28/08/2020

O CENTENÁRIO DO TEMPLO ROSACRUZ (OCEANSIDE - 1.920 - 2.020) Suas Indeléveis Marcas

Templo de Cura
Templo de Cura da The Rosicrucian Fellowship

 por Jonas Taucci

Neste Ano de 2.020, temos o centenário de fundação do Templo Rosacruz, na cidade de Oceanside, estado da Califórnia, Estados Unidos.

 

Na quarta-feira, 12 de dezembro de 1.990, o Centro Rosacruz de Santo André, promoveu palestra nas dependências da Biblioteca Municipal da cidade de Santo André (SP-Brasil), que esteve a cargo dos irmãos probacionistas Luiz Mario Salvini e a mim.

 

Intercalamo-nos, naquela noite, para tecer comentários sobre o (então) 70º aniversário da inauguração do Templo Rosacruz.

 

Vou tentar, até onde minha memória recordar, dissertar sobre esta palestra, no que concerne os motivos de escolha do “local” e “data” de sua fundação e consagração.

 

Possa o transcrito abaixo servir de reflexão e meditação sobre este assunto, principalmente neste seu tão significativo 1º centenário.

 

LOCALIZAÇÃO

 

Muitas pessoas, através dos anos, indagam sobre o motivo de Max Heindel ter escolhido esta cidade para ser o local de nossa Sede Mundial, e no ano seguinte ao seu falecimento, ser ali assentado o Templo Rosacruz.

 

Ao receber e escrever, na Alemanha em 1.907, a maior parte dos ensinamentos contidos na obra “Conceito Rosacruz do Cosmo”, dada pelos Irmãos Maiores, Max Heindel foi orientado pelos mesmos, de que esta obra seria ampliada e reescrita na América, uma vez que ele - Max Heindel – estivesse na “atmosfera elétrica” daquele país.

 

No livro “Astrodiagnose Um Guia de Saúde”, o casal Heindel nos informa que Aquário/Urano regem os éteres, sendo este signo elétrico.

 

Augusta Foss de Heindel relata que ao ver – pela primeira vez – o terreno onde seria construído a Sede Mundial (e consequentemente o Templo Rosacruz), Max Heindel disse imediatamente:

 

- Ah, este é o lugar!

 

Certamente, “algo” motivou o Sr. Heindel a dizer, entusiasticamente, esta frase naquele local.

 

No Dia de Ação de Graças - 19 de novembro de 1.914 -  o fundador da Fraternidade Rosacruz, disse em Oceanside:

 

- “... Há seiscentos anos, um posto avançado dos mistérios se fixou na Alemanha e a Ordem Rosacruz começou a ensinar aos poucos que estavam então preparados. Hoje, aquele posto avançado já realizou o seu seu trabalho na medida do possível, naquela parte do mundo.  Um outro posto avançado foi designado para as costas do Oceano Pacífico, aqui na costa oeste do nosso continente...”

 

A Fraternidade Rosacruz foi fundada na cidade de Seattle (estado de Washington), em 08 de agosto de 1.909, contudo sua Sede Mundial e Templo Rosacruz, localizam-se em Oceanside, estado da Califórnia.


Sobre a imagem: vide nota da edição no final do texto


Elmam Bacher, em sua monumental obra “Estudos de Astrologia”, tece comentários sobre o Antigo Egito, afirmando: “uma característica desta civilização antiga e iluminada, foi que os Sacerdotes Iniciados e Reis-Sacerdotes, não foram apenas simplesmente governantes de seus súditos, eles eram Pais-Espirituais”.

 

E revela:

 

“Os americanos progressistas desta época, trazem sua descendência evolutiva desde renascimentos egípcios antigos”.

 

DATA DE FUNDAÇÃO

 

Ano de 1.920.

Em 29 de junho iniciaram-se os trabalhos de construção do Templo Rosacruz, a pedra fundamental foi colocada na data do aniversário de Max Heindel (23 de julho) e sua inauguração e consagração deu-se na “noite mais santa do ano” (Ritual Rosacruz de Natal); a noite de 24 de dezembro.

