28/07/2013

O Perdão Dos Pecados


Pecado é uma ação contrária à Lei. São Pedro afirmou "O que o homem semear isso mesmo ele colherá". Não obstante, do ponto de vista oculto nem sempre o homem sofre o efeito das faltas que cometeu, porquanto o perdão dos pecados é uma realidade. Há, porém, pré-requisitos para que ele opere e um deles é a vontade aliada à iniciativa, através do ARREPENDIMENTO, REFORMA E RESTITUIÇÃO.

Arrependimento é uma mudança do coração e da mente em relação ao ato considerado pecaminoso, como resultado de uma insatisfação ou remorso.

Reforma significa restauração, renovação do caráter, transformação da consciência Envolve discernimento. é uma prova de valor e paciência. Quando o indivíduo se transforma internamente tudo se modifica em sua vida

Restituição é a compensação devida a alguém que de alguma forma prejudicamos Se não pudermos restituir ao ofendido podemos fazê-lo servindo outra pessoa.

O indivíduo se liberta dos pecados quando, em sua consciência, admite ter errado e propõe-se a não mais repetir a falta A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do exercício de retrospecção o qual oferece uma visão objetiva de nós mesmos. Isso evita o sofrimento purgatorial pois acaba limpando o átomo-semente.

Se o indivíduo se conscientizar de seus erros, partindo para o arrependimento, reforma e restituição, demonstrará ter aprendido as lições nesta encarnação, não necessitando fazê-lo futuramente. Isso é o "perdão dos pecados".

O ensinamento alusivo ao karma, disseminado pelas Escolas Orientais, não satisfaz completamente as necessidades humanas. Os ensinamentos cristãos, por sua vez, abrangem tanto a lei de causa e efeito como o perdão dos pecados.

Essa reforma interior, esse ato volitivo, começa com o corpo vital. No Pai Nosso temos uma oração exclusiva para o corpo vital: "Perdoai as nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido". Através da repetição forma-se a alma intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos. Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências.

Portanto, todo ser humano tem a prerrogativa de erigir seu destino futuro.
 publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil, Maio, 1991

23/07/2013

Sobre o Pioneirismo de Max Heindel: Uma Reflexão

Max Heindel (23/7/1865 - 6/1/1919)

«O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça». (Mateus 8.18-20)
A sentença crística enunciada pelo apóstolo tem sido interpretada essencialmente no sentido do despojo dos bens materiais. Afinal, verdadeiramente nosso é apenas o corpo (os corpos) enquanto vivemos neste mundo, embora dele levemos a quintessência, ou melhor, o resultado das acções, para nos mundos superiores extrairmos a essência desse trabalho.

De outros sentidos na frase, porventura mais subtis, há um que se pode vislumbrar. Reclinar ou apoiar a cabeça significa assim que a cabeça deve sustentar-se em algo. Já pensámos que um pioneiro, em qualquer actividade humana, muitas e muitas vezes nos tempos que se lhe seguem, na melhor das hipóteses a sua actividade é apenas mantida, isto é, não tem continuidade à sua altura? Um Pitágoras não se segue ao Pitágoras, um Leonardo da Vinci não se segue ao Leonardo da Vinci e um Camões não se segue a Luiz Vaz de Camões. É simples de se entender. Quando uma luz é muito forte, ilumina tanto que às vezes até ofusca, ou seja, o que se lhe segue podendo ser luminoso será, via de regra, de outro modo, modo esse que até pode ser (e já é muito) a explicitação e a manutenção dessa explosão de génio ou de pioneirismo. O que acontece, por exemplo, com movimentos artísticos e filosóficos é conhecido de todos. Passam-se décadas e décadas até surgir outro impulso. Um pioneiro é a “cabeça” de um movimento que, se bem dirige o corpo, este por sua vez deve sustentá-la na continuidade.

É caso também para perguntar, quanto à obra de Max Heindel, se durante estes 100 anos, o pioneiro, o mensageiro, teve sempre onde a «reclinar a cabeça», desde as estruturas da sede central à disseminação da filosofia. Todos e cada um dos que estão no movimento devem colocar a pergunta. Por muito dolorosa que seja, e ainda com esta outra alínea: fomos acrescentado suportes, desenvolvimentos, investigações, envolvimentos humanos verdadeiramente fraternais ao longo destes anos, ou diminuímos esse travesseiro de esforço que Max Heindel e sua esposa Augusta Foss Heindel construíram com tanto amor e sabedoria?
por Eduardo Aroso em "Do Amor e do Ser (22)" publicado na página Fraternidade Rosacruz Max Heindel - Facebook  - 7 -11-2012

30/06/2013

Falando em Arquétipos

por Gilberto Silos
Consultando o “Aurélio” vamos encontrar ARQUÈTIPO definido como “modelo de seres criados”, “padrão” “exemplar”. De um modo geral, conceitua-se arquétipo como o padrão original de alguma coisa.
 
