14/10/2017

Uma Descrição

por Augusta Foss Heindel
Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. (Mateus, 25:40)

Peço ao leitor que me siga até a região norte do Canadá. É Inverno. A natureza se encontra coberta com uma bela capa de neve. Até onde a vista possa alcançar, tudo resplandece como o brilho da prata. Estamos muito distantes dos ruídos das cidades, nas selvas, onde o pé do homem raramente pisa e onde a vida animal vaga livremente.

-Oh! as belezas da natureza ao bilhar do sol sobre a neve, que pesadamente cai sobre os galhos das árvores, formando uma espécie de dossel, sob o qual os animais procuram abrigar-se do vento gelado!

Ficamos curiosos em saber o que seriam algumas pequenas e leves pegadas na neve que nos conduzem para uma abertura no meio de vários ramos, próximos de um velho pinheiro caído há muitos anos e onde um urso se resguardou fugindo de um caçador. Sendo o pinheiro um obstáculo para a consecução do seu intento, o caçador o derrubou e com um tiro mortal tirou a vida do urso conseguindo assim o seu objetivo, ou seja, a pele do animal para a venda.

O tronco dessa árvore agora servia de local  de recreio para algumas pequenas criaturas acostumadas a correr entre os ramos em suas brincadeiras: um casal de arminhos com cinco filhotes jogueteando-se ao seu redor. Esses animaizinhos são pequenos e delgados, perto de dez polegadas, possuem pernas curtas e seus corpos são cobertos de pelos tão brancos, que fica difícil distinguí-los em meio à neve, a não ser por seus pequenos olhos que cintilam como negras lantejoulas. As unhas de seus pés e o final de suas caldas são também de cor preta. São de natureza brincalhona e estão felizes ali na selva, longe de caçadores e armadilhas.


De repente, a “mãe” emite um grito de dor. Caiu em uma trampa. Nós não vemos a armadilha, mas o pequeno animal está fortemente preso e oh! como agoniza! Sua rosada e pequena língua congela-se rapidamente aderida à casca do tronco da árvore. Tinha fome e um aroma tentador a impulsionou para aquele galho, mas ao provar o que provavelmente acreditava ser um delicioso “bocado” para a sua prole, já  não pode tirar a sua língua. Seu companheiro foi apressadamente em seu auxílio, mas também ele ficou fortemente preso e da mesma maneira.

Lutaram até a exaustão. Os filhotes atravessavam ao seu redor sem compreender o que ocorria. Enquanto os pais estavam exaustos e sofrendo, os pequenos se alimentavam no peito da mãe.

De repente se escuta o ranger de um galho e logo vemos distante uma forma obscura. Com passos furtivos um homem lentamente caminha através da nevasca em direção ao lugar onde, no dia anterior, havia colocado suas armadilhas. Sua grande e tosca figura estaba vestida com uma capa feita de grossas e escuras peles de urso; na cabeça um turbante feito com a preciosa pele de uma raposa cinza, cuja sedosa cauda ainda ali permanecia, como ornamento.

O rosto do caçador é coberto de uma cerrada e extensa barba negra; seus olhos frios e cruéis são de um cinza escuro. Nunca sentiu o amor, que pudesse suavizar o seu coração; amava somente o ouro que poderia conseguir com a venda dos animais assassinados e torturados. Com esse dinheiro poderia obter todo o licor e o whisky que desejasse e também comprar outros pequenos animais que lhe supririam o alimento necessário. Que mais poderia querer na vida? Quanto maior o número de peles vendidas, melhor poderia manter sua natureza inferior com o único luxo que conhecia.

Ao aproximar-se do tronco caído, o caçador sorriu cruelmente: Ah! duas presas na mesma armadilha! Com uma empedernida crueldade arrebatou um a um os animais, deixando as pequenas línguas coladas na casca do tronco. Com uma faca feriu a veia jugular dos pequenos e depois de deixá-los sangrando por alguns minutos meteu-os em uma sacola que carregava, já com a alguma outra caça.

Pouco tempo depois do caçador ter-se ido com seu “prêmio”, cinco pares de negros olhinhos começaram a espreitar pelas ramagens de um pinheiro próximo. Os cinco filhotes tiveram o valor de retornar ao lugar onde ultimamente tinham se amamentado. A “mamãe” já não estaba mais ali. Somente as linguas sangrentas para contar a história. A noite se aproximava e ninguém para alimentá-los. Passaram-se os dias e por fim a fome e o frio venceram. Morreram.

Agora, sigamos o caçador e suas vítimas. Ele luta através de muitas nevascas. Levanta novamente o fuzil e apontando para algo a distância obtém uma nova vítima; agora uma preciosa lebre de olhos cor de tabaco. Isto lhe dará alimento por algum tempo.  Não lhe passa na mente que os filhotes morrerão de fome. Ele, o homem, conseguiu seu alimento, então que lhe importa os demais?

Por fim chegamos a um casebre de madeira. Ao entrar encontramos todas as paredes cobertas de peles que estão “curando” para adquirirem preço para a compra do whisky e do tabaco.