 

A sucessão de eventos, na ordem abaixo descrita, nos dá um vislumbre das vibrações emanadas na naquela sacra noite:

 

A) Probacionistas reuniram-se para o oficiamento do Ritual Rosacruz de Lua Cheia. Um coral em procissão, adentrou ao Templo, entoando a música “Vinde vós, os fiéis cheios de fé”

 

B) Ao órgão, a maravilhosa passagem “Cavaleiros do Santo Graal”, da ópera “Parsifal”, de Richard Wagner.

 

C) Todos os presentes cantaram a música “Noite Feliz”, seguida de leitura das Sagradas Escrituras, com referência à Imaculada Conceição e ao nascimento de Jesus (que cederia seus Corpos Denso e Vital a Cristo).

 

D) Com sugestivo nome, a música “Abrem-se os portais do Templo”, foi entoada.

 

E) A Sra. Augusta Foss de Heindel, proferiu uma exortação, sobre o “propósito da obra e da necessidade da consagração pessoal, despertando em todos uma sincera resolução de persistir nos esforços pela espiritualização, por Cristo e pela humanidade”.

 

F) Uma seleção de músicas, à flauta, ecoou pelo Templo, e após isso se fez ouvir a canção “Pequena cidade de Belém”.

 

G) Em absoluto silêncio, os presentes retiraram-se do Templo, ao som do “Hino Rosacruz de Encerramento”, executado ao órgão.

 

Desde então – e por uma centena de anos - milhares de Rituais Rosacruzes foram e estão sendo oficiados neste local ( Lua Nova, Lua Cheia, de Cura, Rituais Solsticiais e Equinociais) em consonância com eventos astrológicos, fomentando assim uma Egrégora, que sem dúvida alguma, está sendo utilizada pelos Irmãos Maiores na elevação da humanidade.  

 

Inequivocamente podemos – todos e em qualquer época – contribuir para com esta Egrégora, VIVENCIANDO os Ensinamentos Rosacruzes, e não apenas os conhecendo.

 

Alguns Centros Rosacruzes, espalhados pelo mundo, em dezembro (acertadamente) organizam a comemoração (aberta do público) do NATAL, em data próxima - geralmente num sábado ou domingo anterior - a este sagrado evento, intercalando números musicais, poesias, oficiamento do Ritual Rosacruz de Dezembro, leituras devocionais, comentários ao Cristo e sobre o Templo Rosacruz, em Oceanside.

Inaugurado e consagrado na “noite mais santa do ano” a um século...

 

SUGESTÕES DE LEITURA

 

- Estudos de Astrologia, de Elmam Bacher, Volume V – Capítulos II e VII.

 

- O Faraó Alado, da autora inglesa Joan Grant, livro citado e elogiado por Elmam Bacher.

 

- Memorias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz, de Augusta Foss de Heindel. À época da palestra, em 1.990, este livro ainda não estava traduzido para o português (Memoirs about Max Heindel and The Rosicrucian Fellowship). Atualmente existe a tradução – na íntegra – e publicado graças a dedicados probacionistas.

 

- Iniciação Antiga e Moderna, de Max Heindel, Capítulo III – Sala Leste do Templo – Parte: A Mesa dos Pães da Proposição.

 

- Cristianismo Rosacruz, de Max Heindel, Conferência IX – As Alegorias Astronômicas da Bíblia.

 

- Coletânea de um Místico, de Max Heindel, Capítulo XXIV – O Objetivo da Fraternidade Rosacruz.

 

- Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel, Capítulo XII – A Evolução na Terra / Parte: A Época Ária.

 

- Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, de Max Heindel – Volume II – Pergunta 145, (ler rodapé da página, ao final da resposta, complemento importantíssimo).


- Mistério das Grandes Óperas, de Max Heindel – Capítulo VII, Parsifal.

 

- Escala Musical e o Esquema de Evolução, por um estudante rosacruz – capítulo IV – A Correlação da Música com o Deus Solar.

 

- Lições Mensais de Filosofia ao Estudante, de nossa Sede Mundial, Oceanside, anos 60’.

 

- Bíblia, Antigo Testamento – Salmos 148:03.

 

-  Ritual Rosacruz de Natal  e  RitualRosacruz de Dezembro.


09/08/2020

Conscientização

“Assim como há várias estações climáticas durante o ano, há também, em nossas vidas, diferentes estações.


