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09/07/2026

Descida ao Renascimento - O Terceiro Céu


No terceiro Céu a maioria das pessoas tem pouca consciência. É um “lugar de espera”, onde o espírito descansa, desde que se completaram suas atividades no Segundo Céu até o momento em que novamente nele se desperta o desejo de renascer. Mas, deste plano os inventores trazem suas ideias originais. Lá, os filantropos obtêm uma visão mais clara de como realizar seus sonhos utópicos, e as aspirações espirituais das mentes santificadas recebem aqui novos impulsos.

Com o tempo, o desejo de obter novas experiências atrai o espírito novamente ao renascimento, e os Grandes Seres Celestiais, conhecidos na Religião Cristă como os “Anjos do Destino”, (ou Arquivistas), dão-lhe assistência para que renasça no lugar mais conveniente, que lhe proporcione as experiências necessárias, para ulterior desenvolvimento de suas forças e capacidades.

Todos nós estivemos aqui muitas vezes, em diferentes famílias. Relacionamo-nos, com muitíssimas pessoas diferentes. Em regra, há várias famílias entre as quais podemos procurar o renascimento a fim de realizarmos nosso destino auto-gerado e colhermos aquilo que houvermos semeado em vidas anteriores. Se não há razões especiais pelas quais deva renascer em uma determinada família, entre certos amigos ou inimigos, permite-se ao espírito escolher seu próprio lugar de nascimento.

A fim de nos ajudarem a fazer esta escolha, os Anjos do Destino desenvolvem ante a visão do espírito um panorama, em linhas gerais, de cada uma das vidas em perspectiva. Esse panorama mostrará qual é a porção de nossas dívidas passadas que devem ser liquidadas, e quais os frutos que podemos esperar colher na próxima vida.

O espírito tem liberdade de escolher entre as diversas vidas que lhe são oferecidas. Mas, uma vez feita a escolha, já não lhe será possível voltar atrás. Temos livre-arbítrio acerca do futuro, mas do destino “maduro”, não podemos fugir, como foi demonstrado no incidente relatado no "Conceito Rosacruz do Cosmos", quando o autor advertiu um conferencista muito conhecido em Los Angeles, de que se saísse de sua casa em um determinado dia estaria sujeito a um acidente de tráfego, do qual sairia ferido na cabeça, no pescoço, no peito e nos ombros. Aquele amigo acreditou na advertência, e tentou acautelar-se, atendendo nosso aviso.

Não obstante, foi a Sierra Madre para fazer uma conferência no dia fatal. Sofreu uma colisão, na qual foi ferido nos lugares indicados, tendo posteriormente declarado: “Pensei que o dia vinte e oito fosse o dia vinte e nove”.

Depois que o espírito fez sua escolha, desce ao Segundo-Céu, onde é instruído pelos Anjos e Arcanjos na construção do arquétipo do corpo que mais tarde usará no mundo físico. Aí também notamos a manifestação da grande lei de justiça, segundo a qual “devemos colher o que semeamos”. Se nossas inclinações são grosseiras e sensuais, construiremos um arquétipo que expressará essas qualidades. Se, pelo contrário, cultivamos gostos refinados e estéticos, edificaremos um arquétipo de um refinamento correspondente. Mas, ninguém pode obter um corpo mais perfeito do que aquele que seja capaz de construir.

Um arquiteto que constrói uma casa na qual há de viver depois, sofrerá incômodos caso se descuide em providenciar uma ventilação apropriada. Também o espírito sente-se enfermo em um corpo construído com deficiência. Assim como o arquiteto aprende a evitar erros e imperfeições pela experiência adquirida quando constrói outras casas, assim também o espírito que sofre devido aos defeitos do seu corpo, aprende com o tempo, a construir veículos cada vez mais eficientes.