Sigamos agora, as peles. São vendidas a algum traficante que as embarca com destino a grandes peleteiros. As vemos de novo, agora, nos aparadores de um grande estabelecimento em uma grande cidade, todos decorados com peles de distintos animais. Ao entrar encontramos sentada frente a um espelho uma fina e bela mulher de rosadas bochechas. Suas suaves e pequeñas mãos estão acariciando algo: Oh! que suave e como brilha essa pele branca com as caudas negras em sua extremidade, que tanto ornamentam quanto demonstram a sua legitimidade! Depois de pagar uma alta soma pela vestimenta, sai adornada com as peles de centenas de animais impregnadas das vibrações dos torturados corpos.(1)

“Oh!, como geme o Espírito de Cristo, aprisonado na Terra! Oh! irmãs, esposas, mães, não escutam vocês os gritos destes animais torturados? Vocês também são culpadas de suas mortes, enquanto usarem esse tipo de vestimenta. Não fosse por suas vaidades, a crueldade desses assassinatos terminaría. Enquanto as mulheres continuarem usando plumas e peles de animais assassinados e preparando os corpos desses pequeninos seres como alimento, tampouco as guerras e o derramamento de sangue  terminarão.

Há alguns anos, quando em visita a uma das cidades grandes, fui levada a assistir a uma conferência demasiadamente anunciada, que seria dada por uma mulher mundialmente conhecida como guía metafísica e espiritual, representante de uma grande organização que ensinava o vegetarianismo e animava seus estudantes a refrearem-se quanto ao uso da carne como alimento. O Teatro de Opéra estava lotado e quando a conferencista se apresenta tivemos um sobressalto ao observar a uma bela mulher ataviada com um abrigo quase que totalmente coberto com as peles daqueles animaizinhos!

O adorno branco e negro era de grande efeito e atraía a atenção daqueles que só veem a “beleza”, mas para aquela que escreve, a conferência estava arruinada.Nunca mais assistimos a qualquer atividade auspiciada por alguém que se considera espiritual; que ensina a Lei do Renascimento e a Lei de Consequência; que fala de compaixão e amor fraternal, e continua, no entanto, a tolerar a tortura dos animais.

Cada um de nós, a seu devido tempo, seremos guiados para o sofrimento e para a dor, através do caminho da cruz, inconsciente das dívidas de destino que acumulamos em nossa jornada. Como disse Angelus Silesius:

"Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém,
 Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida.
 Em vão olharás a Cruz do Gólgota
                       A menos que dentro de ti, ela seja novamente erguida."

CREDO OU CRISTO (Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos)
Não ama a Deus quem ao semelhante odeia;
espezinhando-lhe a alma e o coração;
aquele que algema, nubla ou tolda a mente
pelo medo do inferno, não entendeu a divina direção.
Todas as religiões são abençoadas e mandadas por Deus;
e Cristo, o Caminho, a Verdade, a Vida,
foi enviado por Ele para aliviar o pesado fardo
do triste, do pecador, dando-lhes a paz pedida.
Eis que o Espírito Universal veio
a todas as igrejas e não a uma somente;
No dia de Pentecostes, uma língua de chama brilhante
envolveu cada apóstolo, em um halo cintilante.
Desde então, como abutres famintos,
por um nome vão, muitas vezes vamos lutar,
procurando com dogmas, éditos ou credos,
uns aos outros às inextinguíveis chamas enviar.
Cristo então é dois? Foram Cephas, Paulo,
para salvar o mundo, à cruz pregados?
Por que então existem, aqui, tantas divisões?
Se pelo amor de Cristo todos somos abraçados.
Seu amor puro e doce não está limitado
a credos que segregam e muros que levantamos.
Seu amor envolve todos e abraça a espécie humana
não importa como a nós ou a Ele O chamamos.
Por que então não aceitá-Lo na Sua doce palavra?
Por que manter credos que trazem desuniões?
Uma só coisa importa e deve ser ouvida!
Que o amor fraternal encha todos corações.
Mas há ainda uma coisa que o mundo precisa saber;
há um só bálsamo para toda a humana dor,
há um só caminho que conduz ao céu,
este caminho é a solidariedade humana e o amor.

De uma lição aos estudantes de agosto de 1948
(1) Nota de Rosacruz e Devoção: Para um casaco de porte normal são necessárias peles de 125 arminhos!

01/10/2017

Da Temperatura do Forno

Todo “alquimista”, possuía seu “laboratório” e “utensílios”, além do athanor; palavra árabe (al-tannur) que significa “forno”, onde “elevadas temperaturas” eram necessárias para a transformação do “chumbo em ouro”. Gravura da Idade Média.

por Jonas Taucci

“Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí se lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta" (Cristo, em Mateus 05:23).

Os preceitos que Cristo trouxe (e traz anualmente) à Terra, não estão direcionados a determinada religião, raça, cor, sexo ou localidade geográfica de nosso planeta; possui uma marcante conotação universalista (Aquário/Urano), e no atual estágio de desenvolvimento da humanidade - segundo os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental - constitui-se na “última palavra” em avanço espiritual.

Imaginemos o resultado de um mundo onde a PRIORIDADE fosse a reconciliação com nossos desafetos, e somente DEPOIS fossemos aos locais de nossas práticas religiosas ou espiritualistas, como disse Cristo!

Daríamos um passo extraordinário na caminhada para o nascimento de nosso Cristo Interno...

