Por Jonas Taucci
“Livre arbítrio não está relacionado em fazer o que quiser a alguém, mas a faculdade de fazê-lo na forma que deve ser feita, de uma maneira justa. Nisto reside, de fato, a liberdade” (MacDonald).O caminhar do Sol pelo signo astrológico de Libra nos oferece um profícuo tema para reflexão: o equilíbrio entre mente e coração que deve ser aplicado em nossos pensamentos, dizeres e ações. Esta tríade passa pelas nossas escolhas e opções galgadas, sempre, em nosso livre arbítrio.
Nisto consiste a pauta deste mês.
A liberdade que conquistamos por obedecer a lei, constitui-se de grande importância e se optamos por obedecê-la, ela não nos será tolhida e sem dúvida, ser licencioso e insultar as leis da Terra e outras pessoas, fará que percamos nossa preciosa liberdade. O objetivo destas leis constitui-se em dar o direito a sermos livres para a consecução de nossas atividades com segurança.
Também torna-se importante considerar as Leis Divinas, pois elas pavimentam a evolução. Estamos num estado de constante mudança neste sentido e o discernimento entre o justo e injusto, pode mudar o rumo em nossa caminhada espiritual: não há pausa ou descanso no caminho que nos conduz ao nosso Cristo Interno.
Ao compreendermos o que seja correto, devemos trabalhar para com este objetivo e nosso trajeto não será permeado por repetidos erros e também não teremos muito o que corrigir. Desta forma, utilizaremos nosso tempo na Terra trabalhando por uma liberdade de espírito.
Quando um ego está em vias de renascer na Terra, se lhe permite optar (exercer o livre arbítrio, atributo que possui uma dimensão além deste plano físico) entre distintas vidas, sendo apresentado a ele seus fatos principais. Contudo uma vez feita a escolha, não há como ser alterada a opção para a próxima vinda (e vida) na Terra.
Aqui importantíssimos fatores a serem considerados e que não devem ser passado desapercebido: poucas pessoas possuem o desenvolvimento espiritual de, aqui na Terra, possuir a lembrança das vidas optativas que lhe foi mostradas no Terceiro Céu e a que escolheu por renascer na Terra.
Existe a possibilidade – sim - de ao serem mostradas as opções do nosso próximo renascimento (e seus principais fatos) termos optado por uma de íngremes lições e provas, com a finalidade de aprendizado evolutivo.
Isto atesta de que – escolhemos sim – determinadas situações (que podem ser as duras e difíceis) em nossa atual existência por aqui: livre arbítrio, sempre presente. Algumas “abrasadoras travessias pelo deserto” que passamos em certos momentos de nossa vida, não estão necessariamente relacionada como colheita pelo que fizemos em vidas pretéritas, mas como experiências que optamos no Caminho Espiritual.
Max Heindel nos fala (Conceito Rosacruz do Cosmos – capítulo III, O Homem e o Método de Evolução – parte O Terceiro Géu): “Depois de algum tempo, vem o desejo de novas experiências e a contemplação de um novo nascimento”.
Isto invalida argumentos de quem afirma não terem pedido para nascer e valida que postulamos, sim, por experiências na Terra.
Reiterando, Grandes Inteligências selecionam certo número de possíveis existências futuras para um ego: estas lhe são mostradas quando está pronto para renascer na Terra. Este, escolhe as que estão disponíveis no tempo certo deste novo renascimento (nosso Tema Natal) e frequentemente estas opções existem em grande quantidade.
Uma vez feita a escolhe o ego seguirá a diretriz optada, mas não nos deixemos enganar pela ilusão de que o destino decreta a que pratiquemos o mal, pois as Leis Divinas SEMPRE trabalham para o bem e o mal praticado numa vida é o primeiro que se purga após a morte física: somente tendências permanecem. Aversões de praticar uma maldade são consequências do sofrimento vivenciado na Região Purgatorial. A isto, damos o nome de consciência.
Não existe – NUNCA – a obrigatoriedade de fazer o mal, quer por configurações astrológicas, destino ou o nome que se dê a isto. Jamais somos destinados a praticar danos a quem quer que seja e se o fizermos, estará sendo por uma opção nossa. Somos plenamente livres para termos escolhas e justificar desvios de conduta por aspectos astrológicos, representa grave erro.
Também vale ressaltar que os Ensinamentos Rosacruzes são totalmente gratuitos para aqueles que desejarem conhecê-los: filosofia, astrologia, cursos, palestras etc.. e cobrar, lucrar de forma financeira (atualmente o receber pelo monetizar) ou demais formas de remuneração, estão completamente fora dos Princípios Rosacruzes (Max Heindel Ensinamentos de Um Iniciado – capítulo XXVI A Jornada no Deserto).
