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27/09/2020

O Dia em que a Fraternidade Rosacruz foi aoTeatro

      por Jonas Taucci

As dependências do Teatro Municipal da cidade de Santo André (São Paulo – Brasil) achavam-se totalmente lotadas: poltronas, frisas e camarotes, naquela noite de outubro do ano 1.983.


Membros da Fraternidade Rosacruz – Centro de Santo André, ocupavam seus postos: bilheterias, locais de acesso ao interior do teatro, balcão de informações, e indicando também os locais às pessoas para encontrarem seus respectivos assentos. A programação era distribuída a todos:

No prospecto constava o endereço do referido Centro Rosacruz, e datas/horários de suas reuniões. Também vários folhetos dos Ensinamentos Rosacruzes foram – gratuitamente – distribuídos a todos os presentes: A Idade Aquariana, Irmãos da Rosacruz, Interpretação Rosacruz do Cristianismo, A Sabedoria de uma Dieta Vegetariana, O Emblema Rosacruz, A Nova Higiene de Vida, A Lei e Nossas Necessidades, O Valor Educacional da Astrologia, Efeitos do Álcool, Drogas e Cigarro, além de várias revistas Serviço Rosacruz (do Centro de São Paulo).

 

Houve uma ampla divulgação deste Concerto Operístico – de forma antecipada - em jornais, revistas e emissoras de rádio, o que muito contribuiu para a lotação do Teatro Municipal de Santo André (com sua estupenda acústica).

 

A maestrina e pianista Mitzi Floehlich, conduziu de forma magistral o Grupo Lírico do ABC, apresentando obras de Monteverdi, Pergolesi, Cimarosa, Scarlatti, Verdi e Rossini na interpretação de excelentes tenores, barítonos, sopranos e contraltos.

 

A Secretaria da Cultura da cidade de Santo André, cedeu gratuitamente o Teatro Municipal para tal evento e a arrecadação – integral da bilheteria – foi destinada a uma instituição de caridade voltada ao idoso, localizada na cidade de Santo André, sendo estas informações registradas em Ata de Assembleia do Centro Rosacruz de Santo André, juntamente com carta emitida pela referida instituição, notificando (e muito agradecendo) o recebimento do tão necessário auxílio financeiro.

 

Um grande número de pessoas, após o Concerto Operístico, procurou os Centros Rosacruzes de Santo André e de São Paulo, em busca de maiores informações sobre os ENSINAMENTOS DA SABEDORIA OCIDENTAL, e várias iniciaram o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz.

De ascendência austríaca, Mitzi Floehlich, eximia maestrina, cantora, organista, professora de canto e pianista, contribuiu amorosamente - uma enormidade e por décadas - para com estes Centros Rosacruzes, em suas celebrações natalinas (dezembro) e aniversários (Santo André em maio e São Paulo no mês de setembro).

 

Comparecia abnegadamente, com parte de seu (numeroso) Grupo Lírico do ABC, inserindo páginas musicais inesquecíveis nestas datas.

 

Os Hinos Rosacruzes de Abertura, Encerramento, e signos astrológicos dos meses em vigência, eram executados e cantados de forma magistral. Para se ter uma ideia de seu repertório em suas colaborações musicais na Fraternidade Rosacruz, cito algumas:

 

Lullaby (Brahms) Agnus Dei (Bizet), Ária da Corda em Sol (Bach), No Jardim de um Mosteiro (Katelbey), Pomp and Circunstance (Elgar), Magnificat (Monteverdi), Parsifal e Lohengrin (Wagner), A Flauta Mágica (Mozart), Ave Maria (Cesar Franck), Pater Noster (Liszt), Coral da 9ª Sinfonia (Beethoven), além de várias músicas natalinas e de aniversários.

Oportuno citar o artigo elaborado pelo Centro Rosacruz de Seattle (USA), final dos anos 60, com tradução de dedicados probacionistas aqui do Brasil (será publicado futuramente neste blogue), com referência às formas de divulgação dos ENSINAMENTOS DA SABEDORIA OCIDENTAL.