A máxima dita por Cristo, pode amoldar-se em igreja (católica ou protestante), sinagoga, mesquita, ashram, mosteiro, templo etc. mas vamos acondiciona-la ao aspirante rosacruz; não apenas no trabalho que realiza (direta ou indiretamente) na Fraternidade, mas também nas relações com a família, amigos, locais de trabalho, estudo, recreação, vizinhos, etc.

Sabemos (apenas sabemos...) os dizeres de Cristo - o mais alto arcanjo - no evangelho de Mateus, mas insistimos em criar mecanismos que nos ilude:

*** O erro não é meu, e sim da “outra” pessoa.

*** Frequento uma organização altamente espiritualizada que obviamente, me faz altamente espiritualizado, diferenciado; os desafetos são “secundários”. Esquece-los é o correto.

*** Escrevo artigos, ocupo cargos, ministro palestras, oficio (elevados) Rituais Rosacruzes no Templo e em casa; isto é mais importante que meus semelhantes.

*** Concluí cursos (sou probacionista), sei corretamente meu Tema Natal (horóscopo), e recito os de outras pessoas da mesma forma; isto faz meus pontos de vista estarem corretos.

(Aqui uma pausa; se temos o conhecimento de aspectos e configurações astrológicas de pessoas, fica claro então que sabemos exatamente como auxilia-las, e aqui o “não auxilio”, incorre num grave erro por omissão).

Há que perguntar-nos quais são nossos objetivos em pertencermos à Fraternidade Rosacruz! O caminho passa – fala Cristo – por deixarmos as ofertas no altar e reconciliarmos primeiramente com nossos irmãos.
Vemos acima, o Diagrama # 15 do Conceito Rosacruz do Cosmos:

*** A serpente escura, representa nossa “descida” à matéria, através dos períodos de Saturno, Solar, Lunar e parte do Terrestre (Marciana).

*** A serpente clara, indica a “subida” a ser percorrida pela humanidade em geral; parte do período Terrestre (Mercurial), e os períodos de Júpiter, Vênus e Vulcano, em direção à Deus.

*** O caminho reto e estreito, no centro do símbolo, representa o caminho da iniciação.

Este caminho, requer uma reconciliação com nossos irmãos.

Uma não reconciliação implica – inexoravelmente - no abandono ao nosso Cristo Interno, e não avançaremos de forma alguma no caminho da espiritualidade, por mais que (unicamente) obtenhamos (inutilmente) informações pós informações esotéricas.

O relacionamento (ou não) com nossos semelhantes, constitui-se no ponto determinante para nossa chegada (ou não) ao “altar”, e a importância deste aspecto pode ser constatada na Oração Rosacruz; que sabemos mecanicamente (apenas sabemos... novamente).

“...para que sejamos os amigos que desejamos ser.…”

Francisco Phelipp Preuss (1) , foi um dos primeiros probacionistas no Brasil; fundou centros e grupos de estudos, escreveu livros, viajou por várias partes do país ministrando palestras (universidades, bibliotecas) e sempre que o assunto era alquimia, resumia:

*** Transformar o chumbo (Eu Inferior) em ouro (Eu Superior).

*** Temos o laboratório (corpo denso, vital, desejos e mente).

*** Em todos livros sobre alquimia, há referência ao forno, onde os elementos sem valor (Eu Inferior), são elevados a altas temperaturas para que possam transubstanciar-se em ouro (Eu Superior).

*** O forno representa o relacionamento com nossos semelhantes onde a “elevação da temperatura” do perdão, amor e o reconhecimento de que todos nós - Espíritos Virginais - somos verdadeiramente irmãos, parte de uma família cósmica, irá dissolver todo e qualquer resquício de inimizade e ressentimento. Esta é a verdadeira alquimia.

Cabe não fugirmos à (intima) pergunta:

- Qual a temperatura de meu “forno”?

(1) Biografia de Francisco Phelipp Preuss (veja aqui)

02/09/2017

Do Oficiar Rituais Rosacruzes

Nota: Nos é sugerido que o Símbolo Rosacruz com a Rosa Branca no centro seja apresentado 
somente  durante os Rituais, quando a cortina é aberta.

por Jonas Taucci
Não há – absolutamente – nenhuma atividade mais importante num Centro Rosacruz, que o oficiamento de seus Rituais.

Esta palestra (1) – resumidamente - foi concebida para estarmos plenamente conscientes dos preceitos a seguir, com referência aos oficiamentos dos Rituais Rosacruz no Templo.

A localização do símbolo (frente para o leste, nascer do Sol), as músicas de preparação do ambiente, de abertura, signo astrológico e encerramento, a concentração e a vibração de cada Ritual constituem-se em algo (extremamente) sagrado que (sem dúvidas alguma) edifica uma egrégora no referido Templo.

Muito importante, nos darmos conta de que, quando oficiamos os Rituais Rosacruzes nos Centros autorizados (com vínculo à Sede Mundial – Oceanside), estamos projetando para o símbolo, ouvintes e à humanidade, tudo o que temos em nosso interior.

Nos Templos, apenas probacionistas ativos, devem oficiar os Rituais, e se possível, revezando-se entre homens e mulheres, atendo-se a que os Rituais de Lunação (Lua Nova e Cheia), são restritos à probacionistas ativos da Fraternidade Rosacruz que desejam participar.

