22/04/2018

A Conquista da Liberdade



Dentro de cada ser humano há um impulso para a liberdade. Manifesta-se às vezes como um alegre convite para "subir um degrau acima". Este impulso interno tem sido chamado "o descontentamento divino", que incita ao espírito conquistador a seguir adiante, para cima e para sempre. Este impulso é também responsável por nosso progresso no caminho espiral da evolução. Veja letra do hino ao signo de Àries, signo que representa o começo de um novo ciclo. (aqui)

Provavelmente não há maneira melhor de determinar até onde chegou alguém no caminho espiritual, do que considerando o grau de sua aspiração à liberdade, indicado pelo zelo com que se esforça em sua vida diária a fim de alcançar tal liberdade.

Mas aqui necessitamos decidir exatamente o que queremos dizer com a palavra liberdade. Liberdade de que ou para que? É uma interrogação lógica. Existem dois pontos de vista principais que podemos usar para obter uma perspectiva satisfatória deste polêmico tema.

02/04/2018

O Significado da Cruz

PERGUNTA: Qual o significado da cruz? Será simplesmente um instrumento de tortura como se ensina geralmente na religião ortodoxa?

RESPOSTA: Como todos os outros símbolos, os significados da cruz são vários. Platão revelou um destes significados ao afirmar “A Alma do Mundo está crucificada”, isto é, temos quatro reinos no mundo o mineral, o vegetal, o animal e o humano.

O reino mineral anima toda substância química de qualquer classe que seja, de forma que a cruz constituída por qualquer material é primeiramente um símbolo desse reino.

O braço vertical inferior da cruz é um símbolo do reino vegetal, porque as correntes dos espíritos grupo que vivificam as plantas vêm do centro da terra, onde estes espíritos-grupo se localizam elevando-se em direção à periferia do nosso planeta e ao espaço.

O braço superior da cruz é o símbolo do homem, porque as correntes de vida do reino humano fluem para baixo, vindas do Sol, através da espinha vertical. Assim, o homem é a planta invertida, pois da mesma forma que a planta absorve seu alimento pela raiz, fazendo-o fluir para cima, o homem também ingere a sua alimentação pela cabeça, dirigindo-a para baixo. A planta, casta, pura e desprovida de paixão, dirige seu órgão criador, a flor, franca e castamente em direção ao Sol, algo realmente lindo e encantador. O homem dirige o seu órgão gerador ardente de paixão em direção à terra. Inala o oxigênio, dador da vida, e exala o tóxico gás carbônico. A planta absorve o veneno exalado pelo homem, construindo seu corpo com ele, devolvendo-lhe o elixir da vida, o oxigênio purificado.

Entre os reinos vegetal e humano encontra-se o animal com a espinha horizontal, e nesta espinha as correntes de vida do espírito-grupo animal movimentam-se à medida que giram em volta do nosso globo. Consequentemente, o braço horizontal da cruz é o símbolo do reino animal.

No esoterismo, a cruz nunca foi considerada como um instrumento de tortura, e só a partir do sexto século é que representou-se o Cristo crucificado em quadros. Antes daquele período, o símbolo do Cristo era uma cruz e um cordeiro repousando aos seus pés para transmitir a ideia que, no momento em que Cristo nasceu, o Sol no equinócio vernal atravessava o Equador no signo de Áries, o Cordeiro. Os símbolos das diferentes religiões sempre foram concebidos desse modo. No período em que o Sol, por precessão, cruzou o equinócio vernal do signo Taurus, o Touro, uma religião surgiu no Egito, onde se cultuava o touro Ápis, de modo semelhante e com o mesmo espírito que nós cultuamos hoje o Cordeiro de Deus. Numa época bem mais remota, ouvimos falar do deus escandinavo Thor conduzindo suas cabras gêmeas através do céu. Isso ocorreu no período em que o equinócio vernal se encontrava no signo Gemini, os Gêmeos. Na época do nascimento de Cristo, o equinócio vernal estava aproximadamente a 7 graus de Áries, o Cordeiro e, por esse motivo, o nosso Salvador foi chamado Cordeiro de Deus. Houve uma polêmica nos primeiros séculos a respeito de ser o cordeiro o símbolo do nosso Salvador. Alguns alegaram que o equinócio vernal no momento do Seu nascimento estava realmente no signo Pisces, os Peixes, e que o símbolo do nosso Salvador deveria ter sido um peixe. É em memória dessa controvérsia que a mitra de bispo assume ainda o formato da cabeça de um peixe.

Pergunta 100 do livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I Max Heindel

18/03/2018

A Invocação


Max Heindel em O Véu do Destino(*)

Orar é uma palavra da qual se tem abusado tanto que já não expressa, realmente, o exercício espiritual a que nos estamos referindo. Como já dissemos, sempre que formos ao nosso santuário, devemos ir como o enamorado que vai ao encontro de sua amada. Nosso espírito deve voar adiante como se pretendesse arrastar o nosso lento corpo a sentir antecipadamente as delícias que nos estão reservadas e devemos esquecer tudo o mais para só dar lugar aos pensamentos reverentes que nos acodem no caminho. Isto é literalmente exato e o sentimento necessário para alcançar bons resultados é unicamente comparável àquele que impele o amante ao ser querido e talvez ainda mais ardente e intenso.