Segundo os ensinamentos rosacruzes há um arquétipo para cada indivíduo no mundo. O corpo denso é uma cópia física exata do arquétipo, um modelo vivente, vibrante, formado na Região do Pensamento Concreto. Quando o corpo é imperfeito ou enfermo é porque o arquétipo não foi bem formado. Sua elaboração condiciona-se ao nível evolutivo e estado de consciência do espírito. O espírito forma o arquétipo com o auxílio das Hierarquias Criadoras, principalmente os Senhores da Mente.
 
O espírito põe o arquétipo em vibração através de um som, correspondente à nota chave do átomo-semente do corpo denso. Este som emite uma cor característica, de acordo com o estado de consciência do indivíduo. Som e cor podem alterar-se no transcurso da vida, à medida que o corpo físico ai experimentando transformações. Quando o som cessa, o arquétipo para de vibrar e o corpo denso morre.
 
A qualidade do material aglomerado para a formação de um corpo denso depende do átomo-semente. Mas, a quantidade depende do arquétipo, o qual determina a forma, a altura, o peso e a aparência física. É um modelo vivo do corpo.
 
Toda ação produz um efeito no arquétipo. Se ela se harmoniza com as leis da evolução, o arquétipo se fortalece e sua duração pode ser prolongada. Em caso contrário, a tendência é ele debilitar-se e destruir-se. Em cada renascimento o espírito recebe várias oportunidades para evoluir. Se ele as aproveita integralmente, ou quase, sua existência aqui neste plano poderá até ser prolongada. Porém, caso o espírito enverede por caminhos perigosos e extremamente destrutivos, sua passagem pelo mundo físico poderá ser abreviada pelas Hierarquias que eliminam o arquétipo.
 
Na Região do Pensamento Concreto quando se deseja conhecer ou estudar alguma coisa, basta concentrar-se em seu arquétipo. Ele emite um som capaz de, imediatamente, ensejar uma noção de cada uma das fases de sua natureza, oferecendo uma visão de seu passado e a história do seu desenvolvimento. Mas Heindel, com a habilidade característica dos iniciados, pode vislumbrar muita coisa através dos arquétipos, inclusive modificações geomorfológicas que futuramente ocorrerão neste planeta.
publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil de julho, 1994

08/06/2013

Angelus Silesius e o Nosso Cristo Interno (*)

Provavelmente todo estudante Rosacruz já tenha ouvido falar em Angelus Silesius.

Citado e chamado de místico por Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos (capítulo XV-Cristo e sua Missão), Angelus Silesius possui uma biografia peculiar.

Desconhecemos o dia de seu nascimento, porém sabemos que nasceu de pais luteranos na Silésia, sendo batizado no dia 25 de dezembro de 1.624, com o nome de Johannes Scheffler, e a exemplo de seus pais, seguiu a religião luterana.

Filho primogênito formou-se em medicina, doutorou-se em filosofia e apreciava a poesia.

Por volta de 1653, abandona o luteranismo, abraça o catolicismo e muda seu nome para Angelus Silesius.

Sua obra mais importante, sem dúvida, “O Peregrino Querubínico” (também conhecida em países de língua portuguesa como “O Viajante Querubínico“) possui uma particularidade : está escrita em dísticos (grupo ou estrofe de dois versos), e toda ela - mística por excelência - alicerçada no desabrochar de nosso Cristo Interno.

Abaixo, alguns deles – de uma profundidade espiritual enorme para a época - ficando claro para o estudante Rosacruz, a relação dos mesmos com o Cristo Interno de cada um de nós.

Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém, se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida. (Este trecho é o mais conhecido pelo estudante rosacruz, sendo encontrado no Conceito Rosacruz do Cosmos, e no Ritual do Serviço do Solstício de Dezembro).

