19/09/2014

A Casa do Estudante Rosacruz

Portão de entrada da Casa do Estudante Rosacruz - Campos de Jordão

A Casa do Estudante Rosacruz é uma propriedade que a Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil recebeu como doação no início da década de 1960 e que, apesar do grande esforço necessário para sua manutenção, mantém-se até hoje.  Os benefícios desse esforço estão muito bem explicados no artigo: A Iniciação e a Montanha, e devido a eles é que, de tempos em tempos, alguns irmãos responsáveis pela administração da Fraternidade, redobram os cuidados e atenção para com o local. Informações pelo telefone ou e-mail da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil

Entrada com visão geral da casa


(Clique nas fotos para ampliar)

Detalhes do quintal

Detalhe do quintal (frente da casa)

Sendo toda rodeada por árvores e outras plantas, em momentos de silêncio, alguns amiguinhos sentem-se à vontade para aparecerem, principalmente quando algumas frutas são colocadas em uma espécie de "comedouro" sobre um tronco. como vemos nos detalhes das fotos abaixo:

(Clique nas fotos para ampliar)
E por fim, não posso deixar de postar essa bela foto do sol através de uma árvore que um irmão fez quando colaborava na manutenção e pintura das "esculturas" de leões que ficam nas colunas do portão.

Portão de entrada visto da casa
Uma curiosidade:
Chamou minha atenção o leão (Leão de Judá) no quintal, ainda para ser colocado no portão, como se estivesse olhando para o sol entre as árvores - o Sol, a morada do Cristo. Duas vezes presente na foto o mesmo símbolo.
Veja também:

22/07/2014

Adversidade: Grande Mestra

Um editorial da revista Serviço Rosacruz em homenagem à Max Heindel
O verdadeiro espiritualista caracteriza-se pela incessante, honesta e realista procura do aspecto positivo de todas as coisas eacontecimentos. Não se deixa iludir pelas aparências. Perscruta causas subjacentes. Analisa motivações. Acautela-se em não emitir julgamentos precipitados. Constata, através de uma visualização profunda das coisas, em cada fato uma lição oculta, em cada dificuldade uma valiosa oportunidade de aperfeiçoamento.

Para o homem comum, incapaz de observar algo além dos matizes superficiais, o mundo em que vivemos não passa de um emaranhado de contradições. Ele só nota a presença do conflito e da desarmonia em tudo c em todos.

Em realidade, o mundo não é contraditório, mas sim a mente humana, obscurecida pela ignorância de si mesma. O homem vulgar, imperfeito como é, inclina-se sempre a enxergar a imperfeição, destacando em tudo os opostos e os antagonismos. Nada mais é do que um reflexo de si mesmo. Carece da necessária evolução para eximir-se de estampar as coisas com os rótulos de "bem" e "mal".

Cumpre ao estudante rosacruz, através do discernimento, observação e meditação, prevenir essa visão distorcida do mundo. A prática fiel do exercício de retrospecção, faculta-lhe, gradativamente, o conhecimento de si mesmo. Através dessa perspectiva de sua própria natureza, poderá evitar encontrar aquelas falhas que são suas — até então irregeneradas — nos múltiplos aspectos da existência. Tendo uma concepção superior daquilo que comumente é chamado de "bem" e "mal", tende a harmonizar-se com o mundo, por descobrir a finalidade última das coisas.

Essa disposição livra-o de sentir-se frustrado ou deprimido diante do fracasso, ou torna-o infenso aos deslumbramentos ilusórios do sucesso; evita-lhe o temor e o constrangimento ao reconhecimento do erro, ou, a falsa idéia de extrema e absoluta auto-suficiência após os acertos. Compreende, enfim, o quanto os sucessos são pontilhados de fracassos e os acertos são precedidos de erros. Recorda como os grandes inventores, por exemplo, enfrentaram equívocos diários para chegar, finalmente, ao seu sonhado invento. Assim, cientistas, literatos, economistas, empresários, artesãos, partiram de um determinado ponto, errando e retificando, equivocando-se e corrigindo, até à obra final. E mesmo algumas obras seculares ainda passam por contínuo aperfeiçoamento.

