19/10/2013

Hipócrates, o Pai da Medicina

por Delmar Domingos de Carvalho

Hipócrates, o Pai da Medicina,
Ensinou que o “teu alimento
Seja o teu medicamento”,
Dando valor a cada mezinha.
 
Merece ser lido e relido
O seu nobre juramento
E aplicado em cada momento;
E aqui deixo um pedido!
 
Que ele seja devidamente cumprido,
Na sua generalidade,
Haja ética, responsabilidade,
Que o amor á vida seja cumprido.
 
Leia-se o que escreveu sobre a gestação,
Considerando a sua profissão como sagrada
Com altruísmo deve ser ensinada,
Como nada deve ser usado contra a conceção.

Usou magistralmente a astrosofia
Na sagrada arte de curar,
E que quem não a souber praticar
Jamais terá verdadeira Sabedoria.

 Artigos do escritor Delmar Domingos de Carvalho: clique aqui

05/10/2013

Devoção (I) - Amor e Fé

traduzido da Rays from the Rose Cross, julho 1976 (original po Thomas O'Hare)

Os ensinamentos que Max Heindel divulgou para o mundo Ocidental estão, especificamente, destinados àqueles com mentes inquiridoras. É-nos ensinado, ainda, que o intelecto precisa primeiro, estar tranquilo para que o coração possa falar. Assim, é importante que nós, que estudamos os Ensinamentos com seriedade, tenhamos que fazer grandes esforços para equilibrar nossas tendências mais intelectuais.

O desenvolvimento da devoção pode ter esta função de equilíbrio pois se refere, especificamente, ao nosso coração, ao qual estão reservados elevados ensinamentos. Para muitos de nós, os elementos intelectuais nos chegam com maior ou menor facilidade; é preciso cuidado porque, por vezes, estão aí as nossas maiores dificuldades. Como Max Heindel coloca em "Coletâneas de um Místico" (Cap.II-Iniciação): "O maior perigo do aspirante neste ponto é cair vítima do laço que tende ao egoísmo e sua única garantia é cultivar as faculdades da fé, da devoção e uma simpatia universal. É difícil, mas pode ser alcançado e quando isso se consegue, o homem ou mulher se transforma numa força maravilhosa, para o bem do mundo". E é por isso que, como estudantes do Ocultismo, nosso crescimento moral deve ultrapassar nosso crescimento esotérico, pois, caso contrário, faremos um mau uso das forças espirituais que adquirimos. Como aspirantes ao Caminho da Iniciação, devemos cortejar a devoção e nos esforçarmos para desenvolvê-la, pois ela exerce uma grande importância no nosso crescimento. Quando a devoção surge na nossa vida e permanece viva, ela constitui uma força muito grande. Serve, também, como defesa contra as muitas tentações que nos aparecem pelo caminho.

Vamos observar primeiro, dois casos do mundo material e, por analogia, ver como a devoção age.

Uma pessoa pode ser devota à outra; isto normalmente implica amor, carinho e fé. Do mesmo modo, uma pessoa pode ser devota a um ideal; todas as suas energias estão dirigidas para alcançar e servir este ideal. Isto implica sacrifício e consagração. Na devoção, nós encontramos quatro elementos: amor - fé - auto-sacrifício e consagração. São essas as quatro lições de devoção:

1 - LIÇÃO DE AMOR:
O amor é uma lição bastante enfatizada pela Filosofia Rosacruz, pois é a própria Filosofia que procura aproximar o hiato que existe entre o coração e a mente. Devemos desenvolver um coração meigo, baseado no amor e carinho para com nossos irmãos. Se olharmos para o título de "O Conceito Rosacruz do Cosmos", encontraremos escrito em pequenas letras: "Cristianismo Místico".

Nestas duas palavras estão contidas todos os ensinamentos que Max Heindel tinha em mente quando instituiu a Fraternidade Rosacruz e escreveu seus livros.

Essas duas palavras nos falam somente de amor. O Místico escolhe andar pelo caminho da tristeza e do sofrimento, por causa do amor. o ideal é sempre o mesmo: seguir Cristo, e é pelo amor Dele que o Místico seguirá para onde quer que Ele o leve. É este tipo de amor que nunca nos poderá levar à censura ou ao conflito com os propósitos de Deus. Todos nós sabemos que a palavra "Cristão" nos fala de uma forma direta e máxima de Cristo, que implantou a ideia básica do amor neste mundo.

Os dois grandes mandamentos que Ele nos deu falam deste amor: "Amarás o Senhor, teu Deus, com todo teu coração, com toda tua alma e com todo teu espírito (amar a Deus sobre todas as coisas). Este é o primeiro e o maior mandamento. E o segundo é semelhante: "Ama o teu próximo como a ti mesmo” (Mat. 22:37-39). Isto nos coloca diante de um grande ideal ao qual devemos aspirar, especialmente se andamos pelo Caminho Oculto.