O que importa, Gabriel, tua saudação à Virgem, se a mesma mensagem a mim não se dirige? (Gabriel, anjo Lunar, anunciou à Maria, símbolo de pureza, virgindade comportamental e casticidade de caráter, o nascimento de Jesus, nosso Cristo Interno. Devemos transportar e vivenciar isso para nosso íntimo) .

Recolhe-te em ti mesmo. E lá encontrarás, e não em terra estranha, a pedra filosofal. (Aqui, um correlato com as palavras de Cristo, em Lucas 17:20 “ O Reino de Deus não vem com aparência exterior”.

E na medida que em que meu eu desaparece, que o eu do meu Senhor se revigore e cresça. (Meu eu/eu inferior, sendo transmutado em Eu do Senhor/Eu Superior).

A alma é um cristal, a divindade, a luz. E o corpo em que vives, o estojo que as conduz. (Alma é a somatória de todas as boas ações que praticamos em nossas existências, e o cristal, elemento que os Espíritos Lucíferos não possuem acesso. Vide o livro “Carta aos Estudantes” de Max Heindel, carta 32) .

Dançam estrelas, põe o Sol tudo a mover: Não pertences ao Todo, se fixo é teu ser. (Uma alusão à música das esferas, já que dançar, está intimamente ligado à música. O “caminhar sonoro” das estrelas pelo universo, e também nossa mobilidade Planos Interno/Renascimento na Terra.) .

Como Deus, sou rico. Nem um grão de poeira Ele pode ter que eu também não tenha. (A referencia de nossa origem divina, sem nenhuma conotação material. Nossa riqueza espiritual; somos "Cristos-em-formação").

Se queres chamar o Altíssimo de Pai, deves primeiro reconhecer que és seu filho. (Devemos reconhecer nossa filiação espiritual, e vive-la).

O teu coração recebe Deus e todo seu valor, quando diante dele se abre como uma rosa.(As sete rosas, glândulas endócrinas, desabrochando, florindo em nosso íntimo. O desabrochar de nosso Cristo Interno) .

Amigo, agora basta ! Se ainda queres ler, vai, e torna-te a Escritura e a Essência. (Devemos vivenciar o que lemos e  aprendemos. A veracidade de uma filosofia está em sua vivência , no serviço amoroso e desinteressado ao nosso semelhante).
(*) Artigo originariamente escrito pelo autor para este blog.

31/05/2013

A Revista Serviço ROSACRUZ

Revista Serviço ROSACRUZ - uma publicação da
Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil de 1956 a 1988

 
De um histórico da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil
 em andamento

12/05/2013

O Simbolismo Dos Mitos

Ao contemplar o progresso da humanidade, encontramos sempre uma tendência pesquisadora que aparece através das idades. Esta tendência é a busca do Espírito Humano em prol daquilo que de novo uma o homem com seu Pai Celestial. Depois da época que designamos como "a queda do homem", este instintivamente compreendeu que se estava afastando de seu Criador. Ele mesmo se ausentou de sua fonte até que o anelo de retornar se tornou tão grande que corrigiu seus erros e tomou coragem para retomar a seu Pai Celestial. Esta é a história relatada por Cristo a Seus seguidores sob a forma do Filho Pródigo, que nos narra São Lucas em seu Evangelho.

Nosso presente caminho de esforço espiritual é determinado por nossas existências passadas, pelo menos em certa medida, e, se desejamos obter uma perspectiva verdadeira de nossos objetivos presentes, devemos familiarizar-nos com os registros dos acontecimentos do passado. As lendas de um povo são importantes em relação a isto. Essas lendas chegam até às origens de nossa consciência e, portanto, estão profundamente submergidas nos corações dos homens. Quando só uma pequena parte da humanidade podia ler, a sabedoria tinha de ser transmitida de uma geração a outra por meio da palavra. Os oradores e cantores iam de cidade em cidade, levando ao povo as notícias dos acontecimentos do dia anterior. Depois, cantavam seus velhos contos e lendas. Isto geralmente tinha lugar nas praças das aldeias, após finalizarem os labores do dia.

Estas lendas, repetidas em forma de canção e de contos através dos anos, foram finalmente escritas para serem legadas à posteridade. Cada nação possui seu próprio acervo destas tradições, que datam de remota antiguidade. Algumas destas lendas foram, sem dúvida, transmitidas à humanidade por Seres avançados que, assim, ajudavam-na a despertar a uma consciência superior e maior, dentro do plano de Deus para a evolução do homem.