 

O texto descreve– entre outros itens - convidar pessoas a conhecerem os Centros Rosacruzes, presentear amigos e doar a bibliotecas os seus livros e folhetos, falar dos cursos, etc. Evidentemente, por ser artigo dos anos 60, não haver referências aos atuais avanços da informática (que muito contribuí atualmente na difusão).

 

Contudo, neste texto cita-se como o primeiro passo que devemos considerar para esta divulgação:

 

- Nossa prestação de serviço abnegado ao semelhante, acompanhado da humildade; nossos atos diários são vistos por pessoas, sendo esta a melhor forma de divulgarmos os Ensinamentos Rosacruzes. 

 

- Tudo o mais é secundário (por vezes terciário, quaternário...).

 

Tive o privilégio e a felicidade de conhecer, por anos, a maestrina Mitzi Floehlich.

 

Ela divulgou os Ensinamentos Rosacruzes pelo seu comportamento.

 

Naquele ano, teatro, evento e principalmente pela finalidade, a Fraternidade Rosacruz recebeu um sonoro (e superlativo) “bravíssimo! ”.

05/05/2019

O Aquarianismo de "O Pequeno Príncipe"

por Jonas Taucci
Faz poucas semanas, a convite de uma escola de Ensino fundamental e médio de São Paulo (Brasil), realizei uma (gratuita) palestra sobre o livro O Pequeno Príncipe do francês Antoine de Saint-Exupéry (1.900-1.944), nas dependências de seu enorme e belíssimo teatro.

Esta instituição de ensino adotou esta obra literária, e seus alunos a estão lendo para uma prova em breve. Teatro lotado, uma excelente interação por parte de professores, corpo docente da escola e alunos, foi algo marcante naquela uma hora e quinze minutos de apresentação.

Estes alunos, após o término da palestra e de uma dinâmica, me disseram que o desenho que mais os chamaram a atenção, foram os dois desenhos referentes a jiboia engolindo o elefante, onde os adultos o veem como um chapéu.


Recordei de imediato, o artigo publicado na revista Serviço Rosacruz, de outubro de 1.975 (desconheço o autor), sobre o significado esotérico e simbolismos do livro O Pequeno Príncipe”.

A grande maioria das pessoas, enxergam apenas o externo e a aparência deste mundo, enquanto algumas poucas observam o interno e a essência. Estas, crescem com uma insatisfação à superficialidade e partem na busca de elevação (Exupéry era aviador), sendo está uma vida de solidão quanto a materialidade (em boa parte do livro, o deserto é o cenário).

O asteroide (corpo denso) onde o Pequeno Príncipe mora, chama-se B-612, cuja somatória resulta em nove, o número da humanidade, e há nele três vulcões (Corpos vital, de desejos e a mente).

Neste mesmo asteroide, nosso herói remove os baobás (nossas mazelas) e cuida de uma rosa (o desabrochar de nossas faculdades latentes), representando assim um trabalho alquímico a ser realizado pelo aspirante rosacruz.

Em determinado momento, o Pequeno Príncipe diz:

Quando terminamos de fazer nossa higiene, pela manhã, é necessário fazermos, cuidadosamente, a higiene do planeta.

Este livro foi lançado primeiramente nos Estados Unidos em 1.943, e na França, somente três anos depois. Ambientalistas atuais, dizem que Exupéry já demonstrava à aquela época, uma preocupação com a saúde de nosso planeta, sinalizando uma advertência ecológica!  

Se traçarmos uma linha condutora – e cronológica - onde mitos e contos revelam verdades espirituais em suas entrelinhas, resumidamente teremos:

*** MITOLOGIA – Deuses, homens, semideuses.

*** CONTOS INFANTIS – Alguns autores e personagens:  Charles Perrault (1.628-1.703), Wilheim Grimm (1.786-1.859) e Hans Christian Andersen (1.805-1.875).  Cinderela, Branca de Neve e os sete anões, A gata borralheira, João e o pé de feijão, O gato de botas etc.

Lembro-me de inúmeras conversas que tive com o saudoso irmão probacionistas José Gonçalves Siqueira, sobre este assunto e o livro A psicanálise dos contos de fadas do autor Bruno Bettelheim.