Ocasionalmente, uma estação pode propiciar um crescimento mais acelerado em certos aspectos que outros; podemos ter, durante esse período, maior fluxo de energia vital e criatividade que nos levam a conseguir realizar muitos feitos. Há outros períodos que nos convidam a um recolhimento, um descanso restaurador, no qual permanecemos mais quietos e contemplativos. Mesmo que, aparentemente, nada esteja acontecendo dentro de nós e ao redor de nós, na verdade, está havendo um trabalho e um crescimento, em outro nível, mas não menos importante.


Pelas mudanças que ocorrem em nós e à nossa volta, crescemos sempre, em vários sentidos. Existe um tempo mais dedicado à construção material de nossas vidas, enquanto existe outro para a formação de um maior alicerce espiritual. Um período de descanso e recolhimento é tão importante quanto aquele de grande atividade externa. Nos períodos de quietude, estamos preparando-nos para uma adequada atuação posterior.


Tornamo-nos cada vez mais conscientes de nossa conexão com o espírito de Deus. Deste período de maior consciência espiritual, um novo eu ressurge e ficamos muito mais próximos das promessas divinas que já existem para nós.


Orar, meditar a verdade a nosso respeito, reconhecer a natureza ilusória do erro; abrir-nos à inspiração do Cristo, são os meios d'Ele exprimir-Se em nós para conquistarmos o êxito, a saúde e a prosperidade! ”


Este texto foi extraído de uma circular do serviço de cura da Fraternidade Rosacruz distribuído a qualquer que nele esteja inscrito, seja estudante ou não da organização e por várias vezes foi editado nas revistas “Rays from the Rose Cross”. Nele não se utiliza termos da nomenclatura rosacruz, mas o convite que nos faz de forma clara e direta, pode determinar muito desenvolvimento espiritual, se o aceitarmos.


Assim como é com os indivíduos, assim também com toda a Humanidade. Vez por outra os seres humanos são convidados à aquietação para o bem de sua evolução. Convite não aceito, medidas mais restritivas aparecem. Deve ser o caso dessa pandemia.


Talvez a lição seja para relembrarmos que a fase da busca pela materialidade, pelo progresso exterior está findo, como bem nos mostra o diagrama 8 do Conceito Rosacruz do Cosmos, e mais ainda, porque, como sempre dizia um irmão em suas palestras: “nada e ninguém detém a evolução”.


Mais sobre Consciência e nosso processo evolutivo: 

A Gravitação Espiritual: 

A Expansão da Consciência

Abaixo o Diagrama 8 do Conceito Rosacruz do Cosmos


27/07/2020

O (pseudo) Rosacruciano - Parte II (Conto fictício. Ou não...)

por Jonas Taucci

Confortavelmente instalado na sacada de seu apartamento, Sr.*** olhava preguiçosamente os transeuntes a caminhar pelas calçadas, ruas e avenidas.

Reconhecendo  uma pessoa, lhe veio à mente:

- Lá vai o “Júpiter em quadratura na 9ª Casa“.  Não me arriscaria a viagens distantes se fosse ele.

Morador a muitos anos naquela localidade, Sr.*** conhecia e era conhecido por muitos de seus vizinhos.

E continuou...

- Ah! Na faixa de pedestres, a “Lua e Marte em conjunção no signo de Câncer”, é certo que problemas gástricos  atormentam esta minha amiga.

Sr.*** sorvia uma fumegante xícara de chá, mas não deixava de observar as pessoas.

- Olha só, quem está cruzando a avenida: o “Mercúrio em sextil na 6ª Casa”. Tenho de lembrar-me de o convidar para uma visita; por certo teremos longas e proveitosas conversas intelectuais.

O final de tarde deu lugar a uma noite estrelada.

Aquele desfile de (conhecidas) pessoas, era avida e devidamente rotulado pelo Sr.*** - uma a uma - por seus aspectos e posições astrológicas, nunca pelos seus nomes.

Em sua família, esta prática se repetia. Não raro, dirigia-se a filha, como “Vênus em Oposição na 7ª Casa”, ou a uma pessoa de seu local de trabalho, de “Netuno em conjunção com o ascendente Libra”.