Procuremos assimilar também o fato de que devemos nos esforçar por “viver a vida”, envoltas em virtudes pautadas naquilo que Cristo nos ensinou, que sabemos e deliberadamente, muitas vezes, deixamos de fazer.
Viver a vida brota do livre arbítrio e manifesta-se como uma ação original, não existente anteriormente e criada por cada um de nós, formadora da base na evolução da Onda de Vida dos Espíritos Virginais.
Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental promulgam a liberdade pessoal de cada um e ninguém deve – é deveras orientado – a seguir mestres, guias, professores etc. (“do lado de cá e de lá”). Devemos cultivar e praticar nossos Preceitos Altruísticos Internos. Aqueles que aspiram galgar esferas elevadas, não podem depender de outrem (físicos ou não). Somente teremos crescimento espiritual quando não nos apoiarmos em terceiros e cultivarmos nossa Fortaleza Interna, emancipando-nos.
Devemos, também, assumir responsabilidades.
Após a Idade Atlante a humanidade adentrou numa fase evolutiva livre e não mais guiada enfaticamente por Divinas Hierarquias, tendo assim de aprender a ser independente, tomar decisões e conduzir-se por si própria.
Desta forma, muita responsabilidade foi colocada nos ombros de cada membro da humanidade, com o intuito de emancipá-la de qualquer dependência externa de mestres, guias etc. assumindo desta forma decisões próprias e isto é inevitável para aqueles que desejarem galgar degraus na Luminosa Escada que conduz a esferas elevadas de espiritualidade. Não existem elevadores rápidos.
No início de nossa evolução, vivíamos numa “pacífica ignorância”, atrelada a não termos liberdade de ação, já que éramos guiados por Grandes Hierarquias onde, gradualmente para nos auxiliar, lentamente foi “soltando as mãos” da humanidade (cada um de nós, em vidas passadas), tal qual os pais fazem para com os filhos, objetivando ensiná-los a andarem por si mesmos.
Para tornar vivos nossos poderes latentes espirituais, devemos trabalhar e – concomitantemente – orar, pois desta junção manteremos o vínculo, contato e conexão com os Mundos Superiores e receberemos a fortaleza necessária para seguir adiante.
Nosso desenvolvimento, nesta atual fase da evolução, está indissoluvelmente atrelado a iniciativas pessoais epigenéticas que passa pelo serviço abnegado para com a humanidade e demais Ondas de Vida que possuem a Terra como campo evolutivo e isto requer ser livre.
O aspirante dedicado e sincero para com os Ensinamentos Rosacruzes sabe que o maior usurpador de sua liberdade é ele mesmo sendo escravo de seu Eu Inferior (principalmente egoísmo). Paulo nos exorta: “Porque o bem que desejo fazer, me omito e o mal que não desejo praticar, o faço”. (Romanos 07:19).
Esta passagem bíblica está revestida do embate Eu Superior x Eu Inferior ou Joio x Trigo mencionada nos Evangelhos por Cristo.
Evidente que todos nós queremos um alargamento espiritual de nosso Eu Superior que dê nascimento ao Cristo Interno. Grandes Inteligências nos Mundos Superiores também querem esta nossa subida pela Escada Luminosa.
Muito mais do que nós!
Elas sempre estão prontas a nos auxiliar, sem interferir em nossa liberdade e decisões, na Senda Evolutiva.
Contudo não nos esqueçamos de que escolhas e decisões são - SEMPRE – nossas.
OBSERVAÇÕES:
Artigo baseado na Lição Mensal do Estudante da The Rosicrucian Fellowship – Julho de 1956 (Liberdade, o Direito de Ser Livre), e palestrado por este colaborador em setembro de 1988 nos Centros Rosacruzes de São Paulo e Santo André. A citação, no início desta Lição, nos direciona a George Macdonald (1824-1905) religioso, poeta e escritor escocês. Vários de seus dizeres constam em muitas Lições e artigos da revista Rays from the Rose Cross. Foi autor de uma quantidade significativa de livros direcionados a várias faixas etárias (infantis, juvenis e adultos) abordando o respeito para com a natureza, animais, plantas etc..
Suas obras influenciaram, assumidamente, renomados escritores como J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis que nunca ocultaram terem “bebido da literatura de Macdonald”.
Fica como sugestão alguns de seus trabalhos literários onde a busca do desenvolvimento espiritual - revestida em alegorias - pode ser vislumbrado pelo aspirante rosacruz:
- A Chave Dourada.
- A Princesa Etérea.
- Phantastes.
A referida Lição da The Rosicrucian Fellowship finaliza-se com a exortação:






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