27/09/2020

O Dia em que a Fraternidade Rosacruz foi aoTeatro

      por Jonas Taucci

As dependências do Teatro Municipal da cidade de Santo André (São Paulo – Brasil) achavam-se totalmente lotadas: poltronas, frisas e camarotes, naquela noite de outubro do ano 1.983.


Membros da Fraternidade Rosacruz – Centro de Santo André, ocupavam seus postos: bilheterias, locais de acesso ao interior do teatro, balcão de informações, e indicando também os locais às pessoas para encontrarem seus respectivos assentos. A programação era distribuída a todos:

No prospecto constava o endereço do referido Centro Rosacruz, e datas/horários de suas reuniões. Também vários folhetos dos Ensinamentos Rosacruzes foram – gratuitamente – distribuídos a todos os presentes: A Idade Aquariana, Irmãos da Rosacruz, Interpretação Rosacruz do Cristianismo, A Sabedoria de uma Dieta Vegetariana, O Emblema Rosacruz, A Nova Higiene de Vida, A Lei e Nossas Necessidades, O Valor Educacional da Astrologia, Efeitos do Álcool, Drogas e Cigarro, além de várias revistas Serviço Rosacruz (do Centro de São Paulo).

 

Houve uma ampla divulgação deste Concerto Operístico – de forma antecipada - em jornais, revistas e emissoras de rádio, o que muito contribuiu para a lotação do Teatro Municipal de Santo André (com sua estupenda acústica).

 

A maestrina e pianista Mitzi Floehlich, conduziu de forma magistral o Grupo Lírico do ABC, apresentando obras de Monteverdi, Pergolesi, Cimarosa, Scarlatti, Verdi e Rossini na interpretação de excelentes tenores, barítonos, sopranos e contraltos.

 

A Secretaria da Cultura da cidade de Santo André, cedeu gratuitamente o Teatro Municipal para tal evento e a arrecadação – integral da bilheteria – foi destinada a uma instituição de caridade voltada ao idoso, localizada na cidade de Santo André, sendo estas informações registradas em Ata de Assembleia do Centro Rosacruz de Santo André, juntamente com carta emitida pela referida instituição, notificando (e muito agradecendo) o recebimento do tão necessário auxílio financeiro.

 

Um grande número de pessoas, após o Concerto Operístico, procurou os Centros Rosacruzes de Santo André e de São Paulo, em busca de maiores informações sobre os ENSINAMENTOS DA SABEDORIA OCIDENTAL, e várias iniciaram o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz.

De ascendência austríaca, Mitzi Floehlich, eximia maestrina, cantora, organista, professora de canto e pianista, contribuiu amorosamente - uma enormidade e por décadas - para com estes Centros Rosacruzes, em suas celebrações natalinas (dezembro) e aniversários (Santo André em maio e São Paulo no mês de setembro).

 

Comparecia abnegadamente, com parte de seu (numeroso) Grupo Lírico do ABC, inserindo páginas musicais inesquecíveis nestas datas.

 

Os Hinos Rosacruzes de Abertura, Encerramento, e signos astrológicos dos meses em vigência, eram executados e cantados de forma magistral. Para se ter uma ideia de seu repertório em suas colaborações musicais na Fraternidade Rosacruz, cito algumas:

 

Lullaby (Brahms) Agnus Dei (Bizet), Ária da Corda em Sol (Bach), No Jardim de um Mosteiro (Katelbey), Pomp and Circunstance (Elgar), Magnificat (Monteverdi), Parsifal e Lohengrin (Wagner), A Flauta Mágica (Mozart), Ave Maria (Cesar Franck), Pater Noster (Liszt), Coral da 9ª Sinfonia (Beethoven), além de várias músicas natalinas e de aniversários.

Oportuno citar o artigo elaborado pelo Centro Rosacruz de Seattle (USA), final dos anos 60, com tradução de dedicados probacionistas aqui do Brasil (será publicado futuramente neste blogue), com referência às formas de divulgação dos ENSINAMENTOS DA SABEDORIA OCIDENTAL.