A verdadeira devoção requer amor, como sua primeira lição. Nosso amor precisa ser o menos egoísta possível.

No 13° Capítulo da l Epístola aos Coríntios, Paulo fala do amor. Esta é a insuperável descrição de amor que está contida no Ritual do Serviço do Templo da Fraternidade Rosacruz. Seria muito proveitoso para todos nós se meditássemos e aceitássemos isso. Naturalmente, não podemos esperar dar um salto tão grande de nossa presente consciência de amor para a consciência ideal que for colocada diante de nós. Devemos dar-nos tempo para crescer, conscientes do ideal, mas também cientes de que somos humanos. Max Heindel expressou isto, habilmente, em um pequeno poema:

Deus ama sem cessar,
Mas nós mortais, sob certas leis,
mudamos constantemente
pelos sentimentos de dor ou de prazer.

Devemos praticar o amor no mais profundo do pensamento, cuidar deste sentimento e permitir que ele se liberte.

Um bom exercício para isto é primeiro centralizar nossos pensamentos em alguém que nos é querido e deixar fluir este amor que sentimos por este alguém. O próximo passo é desviar o fluxo deste amor para outra pessoa ou grupo de pessoas, que podem não nos ser tão queridos. Deste modo podemos lembrar e abençoar todos aqueles com quem contatamos.

2-FÉ:
Seu cultivo e seu desenvolvimento são sementes de devoção que podemos plantar. Max Heindel nos aconselha como aspirantes ao Caminho, a colocar a nossa mente numa postura infantil que será muito útil para o desenvolvimento da fé. Precisamos, também, conservar uma visão otimista. Do nosso limitado ponto de vista, pode parecer-nos que o mundo está andando numa "montanha russa", completamente fora de controle. Porém, sabemos que grandes Inteligências estão por detrás desse suposto caos do nosso mundo, controlando e dirigindo sua evolução. Da mesma maneira, com nossas próprias vidas, quanto mais nos colocarmos nas mãos de Cristo, mais começaremos a "viver a vida", a sentir a fé e mais perto estaremos Dele. Comecemos deixando que nossas vidas, nossos pensamentos, nossos sentimentos, nosso desejo sejam guiados por Ele. Esta é a idade da Fé: crer e confiar. O homem precisa aprender isto, agasalhar este senti­mento e fazê-lo penetrar em sua alma.

Max Heindel fala-nos da fé. "se trabalhamos com a lei para os. outros, a lei nos protegerá, pois estamos trabalhando com ela. A partir do momento que nos colocamos nas mãos de Deus, que pensamos como fazer seu trabalho e de que forma executar Sua vontade na Terra, então nos tornamos Seus co-colaboradores. Depositamos Nele a incumbência de nos proteger e podemos ficar tranquilos de que tudo que for necessário para nosso progresso material e espiritual virá" (Rays form the Rose Cross - agosto 1915, p. 35).

É através do desenvolvimento da fé que começamos a pôr de lado as preocupações e temores que nos assolam e que são tão prejudiciais para quem aspira o Caminho.

Viver uma vida de fé é um processo de crescimento, pois a grande maioria das pessoas aprendeu, e infelizmente muito bem, como ter preocupações e temores. Não é uma tarefa fácil livrarmo-nos dessas algemas; mas vale tentar e lutar por isso e é uma grande conquista quando nós, finalmente, o conseguimos. É natural, no entanto, que este processo seja gradativo e não devemos esperar dar um passo gigantesco com um resultado imediato. Aproximemo-nos da nossa meta, aos poucos, com persistência, através de esforços combinados, firmes e sinceros.
publicado na revista Serviço Rosacruz, agosto de 1984

31/08/2013

Uma Vivência Devocional

por Gilberto Silos

A Fraternidade Rosacruz — Sede Central do Brasil realiza suas reuniões devocionais aos domingos, às 17h00min, quando um probacionista previamente designado pelo conselho esotérico profere uma exposição com temas que, de modo geral, versam sobre o Cristianismo. Após a reunião, às 18h30min horas, como ocorre em todos os dias da semana, é oficiado o Ritual do Serviço do Templo (ou Ritual do Serviço de Cura, caso seja a data correspondente). (*).

Recomenda-se aos estudantes que, na medida do possível, assistam a essas reuniões, se bem nem todos possam fazê-lo dado a obrigações ou compromissos intransferíveis. Cabe-nos observar, tam­bém, o cumprimento de nossos deveres sociais.