É uma idéia errônea pensar que um mito seja uma ficção criada pela fantasia, humana, sem nenhum fundamento de realidade. Pelo contrário, um mito é uma arca que contém, às vezes as mais profundas e preciosas joias da verdade espiritual, pérolas de beleza tão rara. e etérea que não podem ser expostas ao intelecto material. Com o fim de resguardá-las e, ao mesmo tempo, deixar que atuassem sobre a humanidade para sua. ascensão espiritual, os Grandes Instrutores que guiaram nossa evolução, invisíveis mas poderosos, deram estas verdades espirituais à nascente humanidade envoltas no pitoresco simbolismo dos mitos, para que pudessem atuar sobre seus sentimentos até o instante em que seu nascente intelecto se tivesse desenvolvido e espiritualizado suficientemente a ponto de, ao mesmo tempo, sentir e conhecer.

A lenda do Santo Graal é uma destas antigas narrativas, assim como as histórias dos Cavalheiros da Távola Redonda. Nossos Ensinamentos nos dizem que alguns desses Cavalheiros foram Iniciados das Escolas de Mistérios que, então, prevaleciam na Europa. Também nos informam que antigamente, durante as assim chamadas Idades Negras (Idade Média), Jesus trabalhou com as Escolas Esotéricas da Irlanda e do norte da Rússia num esforço para difundir entre os homens o impulso espiritual.

Conta-nos a lenda como os Cavalheiros do Santo Graal guardavam o Cálice do Graal, o cálice utilizado por Jesus, na Ultima Ceia. Mais tarde receberam também em custódia a lança que atravessou Seu flanco na Crucificação, quando se consumou a missão parai a qual veio à Terra. Estas lendas não podem ser agora demonstradas materialmente, mas são inestimáveis como pontos focais para o Espírito intuitivo em seu esforço por cultivar o lado superior da vida.

James Russel Lowell em seu poema "A Visão de Sir Launfal", nos conta a lenda de um dos Cavalheiros que saíram em busca, do Santo Graal. Fala-nos com profunda intuição poética da vida de um homem que, depois de muito buscar, aprende por meio da experiência que devemos ser o guardião de nosso irmão. Conclui seu poema com o bem conhecido verso:

"A Sagrada Ceia se rememora em verdade naquilo que compartimos na necessidade do próximo; Não o que damos, mas o que compartimos - porque a dádiva sem doador é vazia; Quem se dá a si mesmo em sua esmola alimenta três: a si mesmo, a seu próximo faminto e a Mim". (Vide Nota)

Sir Launfal viajou até o fim do mundo para encontrar o Santo Graal, precisamente, na porta de seu próprio castelo. Vemos também que o aspirante à espiritualidade deve ao fim encontrá-la perto de si, em seu próprio coração. Pode ser que isto não se reconheça de momento, porque "ninguém pode reconhecer espiritualmente nos demais até que, em certa medida, a tenha desenvolvido em si mesmo". Que é a espiritualidade? A idéia de que ela se manifeste somente por meio da oração e da meditação é necessária e. essencial para o crescimento da alma; mas quando nossa vida é vivida alegremente no serviço, por amor à humanidade, e o fazemos para* glória de DEUS, nossa vida inteira se converte em oração.

Cristo-Jesus, nosso Guia, andou entre o povo e quando este necessitou de alimento físico alimentou-o. Deu-Ihe de Seus ensinamentos e curou os enfermos. no verdadeiro sentido, Ele foi um servidor da humanidade. Quando participamos do Cálice da Comunhão o fazemos em Seu Nome e em memória do serviço que nos prestou.

O Cálice que Cristo levou aos lábios na. Ultima Ceia foi utilizado por José de Arimatéia, na Crucificação, para receber o Precioso Sangue de Vida que fluía da. ferida do flanco do Salvador. Mais tarde esse Cálice foi dado em custódia aos Anjos e, quando se construiu um castelo — Mont Salvat — um lugar de paz onde toda a vida é sagrada-, essa relíquia foi colocada sob a guarda de Cavalheiros castos e santos. Converteu-se, então, no Centro de onde fluem poderosas influências espirituais.
publicado na revista Serviço Rosacruz, setembro de 1969 
Nota: O poema na íntegra pode ser visto no Conceito Rosacruz do Cosmos - Cap III, subtítulo: Primeiro Céu e também no final do artigo: "Regeneração: Propósito da Evolução"
 

28/04/2013

Observando A Nós Mesmos

por Gilberto Silos
Na carta nº 51, do livro “Cartas aos Estudantes”, Max Heindel esclarece que a palavra filosofia provém de dois vocábulos gregos: fila, que significa amor ou amigo, e Sofia, que quer dizer sabedoria. Assim, literalmente, filosofia quer dizer “amor à sabedoria”, embora para muitos, o termo possa ser interpretado como “desejo de conhecer”.