"Como a gazela anela a água do arroio, assi.m minha alma está sedenta de Ti''. Esta é uma experiência real daquele que ama verdadeiramente a Deus. Se não tivermos este espírito, podemos cultivá-lo e consegui-lo por meio da oração, e uma das legítimas orações que devemos empregar constantemente, é a seguinte: "Aumenta meu amor por Ti, ó Deus! para que eu possa servir-Te melhor cada dia que passa. “Faze que as minhas palavras e os ditames do meu coração sejam sempre agradáveis á Tua presença, meu Senhor, minha Fôrça e meu Redentor”.

As invocações usadas para pedir coisas materiais entram em cheio na magia negra, pois, temos a promessa de: "Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas". Cristo nos indicou o limite a que podíamos aspirar no Pai Nosso quando ensinou seus discípulos a dizer : "O pão nosso de cada dia dai-nos hoje". Tanto no que diz respeito a nós mesmos como aos demais, devemos resguardar- nos de ultrapassar esse limite na invocação científica. Ainda quando oremos por bens ou bênçãos espirituais, devemos evitar que se manifeste qualquer sentimento egoísta em nossa prece, pois, destruiria o nosso crescimento anímico. Todos os santos nos provam que também tiveram seus dias de obscuridade e miséria quando o Divino Amante oculta a sua face e aparece a consequente depressão.

Tudo isso depende da natureza e da fôrça da nossa devoção. Amamos a Deus por Ele mesmo ou O amamos pelas alegrias que experimentamos na doce comunhão com Ele? Se for somente por este último motivo, nosso afeto é essencialmente tão egoísta como os sentimentos da multidão que o seguia pelo alimento que Ele havia fornecido. E tanto como naquele tempo, é agora necessário que Ele oculte de nós a manifestação de Seu terno amor e solicitude que nos faria cair de desgosto envergonhado se arrependidos. Felizes de nós se vencermos os defeitos de nosso caráter e aprendermos a lição de uma fidelidade invariável, tal como a agulha magnética que aponta para o Norte sem vacilar, embora chova, haja tormenta ou o céu esteja coberto de nuvens negras que ocultam do nauta a visão da estrela guia.

Dissemos que não se deve orar por coisas materiais e que devemos ter muito cuidado em nossas orações espirituais. Então assalta naturalmente esta pergunta: Qual deve ser o objeto da nossa invocação? E a resposta é geralmente: Adorar e Louvar. Devemos abandonar a ideia de que toda vez que nos dirigirmos a nosso Pai Celestial seja para pedir-lhe alguma coisa. Não ficaríamos contrariados se os nossos filhos estivessem a todo o momento nos pedindo coisas? Entretanto, não nos cabe na mente que Deus se desgoste por nossas importunas petições, porém tampouco devemos esperar que nos conceda tudo o que pedimos que muitas vezes seria para nosso próprio mal. Por outra parte, quando nos pomos em ação de graças e em oração, estamos nos colocando em situação favorável com a Lei de Atração. Estaremos assim em estado receptivo no qual poderemos perceber uma nova descida do Espfrito do Amor e da Luz, pondo-nos deste modo, mais perto de nosso adorado
ideal.

(*) O VÉU DO DESTINO em algumas traduções: A TEIA DO DESTINO
Este artigo foi extraído de: As Asas e a Força-Invocação - Clímax Final do livro acima citado.

03/03/2018

Sobre o Rosacrucianismo de Romeu e Julieta (*)

"A Reconciliação dos Montecchios e Capuletos sobre os corpos mortos de Romeu e Julieta", Frederic Lord Leighton, 1835-55
por Jonas Taucci
Sabemos que a peça teatral “Romeu e Julieta” foi escrita e levada aos palcos por William Shakespeare (1.564-1.616), entre os anos de 1.591 a 1.595, contudo há pontos interessantes (e pouco conhecidos) que merecem uma análise.

Shakespeare escreveu R&J, segundo analistas literários, baseado em:

*** Palácio do prazer (c. de 1.582), autor William Painter.

*** A trágica história de Romeu e Julieta (c. de 1.562), autor Arthur Brooke.

Contudo, anteriormente a estas datas, havia:

*** Romeu e Julieta (c. de 1.554), autor Matteo Bandello.

*** História recentemente encontrada de dois nobres amantes (c. de 1.530), autor Luigi Da Porto.

Mas, vejamos ainda; Masuccio Salernitano, aproximadamente em 1.476, escreveu cerca de 50 novelas - Novellino – uma delas narra o amor entre os personagens Mariotto e Gionnozza, que Luigi Da Porto alterou (!) para Romeu e Julieta.

Fica claro que nestas obras, seus respectivos autores – através dos tempos -  inseriram, retiraram, substituíram nomes, locais e acontecimentos, mas o amor entre os dois jovens, com fim trágico, permaneceu.

Para finalizar (ou não...) pesquisadores literários sustentam que todas elas tiveram como inspiração a Metamorfoses, de Ovídio, escrita por volta do ano... 8 D.C!