Àqueles impossibilitados de frequência há outra alternativa, aliás, extensiva a todos: efetuar a pratica devocional no recesso do próprio lar. Quando surge uma boa oportunidade de recolhimento, não devemos deixá-la escapulir. Retiremo-nos para um cômodo tranquilo, preferencialmente isolado. Ali podemos orar, entregar-nos à leitura de temas bíblicos, meditar aos acordes suaves de uma melodia sacra, etc. Enfim, cada um poderá, a seu talante, compor a sua própria prática devocional.

Todavia, é importante ressaltar: isso tudo é devoção, mas a devoção não é só isso. Para assumir sua integralidade e produzir frutos ela deve transpor os limites formais das práticas acima mencionadas, ganhando corpo como VIVÊNCIA DEVOCIONAL. Entremeada de altos e baixos, a caminhada do aspirante não se fortalecera e consolidará enquanto não se alicerçar em uma VIVÊNCIA DEVOCIONAL.

Alguns estudantes às vezes se queixam - e isso acontece desde o tempo de Max Heindel - de que, apesar de estudarem com afinco a Filosofia Rosacruz, notam ser muito lento seu progresso. Com o correr do tempo, passam até a achar as lições repetitivas e monótonas. Um estudante, certa vez, escreveu a Max Heindel, afirmando que, em sua opinião, as cartas mensais dirigidas aos membros da Fraternidade, nada mais eram que "pequenos agradáveissermões". Na verdade, ele estava era sequioso de novidades e mistérios. Não lhe importava extrair, dos textos, uma lição de fundo moral.
Fatos como esse, ocorrem com quem julga ser a Filosofia Rosacruz, apenas e tão somente um conglomerado de conhecimentos, formando um sistema filosófico estruturado em bases coerentemente racionais e lógicas. Não conseguem transcender sua intelectualidade, penetrando naquilo que ela tem de mais grandioso: sua capacidade de transformar, para melhor, o íntimo do ser humano. Admitindo como notável a sua racionalidade, não lhe atribuem, talvez, aquele essencial caráter de religiosidade, capaz de permitir ao aspirante, o reencontro com sua real natureza, isto é, a re-ligaçâo com o Eu Superior. Conceituam a Rosacruz pela óptica unilateral do intelectualismo. Não se lhes avulta, portanto, a perspectiva daquele equilíbrio tão enfatizado em lições, cartas, palestras: a união da mente com o coração, do intelecto com a devoção.
Nossa carreira, como estudantes rosacruzes, depende, inicialmente, e em grande extensão, da aquisição de conhecimentos. Através dos cursos, livros, conferências, temos acesso ao chamado "conhecimento indireto". As informações concernentes à origem, evolução e futuro desenvolvimento do homem e do mundo, abrem-nos horizontes mais amplos. Orientam-nos. Dão-nos mais segurança na escalada desse íngreme caminho evolutivo, pela certeza infundida de que leis sábias regem o Universo, de cujo contexto somos parte integrante.
Mas é importante não esquecermos: essa é a primeira fase. É o passo inicial. A compreensão das verdades conhecidas deve fazer soar a corda do amor no mais recôndito do nosso ser. Satisfeita a mente com o logismo Rosacruz, o coração deve vibrar numa vivência superior de serviço amoroso ao próximo. Sem isso não há progresso espiritual.
Na Escola Rosacruz não podemos prescindir do conhecimento intelectual. Este, todavia, deve ser assimilado, digerido, trabalhado pelo coração e transformado em sabedoria. A verdade não assimilada é inútil. Apenas acrescenta-se ao nosso cabedal de conhecimentos. Mas se vivida, sentida, intuída, esta sim nos transforma em novas criaturas. Torna-se parte de nossa própria natureza. Converte-nos em sal da terra e luz do mundo. É sabedoria no mais profundo sentido do termo.
O conhecimento intelectual puro e simples constitui meio e não um fim em si mesmo. É elemento valioso como orientação e esclarecimento. Mas não deixa de ser informação. Informação apenas. Um computador também pode acumular informações. Toneladas de informações. Tal, porém, não o transforma em sábio. Há pessoas dotadas de vastíssimos e detalhados conhecimentos. São verdadeiras enciclopédias ambulantes. Outras há que, superficialmente, só memorizam datas e frases feitas. São verdadeiros computadores ambulantes.
A aplicação do conhecimento na vida prática, sempre objetivando beneficiar o próximo e aperfeiçoar as coisas, configura, realmente, uma vivência devocional. Fazer tudo o melhor possível — seja lá o que for — para maior glória de Deus, sem preocupação com os resultados, é imprimir um cunho superior à vivência devocional. A menos que nos esforcemos desse modo, continuaremos sendo como "sinos que tinem". Se não temos amor e não o empregamos a ser­viço dos demais, de nada nos valerá conhecer os "mistérios".
Quem vive devocionalmente a Filosofia Rosacruz não a julga repetitiva. O dia-a-dia sempre lhe oferece novas oportunidades de servir com amor, pela utilização dos ensinamentos recebidos. Não vive desesperadamente à cata de novidades. A novidade, ele a encontra na constante descoberta interna daquilo que vivência. Mas isto requer penetração além do estudo superficial. Demanda uma disposição para descobrir a harmonia, a beleza, o DIVINO, enfim, nas pessoas e nas coisas. Quando nos sensibilizamos ao sorriso de uma criança, ou ao colorido delicado de uma flor, estamos vivendo devocionalmente. A emoção que nos desperta o som natural emitido por um regato em seu fluir preguiçoso. O sentimento de empatia que nos envolve à vista do sofrimento alheio, estimulando-nos a estender a mão ao nosso semelhante. Quando do sentimento passamos à ação. O cultivo do bom, do belo, do verdadeiro. A tudo isso chamamos de vivência devocional.
Talvez, na compreensão dessas coisas, aparentemente simples, encontrem, os estudantes, as resposta aos seus problemas. É um tema merecedor de apurado exame.
publicado na  Revista Serviço Rosacruz,  Janeiro, 1978
 (*) O primeiro parágrafo deste texto foi alterado pela editora do blog, uma vez que o horário  das reuniões devocionais na Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil foi modificado depois do ano 2000.
Relacionados:
A Necessidade de Devoção