Há porém, uma grande diferença entre conhecimento e sabedoria. Sabedoria implica em amor, antes, durante e sempre, ao passo que o conhecimento pode ser empregado para os mais abomináveis propósitos.

O esoterista verdadeiro é suficientemente autocrítico para aceitar o título de filósofo. Ele conhece bem suas falhas de caráter e as fraquezas que o atormentam. A maioria das pessoas, contudo, não tem essa consciência objetiva de si mesmas. Via de regra alimentam ideias falsas e ilusórias a respeito de suas pretensas qualidades.

Robert Burns afirmou certa vez: “Oxalá tivéssemos o poder de nos enxergar como os outros nos enxergam”. Se nos observássemos como os olhos alheios, certamente perderíamos nosso próprio respeito e temeríamos encarar nossos semelhantes. Quão amargo seria dispor desse poder, ainda que por uma ligeira fração de tempo! Ficaríamos decepcionados conosco mesmos, mas talvez evitássemos criticar outras pessoas. Antes de verberarmos seus defeitos, quem sabe perceberíamos como nossa atitude é pouco fraterna, antifilosófica e desprovida de sabedoria.

O homem, por não enxergar a si próprio, age de forma extremamente maniqueísta em relação à vida, tudo rotulando, estabelecendo linhas divisórias muito rígidas entre aquilo que convencionou chamar de bem e de mal.

Lemos no Evangelho de São João, que certa noite os escribas e fariseus trouxeram à presença do Cristo uma mulher apanhada em adultério. Eles insistiram no seu apedrejamento porque assim mandava a lei de Moisés. Cristo, porém, inclinando-se, escrevia com o dedo na areia. Em dado momento endireitou-se e disse-lhes: “Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra contra ela”. E, tornando-se a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto, saíram um a um, permanecendo apenas a mulher. E Cristo disse-lhe: “Ninguém te condenou?” Nem eu te condeno, “vai e não peques mais”.

Por que razão não condenaram a mulher adúltera? A resposta é simples: naquele momento ela lhes serviu de espelho. Isto é, quando lhe dirigiram o olhar, após as palavras do Cristo, viram-se a si mesmos, com todos os seus defeitos.

Robert Antony afirmou em uma de suas obras: “ser contra os outros é ser contra nós mesmos. A coisa mais corrupta que podemos fazer é julgar alguém. A pessoa de quem você se ressente ou critica é sempre você mesmo, porque todos nós somos um só”.

Na realidade tudo aquilo que abominamos nos outros encontra-se dentro de nós mesmos. Se recusamos admitir uma falha de caráter com muita veemência ela passa a viver na sombra da nossa consciência ou no inconsciente. Esse conceito foi desenvolvido por Carl Jung. Tudo o que o ser humano não quer e não gosta provém de sua própria sombra. Aqui no plano material tudo se manifesta em pares de opostos. E, como a polaridade tem de manifestar-se, todas as falhas que o homem recusa admitir como suas ele as projeta nos outros.

O ser humano projeta para fora aquilo que não quer ver em si mesmo. A lei da ressonância afirma que somente podemos entrar em contato com aquilo que vibramos.

Geralmente o ser humano demonstra uma tendência negativa de ocupar-se e preocupar-se com aquilo que rejeita. Ao fazê-lo aproxima-se tanto do princípio rejeitado que acaba por vivê-lo. Ao combater a violência, por exemplo, o homem pode tornar-se mais violento ainda. Eis porque o Cristo nos exortou: “não resistir ao mal, mas a vencer o mal com o bem”.

Ponderando sobre tudo isso, somos levados a admitir a importância do exercício de retrospecção como uma prática essencial ao nosso crescimento anímico. Somente através de uma visão objetiva de nós mesmos, que o exercício proporciona, poderemos transmutar nossas falhas de caráter em virtudes, em vez de apontarmos as supostas mazelas dos nossos semelhantes.
publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz-Sede Central do Brasil, março/abril, 1995 

22/04/2013

Leonardo Da Vinci, O Enciclopedista

por Delmar Domingos de Carvalho
 
Leonardo da Vinci, o enciclopedista,
Possuía, ou possui invulgares qualidades;
Este profundo espiritualista,
Que sofreu com inimizades.
 