Cada palavra, cada frase que é proferida pelo probacionista oficiante, mesmo que estas contenham o mais sublime ideal de Deus, da Luz ou do Amor, se não estiverem sendo vividas diariamente, estaremos projetando uma atmosfera espiritualmente negativa aos ouvintes.

Quando estes Rituais são oficiados repetidamente por pessoas que não estão vivendo de acordo com os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, o ambiente vai saturando-se ou cristalizando-se.

Claro e evidente, que não se solicita uma vida cem por cento santificada, pois no atual estágio de nosso desenvolvimento, isto é impossível, contudo os probacionistas ativos que são os oficiantes, devem diariamente servir a seu Eu Superior, praticando em suas ações, os ideais dos Rituais, pois desta forma, quando oficiarem, contribuirão para a eficácia dos mesmos e seus resultados serão obtidos de uma forma mais abrangente.

Vemos aí a responsabilidade de ser um probacionista oficiante!

Quando o probacionista sabe que vai oficiar, deve prepara-se antecipadamente, pois sabe que será um instrumento para auxiliar no propósito do respectivo Ritual:

*** Não se constitui uma regra, mas sugere-se que o oficiante e participantes não estejam – recentemente – com o estômago cheio, pois isto torna difícil meditar, já que nosso Corpo Denso se canaliza para a digestão, interferindo assim numa meditação e concentração plena.

*** Entrar no Templo – probacionista oficiante e participantes -  com cerca de quinze minutos antes do início do Ritual e ouvir música adequada para preparação do ambiente. Isto fortalece nossos Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente, para esta sacra atividade.

*** O probacionista oficiante, nesta hora, deve pedir a Cristo que o ilumine e assim, possa ser um verdadeiro canal para transmitir a essência do referido Ritual Rosacruz.

*** Ouvir e cantar – todos os presentes – o Hino Rosacruz de Abertura, com toda a reverência possível. Este Hino está estruturado – musical e astrologicamente – em Ré Maior, que coloca em vibração a Divina Hierarquia de Libra, regida por Vênus, possuindo como uma das palavras básicas, o Amor. O cantar torna-se valioso, pois o som possui um papel relevante para que as vibrações se tornem presentes. 
 
Ouça os hinos de abertura, encerramento e astrológicos cantados aqui
Importante: os Rituais não devem ser (apenas) assistidos: devem ser participados.

*** O Hino Astrológico ao signo do mês (em que o Sol esteja transitando no dia do referido Ritual), é importantíssimo. Elman Bacher (Estudos de Astrologia) nos fala que planetas e signos são seres (Hierarquias), e sem dúvidas corroboram para o fortalecimento da egrégora.

*** Há Centros que – acertadamente – incluem no oficiamento do Ritual de Cura, a “Canção da Rosa Branca”; esta flor representa o coração do Auxiliar Invisível e, torna-se evidente, contribui com as vibrações de cura, pois “... deixemos a Força Curadora libertada com Cristo e os Auxiliares Invisíveis, para que a utilizem onde mais se fizer necessária”. (Conheça a Cançao da Rosa Branca aqui)

*** Ao ser descortinado o símbolo Rosacruz, deve-se procurar visualizar emanações espirituais deste sagrado emblema, a iluminar todos os presentes, assim como toda a humanidade.

*** O probacionista oficiante há que atentar-se a certas particularidades: não ler mecanicamente, nem os participantes ouvirem de forma semelhante, mas ambos procurarem visualizar o que falam e ouvem respectivamente.

*** Todas orações direcionadas ao símbolo Rosacruz, são recebidas pela contraparte etérica do mesmo. Devemos estar conscientes disto, e do privilégio que representa, mas também da responsabilidade aqui contida.

*** Há centros que conjugam palestras com Rituais. Seria sugestivo às quartas feiras, (dia governado por Mercúrio) as palestras serem voltadas para a Filosofia Rosacruz, e aos domingos (dia governado pelo Sol), serem direcionadas ao Cristianismo Esotérico. Assim mente e coração, em seus respectivos dias astrológicos, produzirão uma melhor assimilação das referidas palestras. (2)

*** Todos ouvem e cantam o Hino Rosacruz de Encerramento, o qual está sintonizado em Ré Bemol Maior, em consonância à Hierarquia de Áries, regido por Marte, possuindo como uma das palavras básicas a Ação.

*** Sejamos sabedores de que o resultado do Amor (Libra, Vênus, Hino de Abertura) somado à Ação (Áries, Marte, Hino de Encerramento) resulta – evidentemente - no Amor em Ação: o Ideal Rosacruz.

*** Finalmente, todos deixam o Templo, no mais absoluto silêncio, como indica Max Heindel, para não serem alteradas as vibrações edificadas.

*** O Ritual Rosacruz do Serviço do Templo, parte Despedida, nos exorta a que:

A) de volta ao mundo material (após o termino dos Rituais)

B) levemos a firme resolução de expressar em nossas vidas diárias (praticar o Ritual oficiado).

C) os elevados ideais de espiritualidades que aqui recebemos (os Rituais Rosacruzes possuem – todos - vibrações Crísticas, já que todos eles contem os preceitos indicados pelo mais alto iniciado do Período Solar, O CRISTO).

