saúde à pessoa?

Resposta: O consulente começa com um equívoco, isto é, que um corpo sadio é necessário ao verdadeiro desenvolvimento espiritual. Esqueceu, também, a diferença entre “sadio e “sensível”. Muitas pessoas com pouco desenvolvimento têm um corpo físico dos mais sadios e saudáveis, mas não são sensíveis às vibrações espirituais. Uma ilustração elucidará isso: O autor possuiu um despertador, um relógio barato, já há um certo número de anos. Muitas vezes foi colocado e comprimido numa grande mala manipulada por carregadores, porteiros, etc., de uma maneira excessivamente descuidada, assim mesmo, ao ser tirado da mala depois de todos os solavancos e do mau trato, funcionava ainda marcando as horas, isto é, se a pessoa não se importar com uma variação de alguns minutos para frente ou para trás. Tal relógio é resistente e sólido, mas não exato.

Por outro lado, um cronômetro usado a bordo dos navios é um relógio excessivamente delicado. Repousa sobre uma balança que o mantém numa posição horizontal e é compensado ao mínimo movimento do navio para que possa funcionar perfeitamente, pois, muitas vezes, milhares de vidas dependem da extrema precisão desse instrumento. Um capitão que se lança a navegar no oceano, sabe a que distância está na direção leste ou oeste de Greenwich, Inglaterra, através desse relógio preciso o cronômetro. Ao calcular a diferença entre o horário do meio dia no local onde se encontra e o tempo marcado pelo cronômetro, possui um critério concreto da sua localização, um critério ao qual ele confia a vida de todos os seus passageiros e os milhões de dólares que valem a propriedade que está sob seus cuidados. Uma comparação entre o cronômetro sensível e o despertador impreciso e disponível, ilustra a diferença entre “sensível” e “sólido”.

À medida que entendemos as filosofias mais elevadas e que vivemos a vida ensinada por elas, o nosso corpo torna-se extremamente sensível e deve receber mais cuidados que o corpo de um hindu ou de um negro nos desertos da África. Eles não têm um sistema nervoso delicadamente organizado como o da raça branca. Os que estão interessados nas linhas do desenvolvimento espiritual encontram-se particularmente tensos; portanto, à medida que progredimos, torna-se necessário cuidar cada vez mais deste instrumento. Aprendemos também as leis da sua natureza e como adaptar-nos a elas. Se aplicarmos o nosso conhecimento, é possível manter um instrumento sensível e conservá-lo em saúde relativa.

Há casos, no entanto, em que uma doença é necessária para causar certas mudanças no corpo, que são precursoras de um grau mais elevado no desenvolvimento espiritual e, sob tais condições, a doença torna-se uma bênção e não uma maldição. Podemos dizer que o estudo da mais alta filosofia tenderá sempre a melhorar a saúde de alguém, porque “conhecimento é poder”, e quanto mais soubermos, mais capazes seremos de enfrentar todas as condições, contanto que ponhamos o nosso conhecimento em prática e vivamos a vida, Não sejamos meros ouvintes da palavra, mas agentes também, pois nenhum ensinamento nos beneficiará se não estiver integrado nas nossas vidas diárias.


Max Heindel em "A Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas - vol. I, perg. 144

O AMOR E O MEDO

 

O capítulo 6 do Evangelho de Mateus encanta-nos pela atualidade de sua mensagem. Nunca o homem andou tão ansioso como agora. Nunca ansiedade sobressaltou tanto a alma como nesses primeiros tempos do Terceiro Milênio.

No âmago da questão encontramos o temor de que as necessidades básicas da humanidade não sejam atendidas.

Em última análise, todos os sentimentos humanos podem se resumir em dois pontos: amor e medo. Entre um e outro trava- se a luta pelo equilíbrio emocional e espiritual que tanto bem nos faz.

A grafita é a mesma substância, quimicamente, que o diamante, apesar da aparência diferente. Diz-se que são formas alotrópicas do carbono. Alegria, motivação, sensação de êxito, realização, apreciação da arte, coragem, são formas alotrópicas do amor.

O amor é construtivo, ele faz o corpo, prolonga a vida, traz inspiração, abre caminhos em mil direções, encoraja, supera qualquer obstáculo.

O medo destrói o corpo, bloqueia a inspiração, provoca o ressentimento, a prepotência, a timidez, o egoísmo e a insegurança.

O amor é uma força harmonizadora: “aquietai-vos e sabei que sou Deus”, canta o salmista. Para nos livrarmos definitivamente do medo, necessitamos de uma visão objetiva de nós mesmos, descobrindo e conhecendo nossa verdadeira identidade. Quem somos nós? Alguma vez já nos fizemos essa pergunta? Provavelmente poucos, pois muitos confiam enganosamente em sua identidade material. Talvez respondam: sou brasileiro, casado, comerciante, residente à rua tal, número tal. Trata-se apenas de uma autoimagem.

O homem é assim um ser tão limitado? Não, o ser humano é parte da auto expressão de Deus. Deus canta uma canção e essa canção é o homem. Cumpri-nos, então, transformar a imagem limitada que vemos da Verdade gloriosa que conhecemos. E, essa verdade gloriosa não conhece o medo. É isso verdadeiro significado do Capítulo 6 de Mateus.

“ ...se você não crer em algo maior que si próprio, então não está vivendo, mas apenas existindo. Ser bem-sucedido depende do grau de crescimento. E você cresce na medida em que se torna uma pessoa mais sábia, mais útil e mais segura. Nós vivemos para aprender e por esse processo aprendemos a viver”. Manly P.Hall.

Publicado em ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil. setembro, 2006

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