Mas – evidentemente – o  mais famoso Romeu e Julieta pertence a Shakespeare; encenado em praticamente todos os teatros do mundo - nos mais diversos idiomas - a mais de quatro séculos, e em muitas produções cinematográficas, além - é claro – de livros.

Max Heindel, na obra Conceito Rosacruz do Cosmos, capítulo XI – Gênese e Evolução do Nosso Sistema Solar, cita Skakespeare dizendo que um iniciado o influenciou em suas obras.

O teatro faz possível o estímulo às lagrimas e ao riso no coração humano como nenhuma outra forma artística; ambos sãos duas maneiras pelas quais a vida nos capacita a dissolver a cristalização das tensões do plexo solar.

Há várias formas de manifestações teatrais, entre elas e resumidamente:

*** TRAGÉDIA DRAMÁTICA -  Recordamos nossas agonias e sofrimentos internos.

*** SÁTIRAS – Nosso intelecto é exercitado de tal forma que nos surpreendemos ao presenciar nossas próprias reflexões.

*** DRAMA ROMANTICO – Nossas emoções são vivenciadas; o amor profundo, realizações de ideais, as aspirações.

*** DRAMA TRÁGICO – Induz aos sentimentos de compaixão pelo semelhante, e não por si.

*** COMÉDIA – Dissolve nosso (cristalizante) excesso da seriedade.
                          
Sobre Romeu e Julieta (de Shakespeare), resumidamente

*** Trata-se uma alegoria esotérica.

*** Todos nós possuímos (internamente) o arquétipo deste casal.

*** A união do casal de Verona, representa as Bodas Herméticas (alquímicas); o “casamento” com nosso Eu Superior, a comunhão com nosso Cristo Interno, não estando relacionado a nada físico.

*** Ambos deram fim às suas vidas; representa o fato de termos de “abater” nossa personalidade, para que o Cristo Interno possa florescer.

 *** O ódio entre suas famílias (Montecchio e Capuleto) simbolizam as cristalizações que criamos e impedem a consumação deste “matrimônio”.

*** A oportunidade de sublimar o acima exposto, reside no eixo: Leão (coração) – Aquário (altruísmo, amor crístico).

*** O salto por cima da sacada, realizado por Romeu - à noite - para encontra Julieta, não está, absolutamente, relacionado a nada carnal ou sexual.  Numa “oitava superior”, trata-se da ousadia espiritual, o ímpeto de galgar esferas mais elevadas; a ação de Urano (amor crístico) rompendo limitações (Saturno), em pensamentos, palavras e atos na busca da união com o Cristo Interno.

O salto à noite, possui o significado deste “trabalho alquímico interno realizado silenciosamente”.
Pintura do italiano Francesco Hayes (1.791-1.882), “O último beijo de Romeu e Julieta”
Não nos esqueçamos:

- Conhecermos estas pérolas espirituais, transmitidas pelos Ensinamentos Rosacruzes, devem estar acompanhadas de sua praticidade.

A propósito, Goethe não “criou” o personagem Fausto nem o enredo deste livro.

Mas isto é outra história, outra alegoria esotérica que retrata a evolução da humanidade e fica para outra oportunidade...

(*) De uma palestra baseada na obra Estudos de Astrologia, de Elman Bacher, realizada na biblioteca municipal da cidade brasileira de Santo André, com o apoio do Centro Rosacruz de Santo André, em abril de 1.986, por ocasião do 370º aniversário de falecimento de William Shakespeare.

04/02/2018

A Autossuficiência do Método Ocidental


"O método Rosacruz difere de todos os outros num ponto especial: procura, desde o princípio, emancipar o Aspirante de todas as dependências externas e orienta-o a cultivar a confiança em si próprio ao máximo grau, a fim de que se torne num ponto de apoio e de ajuda aos demais — levando-os a alcançar a mesma desejável condição". (Max Heindel, em "O Conceito Rosacruz").

A presença e ação de um orientador espiritual autêntico, longe de impor dependência, promovem uma relação essencial do aspirante consigo próprio. Sua ajuda, como fator externo e relativo, devolve a pessoa a uma mais alta consciência de seu próprio ser. Leva o estudante a desvendar em seu íntimo uma necessidade até ali insuspeitada por ele, libertando-lhe energias e capacidades que, sem esse suscitar, não teria encontrado aplicação, continuando adormecidas dentro dele.

O orientador da Escola Rosacruz guarda-se de ser endeusado. Ele conhece a verdade ensinada pela doutrina psicanalítica: "o indivíduo, uma vez desligado da constelação familiar, esforça-se por estabelecer em os novos meios de relacionamento (a Fraternidade, por exemplo) ligações da mesma ordem. Ele está essencialmente desejoso de reencontrar uma mãe, um pai, irmãos, por causa de uma necessidade regressiva que lhe dá segurança". De fato, há no neófito inexperiente a tendência de superestimar os dirigentes de um movimento espiritual. Quando se desiludem, muitas vezes se afastam e nunca mais voltam a outro esforço dessa ordem. É preciso, pois, que saibam: todos, num movimento espiritual, são estudantes da verdade. Todos objetivam o mesmo fim, de realização individual. Se alguns se põem no difícil papel de expositor e orientador é porque não se podem negar à necessidade da difusão e do serviço amoroso e altruísta ao próximo.