 

O texto descreve– entre outros itens - convidar pessoas a conhecerem os Centros Rosacruzes, presentear amigos e doar a bibliotecas os seus livros e folhetos, falar dos cursos, etc. Evidentemente, por ser artigo dos anos 60, não haver referências aos atuais avanços da informática (que muito contribuí atualmente na difusão).

 

Contudo, neste texto cita-se como o primeiro passo que devemos considerar para esta divulgação:

 

- Nossa prestação de serviço abnegado ao semelhante, acompanhado da humildade; nossos atos diários são vistos por pessoas, sendo esta a melhor forma de divulgarmos os Ensinamentos Rosacruzes. 

 

- Tudo o mais é secundário (por vezes terciário, quaternário...).

 

Tive o privilégio e a felicidade de conhecer, por anos, a maestrina Mitzi Floehlich.

 

Ela divulgou os Ensinamentos Rosacruzes pelo seu comportamento.

 

Naquele ano, teatro, evento e principalmente pela finalidade, a Fraternidade Rosacruz recebeu um sonoro (e superlativo) “bravíssimo! ”.

20/09/2020

Miguel Ângelo Buonarroti, O Filho da Luz

                              

por Delmar Domingos de Carvalho


... quando visitamos a Itália os objetivos eram essencialmente obter dados sobre os rosacrucianos desde Dante, a S. Francisco de Assis, Santo António, Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo, entre outros.

 

Um dos locais que mais ansiávamos analisar e contemplar era a Capela Sixtina. Só que para analisar esta obra tão grandiosa seria necessário muitos meses...mas deu para tomarmos notas valiosas.

 

Ressaltam logo duas: os painéis centrais são 27; juntando os laterais dá o número 33; ambos encerram o nº 9, esse número cabalístico ligado à Humanidade, desde os eleitos 144 000, até às 9 Iniciações Menores. E isto leva-nos até ao poeta rosacruciano, Dante, que muito influenciou este Filho da Luz, o qual em sua obra, ” A Divina Comédia”, usa este número, com a divisão em 33 cantos, ou seja, 3x 3= 9, por sinal a idade com que Jesus Cristo nasceu para o santo etéreo monte, também igual à Latitude da Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz, etc.

 

Por outro lado, sabe-se que as medidas desta Capela são iguais às do Templo de Salomão o que ainda mais a liga à Humanidade e ao plano cósmico.

 

Entre as figuras que Miguel Ângelo pintou, neste teto, eis que na que podemos dar-lhe o nº 25=7, está a famosa Sibila Délfica. Este retrato tem sido alvo de muitas fotos, de muitas impressões, de análises: mas há um pormenor pouco focado que está no seu pé esquerdo: surgem 6 dedos, tal como fez Rafael em dois quadros: no Casamento Místico dos altos Iniciados José e Maria em que S. José tem seis dedos também no mesmo pé, como nos relata Max Heindel na obra Iniciação Antiga e Moderna (ver página 69 da edição da F.R. de Portugal, 1999). Em Delfos houve o culto a Apolo, o Sol, o Deus da Luz, e as Sibilas deste antigo santuário tinham poderes proféticos. Note-se ainda que o quadro nº 9 foca Noé embriagado, numa ligação esotérica profunda e o que representa o seu sacrifício está no nº 7; por sua vez, o dilúvio universal, no nº 8. Ficamos por aqui e vamos até à sua escultura “ A Pietá” de Santa Maria del Fiore em Florença.



Cada qual tem a sua interpretação desta enigmática obra. Tudo leva a crer que Miguel Ângelo se representa a si mesmo ou como sendo Nicodemos ou José de Arimatéia, segundo várias opiniões. Para nós surge-nos como uma mistura destas duas personagens carregadas de rico simbolismo esotérico; ele é Nicodemos, em grego, “ o conquistador do povo”; que revela grande coragem na defesa de Cristo contra a Sua condenação (João 7-50-52) e que ajuda José de Arimatéia na colocação do corpo de Jesus no sepulcro. Ora este foi quem recolheu o sangue de Jesus Cristo no cálix, o Cálix do Santo Graal, cuja simbologia está intimamente ligada com o Amor Puro dos Cavaleiros do Graal, Ordem Iniciática da Idade-Média, à qual esteve ligado Jesus. O mesmo sucedeu com a Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda, do enigmático Rei Artur. Em ambos, surge o símbolo da Rosa e da Cruz.