D) para que, dia a dia, nos tornemos melhores homens e mulheres (desta forma, conseguirmos a supremacia de nosso Eu Superior sobre o Eu Inferior)

E) e mais dignos de sermos utilizados como colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores, à serviço da humanidade (colaborar indica ação, e as ações que praticamos aos nossos semelhantes, auxiliam a benfeitoria que os Irmãos Maiores prestam junto à humanidade).

Estarmos presentes num Templo (físico) da Fraternidade Rosacruz, e participarmos destes Rituais, constituem-se num privilégio (3).

Esforcemo-nos para viver vidas de PUREZA e SERVIÇO, que correspondem aos sustentáculos para transmitir os Ensinamentos Rosacruzes aos nossos irmãos.

(1). Palestra realizada no Centro Rosacruz de Santo André, em dezembro de 1.988, por ocasião do Natal. Baseada e resumida em artigo publicado no boletim “Amizade Rosacruciana” nº 58, julho/1.988, do Centro Rosacruz Max Heindel, Lisboa – Portugal.

(2). Durante décadas, vários centros seguiram esta prática.

(3). Fica o convite para que todos (reunião aberta ao público) participem do Ritual de Setembro - nos centros Rosacruzes -  no próximo dia 21 de setembro deste ano de 2.017 (data fixada por nossa Sede Mundial), onde observa-se o retorno anual do Cristo à Terra (atinge à atmosfera de nosso planeta, Sol ingressando no signo Zodiacal de Libra). (Ritual do Equinócio de Setembro) 

IMPORTANTE: Os Rituais Rosacruzes podem ser oficiados nos lares, com a família e amigos (com exceção dos Rituais de Lua Nova e Cheia, restritos à probacionistas ativos).

05/08/2017

Da Destilação Alquímica Interna

O Alquimista – Pintura do holandês Adriaen Van Ostade (1.610-1.685)
por Jonas Taucci
Uma das primeiras palestras que presenciei na Fraternidade Rosacruz foi a do irmão probacionista Antônio Munhoz. Tinha acabado de inscrever-me no Curso Preliminar, e a palestra assistida referia-se ao livro “Iniciação Antiga e Moderna”, de Max Heindel.

Algo que me chamou a atenção - neste meu início - foi a de que apenas probacionistas ativos oficiavam Rituais e proferiam palestras.

Na exposição, foi aludida a condição em que se encontra o candidato à porta oriental do Tabernáculo no Deserto: “pobre, nú e cego”, ressaltando o irmão Munhoz de que esta condição não se relaciona a absolutamente nada físico, e – lembro-me – em uma lousa com giz (estamos no final dos anos 70...) escreveu:

*** POBRE: A carência da luz interna.

*** NÚ: Ausência do Corpo Alma.

*** CEGO: A deficiência para vivenciar as Leis Cósmicas.

Disse que o caminho ao nascimento de nosso Cristo Interno passa por um afunilamento (A torre da igreja é larga na base, mas aos poucos vai se estreitando...), comparando isto a algumas passagens (sequenciais) do Novo Testamento, com referência a Cristo, até à sua crucificação.

Este estreitamento (interno) -  continuou - é o trabalho, o processo alquímico que o aspirante rosacruz realiza em seu dia a dia, auxiliando seu semelhante, como preconizou Cristo, sendo o seu resultado:

*** Crescimento de nosso EU SUPERIOR

*** Diminuição de nosso EU INFERIOR

Esta ordem está perfeitamente em sintonia com o evangelho de João:

*** “É necessário que ele cresça e que eu diminua (João 03:30).

Todos nós somos alquimistas! Nosso corpo constitui-se no “laboratório” onde a OBRA (literalmente) pode ser realizada: a transmutação do “chumbo” em “ouro”, e Max Heindel no citado livro acima (capítulo IV – A Transfiguração), nos dá uma bela explanação sobre o assunto.

Há pessoas, com certeza, que ao lerem passagens bíblicas sobre o Cristo ou verem filmes sobre o assunto, sentem-se impulsionadas a pensar no desejo de estarem naqueles dias e locais em que o maior iniciado do Período Solar esteve na Terra, e:

*** Colocar no colo, o menino Jesus recém-nascido.

*** Estar presente nas curas que Cristo realizou, e confortar os enfermos.

*** Participar da Santa Ceia, e comungar o alimento por Ele oferecido.

*** Ao Vê-lo carregar sua cruz, ir em seu encontro e prontificar-se a auxilia-lo.

*** Estar ao lado Dele, na crucificação, e dizer: Aqui estou, neste teu difícil momento.

Pensar assim, pode revelar total dissonância para com os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental.

Há em cada ser humano, um Cristo Interno, e isto foi dito pelo mais alto Arcanjo (Cristo) ao dizer que, quando auxiliamos nossos semelhantes, estamos auxiliando a Ele (o Cristo que habita em cada pessoa), e quando deixamos de fazer aos outros, também não estamos fazendo a Ele. (Evangelho de Mateus -  25: 35 a 45).

Encontra-se à nossa disposição, aqui e agora, o vivenciar – e não o sonhar – nossa ajuda ao Cristo, pois quando – amorosamente,

1) visitamos crianças em orfanatos.
2) confortamos pessoas enfermas em hospitais ou lares.
3) compartilhamos nossa “ceia” (alimento) com os desassistidos.
4) estamos presentes e atuantes com pessoas em seus momentos difíceis

...estaremos auxiliando o Cristo (de nossos irmãos), apressando a libertação do Cristo Cósmico de sua trajetória anual à Terra e, realizando uma obra (própria) de destilação alquímica interna, que irá – verdadeiramente e não utopicamente - resultar no nascimento de nosso Cristo Interno.