O orientador esclarece desde logo e sempre que a verdade pertence ao Divino interno. O Cristo interno é que pode apropriar-se das experiências e ensinos externos, adaptando-os ao grau particular de consciência evolutiva da personalidade pela qual atua. Só o Verbo interno pode instruir. Como disse Descartes: "É preciso tornar as pessoas discípulas da verdade e não sectários obstinados do que o expositor ensina". Há sempre o risco de se corromper essa pura busca da verdade, quando o aspirante tende a venerar a personalidade do instrutor, em vez de buscar, além da pessoa, a revelação de que ele é simples mensageiro. Se buscássemos a verdade além da pessoa, poderíamos aproveitar o que diz qualquer orador, além das simpatias e antipatias exteriores. O homem aberto à verdade aprende de tudo e de todos, porque a reconhece, independentemente de sua fonte. O Divino sempre traz à nossa experiência aquilo que devemos aprender, mas isto requer que estejamos descondicionados.

Assim, colocamo-nos na vida como aprendizes e mestres, uns dos outros, cada qual contribuindo animicamente pela edificação de todos. A presença, embora necessária, do orientador é ocasional, para provocar relação com a verdade que ele já atingiu em alguma medida. Ninguém nos dá a verdade porque ela já está repousando, em potencial, dentro de nós. No entanto, ela precisa ser suscitada e isto subentende a presença de um intercessor que tenha realizado boa dose da verdade. Mas isto não o converte em mestre. Ele, por sua vez, recebeu essa verdade Universal dos verdadeiros Mestres da Humanidade, aqueles altos Iniciados que, por Seu esforço individual, abriram caminho à frente, tornaram-se os vanguardeiros da evolução e alcançaram uma ampla visão da Verdade. Por amor, voltaram e no-la revelaram, através de iniciados menores, como foi o caso de Max Heindel. Tal é a garantia da verdade que recebemos, inicialmente. Depois devemos experenciar essa verdade e torná-la nossa, pela adequação a nosso nível de ser. Todo orientador aprende dos Mestres que os caminhos são individuais e diferentes, por causa da epigênese - a chispa criadora interna. Assim, a orientação legítima é encaminhar cada pessoa para que ela seja autenticamente ela mesma.

É um triste exemplo o do orientador que impõe pontos de vista e se compraz na imitação do neófito. O estudante que se esforça em alcançar o favoritismo pela imitação do orientador, amesquinha a si mesmo; e o orientador que o permite, comete deturpação pedagógica, lesa o livre arbítrio do aluno, anestesia-lhe a epigênese e assume uma dívida de destino. Ambos se iludem e prejudicam.

Max Heindel relata sua experiência com o Irmão Maior e Mestre. Sempre que ia procurá-la em busca de uma solução difícil, Ele apenas lhe indicava o caminho e nada dizia. Os Irmãos Maiores desencorajam toda e qualquer dependência. Tal é o método cristão-esotérico. Cristo disse: "Se alguém quer ser meu discípulo, tome sobre si mesmo sua cruz e siga-me". É o mesmo que dizer: "Eu te mostro a direção, mas deves assumir o teu destino, arrostando tuas dificuldades e realizando tua obra evolutiva a teu modo".

No seu último dia de vida, Sócrates dirige a seus discípulos uma solene advertência: "Não façais grande caso de Sócrates. Acreditai-me nisto. Levai em conta a verdade de que não apenas eu sou portador".

Sócrates tinha razão ao esclarecer seus discípulos na hora derradeira. Sua ausência não seria a ausência da verdade, pois ele sabia ser apenas uma interposta pessoa nesse solilóquio de cada um consigo próprio, desvelando o íntimo, que é a terra natal da verdade. Ele nos ensinou que todo o verdadeiro instrutor é um medianeiro de consciência. Por isso permanecia como um parteiro de almas. Ele suscitava e trazia à luz, o conhecimento potencial, pré-existente em cada indivíduo. Por isso reduzia-se, humildemente, à função de um parteiro espiritual, convicto da presença antecipada da verdade do Cristo interno, que deve nascer e crescer. Ele mostrou que a suprema relação é a do homem para consigo mesmo; ele revelou que o homem não tem outro centro que não seja ele mesmo. O mundo inteiro se concentra nele (no profundo sentido e não egoístico). Desse modo, conhecer-se a si próprio é conhecer a Deus.

Mas não se entenda que devamos permanecer na verdade que recebemos, comprazendo-nos em ser discípulos para sempre. Bem disse Kant: "o estudante não deve aprender pensamentos, e sim, aprender a pensar, para que não seja carregado em dependência, mas guiado e, no futuro, seja capaz de dirigir-se por seus próprios meios".

É claro que o instrutor ajuda muito na abertura, despertar e evolução da consciência, estimulando e suscitando a verdade interna potencial. A evolução humana é uma cadeia de amor. Sempre alguém ajudou outro a subir. Nosso nível evolutivo atual foi ajudado por outros que nos precederam. Há um patrimônio de cultura e de consciência que os mais adiantados vão deixando aos detrás, se bem que a assimilação da verdade é individual e cada um de nós enriquece esse patrimônio com algo de original que os outros não têm.