 

Na realidade este Filho da Luz e do Fogo soube levar pesada cruz tendo como Ideal o verdadeiro e Único Cristo que veio para todas as religiões e para todos os povos; quão grande terá sido a sua dor incluindo a vida não lhe ter permitido dar o seu profundo amor de Vênus na dinâmica positiva, sublimando-o totalmente no de Urano, platônico, à sua amada, a marquesa Vottoria Calonna, mulher progressista, em cuja casa reunia pessoas de elevado nível cultural e espiritual, incluindo o português Francisco de Holanda que viria a escrever algo sobre este gênio imortal. Quantas discussões sobre vários temas transcendentais não terão sido realizadas em sua casa? Temas que a inquisição jamais poderia autorizar, antes tudo queimaria, como as obras dos rosacrucianos Picco del  Mirandola, ou de Marsílio Ficino, defensores da lei do renascimento, estas já conhecidas de Miguel Ângelo em casa de Lourenço , o Magnífico.

 

E porquê a célebre estátua de Moisés que contemplamos como uma criança…e nos lembramos da famosa frase: “ Fala Moisés”, pois porquê Miguel lhe colocou dois chifres no cimo da cabeça? Simboliza dois raios de Luz, defendem uns; mas não será muito mais? Quem iniciou e divulgou a doutrina do Cordeiro, uma Nova Religião, sendo o precursor de Jesus Cristo? Não foi Moisés? Com este profeta eis a Idade de Áries, o fim do culto a Taurus e ao mesmo tempo a abertura ao caminho Iniciático, onde as duas glândulas, epífise e hipófise se podem unir criando o caminho para o canal da Luz do clarividente voluntário.


Enfim, resta-nos focar um pouco da sua poesia, tão unida à de Dante, com uma concepção cosmológica do “ non finito” que se espelha em todas as suas obras.


28/08/2020

O CENTENÁRIO DO TEMPLO ROSACRUZ (OCEANSIDE - 1.920 - 2.020) Suas Indeléveis Marcas

Templo de Cura
Templo de Cura da The Rosicrucian Fellowship

 por Jonas Taucci

Neste Ano de 2.020, temos o centenário de fundação do Templo Rosacruz, na cidade de Oceanside, estado da Califórnia, Estados Unidos.

 

Na quarta-feira, 12 de dezembro de 1.990, o Centro Rosacruz de Santo André, promoveu palestra nas dependências da Biblioteca Municipal da cidade de Santo André (SP-Brasil), que esteve a cargo dos irmãos probacionistas Luiz Mario Salvini e a mim.

 

Intercalamo-nos, naquela noite, para tecer comentários sobre o (então) 70º aniversário da inauguração do Templo Rosacruz.

 

Vou tentar, até onde minha memória recordar, dissertar sobre esta palestra, no que concerne os motivos de escolha do “local” e “data” de sua fundação e consagração.

 

Possa o transcrito abaixo servir de reflexão e meditação sobre este assunto, principalmente neste seu tão significativo 1º centenário.

 

LOCALIZAÇÃO

 

Muitas pessoas, através dos anos, indagam sobre o motivo de Max Heindel ter escolhido esta cidade para ser o local de nossa Sede Mundial, e no ano seguinte ao seu falecimento, ser ali assentado o Templo Rosacruz.

 

Ao receber e escrever, na Alemanha em 1.907, a maior parte dos ensinamentos contidos na obra “Conceito Rosacruz do Cosmo”, dada pelos Irmãos Maiores, Max Heindel foi orientado pelos mesmos, de que esta obra seria ampliada e reescrita na América, uma vez que ele - Max Heindel – estivesse na “atmosfera elétrica” daquele país.