Da sacada, conseguiu ouvir – ainda que em volume diminuto, no aparelho de TV da sala – os números letais do Covid-19 pelo mundo, atualizados.    

Eram tempos difíceis, CONTUDO, dias da prática de muita solidariedade, onde  (algumas) associações religiosas, espirituais e esotéricas, distribuíam máscaras, remédios, cestas básicas (alimentos), e produtos de higiene para os necessitados. Também pessoas, sem nenhuma conotação religiosa, faziam a sua parte neste altruístico trabalho.  

O paradoxo numa rima; época dolorosa/prática valorosa, pode ser – literariamente – descrito no início da obra “Um conto de duas cidades” do escritor inglês Charles Dickens (1812-1870).

“Aquele foi o melhor dos tempos. Foi o pior dos tempos. Aquela foi a idade da sabedoria. Foi a idade da insensatez. Foi a época da crença. Foi a época da descrença. Foi a estação da luz. A estação das trevas. A primavera da esperança. O inverno do desespero. Tínhamos tudo diante de nós. Tínhamos nada diante de nós. Íamos todos para o paraíso. Íamos todos para o sentido contrário. ” 

Após ouvir as notícias recentes da pandemia, Sr.*** voltou sua atenção para as pessoas que transitavam pelas ruas;

- Ora, ora, se este não é meu amigo “Plutão em quadratura com a Lua”...

*  *  *  *  *  *  *  *  *

Em várias “Lição mensal de filosofia ao estudante”, da Sede Mundial (Oceanside), dos anos 50’, o assunto versava sobre a formação de nosso Cristo Interno.

À época, era comum estas “Lições” referirem-se – sequencialmente - ao mesmo assunto por vários meses seguidos (algumas por um ano inteiro!). Eram permeadas de uma vibração nitidamente sentida pelos que as liam, segundo vários membros da Fraternidade Rosacruz que conheci.

E durante meses, dissertou-se sobre a importância de vários itens, na elaboração – vida pós vida – do desabrochar de nosso Cristo Interno, e mesmo em nossa permanência nos Planos Internos, antes de (re)nascermos aqui na Terra.

Palestras e publicação na revista “Serviço Rosacruz”, foram realizadas sobre este tema.

Ao final desta coletânea de “Lições”, ressaltou-se que os itens em referência, podiam constituir-se numa completa inutilidade, caso não estivessem associados com o SERVIÇO abnegado ao semelhante. Tornar-se-iam apenas informações sem valor.

E a última frase destas “Lições” foi:


Veja aqui a parte I

23/07/2020

Novamente, a Semana Max Heindel


Como já comentei aqui, em julho de 1965 a Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil instituiu a "Semana Max Heindel" , quando além da divulgação habitual era enfatizado o objetivo máximo do trabalho do nosso Irmão e Amigo Max Heindel: inspirar-nos na prática de uma filosofia com metodologia ocidental . Em meados da década de 1980, durante a referida semana - sempre me recordo disso - os estudantes foram convidados a fazer um "paralelo" entre o "Conceito Rosacruz do Cosmos" e o "Cartas aos Estudantes". A vivência dos ensinamentos ficou evidenciada...

Veja aqui outros tributos à Max Heindel 

28/06/2020

Pensamento Binário

   por Gilberto Silos

Quando à humanidade acenderam-se as primeiras luzes deste século uma esperança nos animava. Era a de que se descortinaria um mundo de mentes abertas e receptivas a novas ideias. O século passado, a despeito do grande avanço da ciência e da tecnologia, foi um período dividido por intolerâncias e guerras. Os “ismos” provocaram muito sofrimento.

Para nossa frustração o terceiro milênio começou sob o signo da intolerância e do radicalismo. Isso ocorre principalmente nos campos religioso e ideológico. Qualquer nova ideia, antes de ser imparcialmente examinada, já recebe um rótulo. Não é recebida com o espírito desarmado. Há uma predisposição maniqueísta de, antecipadamente, aceitá-la ou rechaçá-la. Nesse aspecto ainda temos muito que evoluir.