O importante é que cada um procure superar-se continuamente. Permanecer numa verdade relativa, sem ultrapassá-la para atingir outra mais alta, é retardante. Na escada de Jacó, aquele que não tira o pé do degrau de baixo, não pode levá-lo ao de cima, no esforço de constante ascensão.

Só o fanatismo ignorante se detém em alguma coisa, considerando-a como a última palavra. Max Heindel nos adverte continuamente contra isso. Em o "Conceito Rosacruz do Cosmos" ele diz: "esta obra não é a última verdade. O autor reconhece a possibilidade de haver-se enganado em alguns pontos, motivo por que, quaisquer eventuais falhas não devem ser imputadas aos Irmãos Maiores". Os próprios Irmãos Maiores — Altos Iniciados — admitem que algumas vezes se enganam. Eles sabem que, em relação à verdade absoluta, todos somos discípulos. Por mais que, espirais muito maiores, Eles busquem assenhorear-se da Verdade, sempre há algo a atingir, porque a verdade é infinita. Daí que a relação deles com a verdade seja uma relação de humildade.

Uma escola é autêntica quando tem por alicerces mestres dessa natureza, que através de suas mensagens buscam orientar os estudantes à própria realização. Todos temos direito de despertar para uma verdade maior, sem dependências. Buscar segurança na tutela de um mestre, não é da Escola Ocidental de Mistérios. Seria um parasita o estudante que permanecesse na mesma linguagem recebida do Mestre, repetindo indefinidamente a tradição, receoso de errar, de faltar à fidelidade; incapaz de recriar, como lhe reclama o dom epigenético. Aprender a meditar, a pensar, é saber desmembrar uma verdade básica em todas as infinitas consequências. Se o "Conceito Rosacruz do Cosmos" é uma exposição elementar da verdade Rosacruz, isto significa:  um mundo de verdades ocultas, manifestado simplesmente no que se lê. Existem abismos de decorrências nas entrelinhas.

Apesar de seu imenso amor, os Mestres ocidentais estão prevenidos para não se apegarem aos discípulos. Só os falsos mestres submetem os incautos alunos à sua tutela, como pais que relutam em compreender e aceitar que os filhos devem ter vida própria quando se tornam adultos. A psicologia fala do "complexo de desmame" e das perturbações que ele produz na família. O mesmo sucede na família espiritual, entre mal preparados instrutores e seus alunos, que se deixam enredar nessas interferências subconscientes, em prejuízo de mútua edificação. Assim como os pais não devem submeter à escravidão os filhos que põem no mundo, também o mestre não deve prender o discípulo que formou — senão ajudá-lo a alcançar a autenticidade e consciência plena de próprio. Por isso lhe facilita a libertação e compreende quando o discípulo, no seu esforço de autoafirmação, se volta contra ele, como os rapazes em relação aos pais.

Não se trata de escolher entre o mestre e a verdade. Foi ele quem nos introduziu à verdade. A amizade e gratidão pelo mestre é a mesma amizade e gratidão pela verdade. Somos gratos ao mestre, não pela pessoa dele senão pelo papel de intercessor que exerceu, para despertar-nos a verdade. Não significa que não tenhamos o direito de contradizer e tentar ultrapassar o mestre. Esse esforço de auto-realização não é contrário à amizade, senão o fruto dela, porque recebemos do mestre a procuração para prosseguir a tarefa de investigação à nossa maneira. O que se passa é que, no esforço de auto-realização, quase sempre o discípulo se envolve na vaidade. Na tradição filosófica da Grécia há trechos lindíssimos de discípulos que se voltaram contra seus mestres, no esforço de serem eles mesmos. É como se cometessem um parricídio, ao consumar o simbólico crime de eliminar a dependência ao mestre, no rito de passagem à própria autonomia.

Mais tarde compreendem que não mataram nada porque a verdade é imortal e só ela é quem esteve presente, relacionando-os, englobando-os e tornando sublimes os seus diálogos. Só então se tornam cônscios da função do mestre e do discípulo. Só então podem atuar corretamente, em relação àqueles a quem, por sua vez, toca ajudar.

Orientador e aluno, cada um desempenha um papel essencial, um em relação ao outro, provisoriamente. É apenas uma fase na vida de cada um deles, na qual o desenvolvimento se cumpre pela verdade em diálogo, cada um exercendo o seu entendimento e buscando o outro, num confronto e desejo de mútua edificação. 

Finalizamos com um pensamento de Leonardo da Vinci: "Triste é o discípulo que não se esforça por ultrapassar seu orientador. Triste é o orientador que se indigna por ver os seus discípulos esforçando-se por ultrapassá-lo".
Publicado na Revista Serviço Rosacruz, maio de 1976

06/01/2018

Dia 6 de Janeiro


Dia 6 de janeiro, dia de Reis - os "Três Homens Sábios" como nos explica Corinne Heline, dia do Astrólogo e para nós estudantes da Filosofia Rosacruz, um dia sempre lembrado: Dia do Passamento do nosso Irmão e Amigo Max Heindel.

