sábado, 4 de agosto de 2018

O Rosacrucianismo de Fausto

Volksbuch do final do século XVI, sobre Fausto
No final do artigo uma tradução  realizada por amigo do autor
por Jonas Taucci
Caminhar pelas ruas da cidade bávara de Munique (Alemanha) na primavera, é algo inesquecível; recorda-nos de que, por estas terras, teria (ou não) existido uma pessoa (médico, alquimista e astrólogo) de nome Johann Faust, por volta de 1.480 a 1.540.

Em termos de literatura, a vida deste Faust foi narrada em obras de nome Volksbuch (livro do povo), escrita anonimamente por volta de 1.588, em Frankfurt, também na Alemanha, e descreve contos, mitos e lendas populares.

A partir daí seguiu-se, cronologicamente:

*** Christopher Marlowe (1.564-1.593), poeta, artista, tradutor, dramaturgo e escritor inglês, formado pela The King School e Corpus Christi College, sendo bacharel em artes, escreve várias obras, entre elas; A trágica história da vida e morte do doutor Faustus, inspirada com certeza, no Volksbuch.

Esta obra de Christopher Marlowe teve duas edições; distintas e publicadas após a sua morte:

1ª – Ano 1.604, com 1.517 versos.  
2ª – Ano 1.616, com 2.121 versos.

Em ambas, (escritas para serem representadas, e não para circularem em forma de livro), Marlowe cita os personagens Faustus e Mefistófeles. 

Frontispício da obra de Marlowe, início do século XVII; 

*** Johann Wolfgang von Goethe (1.749-1.832), foi um dos expoentes do movimento literário romântico alemão. Escreveu várias obras e também livros sobre ciências naturais. Talvez a sua obra mais conhecida seja “Fausto”, escrita:

1) Em fragmentos, no ano de 1.790.
2) Uma segunda parte escrita em 1.808.
3)  A última parte, em 1.832.

Nela, Goethe narra a história de Fausto, que vende sua alma à Mefistófeles, tal qual Christopher Marlowe e o Volksbuch descreveram, aproximadamente dois séculos antes.

 Fausto”, de Goethe – ano 1.808

*** Início do século XX - Max Heindel, (Conceito Rosacruz do Cosmos, capítulo IIIO homem e o método de evolução, parte O sangue: veículo do ego), diz ser Goethe um iniciado, e em sua obra Mistérios das Grandes Óperas, o Sr. Heindel dedica os seis primeiros capítulos à Fausto de Goethe, revelando que a história de Fausto é um mito tão antigo quanto a humanidade”, e dá-nos uma interpretação rosacruz; profunda , esclarecedora e maravilhosa.

Seria impossível – num texto – dissertar sobre esta interpretação à luz dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, mas vamos abordar um trecho, onde Fausto diz:

“Duas almas, oh! moram dentro de meu peito.
E aí lutam por um indivisível reino;
Uma aspira pela terra, com vontade apaixonada
Às íntimas entranhas ainda está ligada.
Acima das névoas, a outra aspira, de certeza,
Com ardor sagrado por esferas onde reine a pureza.”

Trata-se do embate entre nosso Eu Inferior e Eu Superior - no dia a dia - em relacionamentos com os semelhantes (principalmente os parentes), através de pensamentos, palavras e ações, embate este de sucessivas vidas objetivando um amadurecimento espiritual.  Max Heindel nos fala sobre os dizeres acima, de Fausto: “...quanto mais ardente persistimos na procura do Graal, mais violenta é esta luta interna”.


Gravura para uma edição espanhola da obra “Fausto” 
datada de 1920 (Biblioteca de Madri)

Penso que inexiste família em que não haja uma pessoa considerada aquela que é causa de dissabores, constituindo-se num problema para todos”.

Esta pessoa - e exatamente esta - é aquela a que Cristo refere-se como “era forasteiro e me hospedastes (Mateus 25:35). A ela devem ser inesgotáveis nosso amor e auxilio (a luta interna em resistirmos a isso é violenta, repetindo os dizeres de Max Heindel...). 

Este princípio – forasteiro/hospedagem – expressado por Cristo, devemos aplicar também em nossos círculos de amizades, local de trabalho, práticas espirituais, de lazer, etc..Apenas a prática – e não o conhecimento - deste sacro princípio nos fara vencer a batalha interna. A persistência neste trabalho alquímico; a abrangência de nosso Eu Superior, nos fará dizer – em alguma de nossas vidas - como Paulo: Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2ª Epístola a Timóteo 04:07).