 

No livro “Astrodiagnose Um Guia de Saúde”, o casal Heindel nos informa que Aquário/Urano regem os éteres, sendo este signo elétrico.

 

Augusta Foss de Heindel relata que ao ver – pela primeira vez – o terreno onde seria construído a Sede Mundial (e consequentemente o Templo Rosacruz), Max Heindel disse imediatamente:

 

- Ah, este é o lugar!

 

Certamente, “algo” motivou o Sr. Heindel a dizer, entusiasticamente, esta frase naquele local.

 

No Dia de Ação de Graças - 19 de novembro de 1.914 -  o fundador da Fraternidade Rosacruz, disse em Oceanside:

 

- “... Há seiscentos anos, um posto avançado dos mistérios se fixou na Alemanha e a Ordem Rosacruz começou a ensinar aos poucos que estavam então preparados. Hoje, aquele posto avançado já realizou o seu seu trabalho na medida do possível, naquela parte do mundo.  Um outro posto avançado foi designado para as costas do Oceano Pacífico, aqui na costa oeste do nosso continente...”

 

A Fraternidade Rosacruz foi fundada na cidade de Seattle (estado de Washington), em 08 de agosto de 1.909, contudo sua Sede Mundial e Templo Rosacruz, localizam-se em Oceanside, estado da Califórnia.


Sobre a imagem: vide nota da edição no final do texto


Elmam Bacher, em sua monumental obra “Estudos de Astrologia”, tece comentários sobre o Antigo Egito, afirmando: “uma característica desta civilização antiga e iluminada, foi que os Sacerdotes Iniciados e Reis-Sacerdotes, não foram apenas simplesmente governantes de seus súditos, eles eram Pais-Espirituais”.

 

E revela:

 

“Os americanos progressistas desta época, trazem sua descendência evolutiva desde renascimentos egípcios antigos”.

 

DATA DE FUNDAÇÃO

 

Ano de 1.920.

Em 29 de junho iniciaram-se os trabalhos de construção do Templo Rosacruz, a pedra fundamental foi colocada na data do aniversário de Max Heindel (23 de julho) e sua inauguração e consagração deu-se na “noite mais santa do ano” (Ritual Rosacruz de Natal); a noite de 24 de dezembro.

 

A sucessão de eventos, na ordem abaixo descrita, nos dá um vislumbre das vibrações emanadas na naquela sacra noite:

 

A) Probacionistas reuniram-se para o oficiamento do Ritual Rosacruz de Lua Cheia. Um coral em procissão, adentrou ao Templo, entoando a música “Vinde vós, os fiéis cheios de fé”

 

B) Ao órgão, a maravilhosa passagem “Cavaleiros do Santo Graal”, da ópera “Parsifal”, de Richard Wagner.

 

C) Todos os presentes cantaram a música “Noite Feliz”, seguida de leitura das Sagradas Escrituras, com referência à Imaculada Conceição e ao nascimento de Jesus (que cederia seus Corpos Denso e Vital a Cristo).

 

D) Com sugestivo nome, a música “Abrem-se os portais do Templo”, foi entoada.

 

E) A Sra. Augusta Foss de Heindel, proferiu uma exortação, sobre o “propósito da obra e da necessidade da consagração pessoal, despertando em todos uma sincera resolução de persistir nos esforços pela espiritualização, por Cristo e pela humanidade”.

 

F) Uma seleção de músicas, à flauta, ecoou pelo Templo, e após isso se fez ouvir a canção “Pequena cidade de Belém”.

 

G) Em absoluto silêncio, os presentes retiraram-se do Templo, ao som do “Hino Rosacruz de Encerramento”, executado ao órgão.

 

Desde então – e por uma centena de anos - milhares de Rituais Rosacruzes foram e estão sendo oficiados neste local ( Lua Nova, Lua Cheia, de Cura, Rituais Solsticiais e Equinociais) em consonância com eventos astrológicos, fomentando assim uma Egrégora, que sem dúvida alguma, está sendo utilizada pelos Irmãos Maiores na elevação da humanidade.  