Max Heindel, inicia seu livro Princípios Rosacruzes para a Educação da Criança, com a frase: “Talvez não haja assunto tão importante quanto a educação de crianças”

Torna-se perfeitamente lógico, haver livros infantis mais recentes e atuais, onde seus personagens, fatos e narrativas, possuem – ainda que veladamente, E CADA VEZ MAIS NÍTIDOS – ensinamentos aquarianos, pelo fato deste signo, por precessão dos equinócios estar se avizinhando. Seria O Pequeno Príncipe um destes livros?

Também vale ressaltar as palavras de Cristo:


E também estas: Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele (Marcos 10:15).

Era uma vez....

16/09/2018

A RELAÇÃO CIÊNCIA-RELIGIÃO-ARTE (2)

Educação " (1890), vitral de Louis Comfort Tiffany (*)

por Eduardo Aroso
Um outro exemplo de não oposição ciência/religião está no seguidor de Galileu, Newton. Nos últimos anos da sua vida dedicou-se intensamente aos estudos de numerologia que vislumbrava na Bíblia. O cientista da Lei de Atracção Universal na 2ª edição dos «Principia», sobre a origem não mecânica do Universo, diz o seguinte: «Este sistema notável do Sol, dos planetas e dos cometas só poderia provir das intenções e da energia de um ser inteligente e poderoso», apesar de Newton se ter recusado receber Ordens Sacras (hábito naquele tempo) quando se candidatou à Universidade de Cambridge.

«Depois da descoberta, na década de 1930, de um grande volume de manuscritos de Newton sobre assuntos de alquimia que haviam passados despercebidos depois da sua morte, a faceta alquimista de Newton não pode deixar de ser tida na devida consideração quando se pretende estudar a sua posição e matérias do domínio da química. Deles se depreende que Newton dedicou um tempo imenso à alquimia, provavelmente maior do que à mecânica» (Amorim, obra citada, pág 80). Por estas e quiçá outras facetas da sua vida, foi apelidado de “o último dos magos e o primeiro dos físicos”.

Outro tema que implica religião e ciência é o das transfusões de sangue, e que tem vindo a conhecer grande dimensão. É sabido que no domínio da hematologia e similares tem havido grandes progressos. A religião não analisa nem estuda o sangue, todavia há muitas alusões a ele na Bíblia. Alusões veladas que o esoterismo desvela como é o caso do que nos diz Max Heindel em «Princípios Ocultos de Saúde e Cura». Os grupos sanguíneos são um prenúncio de que no futuro dar sangue a outra pessoa pode ocasionar uma rejeição total ou então pelo menos ter alguma influência oculta em quem recebe, o que pode ser um entre outros episódios da nossa vida dos quais não descortinamos o sentido. M. Heindel diz todavia que «presentemente estamos no início desta individualização do sangue e, portanto, é possível injectar sangue de um ser humano noutro. Mas em breve isso será impossível. (…) O ego estará demasiado individualizado para poder agir no sangue não gerado por si mesmo». Assim, o facto do ser humano ser cada vez mais individualizado, já está a desencadear a chamada “engenharia genética”, através da qual o sangue e órgãos podem ser gerados a partir da própria pessoa. As células estaminais constituem um novo horizonte.

M. Heindel afirma várias vezes que «o sangue é a mais alta expressão do corpo vital». Estando neste último o início de qualquer desenvolvimento oculto, nomeadamente pela repetição, é fácil perceber que a Bíblia faça várias alusões ao sangue, embora em níveis diferentes. Num sentido literal temos, por exemplo, o sangue no contexto em que S. Paulo fala: «a carne e o sangue não herdarão o reino dos céus»; ou afirmações de “índole guerreira” sobretudo do Antigo Testamento, em que o sangue está conotado com a força física e o «espírito de raça». Só o cristianismo esotérico como o difundido pela Fraternidade Rosacruz (veja-se o Conceito Rosacruz do Cosmos, cap XV) pode trazer luz ao entendimento do Sangue derramado por Cristo no Gólgota, ou noutra passagem quando Cristo diz aos apóstolos na Última Ceia: «Bebei dele [o cálice] todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança». Não faria qualquer sentido que essa Aliança fosse celebrada com o sangue (aqui vinho líquido) em vez do “vinho etérico”, (vinho místico) ou comunhão com o etérico, até porque sabemos que a Sua última vinda será em corpo vital. Sentido semelhante podemos encontrar no Apocalipse na seguinte passagem: «a mulher que está embriagada com o sangue dos santos».