28/07/2013

O Perdão Dos Pecados


Pecado é uma ação contrária à Lei. São Pedro afirmou "O que o homem semear isso mesmo ele colherá". Não obstante, do ponto de vista oculto nem sempre o homem sofre o efeito das faltas que cometeu, porquanto o perdão dos pecados é uma realidade. Há, porém, pré-requisitos para que ele opere e um deles é a vontade aliada à iniciativa, através do ARREPENDIMENTO, REFORMA E RESTITUIÇÃO.

Arrependimento é uma mudança do coração e da mente em relação ao ato considerado pecaminoso, como resultado de uma insatisfação ou remorso.

Reforma significa restauração, renovação do caráter, transformação da consciência Envolve discernimento. é uma prova de valor e paciência. Quando o indivíduo se transforma internamente tudo se modifica em sua vida

Restituição é a compensação devida a alguém que de alguma forma prejudicamos Se não pudermos restituir ao ofendido podemos fazê-lo servindo outra pessoa.

O indivíduo se liberta dos pecados quando, em sua consciência, admite ter errado e propõe-se a não mais repetir a falta A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do exercício de retrospecção o qual oferece uma visão objetiva de nós mesmos. Isso evita o sofrimento purgatorial pois acaba limpando o átomo-semente.

Se o indivíduo se conscientizar de seus erros, partindo para o arrependimento, reforma e restituição, demonstrará ter aprendido as lições nesta encarnação, não necessitando fazê-lo futuramente. Isso é o "perdão dos pecados".

O ensinamento alusivo ao karma, disseminado pelas Escolas Orientais, não satisfaz completamente as necessidades humanas. Os ensinamentos cristãos, por sua vez, abrangem tanto a lei de causa e efeito como o perdão dos pecados.

Essa reforma interior, esse ato volitivo, começa com o corpo vital. No Pai Nosso temos uma oração exclusiva para o corpo vital: "Perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido". Através da repetição forma-se a alma intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos. Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências.

Portanto, todo ser humano tem a prerrogativa de erigir seu destino futuro.
 publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil, Maio, 1991

23/07/2013

Sobre o Pioneirismo de Max Heindel: Uma Reflexão

Max Heindel (23/7/1865 - 6/1/1919)

«O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça». (Mateus 8.18-20)
A sentença crística enunciada pelo apóstolo tem sido interpretada essencialmente no sentido do despojo dos bens materiais. Afinal, verdadeiramente nosso é apenas o corpo (os corpos) enquanto vivemos neste mundo, embora dele levemos a quintessência, ou melhor, o resultado das acções, para nos mundos superiores extrairmos a essência desse trabalho.