Nem todo o que me diz “Senhor, Senhor” (o simples conhecimento de informações espirituais, ainda que profundas) entrará no Reino dos Céus (plural), mas aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus (plural também; estágios evolutivos - Mateus 07:21).

Sempre considerei também interessantíssimo este afunilamento mencionado acima pelo irmão Munhoz e a citação do Ritual Rosacruz de Cura:

*** “Se alguém se absorve numa intensa súplica a um poder superior, sua aura parece afunilar-se em forma muito semelhante á parte inferior da tromba marinha”.

Tentarei (re)transmitir as citações bíblicas ditas pelo saudoso irmão, em sua ordem, acrescentando pinturas de renomados artistas. Não nos esquecendo de que possuímos um Cristo Interno ainda em estado latente, e todas estas citações devem ser (interna e alquimicamente) percorridas pelo aspirante rosacruz.







*** Por fim chegará um momento em que este caminho é tão fino quanto o fio de uma navalha, e aí só poderemos agarrar-nos à cruz. (Iniciação Antiga e Moderna -  Max Heindel – capítulo VI – a Lua Nova e a Iniciação)

Invariavelmente, as palestras do irmão Munhoz terminavam assim:

_ Hoje aprendemos um pouco mais sobre os Ensinamentos Rosacruzes.

De nada adianta sermos um poço de conhecimento; coloquemos o que aqui foi exposto à serviço de nosso semelhante, através de ações, alimentando assim nosso Eu Superior para o nascimento de nosso Cristo Interno. Não há outra razão para estudarmos os Ensinamentos Rosacruzes.

Excelentes palestras nos deu o irmão Antônio Munhoz...

23/07/2017

"A Semana de Max Heindel"


Em 23 de julho de 1973 a Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil decidiu incorporar em suas atividades a “Semana de Max Heindel”, o que ficou registrado na revista Serviço Rosacruz do mês seguinte (agosto de 1973), tendo sido fielmente levado à prática até final da década de 90 aproximadamente.

Assim, de 23 de julho até o final do mesmo mês, toda e qualquer atividade no centro em São Paulo tinha início com menções sobre a vida e a obra do fundador da Fraternidade Rosacruz.

Embora no anúncio da revista conste a expressão sessão solene, as manifestações eram bastante simples, como, aliás, condiz à nossa escola. Não se tratava de uma exaltação à personalidade de Max Heindel. A finalidade, pelo contrário, era a de uma introspecção do exemplo. 

01/07/2017

Do Cultivo de Nossas Rosas Internas

 por Jonas Taucci

Durante décadas, dedicadas irmãs – alternando-se - traziam semanalmente uma rosa branca, natural e com frescor, colocando-a num vaso na tribuna do Templo da Fraternidade Rosacruz. Nenhum Ritual era oficiado sem ela.

Originária de países asiáticos, a rosa já era utilizada por civilizações antiquíssimas (assírios, babilônios, gregos, egípcios) em formas decorativas, banhos de imersão e ofícios religiosos. Fósseis desta flor datam de milhões de anos.

Existe por volta de 100 espécies de rosas, e para os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, esta flor reveste-se de uma sublime importância, fazendo parte do símbolo Rosacruz.

Vejamos:

*** No símbolo Rosacruz - em consonância ao Ritual de Cura - a rosa branca é o símbolo do coração do Auxiliar Invisível e as sete rosas vermelhas representam seu purificado sangue.

*** Neste mesmo símbolo, os Ensinamentos Rosacruzes informam que as sete rosas vermelhas são nossas (internas) glândulas endócrinas, e que possuem sua contrapartida em nosso Corpo Vital, sendo meios para evoluirmos e nos desenvolvermos espiritualmente. 


Uma analogia entre o universo, os diversos campos de evolução além da Terra, pode ser feito com uma rosa, pois a bela imagem desta flor desabrochando está – esotericamente – ligada a ocorrência evolutivas.

OITAVA SUPERIOR
*** Do centro da rosa (Mundo de Deus), emanam pétalas (incontáveis ondas de vida).

OITAVA INFERIOR
*** Exatamente do centro desta flor (Espíritos Virginais), surgem pétalas, camadas (Corpos Denso, Vital, de Desejos e Mente, numa “descida” à Terra, a matéria).


Abaixo, a letra da “Canção do Serviço da Rosa Branca”, tradução do original: "White Rose Service Song" de autoria de Emma Wendt, que consta do livro “Songs of Light” de nossa Sede Mundial (Oceanside). Esta versão para o português é de autoria dos irmãos da Fraternidade Rosacruz - Max Heindel do Rio de Janeiro. (Letra original no vídeo abaixo)

Eu rogo a Ti, ó Senhor da Luz,
Com os meus olhos nesta linda rosa branca,
Eu adoro o Teu Sagrado Nome neste momento
Transmuta meu amor em força curadora.

Ajuda-me a encontrar o Caminho,
O glorioso Caminho que Jesus trilhou
O Caminho do Serviço, o Caminho mais curto,
O caminho mais seguro e alegre.
Ensina-me a amar o Caminho que conduz a Ti,
Meu Pai Celestial.