O cientista rosacruz J. B. van Helmont (1579-1644), citado no Conceito Rosacruz do Cosmos, estudou teologia e filosofia na Universidade de Lovaine, mas desiludido com a carreira académica, voltou-se para estudos médicos, químicos, fisiológicos e de fitoterapia. Na pegada de Paracelso, defendia que «a vida – que comparava com o fogo e a luz – está contida no sangue arterial». Aqui podemos ver a semelhança com o que diz Max Heindel. Quanto à ciência, como foi dito, tem sido muito importante no estudo do sangue, mas como sempre acontece com o conhecimento meramente académico, a relação espírito/forma fica sempre incompleta, ou seja, a individualização do ser humano requer um aperfeiçoamento proporcional da forma (corpo), e essa relação causa-efeito ainda não entrou resposta nos corredores dos laboratórios.

O cientista neurologista português António Damásio, a trabalhar nos USA, na sua última obra «A Estranha Ordem das Coisas», editora Temas e Debates – Círculo de Leitores, 2017, não saindo do seu cânone de cientista, pelo que desenvolve e demonstra não deixa contudo de nos fazer pensar na Vida de um modo mais holístico. Ou seja, o autor na sua linguagem científica vai contudo remetendo o leitor para outros conhecimentos dos quais, na verdade, o Homem tem sido o agente ao longo de muitas épocas, tais como a arte e a religião, caminhos diferentes mas que no fundo, por encontrarem eco no ser humano, estão na sua essência e em última análise na divindade de onde procedem. No primeiro capítulo da obra citada Damásio diz o seguinte: «As ciências, por si só, não podem iluminar a experiência humana sem a luz que provém das artes e das humanidades». É digno de observação as palavras que utiliza como «iluminar» e «luz», ou seja, um eminente investigador que ultrapassa já a ideia cartesiana de ciência. Sem pretender um resumo do que na verdade não se pode resumir, os conteúdos do livro, pode-se dizer que uma das linhas essenciais trata da função soberana dos Sentimentos e do alcance que sempre tiveram em toda a organização da vida do ser humano desde épocas remotíssimas. Reagindo, positiva ou negativamente a estes, o ser humano foi estruturando as sociedades, os códigos, as condutas, etc. Damásio trata exaustivamente o conceito de «homeostasia», indo muito além da homeostasia clínica habitual. Consiste ela não só na função do ser se auto-regular a todo o custo a si mesmo, mas também, note-se, de fazer com que a vida se reproduza e expanda, sendo que a morte é apenas uma interrupção desse processo natural, ou, como sabemos pela filosofia rosacruz, fazendo parte dessa expansão (evolução). «A nossa mente a nossa cultura estão ligadas aos meios e recursos da antiga vida celular». Aqui vemos a unidade da Vida. Eis o esforço para explicar o mistério da Vida, situação difícil para qualquer conhecimento. «Não vejo as religiões como meras respostas terapêuticas» (…) «A questão da crença religiosa é de facto importante. O efeito homeostático positivo da crença religiosa pode ser documentado individualmente».

A arte dá-nos visões complementares tal como a religião quando nos falam de beleza, proporção, esforço, sentimentos fraternos e amorosos, triunfo do bem final, a indivisibilidade de Deus, etc que nos iluminam mais. Ao lermos outra passagem, informa-nos sobre o corpo num sentido holístico: «faz parte de um organismo composto por sistemas cooperativos, compostos por órgãos cooperativos, compostos por células cooperativas, compostas por moléculas cooperativas, compostas por átomos cooperativos criados a partir de partículas cooperativas». Um grau extraordinário de cooperação no campo estrito da Biologia e que, num plano diferente, nos faz lembrar também a cooperação das Hierarquias Criadoras e de todas as Ondas de Vida com os seus inúmeros seres em diferentes graus evolutivos, mas trabalhando na Grande Obra, a Obra da Criação.