Max Heindel, fundador de The Rosicrucian Fellowship, já no início do século passado, abordava esse assunto em seu livro “O Conceito Rosacruz do Cosmo”. Heindel escreveu que “quando uma nova ideia ou filosofia se apresenta ao mundo é encarada de forma diferente pelas mais diversas pessoas. Algumas se apoderam avidamente de qualquer novo esforço filosófico, procurando ver em que proporção lhe serve de apoio às suas próprias ideias. Para essas, a filosofia em si mesma é de pouca valia. Terá valor se reforçar as suas ideias. Outras adotam uma atitude crítica tão logo descobrem que a obra contém alguma coisa a cujo respeito nada leram nem ouviram falar anteriormente, ou sobre a qual ainda não lhes ocorrera pensar. E provavelmente repelirão como extremamente injustificável a acusação de que sua atitude mental é o cúmulo da auto-satisfação e da intolerância. Ambas mantêm-se na sua própria luz. Suas ideias pré-estabelecidas as torna invulneráveis aos raios da verdade. A tal respeito uma criança é precisamente o oposto dos adultos, pois não está imbuída do sentimento dominador de superioridade, nem inclinada a tomar aparência de sábio ou de ocultar, sob um sorriso ou um gracejo, sua ignorância sobre qualquer assunto. É ignorante com franqueza. Não tem opiniões preconcebidas nem julga antecipadamente; portanto, é eminentemente ensinável. Encara todas as coisas com essa formosa atitude de confiança a que denominamos “fé infantil”, na qual não existe dúvida, conservando os ensinamentos que recebe, até comprovar-lhes a certeza ou o erro.”

Neste novo século o prejulgamento e o pensamento dogmático ainda conservam sua vitalidade. James W. Jones, em sua obra “A Descoberta do Verdadeiro EU”, revela que “quando peço aos meus alunos na universidade a me declararem o que pensam da palavra religião, suas respostas quase que invariavelmente caem em duas categorias: ‘coisas em que devo acreditar ou regras que devo obedecer’. ”

Onde, então, estão a liberdade de pensamento e a prerrogativa de múltiplas escolhas? E o sagrado direito de mudar de opinião quando a razão ou a consciência entendem que é necessário?

O pensamento binário é o obstáculo a ser vencido se desejamos um mundo mais livre.

25/06/2020

O (pseudo) Rosacruciano - Parte I (Conto fictício. Ou não...)

MENDIGA: por José Ferraz de Almeida Junior, pintor brasileiro (1.850-1.899)
por Jonas Taucci
Aquela manhã poderia ser resumida numa triste poesia: garoa constante, frio cortante.

Poucas pessoas se aventuravam pelas ruas, e as que o fazia, eram por objetivos estritamente necessários. O Sr. *** caminhava a passos rápidos em direção ao seu trabalho, absorto em seus dois projetos: a elaboração de uma palestra e um texto-artigo, ambos sobre os Ensinamentos Rosacruzes.

 Ao atravessar a enorme praça, algo lhe chamou a atenção; aquela senhora – de muita idade - num misto entre estar sentada e deitada, esmolando. Ao seu lado, em uma tigela velha, via-se restos de comida já molhada pela garoa.

O Sr. *** aproximou e inclinou-se para aquela pessoa. Seus cabelos eram completamente brancos e desalinhados, sua face com enormes sulcos, assemelhava-se a um livro escrito com capítulos de privações, penúrias e sofrimentos. Os olhos – embora calmos - podiam ser comparados a uma triste sinfonia. As surradas roupas estavam úmidas, o que revelava já estar a muito tempo sob as intempéries do clima.

O abandono completava este quadro.

Fitando-a, o Sr. *** discorreu sobre os ENSINAMENTOS DA SABEDORIA OCIDENTAL para aquela senhora.

Disse-lhe sobre nossa origem divina; nossa peregrinação através dos períodos, revoluções e épocas. Abordou nossa constituição, a saber; corpos denso, vital, de desejos e mente. Discorreu sobre o zodíaco, signos e planetas, enaltecendo a astrologia. Ainda que breve, relatou a importância de desabrocharmos nossas “rosas internas”.

Resumiu a gloriosa missão do Cristo: suas palavras maravilhosas e a sabedoria advinda do mais Alto Iniciado do Período Solar. Traçou um panorama sobre as Leis de Causa/Efeito e Renascimento à luz dos Ensinamentos Rosacruzes.