 

Inequivocamente podemos – todos e em qualquer época – contribuir para com esta Egrégora, VIVENCIANDO os Ensinamentos Rosacruzes, e não apenas os conhecendo.

 

Alguns Centros Rosacruzes, espalhados pelo mundo, em dezembro (acertadamente) organizam a comemoração (aberta do público) do NATAL, em data próxima - geralmente num sábado ou domingo anterior - a este sagrado evento, intercalando números musicais, poesias, oficiamento do Ritual Rosacruz de Dezembro, leituras devocionais, comentários ao Cristo e sobre o Templo Rosacruz, em Oceanside.

Inaugurado e consagrado na “noite mais santa do ano” a um século...

 

SUGESTÕES DE LEITURA

 

Estudos de Astrologia, de Elmam Bacher, Volume V – Capítulos II e VII.

 

O Faraó Alado, da autora inglesa Joan Grant, livro citado e elogiado por Elmam Bacher.

 

Memorias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz, de Augusta Foss de Heindel. À época da palestra, em 1.990, este livro ainda não estava traduzido para o português (Memoirs about Max Heindel and The Rosicrucian Fellowship). Atualmente existe a tradução – na íntegra – e publicado graças a dedicados probacionistas.

 

Iniciação Antiga e Moderna, de Max Heindel, Capítulo III – Sala Leste do Templo – Parte: A Mesa dos Pães da Proposição.

 

Cristianismo Rosacruz, de Max Heindel, Conferência IX – As Alegorias Astronômicas da Bíblia.

 

Coletânea de um Místico, de Max Heindel, Capítulo XXIV – O Objetivo da Fraternidade Rosacruz.

 

Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel, Capítulo XII – A Evolução na Terra / Parte: A Época Ária.

 

Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, de Max Heindel – Volume II – Pergunta 145, (ler rodapé da página, ao final da resposta, complemento importantíssimo).


Mistério das Grandes Óperas, de Max Heindel – Capítulo VII, Parsifal.

 

Escala Musical e o Esquema de Evolução, por um estudante rosacruz – capítulo IV – A Correlação da Música com o Deus Solar.

 

Lições Mensais de Filosofia ao Estudante, de nossa Sede Mundial, Oceanside, anos 60’.

 

Bíblia, Antigo Testamento – Salmos 148:03.

 

-  Ritual Rosacruz de Natal  e  RitualRosacruz de Dezembro.


09/08/2020

Conscientização

“Assim como há várias estações climáticas durante o ano, há também, em nossas vidas, diferentes estações.


Ocasionalmente, uma estação pode propiciar um crescimento mais acelerado em certos aspectos que outros; podemos ter, durante esse período, maior fluxo de energia vital e criatividade que nos levam a conseguir realizar muitos feitos. Há outros períodos que nos convidam a um recolhimento, um descanso restaurador, no qual permanecemos mais quietos e contemplativos. Mesmo que, aparentemente, nada esteja acontecendo dentro de nós e ao redor de nós, na verdade, está havendo um trabalho e um crescimento, em outro nível, mas não menos importante.


Pelas mudanças que ocorrem em nós e à nossa volta, crescemos sempre, em vários sentidos. Existe um tempo mais dedicado à construção material de nossas vidas, enquanto existe outro para a formação de um maior alicerce espiritual. Um período de descanso e recolhimento é tão importante quanto aquele de grande atividade externa. Nos períodos de quietude, estamos preparando-nos para uma adequada atuação posterior.


Tornamo-nos cada vez mais conscientes de nossa conexão com o espírito de Deus. Deste período de maior consciência espiritual, um novo eu ressurge e ficamos muito mais próximos das promessas divinas que já existem para nós.