Foi arquiteto, engenheiro, escultor;
Cartógrafo, físico, mecânico;
Geólogo, químico e botânico;
Pintor, músico e escritor!
 
Teve vários ofícios e artes
Em suas vidas anteriores;
Tiveram muitos espinhos e flores
Que sublimou em frutos inovadores.
 
Defendeu a vida, como rosacruciano,
Seja a do ser humano ou a do animal;
Foi um exemplar vegetariano
E um criador original.
 
 “Seu rosto era o cárcere do Amor”
Assim disse, o seu deus interno,
Foi um sábio, um homem sofredor,
Que vemos em seu rosto exterior…
  
Tua Sagrada Ceia, obra majestosa,
Foi alvo de oportunismo,
De gene muito perniciosa:
Vassalos do feudalismo!
 
Desconhecerão o teu João Baptista?
Figura feminina, por ti pintada,
Tal como é a de João Evangelista!
Código da Vinci não vale nada…!
 
Está bem ficcionada!
Miríades foram vendidas!
 Ela foi tão publicitada!
Mas, no futuro serão esquecidas!
 
Colocados no fundo de uma prateleira!
E todo o mundo ficará pasmado
Das pessoas terem ficado numa peneira!
Não desejavam ver a Luz do Injustiçado!
 
Em tuas obras há luz aquariana:
Símbolos diversos, desde a concha à espiral,
Como está o elemento natural.
Obrigado! Leonardo pela tua luz neptuniana!
 
Foste canal da Luz e da libertação.
Por isso os senhores das trevas te difamam.
Perdoai-lhes, eles nada amam.
São de pedra, lodo, estão em putrefação…
 
poesia do livro: "Pintura com Palavras Vol. 2"

07/04/2013

Nutrição e Saúde - A Assimilação

Artigo traduzido revista Rays from the Rose Cross
"A assimilação é facilitada se a comida for aceita com gratidão"
Foto: Momentos durante a refeição em "Cozinha Vegetariana", realizada no dia 10 de março de 2013 na Fraternidade Rosacruz-Sede Central do Brasil. A receita do dia, um "estrogonofe vegetariano"foi o estrogonofe vegetariano
Assimilação é definida como: "a transformação ou incorporação do material nutritivo nas substâncias fluídicas ou sólidas do corpo" (*). É o produto final da digestão e é literalmente verdadeira a definição que diz que nós vivemos, não pelo que comemos, mas pelo que assimilamos.

Algumas pessoas têm dificuldade em assimilar certos alimentos e muitas vezes em assimilar quase todos. Para determinar a forma melhor de regular o processo assimilativo em seus corpos, é necessário considerar não só fatores físicos, como também espirituais.

Do ponto de vista físico, a lei da assimilação requer que toda partícula de aumento que se coma deva ser dominada. Assim, numa extensão maior, podemos dizer que a forma pela qual os alimentos são assimilados dependerá do grau de conhecimento que tenhamos das células, das quais eles são compostos.

Sabendo isto, poderá parecer, à primeira vista, que os minerais — a menor consciência das coisas criadas sobre a Terra — seriam os alimentos ideais para o consumo humano. Entretanto, este não é o caso. Os minerais não têm corpo vital separado como o homem não está constituído de forma a poder viver de um tipo de substância "somente densa". Nós dissemos: "Quando uma pura substância mineral, como o sal, é ingerida, ela passa através do corpo, deixando muito pouco atrás de si. Mas, o pouco que deixa, é de natureza prejudicial" (*) - porque tende a endurecer e cristalizar.

Plantas, que realmente possuem corpo vital separado, podem assimilar os compostos minerais encontrados na Terra. Comendo vegetais, o homem assimila - em segunda-mão, como forma de expressão — os minerais que ele necessita
para sua alimentação e sustento. Como a planta vive num estado de consciência
de "sono sem sonhos", muito pouca energia é necessária para a assimilação de alimentos que derivam dela. E como as células das plantas têm pouca individualidade própria, a vida que as anima não se evade de nossos corpos tão rapidamente como a dos alimentos derivados deformas mais desenvolvidas, como a dos animais. Uma dieta vegetariana, então, particularmente, quando o produto está interpenetrado com maior quantidade de éter, produz mais energia do que a dieta de carne. Some-se a isso a superioridade moral e espiritual que envolve a dieta vegetariana particularmente ideal para as pessoas com dificuldade de assimilação.