Quando vermos (e tratarmos) nossos irmãos como Cristos, estaremos dando um gigantesco salto para que esta luta interna seja vencida pelo reino da pureza, tal qual diz Goethe, pela boca de Fausto.


domingo, 29 de julho de 2018

Travessia

Como se vê destacado em vermelho e amarelo diagrama 14, Cristo-Jesus possuía os doze veículos que formam uma ininterrupta cadeia desde o Mundo Físico até o próprio Trono de Deus. Portanto, Ele é o único Ser do Universo que está em contato, ao mesmo tempo, com Deus e com o homem. Cap. XV do Conceito, subt. Jesus e Cristo-Jesus. Diagrama 14 original aqui 

por Gilberto Silos
A peregrinação do Espírito evoluinte é uma longa travessia. Travessia é, também, a vida, o dia, a circunstância...

Em períodos infinitamente grandes até aos mais fugazes, o Eterno espírito está sempre transitando, recolhendo meios para realização de seu destino: a dinamização das faculdades latentes, que o torne à estatura d'Aquele que o emanou.

Em toda a literatura espiritualista, quer esotérica, quer exotérica, figuram sempre, como expressivo símbolo, as travessias: as viagens, o êxodo, atravessar rios e mares, etc. É sempre alegoria de transições de consciência, no processo de expansão do ser e de um povo.

O caminho a percorrer está sempre dentro de nós. Nunca é externo. O exterior é simples meio, para atingirmos o fim, que é a realização interna. O caminho não é marcado por distância, senão por expansão de consciência. Por isso disse o Cristo: "EU SOU O CAMINHO...". Ninguém pode chegar à união com o Pai Universal, com o Criador, senão pelo encontro e expansão do Eu interno. Pelo semelhante atingimos o semelhante. Pelo dessemelhante nos isolamos e nos afastamos: tal é o sentido de religião e de queda: uma questão vibratória.

Deus, no céu (supremo, elevado) é Luz, é Vida (em vibração mais alta). Satanás (o adversário, em nós, a natureza inferior), no inferno (inferior estado de consciência) é treva, é morte.
Na mitologia greco-romana temos o relato do mergulho do espírito na matéria e as transições pelas quais poderá alcançar as delícias de Eliseu — a ilha dos escolhidos e dos heróis — que se distinguiram na batalha da vida, nos desafios da evolução.

Quando Júpiter dividiu seu Reino, coube a Plutão o governo do Hades. Ele raptou Prosérpina (Perséfone) para sua esposa. Hermes (Mercúrio) levava para o Hades os mortos e os entregava às margens do primeiro rio (rio Estige= tenebroso) ao barqueiro Caronte que os atravessava e, na margem oposta os deixava sob a vigilância do cão Cérbero (de três cabeças), para que de lá não fugissem.   Os maus sofriam castigos de remorso e o suplício da Hidra, serpente de 50 cabeças.

O Hades tinha cinco rios: o Estige (tenebroso); Aqueronte (das penas); Flégeton (do fogo); Cocito (dos lamentos) e Lete (do esque­cimento).

Uma interpretação do séc. XIX para a figura de Caronte, provavelmente para uma edição da Divina Comédia, pelo pintor russo Alexander Litovchenko. (Museu de St.Petersburg). 

Mito não é fantasia, e sim uma alegoria. Aqui temos o relato de como a Centelha divina mergulhou no esquema evolutivo, envolvendo-se sucessivamente nos corpos que formou, com auxílio das Hierarquias Criadoras, (Prosérpina raptada às regiões inferiores), unindo-se à Morte (Plutão, regente de Escorpião, correspondente à oitava casa, da morte), isto é, perdendo consciência de Si próprio e identificando-se como um ser humano, aparentemente separado e à parte do Espírito.

Quem nos mantém nessa ilusão é o intelecto condicionado (Hermes), cada vez que renascemos (voltamos aos planos inferiores) e somos vin­culados aos átomos-semente dos três corpos (Cérbero, cão de três cabeças).

Pelo mau uso do sexo (suplício da Hidra, relativa a Câncer, que governa a vida geradora) e ignorantes transgressões (que provocam os remorsos) vamos despertando a consciência pela dor inevitável, (Lei de Conseqüência).