Na presente época, por um lado tem-se acelerado a chamada especialização e por outro uma revivescência do antigo conceito helénico de «holos» (o todo), dando lugar, por exemplo, à chamada medicina holística ou a uma psicologia que estuda o ser humano de um modo mais abrangente. A enorme quantidade de conhecimento na actualidade é mais uma convergência do que uma encruzilhada, embora a maioria da humanidade ainda se sinta confusa na encruzilhada, talvez por não saber que é convergência. Há muito caminho a percorrer. Aspiremos ao auxílio incalculável dos Irmãos Maiores da Rosacruz.

Parte 1 deste artigo: (aqui
Eduardo Aroso é Probacionista da The Rosicrucian Fellowship através de Portugal. 
Mais artigos do autor neste blog: (aqui)

Imagem: " Educação " (1890), vitral de Louis Comfort Tiffany e Tiffany Studios, Universidade de Yale . Fonte Wikimedia Commons.

19/05/2018

A RELAÇÃO CIÊNCIA-RELIGIÃO-ARTE (1)

por Eduardo Aroso
A oposição ciência religião, vice-versa, é antiga. Com o aumento do ambiente materialista actual tem-se agudizado em posições académicas irredutíveis, mas também contendo uma falange significativa que chega a uma situação dir-se-ia crítica ou de fronteira, isto é, o cientista não sai, como lhe compete, da área científica, mas não enjeita outras componentes na busca de uma visão mais abrangente da vida (Leia-se Ciência e Religião, de Russel Stannard, edições 70). O confronto ciência/religião aconteceu no passado, por exemplo, com Galileu e Newton de um lado, e do outro a igreja dominante, o mesmo é dizer o pensamento vigente na época.

É óbvio que o tema daria matéria não só para um livro, mas para vários tratados. Este breve artigo pretende tão-só chamar a atenção para dois ou três pontos essenciais que, em combinação com a filosofia rosacruz, possa contribuir para esbater a barreira que se construiu pelo materialismo separando ciência-religião e até a arte. É sobejamente sabido que a Idade Média viveu intensamente a religião em detrimento da ciência «sufocada» (como diz Max Heindel) e dir-se-ia não desenvolvida como está hoje. Deus estava na religião. O Renascimento trouxe uma notável expansão em todas as artes, maior que a própria ciência moderna que começava então a despontar. Hoje, para muitos cientistas só a ciência pode explicar o mundo e, mais do que este, a própria Vida. Mas não só, pois muita gente segue o preceito de que o que a ciência não explica não é verdade e, sobretudo não confiável! Ou seja, se Deus não está na Ciência não existe, do mesmo modo que os místicos medievais não podiam admiti-Lo nos átomos ou nos feixes quânticos da nossa época, ou como em pleno Romantismo Beethoven percebia Deus através da música.

Se - como diz o povo e bem - «Deus está em toda a parte», é bem de ver que na Manifestação Ele não tem limites para essa Imanência. É esta a razão d’Ele estar tanto na Ciência, na Arte e na Religião. O fanatismo que eclodia no passado em certos momentos de vivência religiosa talvez não seja do mesmo teor de uma espécie fanatismo com que a ciência académica se posiciona como detentora da verdade, mas deixa-nos a pensar que, pelo menos: a) Em cada época tem havido mais propensão para aprofundar uma destas três áreas (religião, ciência, arte); b) Em qualquer uma delas se observa que o ser humano está em evolução, pois há ainda uma visão limitada do Todo; c) tudo indica que se caminhe (Era de Aquário) para uma plenificação do ser no sentido de as fazer convergir, revelando assim a divindade que existe na criatura terrestre e bem assim nesses três ramos do conhecimento e experiência humana.

«Em toda a sua relatividade, todo o progresso decorre duma evolução do conhecimento humano, seja qual for o seu estatuto, estendendo-se pelo místico, o 2 religioso, o científico, no quadro das mais diversas culturas». (António Amorim da Costa, professor de Química, jubilado, da Universidade de Coimbra, «Ciência e Mito», Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010). Adianta ainda o autor, como quem se situa bem na fase actual, a da separação (especialização) do saber: «Saber conviver com o intrincado da própria teia poderá ser a mais sábia das atitudes».