Max Heindel Redivivo -  (aqui)
Uma interpretação da carta Natal de Max Heindel (aqui) 
Mais tributos à Max Heindel: (aqui) 
Os Três Homens Sábios: (aqui)

20/12/2017

NATAL (Com a Mente e Com o Coração)


O nascimento de Jesus foi narrado por Mateus e Lucas. Cada um deles fez a narrativa de forma diversa, pois os Evangelhos são “métodos de iniciação”.

Mateus representa o método “masculino”, positivo, relativo ao fator Vontade. Sua narrativa é marcada por ações determinantes: José é avisado pelo Anjo para receber Maria, que concebeu pelo Espírito Santo, o que mostra que da vontade humana não pode vir a realização espiritual, mas sim de uma fonte mais alta, pois “é o Pai, em mim, que faz as obras,; eu de mim mesmo, nada posso”. A visita dos Reis Magos com seus presentes, é citada, o que representa a dedicação consciente ao Cristo Interno. Novamente é José que é avisado para deixar Belém, antes do ataque de Herodes (o egoísmo, a natureza inferior), refugiando-se no Egito (a Terra do Silêncio).

Já em Lucas o aspecto místico é exaltado: a cena da manjedoura, em humildade e recolhimento, mostrando que o processo de preparo do aspirante é interno, reservado e na vida simples. É sempre Maria (fator “feminino”, coração e Amor Sabedoria), o personagem que se sobressai e que é avisada pelo Anjo. Ela deve ser Virgem (ser humano despojado de impurezas em sua imaginação). É também em Lucas que aparece o famoso “magnificat”, as palavras de Maria ao Senhor, em agradecimento por ser a “eleita” e que soam como um verdadeiro cântico da alma, o que é típico do místico e do Amor Sabedoria.

Enfim, o fato histórico existiu e persiste como tradição, porque esotericamente a vida de Jesus Cristo é um convite à nossa realização interna.

Na Fraternidade Rosacruz, como sabemos, a mente e o coração devem se unir. Por isso adota os emblemas de uma lâmpada (conhecimento, razão) e um coração (sentimento, devoção) nas capas de seus livros Veja: Interpretação da Capa do Conceito.

Que essa orientação que recebemos do Cristianismo Esotérico – a  Filosofia Rosacruz – possa nos trazer uma nova abertura e um firme propósito para alcançar essa meta sublime.
 Adaptado de: O Presépio, Revista Serviço Rosacruz, dez., 1976
Feliz Natal e
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz.

Mais sobre o Natal (veja aqui)

02/12/2017

Árvore de Natal ?


“As árvores cortadas para o Natal sangram vertendo a sua seiva, e, enquanto este sangramento ocorre, o magnetismo vital da árvore precipita‑se para fora logo após o corte, como uma verdadeira hemorragia acentuada. Em seguida, vagarosamente, vai diminuindo até que a árvore morre e fica seca.’

“É doloroso para qualquer pessoa sensível estar num lugar onde uma árvore cortada esteja sangrando até a morte. A maioria dos estudantes ocultistas prefere ver uma árvore cheia de vida ou, na pior das hipóteses, compreenderiam a retirada de uma árvore pelo serviço florestal para dar lugar a outra mais sadia nos declives montanhosos e prefeririam até uma árvore artificial das quais existem algumas muito bonitas, em lugar de ver uma árvore cortada e ferida.” (A Visão Etérica e o que Ela Revela parte II – o Éter de Vida) (*)

O PINHEIRINHO DE NATAL (**)

O pinheiro é uma árvore de folhas perenes. No auge do inverno (no Hemisfério Norte) quando a neve se vai acumulando, pesando e crestando suas folhas, ele permanece firme, à espera do hálito quente da primavera, que irá reanimá-lo. Daí haver sido tomado como símbolo da vida eterna, que transita pelas estações do ano, inalterável aos desafios dos renascimentos, ereto, olhando para o céu e levantando os braços em oração.

A silhueta do pinheiro é triangular. O triangulo com a ponta para cima é símbolo da Trindade, em que reside a vida eterna. Seu verde constante é signo de esperança que não se abate nas vicissitudes.

No Hemisfério Sul não tem neve, mas manteve-se a tradição de se usar o pinheiro como símbolo de Natal.

Se você não consegue prescindir deste símbolo natalino, escolha os pinheirinhos artificiais. Atualmente já há uma variedade enorme deles. Mesmo que não arranquemos os pinheiros ou outras plantas da terra seria bom não as enfeitarmos com luzes elétricas e outros aparatos de natal. Não é da natureza das árvores suportarem essas “correntes”.

(**) Revista Serviço Rosacruz, dezembro de 1976

15/11/2017

Emoções e Saúde

 da "Rays from the Rose Cross" (1)
veja aqui o texto completo da citação da imagem.

Os médicos atuais não mais duvidam da influência significativa dos estados emocionais sobre a nossa saúde. Conhecem também o poder curativo do otimismo e da esperança de cura.

A ciência médica reconhece que o medo, a preocupação e a raiva comprometem a digestão, interferem com os processos metabólicos e de excreção. Enfim, alteram o organismo como um todo.