A maioria da humanidade vive mergulhada como num sono (irmão gêmeo da morte, que habitava o Hades) gerando os sonhos (vida irreal) e julgando-se o que não é (Morfeu, o criador das formas nos sonhos). Oportuno é lembrar que, no mito, o sono e seu filho Morfeu trazem na mão uma papoula, da qual se extrai o ópio, símbolo da inconsciência em que mergulhamos.

sábado, 2 de junho de 2018

Sobre a Fraternidade, Signo Solar e Citação do Evangelho de Lucas

por Jonas Taucci
Com certeza as pessoas que se filiaram à Fraternidade Rosacruz, o fizeram por uma identificação com os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental.

Comigo não foi diferente.

Contudo houve outro fator – determinante - para a minha frequência em suas reuniões: o clima da verdadeira amizade e companheirismo entre seus membros.

A alegria refletida no semblante de cada pessoa - quando do encontro entre os irmãos - era algo extremamente fácil de ser notada. Havia uma egrégora de estou feliz por te ver”, entre todos, e isto estendia-se para muito além das portas da Fraternidade; as visitas entre os irmãos eram frequentes em suas respectivas residências, para um lanche, almoço etc. e principalmente em hospitais quando alguém adoecia.

Há uma passagem, narrada no evangelho de Lucas (24:41), onde – após a crucificação – Cristo aparece a seus discípulos que se manifestam alegres e admiradosao vê-Lo.

Guardada as devidas (e espirituais) proporções, era – exatamente – essa a tônica do encontro entre os irmãos em reuniões de estudos, palestras e rituais. Ao começar a frequentar as reuniões do Conselho Diretor, Auditor e Esotérico, presenciei também que todas elas eram norteadas pelo decida-se o melhor para a Fraternidade, e não para interesses particulares”.

Irmãos visitando pessoas enfermas em suas casas, oferecendo-lhes os votos de pronto reestabelecimento, assim como o custeio de consultas médicas e remédios, eram praticas corriqueiras. No início dos anos 80, houve um índice de desemprego muito grande: vários irmãos perderam seus trabalhos e ficaram sem condições de frequentar a Fraternidade, pelo fato de não terem dinheiro para o transporte público, e mesmo para o combustível de seus automóveis.

Entrou em cena (mais uma vez) a solidariedade; o vamos juntos à Fraternidade”: irmãos bancaram a condução de ônibus, trens, metrô etc. fazendo possível assim a presença de todos. Às pessoas de idade avançada, eram oferecidas caronas de automóvel.

A citação acima de Lucas, alegres e admirados, era – marcantemente – vivenciada pelos membros da Fraternidade, ao (re) ver um irmão.

Uma destas pessoas era a Sra. Antonieta Pinola.

Sempre com sorriso, recebia as pessoas com cordialidade, incentivando-as a participarem dos rituais e a fazerem os cursos; durante anos nunca a vi fora de uma expressão amável para com as pessoas. Sua face revelava seu interior com certeza.

Certa vez, disse-me estar em dúvida: no domingo seguinte faria aniversário; parentes seus iriam visita-la – à tarde - em sua residência (bairro da Lapa, na cidade de São Paulo) para lhe felicitar, e neste mesmo domingo haveria reunião de cura e palestra no Centro Rosacruz de São Paulo. 

Confidenciou-me a dúvida: Deveria estar em casa, para receber os parentes, ou ir à Fraternidade? O dia e os horários seriam os mesmos...

Fiquei curioso sobre qual decisão iria tomar, minha querida amiga.


Não há – imagino – pessoa que desconheça o seu signo solar, ainda que desacredite na astrologia; o signo em que o Sol está localizado, no momento de seu nascimento, é conhecido por todos. Contudo, há um interessante Ensinamento Rosacruz sobre o Sol (Elmam Bacher – Estudos de Astrologia – Volumes VII e VIII), pouco conhecido, mesmo pelas pessoas que a estudam.

Tomemos como exemplo o horóscopo #09 do livro A Mensagem das Estrelas de Max Heindel e Augusta Foss de Heindel, computadorizado pelo irmão Allen Edwall, abaixo.


Imaginemos agora, este horóscopo sem as linhas das cúspides (e respectivas numerações) das casas zodiacais. Veremos, facilmente, o símbolo do Sol: um ponto central circunscrito por um círculo perfeito, contendo todos os planetas.

É o que nos diz, Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos – capítulo XI – (Gênese e evolução de nosso Sistema Solar), onde o Sol – a uma enormidade de tempos passados - abrigava os planetas de nosso Sistema Solar.