De outros sentidos na frase, porventura mais subtis, há um que se pode vislumbrar. Reclinar ou apoiar a cabeça significa assim que a cabeça deve sustentar-se em algo. Já pensámos que um pioneiro, em qualquer actividade humana, muitas e muitas vezes nos tempos que se lhe seguem, na melhor das hipóteses a sua actividade é apenas mantida, isto é, não tem continuidade à sua altura? Um Pitágoras não se segue ao Pitágoras, um Leonardo da Vinci não se segue ao Leonardo da Vinci e um Camões não se segue a Luiz Vaz de Camões. É simples de se entender. Quando uma luz é muito forte, ilumina tanto que às vezes até ofusca, ou seja, o que se lhe segue podendo ser luminoso será, via de regra, de outro modo, modo esse que até pode ser (e já é muito) a explicitação e a manutenção dessa explosão de génio ou de pioneirismo. O que acontece, por exemplo, com movimentos artísticos e filosóficos é conhecido de todos. Passam-se décadas e décadas até surgir outro impulso. Um pioneiro é a “cabeça” de um movimento que, se bem dirige o corpo, este por sua vez deve sustentá-la na continuidade.

É caso também para perguntar, quanto à obra de Max Heindel, se durante estes 100 anos, o pioneiro, o mensageiro, teve sempre onde a «reclinar a cabeça», desde as estruturas da sede central à disseminação da filosofia. Todos e cada um dos que estão no movimento devem colocar a pergunta. Por muito dolorosa que seja, e ainda com esta outra alínea: fomos acrescentado suportes, desenvolvimentos, investigações, envolvimentos humanos verdadeiramente fraternais ao longo destes anos, ou diminuímos esse travesseiro de esforço que Max Heindel e sua esposa Augusta Foss Heindel construíram com tanto amor e sabedoria?
por Eduardo Aroso em "Do Amor e do Ser (22)" publicado na página Fraternidade Rosacruz Max Heindel - Facebook  - 7 -11-2012

30/06/2013

Falando em Arquétipos

por Gilberto Silos
Consultando o “Aurélio” vamos encontrar ARQUÈTIPO definido como “modelo de seres criados”, “padrão” “exemplar”. De um modo geral, conceitua-se arquétipo como o padrão original de alguma coisa.
 
Segundo os ensinamentos rosacruzes há um arquétipo para cada indivíduo no mundo. O corpo denso é uma cópia física exata do arquétipo, um modelo vivente, vibrante, formado na Região do Pensamento Concreto. Quando o corpo é imperfeito ou enfermo é porque o arquétipo não foi bem formado. Sua elaboração condiciona-se ao nível evolutivo e estado de consciência do espírito. O espírito forma o arquétipo com o auxílio das Hierarquias Criadoras, principalmente os Senhores da Mente.
 
O espírito põe o arquétipo em vibração através de um som, correspondente à nota chave do átomo-semente do corpo denso. Este som emite uma cor característica, de acordo com o estado de consciência do indivíduo. Som e cor podem alterar-se no transcurso da vida, à medida que o corpo físico ai experimentando transformações. Quando o som cessa, o arquétipo para de vibrar e o corpo denso morre.
 
A qualidade do material aglomerado para a formação de um corpo denso depende do átomo-semente. Mas, a quantidade depende do arquétipo, o qual determina a forma, a altura, o peso e a aparência física. É um modelo vivo do corpo.
 
Toda ação produz um efeito no arquétipo. Se ela se harmoniza com as leis da evolução, o arquétipo se fortalece e sua duração pode ser prolongada. Em caso contrário, a tendência é ele debilitar-se e destruir-se. Em cada renascimento o espírito recebe várias oportunidades para evoluir. Se ele as aproveita integralmente, ou quase, sua existência aqui neste plano poderá até ser prolongada. Porém, caso o espírito enverede por caminhos perigosos e extremamente destrutivos, sua passagem pelo mundo físico poderá ser abreviada pelas Hierarquias que eliminam o arquétipo.
 
Na Região do Pensamento Concreto quando se deseja conhecer ou estudar alguma coisa, basta concentrar-se em seu arquétipo. Ele emite um som capaz de, imediatamente, ensejar uma noção de cada uma das fases de sua natureza, oferecendo uma visão de seu passado e a história do seu desenvolvimento. Mas Heindel, com a habilidade característica dos iniciados, pode vislumbrar muita coisa através dos arquétipos, inclusive modificações geomorfológicas que futuramente ocorrerão neste planeta.
publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil de julho, 1994

08/06/2013

Angelus Silesius e o Nosso Cristo Interno (*)

Provavelmente todo estudante Rosacruz já tenha ouvido falar em Angelus Silesius.

Citado e chamado de místico por Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos (capítulo XV-Cristo e sua Missão), Angelus Silesius possui uma biografia peculiar.

Desconhecemos o dia de seu nascimento, porém sabemos que nasceu de pais luteranos na Silésia, sendo batizado no dia 25 de dezembro de 1.624, com o nome de Johannes Scheffler, e a exemplo de seus pais, seguiu a religião luterana.

Filho primogênito formou-se em medicina, doutorou-se em filosofia e apreciava a poesia.

