03/08/2021

A Arte de Conhecer

 "ADEUS A SÃO PEDRO E SÃO PAULO"

obra de François Perrier (dois apóstolos são separados para serem conduzidos à sua execução)Fonte: Banco de Imagens - Alamy


Estas palavras foram escritas aos Coríntios por Saulo de Tarso, mais conhecido por seu nome romano de Paulo, o Apóstolo. Em seu sentido espiritual, tais palavras têm alto significado. Paulo bem o pode fazer mercê do elevado padrão cultural que possuía como estudante de Gamaliel; era um cidadão romano sofisticado e discípulo da cultura greco-hebráica. Sua íntima associação com Pedro foi o inicio do desenvolvimento da religião Cristã como um ensinamento, uma teologia, uma fé. Poderíamos dizer que Pedro foi historiador que narrou as ações do Cristo, enquanto que Paulo foi o organizador daqueles que acreditavam no que Pedro ensinava. Pode-se dizer que a comunidade cristã teve seu começo no ponto de confluência dos mundos oriental e ocidental, os Judeus e os Gentios.

Este encontro e esta mescla de culturas foram, em grande parte, trabalho de Paulo. Foi Pedro quem disseminou os Ensinamentos de Cristo, mas foi Paulo quem procurou explicá-los. Crê-se que Pedro foi martirizado no reinado de Nero enquanto que a tradição diz que Paulo foi decapitado em Roma e que ambos os eventos ocorreram cerca do ano 65 D.C. Assim, os primeiros seguidores do Cristo deram sua vida, como o fez seu Mestre para que outros pudessem ter vida mais abundante.

A arte pode ser definida como a adaptação de meios para se conseguir um fim. Aqui é aplicada como o maravilhoso conhecimento da realização de Deus no interior do indivíduo. É realmente verdade que se nos conhecemos, conheceremos a Deus; daí o valor do aforismo: “Homem, conhece a ti mesmo”. Neste sentido a arte é uma ciência e é tão elevadora em sua influência, como a religião. Portanto, temos a religião, a arte e a ciência numa trindade educacional do ser humano. Vivendo neste mundo e sendo governado pelas leis da natureza, se nós a conhecermos, podemos com elas cooperar inteligentemente, usando-as como valiosos serviçais.

Sendo a natureza o símbolo visível do invisível Deus, podemos utilizar as vantagens oferecidas, crescendo, por seu intermédio em força e poder da escravidão ao domínio. O saber não é atingido sem esforço e sem convicção de que somos feitos à imagem de Deus; tudo está latente em nós, aguardando o desenvolvimento pelos métodos apropriados. Adquirimos o saber na proporção exata ao esforço que despendermos para adquiri-lo.

Há duas classes de saber; o exotérico e o esotérico; o que é visto e o que não é visto. Em ambos, contudo, o supremo motivo para sua pesquisa deve ser um desejo ardente de BENEFICIAR a HUMANIDADE, desprezando a si mesmo para TRABALHAR PARA OUTROS. Este é o “saber artístico” que faz nascer o mais valioso de todo saber, isto é, a SABEDORIA, uma combinação de cabeça e coração. Devemos primeiro procurar compreender o conhecimento interior antes de podermos aspirar com sucesso ao conhecimento superior. Intentar conhecer os mundos invisíveis e os veículos sutis, tendo pouco conhecimento dos veículos com os quais trabalhamos diariamente e do ambiente em que vivemos, é rematada tolice.

É por isso que para nós é essencial a construção de UM CORPO SÃO. Subamos a escada com segurança, degrau a degrau, não tentando um novo passo enquanto não estivermos perfeitamente seguros e equilibrados no lugar em que nos encontramos. A maioria dos nossos fracassos na vida provém de tentarmos obter as coisas antes de estarmos preparados para elas, “avançando o sinal”, por assim dizer, pois estamos numa época de impaciência e não podemos nem sabemos esperar. Tais nascimentos prematuros, sendo contrários à natureza, produzem penas, sofrimentos e tristezas.

Devemos também lembrar-nos que o conhecimento traz consigo a RESPONSABILIDADE, pois “a quem muito é dado, muito será EXIGIDO”. Se persistirmos em usar nosso conhecimento egoisticamente, nossa magia se transforma de branca em cinzenta e depois em negra; e por fim nos será retirada, a menos que nos arrependamos enquanto é tempo.