A energia solar, atraída para o corpo denso, através da contraparte etérica do baço, no corpo vital, é o fator principal e amalgamador da assimilação. Uma quantidade extra desse fluido vital é necessária durante o processo digestivo e assimilativo. Quanto mais abundante for a comida, maior será a quantidade de fluido vital a ser consumido pelo corpo. Com isto haverá o enfraquecimento das correntes do corpo vital que normalmente expelem germes e micróbios. Em conseqüência, comer em excesso, toma-nos particularmente suscetíveis a contrair enfermidades.

A total assimilação não começa antes do Ego ter sete anos de idade. Antes deste tempo, o corpo vital ainda não usa as forças que operam através dos polos positivos do éter. Tudo se realiza pelo corpo vital "macrocósmico" que, através de seus éteres, atua, até o sétimo ano, como matriz para o corpo vital da criança em desenvolvimento.

Do ponto de vista espiritual, as forças que trabalham através do polo positivo do éter químico e estão presentes na assimilação, são forças ativas da natureza, compostas pelo que chamamos de mortos que entraram no céu, e lá estão aprendendo a construir os corpos que usamos na Terra. Eles são dirigidos por Elevados Professores, incluindo Arcanjos que particularmente se interessam por assimilação, crescimento e propagação. Essas forças trabalham num maravilhoso caminho seletivo, ilustrando bem e ao mesmo tempo, a direção da Divina Inteligência e a Lei Universal de serviço.

Os estudantes espirituais encontram maior dificuldade no processo assimilativo do que as outras pessoas, porquanto, tendo decidido viver uma vida espiritual, atraem mais éteres superiores — luminoso e refletor — e menos dos inferiores — químico e de vida. Portanto, os estudantes espirituais, em particular, devem ter o máximo cuidado ao selecionar alimentos que contenham o maior número possível de éter químico. A assimilação é facilitada se a comida for atraente, apreciada e aceita com gratidão.

Os três atributos de Deus e do homem (que é um deus em formação), são: Vontade, Sabedoria e Atividade. Estes atributos refletem-se no Tríplice Espírito, que é o homem. O segundo atributo, o Amor-Sabedoria ou Cristo, o princípio, é o atributo coesivo sobre o qual toda a nutrição e crescimento estão baseadas. Está ligado com o Espírito de Vida, o qual, por sua vez, reflete-se no corpo vital. O sangue, o veículo da alimentação, é a mais alta. expressão do corpo vital. As glândulas também são expressões do corpo vital. O Espírito de Vida, assenta-se primeiramente no corpo pituitário e secundariamente no coração, o regente do sangue, que nutre os músculos dentro do corpo físico.

Urano rege a assimilação assim como a intuição — a faculdade pela qual o Ego pode contatar com a Sabedoria Cósmica através do Espírito da Vida, diretamente ligada ao Amor-Sabedoria, princípio no homem. Vênus, a oitava inferior de Urano, também rege a assimilação durante os primeiros 14 anos de vida. Vênus rege a glândula timo, a ligação entre a criança e seus pais, até à puberdade. Antes da puberdade, a criança retira da glândula timo, uma essência espiritual que aí foi armazenada pelos pais. Com esta essência, a criança pode efetuar a alquimia do sangue, até o corpo de desejos tornar-se dinamicamente ativo, podendo fabricar seus próprios corpúsculos sanguíneos.

Na "Mensagem das Estrelas" (Cap. XXIX, As Glândulas de Secreção Interna),nós lemos: "É bem sabido que todas as coisas, nosso alimento inclusive, irradiam de si mesmas e continuamente, partículas diminutas que nos dão um índice da coisa de onde foram emanadas, principalmente sua qualidade. De modo que, quando levamos o alimento a nossa boca, um número dessas partículas invisíveis excitam o sentido do olfato, permi­tindo-nos tomar conhecimento se o alimento que vamos ingerir é apropriado ou não. O sentido do olfato nos adverte a abandonar os alimentos que tenham um odor nocivo, etc... Além dessas partículas, que nos atraem ou repelem em relação ao alimento, devido à sua ação sobre o olfato, há outras capazes de atravessar o osso esfenóide, atuando sobre o Corpo Pituitário. Principia aí a ação da alquimia uraniana, pela qual a secreção é formada e injetada no sangue. Esta assimilação através do éter químico, afeta o desenvolvimento normal e o bem-estar do corpo, através da vida".