Orar, meditar a verdade a nosso respeito, reconhecer a natureza ilusória do erro; abrir-nos à inspiração do Cristo, são os meios d'Ele exprimir-Se em nós para conquistarmos o êxito, a saúde e a prosperidade! ”


Este texto foi extraído de uma circular do serviço de cura da Fraternidade Rosacruz distribuído a qualquer que nele esteja inscrito, seja estudante ou não da organização e por várias vezes foi editado nas revistas “Rays from the Rose Cross”. Nele não se utiliza termos da nomenclatura rosacruz, mas o convite que nos faz de forma clara e direta, pode determinar muito desenvolvimento espiritual, se o aceitarmos.


Assim como é com os indivíduos, assim também com toda a Humanidade. Vez por outra os seres humanos são convidados à aquietação para o bem de sua evolução. Convite não aceito, medidas mais restritivas aparecem. Deve ser o caso dessa pandemia.


Talvez a lição seja para relembrarmos que a fase da busca pela materialidade, pelo progresso exterior está findo, como bem nos mostra o diagrama 8 do Conceito Rosacruz do Cosmos, e mais ainda, porque, como sempre dizia um irmão em suas palestras: “nada e ninguém detém a evolução”.


Mais sobre Consciência e nosso processo evolutivo

A Gravitação Espiritual: 

A Expansão da Consciência

Abaixo o Diagrama 8 do Conceito Rosacruz do Cosmos


27/07/2020

O (pseudo) Rosacruciano - Parte II (Conto fictício. Ou não...)

por Jonas Taucci

Confortavelmente instalado na sacada de seu apartamento, Sr.*** olhava preguiçosamente os transeuntes a caminhar pelas calçadas, ruas e avenidas.

Reconhecendo  uma pessoa, lhe veio à mente:

- Lá vai o “Júpiter em quadratura na 9ª Casa“.  Não me arriscaria a viagens distantes se fosse ele.

Morador a muitos anos naquela localidade, Sr.*** conhecia e era conhecido por muitos de seus vizinhos.

E continuou...

- Ah! Na faixa de pedestres, a “Lua e Marte em conjunção no signo de Câncer”, é certo que problemas gástricos  atormentam esta minha amiga.

Sr.*** sorvia uma fumegante xícara de chá, mas não deixava de observar as pessoas.

- Olha só, quem está cruzando a avenida: o “Mercúrio em sextil na 6ª Casa”. Tenho de lembrar-me de o convidar para uma visita; por certo teremos longas e proveitosas conversas intelectuais.

O final de tarde deu lugar a uma noite estrelada.

Aquele desfile de (conhecidas) pessoas, era avida e devidamente rotulado pelo Sr.*** - uma a uma - por seus aspectos e posições astrológicas, nunca pelos seus nomes.

Em sua família, esta prática se repetia. Não raro, dirigia-se a filha, como “Vênus em Oposição na 7ª Casa”, ou a uma pessoa de seu local de trabalho, de “Netuno em conjunção com o ascendente Libra”.

Da sacada, conseguiu ouvir – ainda que em volume diminuto, no aparelho de TV da sala – os números letais do Covid-19 pelo mundo, atualizados.    

Eram tempos difíceis, CONTUDO, dias da prática de muita solidariedade, onde  (algumas) associações religiosas, espirituais e esotéricas, distribuíam máscaras, remédios, cestas básicas (alimentos), e produtos de higiene para os necessitados. Também pessoas, sem nenhuma conotação religiosa, faziam a sua parte neste altruístico trabalho.  

O paradoxo numa rima; época dolorosa/prática valorosa, pode ser – literariamente – descrito no início da obra “Um conto de duas cidades” do escritor inglês Charles Dickens (1812-1870).

“Aquele foi o melhor dos tempos. Foi o pior dos tempos. Aquela foi a idade da sabedoria. Foi a idade da insensatez. Foi a época da crença. Foi a época da descrença. Foi a estação da luz. A estação das trevas. A primavera da esperança. O inverno do desespero. Tínhamos tudo diante de nós. Tínhamos nada diante de nós. Íamos todos para o paraíso. Íamos todos para o sentido contrário. ” 

Após ouvir as notícias recentes da pandemia, Sr.*** voltou sua atenção para as pessoas que transitavam pelas ruas;

- Ora, ora, se este não é meu amigo “Plutão em quadratura com a Lua”...