É interessante saber que Galileu (cientista que revolucionou a astronomia, condenado a abjurar o seu pensamento perante a Igreja Romana), na sua obra «Sidereus Nuncius» (publicado em Veneza em 1610) o título é o mesmo que o livro de Augusta Foss e Max Heindel, «The Message of the Stars», esta uma colectânea de escritos e horóscopos que quando foi editada constituiu um repositório de conhecimento que veio preencher um vazio, e que ainda hoje é de grande utilidade, muito em particular quanto às doenças. A filosofia rosacruz explica as razões da separação da ciência e da religião, ao longo dos tempos, da predominância de uma sobre a outra, para finalmente serem, como destino, os dois “braços” da Verdade de um modo mais explícito e equilibrado.

É consolador saber que Galileu, profundamente empenhado na ciência da astronomia e não só, tenha tido uma atitude conciliadora (sabe Deus com que cuidado naquela época!) da ciência e da religião: «Todas essas coisas por mim observadas e descobertas, não há muitos dias, mediante um perspicilium inventado e construído por mim, previamente iluminado pela graça divina» («Explicando A Astronomia e o Poder Religioso», de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, edições Ediouro). Na realidade, Galileu foi uma afronta para o pensamento aristotélico do funcionamento do universo que a Igreja defendia. Segundo os estudiosos, o cientista pretendia que a sua teoria não a afrontasse, mas que fosse um passo em frente no avanço da humanidade, tendo ficado decepcionado. Galileu provocou uma cisão no pensamento da época só comparável com a divisão da Igreja Ocidental (romana) e Oriental (ortodoxa) ou da cisão que Lutero trouxe ao catolicismo, conhecido como protestantismo. Dado que um ambiente científico gera um correspondente clima filosófico, a comprovação de que é a Terra (e demais planetas) é que gira à volta do Sol, e não este à volta do nosso planeta, ainda hoje nos faz pensar na clássica sentença «o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são." (Protágoras, séc. V A.C.).

Se por um lado expressa a ideia de relatividade, o que é certo é que durante a Idade Media e no Renascimento, nomeadamente através da Escolástica, esta expressão mais conhecida na abreviatura «o homem é a medida de todas as coisas» colocou de algum modo o ser humano numa posição egocêntrica, sobrepondo-o assim ao reino animal, vegetal e mineral, afirmação talvez derivada desse pensamento aristotélico antigo que colocava tudo a girar à volta da Terra. De um ponto de vista absoluto no ser humano 3 enquanto centelha divina, tudo gira à sua volta, posição irredutível, pois o Ego é indestrutível.

Mas isso pode obscurecer outra largueza de pensamento, como, por exemplo, a de hoje quanto à negação peremptória de muitos de que haja seres extraterrestres. A filosofia rosacruz explicita bem no capítulo da Cosmogénese que além do ser humano há outros seres mais elevados de outras ondas de vida. O orgulho intelectual que parece ter afluído à frase «o Homem é a medida de todas as coisas», decerto sem que Protágoras imaginasse, não foi tão sábio e pronto para divulgar o dito de S. Paulo em que o seguidor de Cristo diz do ser humano ser um pouco mais que animal e inferior aos anjos, deslocando assim a consciência para um ponto mais alto, o reino angélico. (Continuará)

Eduardo Aroso é Probacionista da The Rosicrucian Fellowship através de Portugal. 
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03/03/2018

Sobre o Rosacrucianismo de Romeu e Julieta (*)

"A Reconciliação dos Montecchios e Capuletos sobre os corpos mortos de Romeu e Julieta", Frederic Lord Leighton, 1835-55
por Jonas Taucci
Sabemos que a peça teatral Romeu e Julieta foi escrita e levada aos palcos por William Shakespeare (1.564-1.616), entre os anos de 1.591 a 1.595, contudo há pontos interessantes (e pouco conhecidos) que merecem uma análise.

Shakespeare escreveu R&J, segundo analistas literários, baseado em:

*** Palácio do prazer (c. de 1.582), autor William Painter.

*** A trágica história de Romeu e Julieta (c. de 1.562), autor Arthur Brooke.

Contudo, anteriormente a estas datas, havia:

*** Romeu e Julieta (c. de 1.554), autor Matteo Bandello.

*** História recentemente encontrada de dois nobres amantes (c. de 1.530), autor Luigi Da Porto.

Mas, vejamos ainda; Masuccio Salernitano, aproximadamente em 1.476, escreveu cerca de 50 novelas - Novellino – uma delas narra o amor entre os personagens Mariotto e Gionnozza, que Luigi Da Porto alterou (!) para Romeu e Julieta.