Sabemos também que: "Há uma conexão física entre o corpo pituitário, o principal órgão da assimilação e portanto do crescimento e as adrenais, as quais eliminam o inútil e assimilam as proteínas. Ambas mantêm ligações com o baço, o timo e a tireóide. O corpo pituitário é regido por Urano, que é a oitava superior de Vênus, o regente do plexo solar, aonde o átomo — semente do corpo vital é colocado. Assim como Vênus guarda a entrada do fluido vital, proveniente do Sol, através do baço, Urano é o guardião da entrada do aumento físico. É a com­binação destas duas forças que produz o acúmulo do poder latente em nosso corpo vital, converter-se em energia dinâmica, pela marciana natureza de desejos".

Virgem está também ligado à assimilação. Este signo regula o aparelho intestinal e correlaciona-se com os Senhores da Sabedoria, que, originalmente, deram ao homem o germe do corpo vital.

Portanto, parece claro que a assimilação está ligada ao princípio do Amor-Sabedoria. À medida e na proporção que este segundo atributo de Deus for desenvolvendo dentro de nós, teremos uma melhor capacidade de assimilação e um grau correspondente de boa saúde.

Infere-se daí, que a chave para um perfeito e permanente ajuste do poder assimilativo fundamenta-se na revelação e no desdobramento do Amor de Cristo dentro de nós. O intelecto deve ser espiritualizado e a natureza inferior transmutada na Superior. Somente por este caminho, poderemos desenvolver na perfeição o poder da alma, necessário para a completa e satisfatória assimilação.

Original de Diane Drupe, traduzido  por Maria Carolina P. Carvalho e publicado na revista Serviço Rosacruz de março, 1978 
(*) Veja também: A Lei de Assimilação, Cap. XVII no Conceito Rosacruz do Cosmos.

22/03/2013

Sem Calvário Não Há Domingo da Ressurreição


O caminho até o Calvário tem de passar pelo Jardim de Getsêmani, cenário do grande conflito com a dor e a aceitação derradeira. Aqui tem lugar a batalha final se tivermos suficiente valor para tomar nossa Cruz no sofrimento aceito e seguir até a Ressurreição através do Calvário. Estivemos muitas vezes no Horto de Getsêmani pedindo: "Que este cálice de dor acabe", mas a dor não irá embora nem o Poder Curador do Pai se filtrará em nós até que elevemos nossas consciências para dizer com e como Cristo: "Não seja feita a minha vontade, mas sim a Vossa".

Quando esse momento chega, avançamos para enfrentar triunfalmente qualquer prova, na firme convicção que este é um meio para alcançarmos um fim glorioso. Um processo regenerativo que nos irá emancipar em um ritmo crescente de todos os males de que a carne é herdeira, a crucificação de nossa personalidade que, de forma correspondente, libertará o nosso espírito. Em cada prova sentiremos o sabor do Calvário, em cada vitória nos aproximaremos da Ressurreição.

Através de vidas incontáveis nos profundos mistérios de nosso ser, o Cristo de nossa própria divindade foi sepultado, amarrado e esquecido dentro de nós, enquanto nos inclinávamos somente aos interesses materiais. Agora, sentimos que estamos insatisfeitos e agoniados por esse modo de viver e estamos dispostos a carregar a cruz. Pensamentos, sentimentos, atos passados e presentes são utili­zados para crucificar nossa personalidade e fazer que o ser espiritual que há em nós, o Cristo Interno, se eleve em Esplendor e Poder dentro de nossas almas, para que possamos converter-nos em novas criaturas n'Ele, vitoriosas sobre a vida transitória e herdeiras das ocultas riquezas do Céu.

Somente assim poderemos chegar a ser participantes conscientes das maravilhosas experiências do Domingo da Ressurreição, dessa grande libertação, desse poder espiritual avassalador que nos faz penetrar na Paz. Então, estaremos unidos conscientemente a Ele, que nos perdoará de todas as faltas, curará nossas enfermidades e dará descanso às nossas almas.

"Que Seu Calvário se torne em um Domingo de Ressurreição Triunfante"

Traduzido da revista Rays from the Rose Cross e  publicado na revista Serviço Rosacruz de março de1966