*  *  *  *  *  *  *  *  *

Em várias “Lição mensal de filosofia ao estudante”, da Sede Mundial (Oceanside), dos anos 50’, o assunto versava sobre a formação de nosso Cristo Interno.

À época, era comum estas “Lições” referirem-se – sequencialmente - ao mesmo assunto por vários meses seguidos (algumas por um ano inteiro!). Eram permeadas de uma vibração nitidamente sentida pelos que as liam, segundo vários membros da Fraternidade Rosacruz que conheci.

E durante meses, dissertou-se sobre a importância de vários itens, na elaboração – vida pós vida – do desabrochar de nosso Cristo Interno, e mesmo em nossa permanência nos Planos Internos, antes de (re)nascermos aqui na Terra.

Palestras e publicação na revista “Serviço Rosacruz”, foram realizadas sobre este tema.

Ao final desta coletânea de “Lições”, ressaltou-se que os itens em referência, podiam constituir-se numa completa inutilidade, caso não estivessem associados com o SERVIÇO abnegado ao semelhante. Tornar-se-iam apenas informações sem valor.

E a última frase destas “Lições” foi:


Veja aqui a parte I

23/07/2020

Novamente, a Semana Max Heindel


Como já comentei aqui, em julho de 1965 a Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil instituiu a "Semana Max Heindel" , quando além da divulgação habitual era enfatizado o objetivo máximo do trabalho do nosso Irmão e Amigo Max Heindel: inspirar-nos na prática de uma filosofia com metodologia ocidental . Em meados da década de 1980, durante a referida semana - sempre me recordo disso - os estudantes foram convidados a fazer um "paralelo" entre o "Conceito Rosacruz do Cosmos" e o "Cartas aos Estudantes". A vivência dos ensinamentos ficou evidenciada...

Veja aqui outros tributos à Max Heindel 

28/06/2020

Pensamento Binário

   por Gilberto Silos

Quando à humanidade acenderam-se as primeiras luzes deste século uma esperança nos animava. Era a de que se descortinaria um mundo de mentes abertas e receptivas a novas ideias. O século passado, a despeito do grande avanço da ciência e da tecnologia, foi um período dividido por intolerâncias e guerras. Os “ismos” provocaram muito sofrimento.

Para nossa frustração o terceiro milênio começou sob o signo da intolerância e do radicalismo. Isso ocorre principalmente nos campos religioso e ideológico. Qualquer nova ideia, antes de ser imparcialmente examinada, já recebe um rótulo. Não é recebida com o espírito desarmado. Há uma predisposição maniqueísta de, antecipadamente, aceitá-la ou rechaçá-la. Nesse aspecto ainda temos muito que evoluir.

Max Heindel, fundador de The Rosicrucian Fellowship, já no início do século passado, abordava esse assunto em seu livro “O Conceito Rosacruz do Cosmo”. Heindel escreveu que “quando uma nova ideia ou filosofia se apresenta ao mundo é encarada de forma diferente pelas mais diversas pessoas. Algumas se apoderam avidamente de qualquer novo esforço filosófico, procurando ver em que proporção lhe serve de apoio às suas próprias ideias. Para essas, a filosofia em si mesma é de pouca valia. Terá valor se reforçar as suas ideias. Outras adotam uma atitude crítica tão logo descobrem que a obra contém alguma coisa a cujo respeito nada leram nem ouviram falar anteriormente, ou sobre a qual ainda não lhes ocorrera pensar. E provavelmente repelirão como extremamente injustificável a acusação de que sua atitude mental é o cúmulo da auto-satisfação e da intolerância. Ambas mantêm-se na sua própria luz. Suas ideias pré-estabelecidas as torna invulneráveis aos raios da verdade. A tal respeito uma criança é precisamente o oposto dos adultos, pois não está imbuída do sentimento dominador de superioridade, nem inclinada a tomar aparência de sábio ou de ocultar, sob um sorriso ou um gracejo, sua ignorância sobre qualquer assunto. É ignorante com franqueza. Não tem opiniões preconcebidas nem julga antecipadamente; portanto, é eminentemente ensinável. Encara todas as coisas com essa formosa atitude de confiança a que denominamos “fé infantil”, na qual não existe dúvida, conservando os ensinamentos que recebe, até comprovar-lhes a certeza ou o erro.”