Uma meditação sobre isso seria de enorme importância ao aspirante Rosacruz:
- O Sol (local de onde fomos emanados) simboliza -  em nosso horóscopo -afirma o Sr. Bacher -  a consciência de nossa origem divina.

Essa divindade, todos nós – por herança espiritual – a possuímos. (“...servir a Divina Essência neles oculta, o que constitui a base da Fraternidade – Ritual Rosacruz do Serviço do Templo), e a obra do aspirante rosacruz é a de identificação com este princípio, vivenciando-o com nossos semelhantes através de pensamentos, palavras e ações.

ATENÇÃO! Ao (re) traçarmos, ainda como exemplo o horóscopo #09, as linhas das cúspides no sentido do centro para fora, estaremos representando a Luz (espiritual) do Sol em direção a todos planetas de nosso Sistema Solar, permeando-os.

Elmam Bacher também nos fala da existência da FRATERNIDADE – em oitavas superiores – entre os:

1) Logos Arqui Galáticos. 
2) Logos Galáticos.
3) Logos Solares.

Vemos aqui, a extensão, a dimensão cósmica de FRATERNIDADE; cabendo profunda reflexão a cada um de nós - membros da Fraternidade Rosacruz:

- Como colaboro para uma FRATERNIDADE entre a onda de vida dos Espíritos Virginais (da qual faço parte)?

- Apenas pertenço ou vivencio uma FRATERNIDADE?

Naquele domingo (chuvoso), final de tarde, cheguei à FRATERNIDADE ansioso por saber qual teria sido a decisão da Sra. Antonieta Pinola.

Ela estava rodeada por todos os membros da FRATERNIDADE, ao lado um bolo de aniversário e também de seus parentes que – felizes - a acompanharam ao Centro Rosacruz de São Paulo.

“Todos alegres e admirados”

sábado, 19 de maio de 2018

A RELAÇÃO CIÊNCIA-RELIGIÃO-ARTE (1)

por Eduardo Aroso
A oposição ciência religião, vice-versa, é antiga. Com o aumento do ambiente materialista actual tem-se agudizado em posições académicas irredutíveis, mas também contendo uma falange significativa que chega a uma situação dir-se-ia crítica ou de fronteira, isto é, o cientista não sai, como lhe compete, da área científica, mas não enjeita outras componentes na busca de uma visão mais abrangente da vida (Leia-se Ciência e Religião, de Russel Stannard, edições 70). O confronto ciência/religião aconteceu no passado, por exemplo, com Galileu e Newton de um lado, e do outro a igreja dominante, o mesmo é dizer o pensamento vigente na época.

É óbvio que o tema daria matéria não só para um livro, mas para vários tratados. Este breve artigo pretende tão-só chamar a atenção para dois ou três pontos essenciais que, em combinação com a filosofia rosacruz, possa contribuir para esbater a barreira que se construiu pelo materialismo separando ciência-religião e até a arte. É sobejamente sabido que a Idade Média viveu intensamente a religião em detrimento da ciência «sufocada» (como diz Max Heindel) e dir-se-ia não desenvolvida como está hoje. Deus estava na religião. O Renascimento trouxe uma notável expansão em todas as artes, maior que a própria ciência moderna que começava então a despontar. Hoje, para muitos cientistas só a ciência pode explicar o mundo e, mais do que este, a própria Vida. Mas não só, pois muita gente segue o preceito de que o que a ciência não explica não é verdade e, sobretudo não confiável! Ou seja, se Deus não está na Ciência não existe, do mesmo modo que os místicos medievais não podiam admiti-Lo nos átomos ou nos feixes quânticos da nossa época, ou como em pleno Romantismo Beethoven percebia Deus através da música.

Se - como diz o povo e bem - «Deus está em toda a parte», é bem de ver que na Manifestação Ele não tem limites para essa Imanência. É esta a razão d’Ele estar tanto na Ciência, na Arte e na Religião. O fanatismo que eclodia no passado em certos momentos de vivência religiosa talvez não seja do mesmo teor de uma espécie fanatismo com que a ciência académica se posiciona como detentora da verdade, mas deixa-nos a pensar que, pelo menos: a) Em cada época tem havido mais propensão para aprofundar uma destas três áreas (religião, ciência, arte); b) Em qualquer uma delas se observa que o ser humano está em evolução, pois há ainda uma visão limitada do Todo; c) tudo indica que se caminhe (Era de Aquário) para uma plenificação do ser no sentido de as fazer convergir, revelando assim a divindade que existe na criatura terrestre e bem assim nesses três ramos do conhecimento e experiência humana.