Tudo isto entretanto, representa apenas uma parte da complexa constituição das nossas emoções. Quando aprendermos a controlá-las e a construir os fundamentos da harmonia interna, o equilíbrio e a estabilidade que asseguram a calma frente às crises, muitos de nossos problemas físicos desaparecerão.

Há muitos anos os estudos médicos demonstraram que quando somos submetidos a tensões, nossas glândulas adrenais - nosso sistema de alarme -, entram em ação para enfrentá-las. Quando prolongadas, as tensões levam ao aparecimento de doenças. A tensão é definida como sendo "qualquer agente perturbador do equilíbrio fisiológico" ou ainda, "qualquer tipo de agente agressor, externo ou interno, capaz de estimular a reação de alarme". São exemplos clássicos, o frio e calor excessivos, infecções, ódio, inveja, rancor etc..

Nessa teoria em que a tensão é considerada a causa básica de todas as doenças, as causas mais comuns como bactérias, vírus, dieta, clima, hereditariedade, alterações cardiovasculares etc., estão sempre relacionadas à falta de ajustamento do corpo físico a essas tensões. As penalidades para o fracasso dessa adaptação são a doença e a infelicidade.

Precisamos ser suficientemente inteligentes para manter a calma a despeito das provocações e não permitir que as emoções exerçam suas atividades adversas ao corpo físico.

A úlcera digestiva pode ser classificada como "doença emocional". Não é o tipo de comida, mas sim a condição emocional da pessoa é que causa o problema intestinal, a má absorção dos nutrientes e a formação de substâncias tóxicas.

Dessa forma pode-se concluir que as reações do homem às experiências diárias da vida constituem as causas básicas dos desequilíbrios físico, emocional e mental. Com isso também concorda a filosofia oculta.

Essas emoções são também prejudiciais ao funcionamento do corpo de desejos, o veículo que nos impele à ação. Assim, dos pontos de vista físico e oculto, o controle emocional é necessário à boa saúde, pois, o estudante do ocultismo sabe que, ao permitir que seja regido por suas paixões ou somente pelo prazer, pela Lei de Consequência, terá alguma doença nesta existência ou em uma outra futura. Sabe também que qualquer emoção negativa, desde o medo (que gera inatividade) até a fúria (que gera muita atividade), ambas de conteúdo nocivo, essa emoção negativa exercerá efeito destrutivo em todos seus veículos, principalmente no físico.

Por outro lado, médicos psiquiatras acreditam que a supressão das emoções pode resultar em acentuadas tensões e doenças gerais. Outros ainda acreditam que as chamadas "curas milagrosas" ocorreram e podem ocorrer, desde o câncer e artrite até a rinite alérgica, quando o ódio e o ressentimento prolongados são substituídos pelo amor ou pela tolerância.

Nosso corpo de desejos, o veículo da emoção e do sentimento, nos impele à ação. Sem sentir seremos incapazes de agir e sem ação seremos incapazes de evoluir. Consequentemente as emoções são importantes e necessárias para nós.

Do ponto de vista mais amplo do ocultista, o homem é essencialmente um espírito que possui além dos corpos físico (denso) e vital (etérico), uma mente, possuindo também um corpo de desejos composto de matéria de desejo e emoção.

O objetivo maior das várias vidas do homem na Terra - na existência física - é adquirir o controle total de sua personalidade ou corpos inferiores, de tal modo que o Espírito habitante expresse seus poderes de uma maneira equilibrada. Isto ocorre através do aprendizado da obediência às leis espirituais que governam o universo. À medida que se aprende a viver de conformidade com essas leis, haverá menos tensões para nossos corpos. Para reduzir a ação das tensões é de grande importância dominar o corpo de desejos.

No homem saudável, as correntes que compõem esse veículo ovóide, que chamamos corpo de desejos (2) , fluem continuamente para o exterior, em linhas curvas, a partir do fígado, para todos os pontos da periferia do ovoide. Retornam ao fígado através de certo número de vórtices. Esta corrente contínua de movimento da matéria de desejos incentiva o Ego a qualquer tipo de ação. Isso nos impele a procurar a gratificação dos sentidos e se permitirmos que essa sensação nos governe completamente, seremos induzidos a comer, beber, dançar, brigar etc.. Enfim, a cometer excessos com grande gasto de energia, com perigo para a saúde física e para o desenvolvimento espiritual. Entretanto, emoções como preocupação e medo, diminuem o movimento, resultando em inatividade parcial do Ego.

A substância do corpo de desejos é muito sensível a vibrações e cada partícula dele encontra-se em movimento incessante. É capaz dos mais intensos sentimentos e emoções e sua energia impulsiona o sangue com velocidade variada, de acordo com a intensidade das emoções. Exibe todas as cores e tons do plano físico e algumas que são indescritíveis na linguagem terrena. Muda o contorno e as cores de acordo com a natureza dos pensamentos e sentimentos de um indivíduo. Quando ocorre a raiva, por exemplo, ondas vermelhas denteadas podem ser vistas na aura do indivíduo por um clarividente; o sangue e o corpo físico são então adversamente afetados. Quando ocorre o medo, a aura se torna cinza e há a tendência do corpo de desejos para se tornar estático. Nestas condições de tensão ocorre um desequilíbrio de emoções que resulta no impedimento do influxo solar através do baço e prejuízo ao corpo físico. Também uma alegria intensa pode trazer exaustão ao corpo físico através da excessiva expressão emocional.