Ressaltou as pérolas de conhecimentos contidas nos Cursos Preliminar, Suplementar, Bíblico e de Astrologia.

Finalizou – de forma empolgante - com um trecho da letra do Hino Rosacruz de Encerramento;

“Se caíres pelas provas, dar-te-emos forças novas”.

Aquela senhora – a que tudo ouviu atentamente – permaneceu com os olhos calmos ao ver o Sr. *** ficar de pé, despedir-se e seguir seu caminho apressadamente.

Ele continuou seu trajeto, pensando em sua futura palestra e texto-artigo para a Fraternidade Rosacruz.

Ela continuou esmolando, faminta. Continuava a fazer muito frio...

10/06/2020

Um Relato Pouco Conhecido Sobre Max Heindel

por Jonas Taucci

Em meu trabalho profissional – a décadas com livros - tenho minhas preferências literárias: uma delas são as biografias.

A biografia de Max Heindel está amplamente divulgada nas redes sociais, bem como seu Tema Natal (horóscopo). A obra “Memórias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz”, de Augusta Foss de Heindel, estão entre as mais conhecidas.

Existem também relatos sobre o Sr. Heindel de pessoas que foram contemporâneas do fundador da Fraternidade Rosacruz, um deles é de autoria de Art Taylor: “Max Heindel, tal qual o conheci”.

Mas, o relato que sempre me chamou a atenção, pertence a Sra. Bessie Boyle Campbell, publicado a muitos anos pela ”Rays  from the Rose Cross” (Sede Mundial), e posteriormente traduzido pela Fraternidade Rosacruz de São Paulo. O referido depoimento da Sra. Campbell foi publicado na revista “Serviço Rosacruz”, número 198, de julho do ano 1.975, páginas 141 a 143.

Transcrevo abaixo – na íntegra – este depoimento, acreditando ser a única informação, até onde sei, que aborda a vida anterior de Max Heindel, ainda que resumidamente.

Meu primeiro encontro com Max Heindel foi numa noite de 1.908, em Yakima, Washington, à entrada de um salão de conferências. Eu havia lido no diário local o anúncio de sua conferência sobre “A vida depois da morte”, franqueada ao público. Ora, eu havia sido criada e educada em ambiente estritamente episcopal e os assuntos dessa natureza espiritual eram incompreensíveis por eles.

Perguntei a minha irmã e a minha mãe se podiam acompanhar-me para assistir a conferência, pois o salão em que a mesma se realizaria, ficava numa rua pouco recomendável para uma moça andar só. Não é demais dizer que não me deixaram ir só. Quando cheguei à entrada do salão, defrontei-me com três pessoas. Em que logo reconheci o casal Swigart e o próprio Max Heindel.

Ao contemplar o rosto e a figura de Max Heindel, tive a sensação momentânea de achar-me diante de um sacerdote, embora ele estivesse trajado como qualquer homem de negócios.

Muito tempo depois, durante uma de suas aulas, ele nos contou que em seu anterior renascimento, há trezentos anos, havia sido um sacerdote católico na França.

Fiquei satisfeita ao ver confirmada minha intuição.

Observando o auditório daquele velho salão, onde Max Heindel proferiu a primeira das dez conferências, notei que em sua maioria era composta de mendigos e desocupados, que ali haviam ido, mas para proteger-se do frio e da neve do que propriamente para ouvi-lo.

O conteúdo de sua dissertação estava além de meu alcance de entendimento, não obstante seu forte magnetismo pessoal e a grande eloquência que me levava a crer firmemente em cada palavra que dizia, como grande verdade.

Compreendi que havia ouvido um grande homem, abordando assuntos transcendentais. Senti que nesses ensinamentos havia encontrado o que há tempo buscava.

Muito tempo depois, pergunte-lhe o que era isso: magnetismo pessoal. Ele me respondeu que era um poder obtido mediante atos de bondade, nesta e em vidas anteriores. Explicou-me que é visto pelo místico como uma aura dourada que os grandes mestres costumam pintar ao redor da cabeça dos santos, em suas obras clássicas.