O saber pode ser definido como conhecimento prático, dependendo, portanto da capacidade mental do individuo, que é um produto da mente. A mente foi dada ao homem na época Atlante para que ele tivesse propósito para agir e na Época Ariana, foram desenvolvidos o pensamento e a razão pelo trabalho do Ego através da mente para conduzir os Desejos por caminhos que o levassem à obtenção da perfeição espiritual, meta da evolução.
Esta faculdade de pensar e de formar ideias obteve-a o ser humano a expensas do controle sobre as forças vitais, isto é, as forças da natureza. Nós, como Egos, agimos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que temos especializada dentro da periferia de nossa aura individual. Daí, vemos as impressões causadas pelo mundo exterior sobre o Corpo Vital por meio dos sentidos, juntamente com os sentimentos e emoções gerados por essas impressões no Corpo de Desejos e REFLETIDAS NA MENTE. Dessas imagens mentais formamos nossas conclusões na substância da Região do Pensamento Abstrato. Tais conclusões são as IDÉIAS. Pelo poder da vontade projetamos a idéia através da mente, onde ela toma forma concreta como PENSAMENTO-FORMA atraindo em torno de si substância mental da Região do Pensamento Concreto. Pela atividade desses pensamentos-forma nós adquirimos o que designamos por CONHECIMENTO.

O Espírito, por meio da parte sexual ou ENERGIA CRIADORA dirigida “para dentro”, construiu o cérebro para acumular CONHECIMENTO do Mundo Físico. Essa força é a que ainda hoje, constrói e alimenta o cérebro. A força que é exteriorizada com o propósito de criar outro ser chama-se AMOR. O ser humano exterioriza somente parte do seu Amor; o resto ele conserva egoisticamente para construir seus órgãos de expressão internos para aperfeiçoar-se. Com parte do seu poder anímico criador ele, egoisticamente, ama outro ser porque deseja sua cooperação na propagação. A outra parte do seu poder anímico criador ele utiliza para pensar, porque DESEJA CONHECIMENTOS.

Atualmente a mente pode apenas modelar essas imagens, pois está no grau de evolução “mineral”; criar VIDA está fora do poder do ser humano até que sua própria mente torne-se VIVA. No Período de Júpiter a mente humana será vivificada em certa extensão e então o ser humano poderá imaginar formas que VIVAM e cresçam como as plantas. No Período de Vênus, quando a mente humana tenha adquirido SENTIMENTO, o ser humano poderá criar coisas vivas que cresçam e “sintam”.

Finalmente a perfeição humana será atingida no final do Período de Vulcano e o homem poderá “imaginar”, trazendo a “existência” criaturas que vivam, sintam e pensem. O ser humano terá adquirido completo PODER ANIMICO e MENTE CRIADORA como fruto de sua peregrinação pela matéria. Avançou da impotência e Onipotência, da ignorância à Onisciência.

Logo, a arte de conhecer é o aformoseamento da mente, à medida que o ser humano transmuta o corpo em alma e a alma em espírito. Este ano já passamos pelas criações do Espírito Humano (Jeová) por meio de Áries; pelas criações do Espírito de Vida (Cristo) por meio de Touro e pelas criações do Espírito Divino (o Pai) por meio de Gêmeos; assim o corpo, a alma e o espírito são, respectivamente, criados. É essencial que o Princípio Paterno aja pelo Princípio Jeovístico, ou seja, pelo Confortador que agora está conosco. Agora é, portanto, a ocasião em que a mente em evolução deve receber maior consideração, o que bem pode ser feito pela prática de pensar nos outros e para os outros. A Ordem do dia é: “trabalhar para que a mente egoísta se torne altruísta em suas atividades”. Tendo a mente surgido do poder criador da força sexual transmutada em poder anímico pelo AMOR, isto torna-se na chave mágica pela qual a mente pode evoluir. O amor foi à grande dádiva que nos fez Cristo, o Espírito da Vida, o qual, por seu poder produz a alma intelectual, resultado do CONHECIMENTO adquirido por intermédio do Corpo Vital que é a base por onde o Aspirante principia. Logo, a Arte de Conhecer oportunamente nos elevará com o Cristo até o Pai nesta parte especial do ano. “Apenas uma coisa o mundo necessita saber. Apenas um bálsamo existe para as dores humanas, apenas um caminho conduz aos céus: SIMPATIA E AMOR”.

“O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar”. (João 10:17)

 Publicado na revista: SERVIÇO ROSACRUZ – jun/60

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