Por volta de 1653, abandona o luteranismo, abraça o catolicismo e muda seu nome para Angelus Silesius.

Sua obra mais importante, sem dúvida, “O Peregrino Querubínico” (também conhecida em países de língua portuguesa como “O Viajante Querubínico“) possui uma particularidade : está escrita em dísticos (grupo ou estrofe de dois versos), e toda ela - mística por excelência - alicerçada no desabrochar de nosso Cristo Interno.

Abaixo, alguns deles – de uma profundidade espiritual enorme para a época - ficando claro para o estudante Rosacruz, a relação dos mesmos com o Cristo Interno de cada um de nós.

Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém, se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida. (Este trecho é o mais conhecido pelo estudante rosacruz, sendo encontrado no Conceito Rosacruz do Cosmos, e no Ritual do Serviço do Solstício de Dezembro).

O que importa, Gabriel, tua saudação à Virgem, se a mesma mensagem a mim não se dirige? (Gabriel, anjo Lunar, anunciou à Maria, símbolo de pureza, virgindade comportamental e casticidade de caráter, o nascimento de Jesus, nosso Cristo Interno. Devemos transportar e vivenciar isso para nosso íntimo) .

Recolhe-te em ti mesmo. E lá encontrarás, e não em terra estranha, a pedra filosofal. (Aqui, um correlato com as palavras de Cristo, em Lucas 17:20 “ O Reino de Deus não vem com aparência exterior”.

E na medida que em que meu eu desaparece, que o eu do meu Senhor se revigore e cresça. (Meu eu/eu inferior, sendo transmutado em Eu do Senhor/Eu Superior).

A alma é um cristal, a divindade, a luz. E o corpo em que vives, o estojo que as conduz. (Alma é a somatória de todas as boas ações que praticamos em nossas existências, e o cristal, elemento que os Espíritos Lucíferos não possuem acesso. Vide o livro “Carta aos Estudantes” de Max Heindel, carta 32) .

Dançam estrelas, põe o Sol tudo a mover: Não pertences ao Todo, se fixo é teu ser. (Uma alusão à música das esferas, já que dançar, está intimamente ligado à música. O “caminhar sonoro” das estrelas pelo universo, e também nossa mobilidade Planos Interno/Renascimento na Terra.) .

Como Deus, sou rico. Nem um grão de poeira Ele pode ter que eu também não tenha. (A referencia de nossa origem divina, sem nenhuma conotação material. Nossa riqueza espiritual; somos "Cristos-em-formação").

Se queres chamar o Altíssimo de Pai, deves primeiro reconhecer que és seu filho. (Devemos reconhecer nossa filiação espiritual, e vive-la).

O teu coração recebe Deus e todo seu valor, quando diante dele se abre como uma rosa.(As sete rosas, glândulas endócrinas, desabrochando, florindo em nosso íntimo. O desabrochar de nosso Cristo Interno) .

Amigo, agora basta ! Se ainda queres ler, vai, e torna-te a Escritura e a Essência. (Devemos vivenciar o que lemos e  aprendemos. A veracidade de uma filosofia está em sua vivência , no serviço amoroso e desinteressado ao nosso semelhante).
(*) Artigo originariamente escrito pelo autor para este blog.

31/05/2013

A Revista Serviço ROSACRUZ

Revista Serviço ROSACRUZ - uma publicação da
Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil de 1956 a 1988

 
De um histórico da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil
 em andamento

12/05/2013

O Simbolismo Dos Mitos

Ao contemplar o progresso da humanidade, encontramos sempre uma tendência pesquisadora que aparece através das idades. Esta tendência é a busca do Espírito Humano em prol daquilo que de novo uma o homem com seu Pai Celestial. Depois da época que designamos como "a queda do homem", este instintivamente compreendeu que se estava afastando de seu Criador. Ele mesmo se ausentou de sua fonte até que o anelo de retornar se tornou tão grande que corrigiu seus erros e tomou coragem para retomar a seu Pai Celestial. Esta é a história relatada por Cristo a Seus seguidores sob a forma do Filho Pródigo, que nos narra São Lucas em seu Evangelho.

Nosso presente caminho de esforço espiritual é determinado por nossas existências passadas, pelo menos em certa medida, e, se desejamos obter uma perspectiva verdadeira de nossos objetivos presentes, devemos familiarizar-nos com os registros dos acontecimentos do passado. As lendas de um povo são importantes em relação a isto. Essas lendas chegam até às origens de nossa consciência e, portanto, estão profundamente submergidas nos corações dos homens. Quando só uma pequena parte da humanidade podia ler, a sabedoria tinha de ser transmitida de uma geração a outra por meio da palavra. Os oradores e cantores iam de cidade em cidade, levando ao povo as notícias dos acontecimentos do dia anterior. Depois, cantavam seus velhos contos e lendas. Isto geralmente tinha lugar nas praças das aldeias, após finalizarem os labores do dia.