Assisti suas conferências e lições, nessa ocasião, durante seis semanas, recomeçando tempos depois. Ele não havia publicado ainda a grande obra “O Conceito Rosacruz do Cosmos”, pois não havia chegado o ano de 1.909.

Suas conferências e lições eram mimeografadas. Em 1.910 assisti novamente as suas dissertações, já com público numeroso, em Los Angeles. Max Heindel costumava entremear de vez em quando, em suas palestras, com observações engraçadas, alegres e simpáticas.

Outras vezes permanecia muito sério e circunspecto. Ele sentia uma grande compaixão por todas as almas que sofriam. Em 1.911 recebi dele uma carta em que me comunicava iniciado os trabalhos de Cura. Nessa oportunidade eu passava por um precário estado de saúde, internada em um hospital de Pasadena, com febre altíssima. Depois de ler sua amável carta, meu quarto se inundou de luz, e eu senti uma tal exaltação que não posso descrever.

Eu vinha orando intensamente e incessantemente quando isso sucedeu. Na manhã seguinte minha febre havia desaparecida por completo e, depois de alguns dias, achava-me em minha residência restabelecida.

Minha mãe, que também chegou a ser probacionista, passou para o além em 1.915 e Max Heindel veio ao funeral e usou a palavra. Em certo momento ele me disse: “ Bessie, coloque sua cadeira junto ao ataúde para que sua mãe possa sentar-se”.

Ele sorriu diante da cadeira para nós vazia e então lhe perguntei se mamãe se sentia feliz, e ele me respondeu: “ Ela está muito séria e impressionada com a mudança”.

Os trinta amigos que se achavam presentes ficaram muito impressionados ao ouvirem suas palavras.

Mas Heindel sempre irradiava uma dulcíssima simpatia e bondade, em sua habitual humildade.

Sinto que, pela oportunidade de haver conhecido esta grande alma, recebi a maior benção deste mundo, além do conhecimento da verdadeira religião Cristã que me veio à mente e ao coração, por seu intermédio. 

Há quem possa argumentar sobre a mãe da Sra. Campbell estar impressionada ao lado do ataúde de seu corpo denso, e não ser citado a revisão do panorama de sua vida, que deveria estar fazendo, como diz os Ensinamentos Rosacruzes.

No tocante a este fato, indico os livros:

*** “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Volume II – pergunta # 15, de Max Heindel. (veja aqui)

*** “Na terra dos mortos que vivem”, capítulo VII, de Prentiss Tucker.

Edições da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil
Em todas biografias e relatos sobre Max Heindel, sempre encontramos seu comportamento perante seus semelhantes como sendo de um amigo e irmão.

Nós, aspirantes rosacruzes, podemos nos tornar maiores e mais eficientes divulgadores da Filosofia Rosacruz, por meio de uma vida exemplar, de nossa postura, de nossos exemplos, cuja ressonância supera as mais eruditas palestras, os mais profundos conhecimentos e os mais lapidados textos sobre os ENSINAMENTOS DA SABEDORIA OCIDENTAL.

03/06/2020

Ludwig Van Beethoven (1770-2020) Comemorações dos 250 anos

por Delmar Domingos de Carvalho

Quando à noite contemplo extasiado os céus a enorme quantidade de astros que permanentemente bailam em suas órbitas, os chamados sóis e terras, o meu espírito voa para além dessas estrelas distantes, atá à Fonte Primordial, que deu origem a todas as formas e que há-de criar tudo o que será criado.
Beethoven

Beethoven é um dos maiores génios da Humanidade, senão o maior.

Quem como ele foi capaz de subir até à Harpa Celestial, fazendo-a descer até aos corações dos seres humanos?

A Música é a arte suprema, o Som Criador Divino que nos dá paz, alegria, esperança, amor, liberdade.   
    
Quem como Beethoven criou composições geniais, verdadeiros hinos de fraternidade, de liberdade, de harmonia que nos eleva à nossa verdadeira pátria, que nos liberta dos elos que nos escravizam a este mundo cheio de ilusões?

Quem como ele sofreu numerosas amarguras, ingratidões, subindo nas asas do perdão, da música até Deus que muito amava.