Neste novo século o prejulgamento e o pensamento dogmático ainda conservam sua vitalidade. James W. Jones, em sua obra “A Descoberta do Verdadeiro EU”, revela que “quando peço aos meus alunos na universidade a me declararem o que pensam da palavra religião, suas respostas quase que invariavelmente caem em duas categorias: ‘coisas em que devo acreditar ou regras que devo obedecer’. ”

Onde, então, estão a liberdade de pensamento e a prerrogativa de múltiplas escolhas? E o sagrado direito de mudar de opinião quando a razão ou a consciência entendem que é necessário?

O pensamento binário é o obstáculo a ser vencido se desejamos um mundo mais livre.

25/06/2020

O (pseudo) Rosacruciano - Parte I (Conto fictício. Ou não...)

MENDIGA: por José Ferraz de Almeida Junior, pintor brasileiro (1.850-1.899)
por Jonas Taucci
Aquela manhã poderia ser resumida numa triste poesia: garoa constante, frio cortante.

Poucas pessoas se aventuravam pelas ruas, e as que o fazia, eram por objetivos estritamente necessários. O Sr. *** caminhava a passos rápidos em direção ao seu trabalho, absorto em seus dois projetos: a elaboração de uma palestra e um texto-artigo, ambos sobre os Ensinamentos Rosacruzes.

 Ao atravessar a enorme praça, algo lhe chamou a atenção; aquela senhora – de muita idade - num misto entre estar sentada e deitada, esmolando. Ao seu lado, em uma tigela velha, via-se restos de comida já molhada pela garoa.

O Sr. *** aproximou e inclinou-se para aquela pessoa. Seus cabelos eram completamente brancos e desalinhados, sua face com enormes sulcos, assemelhava-se a um livro escrito com capítulos de privações, penúrias e sofrimentos. Os olhos – embora calmos - podiam ser comparados a uma triste sinfonia. As surradas roupas estavam úmidas, o que revelava já estar a muito tempo sob as intempéries do clima.

O abandono completava este quadro.

Fitando-a, o Sr. *** discorreu sobre os ENSINAMENTOS DA SABEDORIA OCIDENTAL para aquela senhora.

Disse-lhe sobre nossa origem divina; nossa peregrinação através dos períodos, revoluções e épocas. Abordou nossa constituição, a saber; corpos denso, vital, de desejos e mente. Discorreu sobre o zodíaco, signos e planetas, enaltecendo a astrologia. Ainda que breve, relatou a importância de desabrocharmos nossas “rosas internas”.

Resumiu a gloriosa missão do Cristo: suas palavras maravilhosas e a sabedoria advinda do mais Alto Iniciado do Período Solar. Traçou um panorama sobre as Leis de Causa/Efeito e Renascimento à luz dos Ensinamentos Rosacruzes.

Ressaltou as pérolas de conhecimentos contidas nos Cursos Preliminar, Suplementar, Bíblico e de Astrologia.

Finalizou – de forma empolgante - com um trecho da letra do Hino Rosacruz de Encerramento;

“Se caíres pelas provas, dar-te-emos forças novas”.

Aquela senhora – a que tudo ouviu atentamente – permaneceu com os olhos calmos ao ver o Sr. *** ficar de pé, despedir-se e seguir seu caminho apressadamente.

Ele continuou seu trajeto, pensando em sua futura palestra e texto-artigo para a Fraternidade Rosacruz.

Ela continuou esmolando, faminta. Continuava a fazer muito frio...