«Em toda a sua relatividade, todo o progresso decorre duma evolução do conhecimento humano, seja qual for o seu estatuto, estendendo-se pelo místico, o 2 religioso, o científico, no quadro das mais diversas culturas». (António Amorim da Costa, professor de Química, jubilado, da Universidade de Coimbra, «Ciência e Mito», Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010). Adianta ainda o autor, como quem se situa bem na fase actual, a da separação (especialização) do saber: «Saber conviver com o intrincado da própria teia poderá ser a mais sábia das atitudes».

É interessante saber que Galileu (cientista que revolucionou a astronomia, condenado a abjurar o seu pensamento perante a Igreja Romana), na sua obra «Sidereus Nuncius» (publicado em Veneza em 1610) o título é o mesmo que o livro de Augusta Foss e Max Heindel, «The Message of the Stars», esta uma colectânea de escritos e horóscopos que quando foi editada constituiu um repositório de conhecimento que veio preencher um vazio, e que ainda hoje é de grande utilidade, muito em particular quanto às doenças. A filosofia rosacruz explica as razões da separação da ciência e da religião, ao longo dos tempos, da predominância de uma sobre a outra, para finalmente serem, como destino, os dois “braços” da Verdade de um modo mais explícito e equilibrado.

É consolador saber que Galileu, profundamente empenhado na ciência da astronomia e não só, tenha tido uma atitude conciliadora (sabe Deus com que cuidado naquela época!) da ciência e da religião: «Todas essas coisas por mim observadas e descobertas, não há muitos dias, mediante um perspicilium inventado e construído por mim, previamente iluminado pela graça divina» («Explicando A Astronomia e o Poder Religioso», de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, edições Ediouro). Na realidade, Galileu foi uma afronta para o pensamento aristotélico do funcionamento do universo que a Igreja defendia. Segundo os estudiosos, o cientista pretendia que a sua teoria não a afrontasse, mas que fosse um passo em frente no avanço da humanidade, tendo ficado decepcionado. Galileu provocou uma cisão no pensamento da época só comparável com a divisão da Igreja Ocidental (romana) e Oriental (ortodoxa) ou da cisão que Lutero trouxe ao catolicismo, conhecido como protestantismo. Dado que um ambiente científico gera um correspondente clima filosófico, a comprovação de que é a Terra (e demais planetas) é que gira à volta do Sol, e não este à volta do nosso planeta, ainda hoje nos faz pensar na clássica sentença «o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são." (Protágoras, séc. V A.C.).

Se por um lado expressa a ideia de relatividade, o que é certo é que durante a Idade Media e no Renascimento, nomeadamente através da Escolástica, esta expressão mais conhecida na abreviatura «o homem é a medida de todas as coisas» colocou de algum modo o ser humano numa posição egocêntrica, sobrepondo-o assim ao reino animal, vegetal e mineral, afirmação talvez derivada desse pensamento aristotélico antigo que colocava tudo a girar à volta da Terra. De um ponto de vista absoluto no ser humano 3 enquanto centelha divina, tudo gira à sua volta, posição irredutível, pois o Ego é indestrutível.

Mas isso pode obscurecer outra largueza de pensamento, como, por exemplo, a de hoje quanto à negação peremptória de muitos de que haja seres extraterrestres. A filosofia rosacruz explicita bem no capítulo da Cosmogénese que além do ser humano há outros seres mais elevados de outras ondas de vida. O orgulho intelectual que parece ter afluído à frase «o Homem é a medida de todas as coisas», decerto sem que Protágoras imaginasse, não foi tão sábio e pronto para divulgar o dito de S. Paulo em que o seguidor de Cristo diz do ser humano ser um pouco mais que animal e inferior aos anjos, deslocando assim a consciência para um ponto mais alto, o reino angélico. (Continuará)

Eduardo Aroso é Probacionista da The Rosicrucian Fellowship através de Portugal. 
Mais artigos do autor neste blog: (aqui)

terça-feira, 1 de maio de 2018

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”

por Jonas Taucci
Durante uma viagem que realizei, de trem, entre Roma (Itália) e Barcelona (Espanha), pude ver - em vários trechos - o espetacular Mar Mediterrâneo. O trem subiu pela costa oeste italiana, antes de entrar em território francês, e posteriormente a Espanha. Fui agraciado, em dado momento, com um maravilhoso e inesquecível pôr do sol.