A sua surdez física deu-lhe provas muito dolorosas, todavia, será que  como Iniciado Rosacruz não possuía capacidades superiores auditivas? John Russel teve a oportunidade de o ouvir tocar no seu piano, concluindo que entre Beethoven e o piano havia uma íntima união, uma estreita audição, estranha, que levava a que os sons se reflectiam em seu rosto, a sua alma estava muito acima deste mundo físico.

Quando lemos o seu pensamento que serviu de introdução, concluímos que tinha poderes espirituais, que o elevavam muito acima do comum dos mortais. Ele era um filósofo cosmocrata, rosacruciano.

Um dia passeava com a minha querida esposa numa zona verde, em Viena, capital da Música, onde viveu, quando nos surge um “grandioso” monumento em sua honra.

Parámos.

Monumento á Beethoven ( foto do autor do artigo)
Começámos por admirar todo o conjunto, depois acercámo-nos, investigámos cada estatueta que tinha sido esculpida na sua base. Eram nove, alegorias das nove sinfonias. Absorvidos nesta obra maravilhosa, estávamos esquecendo de almoçar!

Uma delas era um cisne. Esta alvinitente ave, símbolo do Iniciado, capaz de voar até às alturas como de mergulhar nas águas, indicava o seu nível evolutivo.

Monumento á Beethoven ( detalhe )
Como sabemos a Nona Sinfonia é o Hino da União Europeia. Foi uma escolha perfeita, falta seguir os elevados ideais contidos nessa obra magistral.

Muito mais havia que falar sobre o seu legado incomensurável, temos de terminar, com as sábias palavras doutro génio rosacruz, o último enciclopedista, Goethe:

“Nunca conheci um artista que tivesse uma tão profunda concentração espiritual aliada a uma enorme grandeza de coração. Por isso, entendo, perfeitamente, que lhe seja dificílimo adaptar-se a este Mundo e às suas convenções.”


Nota de Rosacruz e Devoção: Abaixo parte III e IV da Nona Sinfonia de Beethoven com llegenda em português


01/05/2020

Ao Médico o que é do Médico...


Sempre que Cristo curava dizia: “a tua fé te curou”, mas em seguida recomendava que o enfermo realizasse algo– “vá e banhe-se no Jordão” ou “não tornes a pecar”, etc“ , dando uma indicação da necessidade da ação, que fundamentada com as Leis da Natureza, justificam uma fé inquebrantável.

Max Heindel nos diz: “O processo de cura que se deve aconselhar depende da natureza da enfermidade e do temperamento do paciente. No caso de fratura de uma perna, é evidente que se deve chamar o cirurgião. Se existe alguma desordem interna, um médico de clínica geral é a pessoa indicada. Se por outro lado, for possível chamar um curador mental ou um curador adepto da Ciência Cristã ou qualquer outro de mente espiritualizada, tal pessoa pode auxiliar o enfermo que tenha grande fé, porque, como um diapasão que de determinada nota põe em vibração outro da mesma nota quando se faz vibrar o primeiro, também a pessoa cheia de fé responderá facilmente aos que praticam os sistemas mencionados. Mas quando no paciente falta a fé nesses métodos, é melhor chamar um médico em quem se confie porque tanto a saúde como a doença dependem quase inteiramente do estado mental. Nas enfermidades em que o paciente está debilitado, torna-se hipersensível e jamais deve ser contrariado em suas preferências. Além disso, o que exista de bom em qualquer sistema curativo produzirá no paciente um efeito benéfico ou daninho em proporção exata à fé que tenha no poder curativo desses sistemas...”

“...É nosso dever tomar os remédios prescritos pela pessoa devidamente qualificada ou procurar curar-nos das enfermidades que sofremos por qualquer método que queiramos. Decididamente agiríamos erroneamente se permitíssemos que nosso instrumento físico se deteriorasse por falta da devida atenção e cuidado. É o instrumento mais valioso que possuímos e se não o usamos com circunspeção e não lhe prestamos os devidos cuidados, sofreremos as consequências da Lei de Causa e Efeito por nossa negligência...” 

Max Heindel, Princípios Ocultos de Saúde e Cura, Cap. XVIII
VEJA TAMBÉM: PANACEIA ...