Estas lendas, repetidas em forma de canção e de contos através dos anos, foram finalmente escritas para serem legadas à posteridade. Cada nação possui seu próprio acervo destas tradições, que datam de remota antiguidade. Algumas destas lendas foram, sem dúvida, transmitidas à humanidade por Seres avançados que, assim, ajudavam-na a despertar a uma consciência superior e maior, dentro do plano de Deus para a evolução do homem.

É uma idéia errônea pensar que um mito seja uma ficção criada pela fantasia, humana, sem nenhum fundamento de realidade. Pelo contrário, um mito é uma arca que contém, às vezes as mais profundas e preciosas joias da verdade espiritual, pérolas de beleza tão rara. e etérea que não podem ser expostas ao intelecto material. Com o fim de resguardá-las e, ao mesmo tempo, deixar que atuassem sobre a humanidade para sua. ascensão espiritual, os Grandes Instrutores que guiaram nossa evolução, invisíveis mas poderosos, deram estas verdades espirituais à nascente humanidade envoltas no pitoresco simbolismo dos mitos, para que pudessem atuar sobre seus sentimentos até o instante em que seu nascente intelecto se tivesse desenvolvido e espiritualizado suficientemente a ponto de, ao mesmo tempo, sentir e conhecer.

A lenda do Santo Graal é uma destas antigas narrativas, assim como as histórias dos Cavalheiros da Távola Redonda. Nossos Ensinamentos nos dizem que alguns desses Cavalheiros foram Iniciados das Escolas de Mistérios que, então, prevaleciam na Europa. Também nos informam que antigamente, durante as assim chamadas Idades Negras (Idade Média), Jesus trabalhou com as Escolas Esotéricas da Irlanda e do norte da Rússia num esforço para difundir entre os homens o impulso espiritual.

Conta-nos a lenda como os Cavalheiros do Santo Graal guardavam o Cálice do Graal, o cálice utilizado por Jesus, na Ultima Ceia. Mais tarde receberam também em custódia a lança que atravessou Seu flanco na Crucificação, quando se consumou a missão parai a qual veio à Terra. Estas lendas não podem ser agora demonstradas materialmente, mas são inestimáveis como pontos focais para o Espírito intuitivo em seu esforço por cultivar o lado superior da vida.

James Russel Lowell em seu poema "A Visão de Sir Launfal", nos conta a lenda de um dos Cavalheiros que saíram em busca, do Santo Graal. Fala-nos com profunda intuição poética da vida de um homem que, depois de muito buscar, aprende por meio da experiência que devemos ser o guardião de nosso irmão. Conclui seu poema com o bem conhecido verso:

"A Sagrada Ceia se rememora em verdade naquilo que compartimos na necessidade do próximo; Não o que damos, mas o que compartimos - porque a dádiva sem doador é vazia; Quem se dá a si mesmo em sua esmola alimenta três: a si mesmo, a seu próximo faminto e a Mim". (Vide Nota)

Sir Launfal viajou até o fim do mundo para encontrar o Santo Graal, precisamente, na porta de seu próprio castelo. Vemos também que o aspirante à espiritualidade deve ao fim encontrá-la perto de si, em seu próprio coração. Pode ser que isto não se reconheça de momento, porque "ninguém pode reconhecer espiritualmente nos demais até que, em certa medida, a tenha desenvolvido em si mesmo". Que é a espiritualidade? A idéia de que ela se manifeste somente por meio da oração e da meditação é necessária e. essencial para o crescimento da alma; mas quando nossa vida é vivida alegremente no serviço, por amor à humanidade, e o fazemos para* glória de DEUS, nossa vida inteira se converte em oração.

Cristo-Jesus, nosso Guia, andou entre o povo e quando este necessitou de alimento físico alimentou-o. Deu-Ihe de Seus ensinamentos e curou os enfermos. no verdadeiro sentido, Ele foi um servidor da humanidade. Quando participamos do Cálice da Comunhão o fazemos em Seu Nome e em memória do serviço que nos prestou.