Na Região do Pensamento Concreto o espírito também atrai os materiais para uma nova mente. Assim como um ímã atrai a limalha de ferro, mas deixa de lado as outras substâncias, assim também cada espírito atrai somente a espécie de substância mental que usou em sua vida anterior, mais aquela que tenha aprendido a usar em seu atual estado ou condição, "post-mortem". Depois, desce ao Mundo do Desejo, onde reúne o material para um novo corpo de desejos, de tal qualidade que possa exprimir adequadamente suas características morais. Em seguida atrai mais uma certa quantidade de éter que se incorpora no molde do arquétipo construído no Segundo Céu, e que age como argamassa juntando os materiais sólidos, líquidos e gasosos recebidos dos corpos dos pais, formando-se assim o corpo físico denso da criança, que num dia determinado vem a nascer.


publicado na revista Serviço Rosacruz, de fevereiro de 1972

14/11/2020

Referente à Humildade


Alcançar a verdadeira humildade é uma das coisas mais difíceis de atingir na vida.O ser humano está sempre sujeito a se vangloriar. Sempre se considera bom, abnegado e serviçal. Com esta informação no seu subconsciente pode transformar o seu trabalho em uma farsa. Trocar o ouro de espírito pelo brilho metálico da vaidade.

 

Como se pode extirpar esse cancro que se aloja no íntimo do ser humano e compromete sua obra de perfeição? Orai e vigiai, aconselha o São Paulo, com o coração devoto, porque se uma oração carece do sentimento profundo de devoção, torna-se um exercício automático que não fornece ajuda nem sustentáculo. Devemos lembrar eternamente, que Deus está dentro de nós e os nossos acertos são obras Dele. Sem esta Divina manifestação, de onde viria a nossa glória?

 

A vaidade humana pode frustrar completamente a finalidade da nossa caminhada para alcançar a sublimação e o aperfeiçoamento da nossa divinização na transformação do vil metal em ouro do espírito.

 

Para chegar a perfeição, a caminhada é longa, acidentada. Acreditar que não contrariando as leis humanas seremos virtuosos é uma ilusão. Quanto mais a luz brilha, mais nítida são as sombras e melhor podemos descobrir mais faltas, das quais antes nem tínhamos conhecimento. Quando nos conscientizamos desse fato nossa reação não deve ser de desânimo. Devemos agradecer ao Senhor pela oportunidade de um trabalho melhor, para um aperfeiçoamento mais profundo. Encontrando falhas escondidas, devemos nos alegrar com a oportunidade de poder sublimá-las, porque, como nada se perde e como tudo se transforma, a sublimação é o único caminho que podemos tomar para efetuar o “nosso trabalho” humildemente.

 

Os acertos não devem dar a oportunidade para o nosso orgulho, já que num piscar de olhos podemos tropeçar.

 

O reconhecimento e o elogio são outras pedras de tropeço no caminho, dificultando, mais do que ajudando, o progresso. Quando perguntamos: Será que reconhecem meu trabalho? Será que observam minha dedicação? Será que me consideram? São sugestões de vaidade do eu inferior. Se quisermos realmente alcançar o reto e estreito caminho é bom que nos abstenhamos destas sugestões. Se somos sinceros conosco, de nada adiantam os reconhecimentos, pois, bem sabemos o quanto temos que melhorar, lutar para o purificar nossas rejeições e antipatias e aprender a amar.

 

A verdadeira paz e harmonia só podemos alcançar com a humilde aceitação e consciência de que tudo que é Bom, Verdadeiro e Belo vem do nosso Divino Pai Interno, que quer nos salvar, dignificar e iluminar para que alcancemos nossa meta – a Comunhão Espiritual.

 

Publicado no “ECOS” da Fraternidade Rosacruz, setembro outubro de 1993 com as iniciais M.M.

16/04/2017

O Discernimento na Interpretação dos Textos Bíblicos

Capa do volume IV da Coleção Cavalo de Pégaso (veja nota no final do texto), do qual o autor Delmar Domingos de Carvalho ofertou para este blogue o texto abaixo, onde a literatura de Max Heindel é amplamente citada.
Convém recordar que não existe uma única linha dos textos originais do Antigo Testamento; será muito benéfico lembrar que Cristo-Jesus nada escreveu; como é muito útil saber que nos textos do Novo Testamento a pontuação não foi usada; apesar disso, a Bíblia continua sendo uma obra de enorme valor somente não pode ser interpretada literalmente, está cheia de mitos, símbolos, alegorias, parábolas, números cabalísticos, etc.

Face ao exposto, e não só, é muito valioso usar a nossa capacidade de discernimento, livre de dogmas, de preconceitos, de medos, de outro modo essa prerrogativa intelectual não será usada, ficando perturbada pelas trevas escolásticas.

Comecemos pelo Génesis- Capítulo 1- versículo 26: E Deus (1) disse: Façamos o Homem à nossa imagem, de acordo com a nossa semelhança e mais à frente: macho e fêmea os criou.