No corpo de desejos há um número de vórtices, ou centros dos sentidos, que na maioria das pessoas são simples redemoinhos. Estes centros latentes podem ser acordados e desenvolvidos e esta é uma parte específica do trabalho realizado pela vida espiritual.

Aqueles que se esforçam para viver uma vida pura e altruísta, usando suas faculdades mentais e emocionais de maneira positiva e construtiva para o seu desenvolvimento, fazem girar esses centros no sentido horário e com brilho progressivamente maior.

Daí em diante as emoções passa a ser controladas pelo Ego e a tensão das experiências da vida se torna cada vez menos intensa. O aspirante aprende a reagir calma e impessoalmente a todos os estímulos externos. Passa a procurar os caminhos pacíficos e silenciosos da vida, cultivando o equilíbrio necessário à saúde física e ao progresso espiritual sem o qual não podemos avançar no caminho.

(1)Traduzido e adaptado de: “Emotions and Health” de autoria de Diana Dupre, publicado na revista “Rays from the Rose Cross” em agosto de 1971

(2) Gráficos do Conceito Rosacruz mostrando as correntes do corpo de desejos:
No homem comum – aqui
No clarividente involuntário – aqui
No clarividente voluntário – aqui

22/10/2017

A Decisão da Águia - Uma Analogia


A Águia é uma ave que chega a viver até 70 anos. Mas, para alcançar essa idade, ela tem de tomar uma séria decisão por volta dos 40 anos. É uma fase em que está com as unhas compridas e flexíveis e já não consegue caçar, em que seu bico alongado e pontiagudo está curvo, em que suas asas estão apontando contra o peito, envelhecidas e pesadas por causa da grossura das penas, e em que voar está se tornando uma tarefa difícil. Então, a águia tem apenas duas opções: morrer ou enfrentar um dolorido processo de renovação que durará 150 dias.

Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e recolher-se a um ninho próximo a um paredão rochoso, onde ela não necessite voar. Tendo en­contrado esse lugar, a águia começa a bater com o bico contra a rocha até conseguir arranca-lo, espera nascer um novo bico com o qual vai depois arrancar as unhas. E, quando as unhas novas começam a nascer, ela se põe a arrancar as velhas penas. Somente depois de cinco meses, sai para seu famoso vôo de vitória. E poderá, então, viver mais 30 anos.

Em nossa vida, muitas vezes temos de resguardar-nos por algum tempo e começar um processo semelhante. Para o nosso voo de vitória, devemos despre­ender-nos de lembranças, costumes e tradições que nos causaram dor. Apenas quando nos livramos do peso do passado é que podemos aproveitar o valioso re­sultado que a auto-renovação sempre traz.

Essa auto-renovação ou re-generação ou mesmo renascimento é uma verdade cósmica evidenciada pela analogia em todos os reinos e ensinada por aqueles que puderem comprovar-Ihe diretamente a realidade

O renascimento do espírito na matéria com o propósito de adquirir experiências e expandir a consciência era admitido pelas Escolas de Mistérios e por várias religiões da antiguidade. Nas lendas e mitologias de diversos povos encontramos alusões ao fato, sendo que, em muitas delas, uma ave representa o espírito sequioso de evolução.

Assim, encontramos a Fênix, uma ave mitológica que vivia cerca de 500 anos e depois se queimava, renascendo das cinzas, continua­mente. É um símbolo do espírito, que renasce para a escola da vida de tempos em tempos, trazendo as cinzas das experiências passadas como consciência cada vez mais ampla.

O místico símbolo de Escorpião é representado no seu aspecto positivo pela águia, elevada aos céus depois de haver rastejado como escorpião nos apegos materiais. Em "Parsifal" e "Lohengrin", dramas musicados por Wagner, o cisne é que representa essa ideia.

No Batismo do Jordão, uma centelha do Cristo Cósmico desceu para habitar o corpo de Jesus, na forma de uma pomba, símbolo do Espírito Santo.

Alguns pretendem contestar as verdades divulgadas pelo Cristianismo Esotérico, argumentando não ter sido o renascimento ensinado nos Evangelhos.

Ora, o renascimento não foi ensinado publicamente mas simbolicamente em o Novo Testamento. Isso já estava previsto. As Hierarquias Espirituais previam uma fase de conquista do mundo material, o que só seria possível mediante o desconhecimento de que o espírito renasce sucessivas vezes na matéria. Era necessário a aceitação de uma só vida como única realidade para que todos os esforços se concentrassem em realizações materiais.

O Cristo, entretanto, por meio de parábolas fez alusões aos grandes mistérios, só entendidos pelos discípulos mais chegados. Na passagem da visita de Nicodemos e na do cego de nascença percebe-se que o Mestre referia-se ao renascimento.

A Bíblia contémextraordinários ensinamentos ocultos os quais só poderão ser notados em seu sentido alegórico. Analisados literalmente tornam-se apenas um código moral. Nada mais que isso.

Fonte: ECOS e Revista Serviço Rosacruz, julho 1984