Sugestões de leituras indicadas:

*** Max Heindel -Conceito Rosacruz do Cosmos, capitulo XVII Método para adquirir o conhecimento direto – subtítulo: Concentração, onde Max Heindel cita uma rosa.(aqui)

*** Revista: Rays from the Rose Cross – volume 95 – número 02, de março/abril de 2003, pág.32 "Is the Universe Like a Rose?" (aqui)

*** Max Heindel, livros Astrologia e Glândulas Endócrinas e Mistérios das Glândulas Endócrinas.


Ouça a canção e conheça a letra original de Emma Wendt


Relacionado: Rosa Rainha das Flores... por Delmar de Carvalho (pdf )

24/06/2017

O Reflexo do Homem


O homem reflete em suas ideias, emoções e atos, seu mundo interior. O observador perspicaz sabe disso. Nos Evangelhos encontramos a evidência desta verdade na citação: “A boca fala aquilo de que está cheio o coração”.

Quando o homem age de duas formas - o que é comum acontecer - temos uma incoerência: “Pode jorrar, de uma mesma fonte, água doce e amarga?”.

O curioso é que não suportamos nos outros os nossos próprios defeitos. Geralmente o mais malicioso é que vê e critica a malícia no semelhante; o desonesto (em algum âmbito obscuro para ele) é o que mais condena o roubo. É um grito estrangulado da consciência que está sempre rebelada contra o que se repete no interior do homem. Quando “experimentaram” o Cristo, com a mulher adúltera (e os fariseus trouxeram apenas a mulher, quando a lei prescrevia o mesmo castigo ao homem que adulterava com ela), Ele os desconcertou com o conhecimento que tinha da natureza humana: “Aquele que estiver isento de pecado, seja o primeiro a atirar a pedra”. E diz a tradição que o Mestre, tranquilamente reclinado sobre o solo, escrevia com uma vara sobre a areia, onde cada fariseu via escritos seus defeitos pessoais. Certamente é um símbolo da consciência que, dentro de cada um, ia clamando seus defeitos para arrasar a pretensão de juiz daquela mulher.

Com o desenvolvimento da psicologia profunda, qualquer pessoa compreende o quão necessário se torna o conhecimento de nós mesmos. Nenhuma elevação espiritual é possível sem esta condição. À medida que nos vamos conhecendo pela observação e discernimento dos nossos atos, através de exercícios como o da Retrospecção noturna, prescrita pelos Rosacruzes, vamos assegurando e firmando aquilo que aprendemos. Consideramos este conhecimento e o domínio de si mesmo, como a pedra fundamental do progresso interno e da felicidade do homem. Goethe, o grande iniciado, criador de “Fausto” o definiu bem: “O Homem se liberta de todas as limitações que o encandeiam, apenas quando alcança o domínio de si mesmo”. E Cristo mostra o caminho: “Conhecereis a verdade e a Verdade vos libertará”. Essa verdade está dentro de nós, pela sujeição de tudo ao nosso Ego, o Cristo Interno. Nenhuma ciência, nenhum conhecimento, nenhuma arte, posse alguma, representa uma finalidade nesta vida. Tudo tem valor, na medida em que se incorpore e expresse o que há de espiritual em nós.

Em síntese, reproduzindo Paulo: temos uma mente carnal e uma mente espiritual, um corpo de desejos (com uma parte inferior e outra superior).- essas as origens de nossas controvertidas expressões. O Ego concebe a ideia, mas quando ela se reveste de uma forma na Região do Pensamento Concreto, sofre a influência escravizante do corpo de desejos, que se unindo à mente, desde a Época Atlante, formou em nós uma espécie de “alma animal”.

Mas não basta conhecer a verdade. Ela apresenta a solução, mas, é mister alcançá-la. Como libertar o ser humano e regenerá-lo, tornando-o, de novo, à condição de ser espiritual, filho e herdeiro de Deus?

O “Conceito Rosacruz do Cosmos”, em sua última parte expõe magistralmente essa questão. Tudo se resume na prática dos exercícios recomendados e num persistente esforço de repetir o bem na vida diária. Em verdade, aquilo que em nós vê o defeito e o mal nos outros, é o lado inferior. O lado superior onde existe apenas a atração, simpatia, amor, filantropia e todas as demais qualidades superiores da vida, da luz e do poder anímicos, vê apenas o BEM, o IRMÂO, o SEMELHANTE, o ESPÍRITO, a ESSÊNCIA, que – juntamente conosco e com outros seres humanos - forma a onda de Peixes, dos Espíritos Virginais em evolução - Filhos de Deus, transitoriamente diferenciados na cor da pele e nas condições externas.

Deixar que o lado inferior julgue e determine é rebaixar-se à condição de um animal irracional. Pior ainda, porque, tendo mente, cometemos, desse modo, atos que os animais não praticariam.

O ser humano é humano porque é racional – detentor de uma mente que deve ser exercitada e espiritualizada. O Aspirante à espiritualidade está vigilante para esta verdade. Não se expõe à insensatez pela imposição aos outros, de suas ideias. Tão pouco sofre sem proteções a insensatez dos outros. Em sua relação com os demais procura ser prudente e sábio, amoroso e justo, expressando o que tem de superior. 