Custou-me acreditar que esta cena – a enorme e portentosa bola de fogo a deitar majestosamente no horizonte mediterrâneo – fosse palco de uma das batalhas mais sangrentas da história: As Guerras Púnicas, acontecidas a mais de dois milênios.

RESUMIDAMENTE: AS GUERRAS PÚNICAS

***Foram batalhas, em número de três, entre Roma e Cartago (cidade estado do norte da África), sendo que na primeira, o conflito bélico naval foi horrível nas águas do famoso mar.

***Entraram em guerra pelo controle marítimo do Mar Mediterrâneo; rota importantíssima de comércio e também área vital militar.

***Estas três Guerras Púnicas ocorreram entre os anos 264 AC e 146 AC, com vitória romana, que passou a chamar este mar de Mare Nostrum (mar nosso), sendo fator importante para a consolidação do posterior Império Romano (27 AC à 470 DC, aproximadamente).

***Durante mais de um século o ódio imperou entre cartagineses e romanos, em terríveis batalhas navais e terrestres.

Estas informações constam em livros de história, contudo há um lado oculto (e posterior) a isso, informado por Max Heindel, em sua obra Ensinamentos de um Iniciado – capítulo IX – Luz mística sobre a guerra mundial (1914-1918) – Parte I – Fontes Secretas;

***Os cartagineses renasceram na Prússia (Alemanha) e os romanos renasceram em Albion (como também é conhecida as Ilhas Britânicas); o ódio entre ambos continuou, agora como palco a 1ª Grande Guerra Mundial.

Aqui um ponto importante para o aspirante rosacruz: a morte não aplacou a belicosidade entre estes espíritos, que se envolveram em novas (contudo antigas...) batalhas, por volta de dois mil anos depois das Guerras Púnicas. O ódio perdurou, ainda que em época e nacionalidades diferentes.

Max Heindel, em Cartas aos Estudantes # 47 (Os Auxiliares Invisíveis e o Seu Trabalho nos Campos de Batalha), escrita em outubro de 1.914 (em plena 1ª Guerra Mundial), solicitou a todos que orassem pela paz mundial: as espadas sendo fundidas em arados. Atualmente, não temos uma guerra mundial propriamente dita, contudo existem seriíssimos conflitos étnicos, religiosos, políticos etc. ao redor do planeta, causando muitos sofrimentos e mortes.

Nossa Sede Mundial (Oceanside), nos orienta a meditarmos pela paz mundial, quando a Lua transita pelos signos de água (Câncer, Escorpião e Peixes).

 Os Signos aquosos estão  relacionados com o aspecto sentimento, afetividade, coração e devoção

Cristo, no evangelho de João (14:27) diz:
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não a dou como a dá o mundo”.

À LUZ DOS ENSINAMENTOS ROSACRUZES:

***Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou.  (a paz do Cristo Interno de cada um de nós).

***Não a dou como a dá o mundo. (paz temporária, externa, governamental, política).

Não devemos entender esta passagem, como Cristo transferindo a SUA paz a cada ser humano.  Evidente que todos os anos, Ele nos visita, abençoando-nos com seu infinito amor, contudo a paz a que Ele se refere, é a paz interna de cada um de nós, conquistada pelo aspirante, resultante do desabrochar do Cristo Interno. Procuremos ler e meditar esta passagem, calmamente, do evangelho de João, como sendo os dizeres de nosso Cristo Interno.

Iremos nos maravilhar.

O Sr. Heindel, em Iniciação Antiga e Moderna (capítulo II – O Altar de Bronze e o Lavado) é enfático: Não é o Cristo externo que salva, mas o Cristo Interno”.

E no Ritual Rosacruz de Dezembro, voltado ao Natal, lemos ao final:

É um fato sublime nós sermos Cristos em formação; quanto mais cedo nos convencermos que devemos dar nascimento ao Cristo Interno antes de podermos ver o Cristo exterior, mais depressa chegará o dia da nossa iluminação espiritual. Cada um de nós será, oportunamente, conduzido pela Estrela até ao Cristo, mas é necessário acentuar, que não seremos conduzidos a um Cristo exterior, mas ao Cristo que esta no Interior”.   

A paz, particular de cada um de nós, fermentada pelo nosso Cristo Interno, quando conquistada por um número significativo da humanidade, irá abolir todo vestígio de guerras na Terra.

Nesta e em vidas futuras...

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