Fica claro que nestas obras, seus respectivos autores – através dos tempos -  inseriram, retiraram, substituíram nomes, locais e acontecimentos, mas o amor entre os dois jovens, com fim trágico, permaneceu.

Para finalizar (ou não...) pesquisadores literários sustentam que todas elas tiveram como inspiração a Metamorfoses, de Ovídio, escrita por volta do ano... 8 D.C!

Mas – evidentemente – o  mais famoso Romeu e Julieta pertence a Shakespeare; encenado em praticamente todos os teatros do mundo - nos mais diversos idiomas - a mais de quatro séculos, e em muitas produções cinematográficas, além - é claro – de livros.

Max Heindel, na obra Conceito Rosacruz do Cosmos, capítulo XI – Gênese e Evolução do Nosso Sistema Solar, cita Skakespeare dizendo que um iniciado o influenciou em suas obras.

O teatro faz possível o estímulo às lagrimas e ao riso no coração humano como nenhuma outra forma artística; ambos sãos duas maneiras pelas quais a vida nos capacita a dissolver a cristalização das tensões do plexo solar.

Há várias formas de manifestações teatrais, entre elas e resumidamente:

*** TRAGÉDIA DRAMÁTICA -  Recordamos nossas agonias e sofrimentos internos.

*** SÁTIRAS – Nosso intelecto é exercitado de tal forma que nos surpreendemos ao presenciar nossas próprias reflexões.

*** DRAMA ROMANTICO – Nossas emoções são vivenciadas; o amor profundo, realizações de ideais, as aspirações.

*** DRAMA TRÁGICO – Induz aos sentimentos de compaixão pelo semelhante, e não por si.

*** COMÉDIA – Dissolve nosso (cristalizante) excesso da seriedade.
                          
Sobre Romeu e Julieta (de Shakespeare), resumidamente

*** Trata-se uma alegoria esotérica.

*** Todos nós possuímos (internamente) o arquétipo deste casal.

*** A união do casal de Verona, representa as Bodas Herméticas (alquímicas); o casamento” com nosso Eu Superior, a comunhão com nosso Cristo Interno, não estando relacionado a nada físico.

*** Ambos deram fim às suas vidas; representa o fato de termos de abater nossa personalidade, para que o Cristo Interno possa florescer.

 *** O ódio entre suas famílias (Montecchio e Capuleto) simbolizam as cristalizações que criamos e impedem a consumação deste matrimônio”.

*** A oportunidade de sublimar o acima exposto, reside no eixo: Leão (coração) – Aquário (altruísmo, amor crístico).

*** O salto por cima da sacada, realizado por Romeu - à noite - para encontra Julieta, não está, absolutamente, relacionado a nada carnal ou sexual.  Numa oitava superior”, trata-se da ousadia espiritual, o ímpeto de galgar esferas mais elevadas; a ação de Urano (amor crístico) rompendo limitações (Saturno), em pensamentos, palavras e atos na busca da união com o Cristo Interno.

O salto à noite, possui o significado deste “trabalho alquímico interno realizado silenciosamente”.
Pintura do italiano Francesco Hayes (1.791-1.882), “O último beijo de Romeu e Julieta”
Não nos esqueçamos:

- Conhecermos estas pérolas espirituais, transmitidas pelos Ensinamentos Rosacruzes, devem estar acompanhadas de sua praticidade.

A propósito, Goethe não criou o personagem Fausto nem o enredo deste livro.

Mas isto é outra história, outra alegoria esotérica que retrata a evolução da humanidade e fica para outra oportunidade...

(*) De uma palestra baseada na obra Estudos de Astrologia, de Elman Bacher, realizada na biblioteca municipal da cidade brasileira de Santo André, com o apoio do Centro Rosacruz de Santo André, em abril de 1.986, por ocasião do 370º aniversário de falecimento de William Shakespeare.