Só deste modo poderá elevar-se, e elevar os demais, “perfumando” a atmosfera em que vive com pensamentos e sentimentos justos, e edificando a todos por sua maneira de agir.

Publicado na revista Serviço Rosacruz,  fev.,1966 (mantida a ortografia)

14/06/2017

Quintais Murados e Sem Muros


Do alto da janela do meu quarto vejo os quintais da vizinhança. São retângulos bem demarcados, alguns com limites de vidros pontiagudos, agressivos. Em cada muro terminam e começam os direitos de propriedade...

Tenho pensado nesses muros. Afinal são necessários. Como as demais coisas que existem na sociedade humana atual, eles exprimem uma condição e uma necessidade interna.

Recibos, contratos, fechaduras, são outros limites visíveis.

E há os invisíveis muros das limitações internas, dos egoísmos, das ambições. Estes são os mais importantes, se bem invisíveis, porque originaram aqueles.

Desde que me conheço por gente tenho ouvido falar de limites. Limites do Estado e do País em que nasci; limites de capacidade; limites de tudo, menos de Deus que é ilimitado.

Afinal, tudo o que evolui tem limites porque a verdade absoluta está além dos horizontes das verdades relativas que se vão alcançando...

Mas pelo menos, quando reconhecemos os limites de nossas faculdades e as procuramos dilatar, não estamos invadindo direitos de ninguém. No corpo de Deus todos estamos em expansão constante e como Filhos e Herdeiros Seus, só ferimos Seus direitos quando os reclamamos para nós. Tudo Ali é conquista de algo mais para atender às nossas legítimas necessidades e servir os demais.  Mas aqui, tudo é conquista de mais, para servir-SE.

Aí está a diferença fundamental entre os limites de consciência e os humanos...

Ajuda-me, Senhor, para que eu possa derrubar os muros invisíveis do egoísmo que me cerceia e apequena; só assim poderei alargar os limites de minha consciência, de meu amor e de meu entendimento em busca do ilimitado que és TU.
Publicado na revista Serviço Rosacruz,  fev.,1966

28/05/2017

Conhecer a Verdade


por Gilberto Silos
Conta uma antiga lenda, que a verdade estava certo dia se banhando num rio. Apareceu então, a mentira que, sorrateiramente despiu-se, deixou sua roupa ali nas proximidades, vestiu a da verdade e foi embora. A verdade saindo do banho viu os trajes da mentira, mas recusou-se a vesti-los. Dirigiu-se nua à cidade, e lá tentaram apedrejá-la. Amedrontada, retornou ao rio e vestiu a roupa da mentira. Desde então anda pelo mundo disfarçada de mentira e esta camuflada de verdade.

As pessoas, de fato são muitas vezes, induzidas pela força das opiniões correntes a inverter a verdade dos fatos. Sofremos diariamente, um bombardeio provindo do noticiário jornalístico, das propagandas, das conversas que compõem nosso relacionamento quotidiano. E dentro de toda essa "pressão" que o meio exerce sobre nós, não é fácil manter uma postura autêntica, firme, corajosa, sem fugir da verdade.

Felizmente contamos com a ajuda valiosa de uma escola como a Fraternidade Rosacruz. Os estudos baseados nas investigações diretas do iniciado Max Heindel livram-nos de muitos enganos. As "chaves" espirituais oferecidas pelos ensinamentos rosacruzes nos conduzem pelo caminho da verdadeira sabedoria.

Apesar de agirem com louvável boa intenção, muitos estudantes se enganam quando se deixam levar pela pressa. Almejam resultados a curto prazo. Mal se apercebem dos pequenos obstáculos da planície e já querem galgar a íngreme encosta da montanha.

Pode-se abreviar a jornada, trilhando o "caminho do meio", o centro do caduceu. Mas, suportarão os percalços da subida reta? Estarão dispostos a "tomar o reino dos céus por assalto?".

Na senda da evolução não há fórmulas milagrosas. Quem se ilude acaba inevitavelmente ludibriado por “falsos mestres" que proclamam poderes e os vendem. O verdadeiro orientador espiritual não exige dinheiro, prestígio ou quaisquer compensações mundanas. Procura desde o início libertar o aspirante de toda e qualquer dependência externa, tornando-o confiante em si mesmo no mais alto grau. Dessa forma ele pode cumprir o objetivo de seu treinamento, convertendo-se também, num ponto de apoio e orientação dos demais, passando adiante o benefício recebido.

Praticando o exercício da retrospecção o aspirante estará penetrando em seu próprio íntimo. É um meio objetivo de fazer emergir à consciência fatos até esquecidos lá do subconsciente, ensejando-se oportunidade de reexaminá-los sob novo enfoque. 

Dessa maneira pode-se conhecer os aspectos verdadeiros do fato. A moderna psicologia nos ensina a reeducar o subconsciente. Os meios espirituais, entretanto, são mais eficientes. Basta que, para completar o efeito benéfico da retrospecção, se pratique a meditação matinal, também recomendada por Max Heindel como exercício para a organização dos veículos internos. Dedicando algum tempo a essa prática, tomaremos contato com o Cristo Interno. Seremos levados a uma conscientização da nossa real identidade, do nosso Eu verdadeiro e superior. É uma percepção do que existe atrás do véu, lá na sala ocidental do tabernáculo humano.
    Publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil, jan/fev, 1992