O Cálice que Cristo levou aos lábios na. Ultima Ceia foi utilizado por José de Arimatéia, na Crucificação, para receber o Precioso Sangue de Vida que fluía da. ferida do flanco do Salvador. Mais tarde esse Cálice foi dado em custódia aos Anjos e, quando se construiu um castelo — Mont Salvat — um lugar de paz onde toda a vida é sagrada-, essa relíquia foi colocada sob a guarda de Cavalheiros castos e santos. Converteu-se, então, no Centro de onde fluem poderosas influências espirituais.
publicado na revista Serviço Rosacruz, setembro de 1969 
Nota: O poema na íntegra pode ser visto no Conceito Rosacruz do Cosmos - Cap III, subtítulo: Primeiro Céu e também no final do artigo: "Regeneração: Propósito da Evolução"
 

28/04/2013

Observando A Nós Mesmos

por Gilberto Silos
Na carta nº 51, do livro “Cartas aos Estudantes”, Max Heindel esclarece que a palavra filosofia provém de dois vocábulos gregos: fila, que significa amor ou amigo, e Sofia, que quer dizer sabedoria. Assim, literalmente, filosofia quer dizer “amor à sabedoria”, embora para muitos, o termo possa ser interpretado como “desejo de conhecer”.

Há porém, uma grande diferença entre conhecimento e sabedoria. Sabedoria implica em amor, antes, durante e sempre, ao passo que o conhecimento pode ser empregado para os mais abomináveis propósitos.

O esoterista verdadeiro é suficientemente autocrítico para aceitar o título de filósofo. Ele conhece bem suas falhas de caráter e as fraquezas que o atormentam. A maioria das pessoas, contudo, não tem essa consciência objetiva de si mesmas. Via de regra alimentam ideias falsas e ilusórias a respeito de suas pretensas qualidades.

Robert Burns afirmou certa vez: “Oxalá tivéssemos o poder de nos enxergar como os outros nos enxergam”. Se nos observássemos como os olhos alheios, certamente perderíamos nosso próprio respeito e temeríamos encarar nossos semelhantes. Quão amargo seria dispor desse poder, ainda que por uma ligeira fração de tempo! Ficaríamos decepcionados conosco mesmos, mas talvez evitássemos criticar outras pessoas. Antes de verberarmos seus defeitos, quem sabe perceberíamos como nossa atitude é pouco fraterna, antifilosófica e desprovida de sabedoria.

O homem, por não enxergar a si próprio, age de forma extremamente maniqueísta em relação à vida, tudo rotulando, estabelecendo linhas divisórias muito rígidas entre aquilo que convencionou chamar de bem e de mal.

Lemos no Evangelho de São João, que certa noite os escribas e fariseus trouxeram à presença do Cristo uma mulher apanhada em adultério. Eles insistiram no seu apedrejamento porque assim mandava a lei de Moisés. Cristo, porém, inclinando-se, escrevia com o dedo na areia. Em dado momento endireitou-se e disse-lhes: “Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra contra ela”. E, tornando-se a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto, saíram um a um, permanecendo apenas a mulher. E Cristo disse-lhe: “Ninguém te condenou?” Nem eu te condeno, “vai e não peques mais”.

Por que razão não condenaram a mulher adúltera? A resposta é simples: naquele momento ela lhes serviu de espelho. Isto é, quando lhe dirigiram o olhar, após as palavras do Cristo, viram-se a si mesmos, com todos os seus defeitos.

Robert Antony afirmou em uma de suas obras: “ser contra os outros é ser contra nós mesmos. A coisa mais corrupta que podemos fazer é julgar alguém. A pessoa de quem você se ressente ou critica é sempre você mesmo, porque todos nós somos um só”.

Na realidade tudo aquilo que abominamos nos outros encontra-se dentro de nós mesmos. Se recusamos admitir uma falha de caráter com muita veemência ela passa a viver na sombra da nossa consciência ou no inconsciente. Esse conceito foi desenvolvido por Carl Jung. Tudo o que o ser humano não quer e não gosta provém de sua própria sombra. Aqui no plano material tudo se manifesta em pares de opostos. E, como a polaridade tem de manifestar-se, todas as falhas que o homem recusa admitir como suas ele as projeta nos outros.

O ser humano projeta para fora aquilo que não quer ver em si mesmo. A lei da ressonância afirma que somente podemos entrar em contato com aquilo que vibramos.

Geralmente o ser humano demonstra uma tendência negativa de ocupar-se e preocupar-se com aquilo que rejeita. Ao fazê-lo aproxima-se tanto do princípio rejeitado que acaba por vivê-lo. Ao combater a violência, por exemplo, o homem pode tornar-se mais violento ainda. Eis porque o Cristo nos exortou: “não resistir ao mal, mas a vencer o mal com o bem”.

Ponderando sobre tudo isso, somos levados a admitir a importância do exercício de retrospecção como uma prática essencial ao nosso crescimento anímico. Somente através de uma visão objetiva de nós mesmos, que o exercício proporciona, poderemos transmutar nossas falhas de caráter em virtudes, em vez de apontarmos as supostas mazelas dos nossos semelhantes.
publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz-Sede Central do Brasil, março/abril, 1995