Quer no sentido material, quer no sentido moral, o mundo continua a ser uma grande escola, A experiência de cada dia, com suas múltiplas facetas de alegrias e tristezas, constitui sempre um passo a mais, empreendido na longa jornada do progresso. Via de regra, o sofrimento constitui uma forma construtiva de aprendizado, porque induz à correção, impele à ação, quebrando todos os imobilismos cristalizantes. As dificuldades muitas vezes deslocam o homem para outras veredas, porque as atuais, do ponto-de-vista evolutivo, talvez não lhe sirvam mais. A cada barreira surgida, transposta com fibra ou contornada habilmente, soma-se-lhe um grande lastro em forma de experiência.

Em seu livro História de Dervixes, Idris Shah, reproduz narrativa de Abdul Cadir, pensador árabe e santo sufi, em que se mostra de que maneira a adversidade é boa mestra. Um negociante perde todos os seus bens, inclusive a saúde, e procura, desesperado, o conselho sábio de um amigo, o sultão de Córdoba. Este manda que lhe sejam dadas cem ovelhas, com as quais o antigo negociante poderia recomeçar sua vida.

O rebanho, no entanto, morre vítima de uma epidemia. O sultão oferece mais cinquenta ovelhas ao amigo infeliz, e novamente uma série de acidentes reduz o personagem à penúria. O sultão agora oferece a ele vinte e cinco ovelhas. O pastor improvisado consegue, num esforço extraordinário, aumentar o rebanho, vendendo e comprando, orientando a reprodução e alimentando bem os aminais. Dois anos depois, o ex-negociante, agora o pastor mais próspero da região, visita o sultão para agradecer-lhe a ajuda. O monarca de Córdoba oferece-lhe, então, o reino de Sevilha. O antigo negociante não se contém e interpela o amigo: — "Por que não me ofereceu, logo da primeira vez, o reinado que me tiraria da pobreza?" O sultão explica: — "Se no dia em que levou as cem ovelhas para a montanha e as perdeu, tivesse assumido o governo de Sevilha, hoje não haveria ali pedra sobre pedra".

Max Heindel foi um exemplo dignificante do aprendizado em meio às dificuldades. Para consolidar a obra em Mount Ecclesia teve de reunir muita coragem. Foram tempos de heroísmo. Na carta aos estudantes de nº 20 lemos: "Deixado no mundo com os ensinamentos rosacruzes, foi-me comunicado que os divulgasse. Muitas vezes faltou-me a respiração, à medida que me dava conta da tarefa gigantesca posta sobre meus ombros e de como eu e minha esposa somos insignificantes. Freqüentemente, quando o trabalho parecia nos derrubar, orávamos para obter ajuda. Mas agora, olhando para trás, tomamos consciência das lições que aprendemos por meio das lutas".

Que jamais os obstáculos detenham nossa marcha em busca de um glorioso alvorecer.
        Publicado na revista Serviço Rosacruz, agosto, 1973
Carta 20 do livro Cartas aos Estudantes Max Heindel
Livro impresso Cartas aos Estudantes, Max Heindel

08/06/2014

“ O AMOR É A SOLUÇÃO PARA TODOS OS MALES”

                                                                                                               por Delmar Domingos de Carvalho
Com frequência, uso esta mensagem. Em minha opinião, cada vez está mais actual.

O problema reside no que entendemos sobre o que é o amor.

Para uns está ligado à sua tribo, à sua família, ao seu país, ao seu feudo, à riqueza material, às artes, às ciências, à saúde, ao sexo, e assim por diante.

No respeito pelas opiniões de cada pessoa, não vou analisar cada uma das faces antes mencionadas.

Permitam-me que faça a minha análise, ou melhor, que use algumas passagens do texto bíblico e alguns pensamentos sobre este grandioso tema: o AMOR.

Começo por fazer uma comparação entre o Amor e as leis.

Está acima de todas; é unificante; enquanto as Leis são separatistas. Ele é a Vida, por sua vez as leis são factores evolutivos, quando estão em sintonia com as Leis Cósmicas, doutro modo são fontes de injustiças, perseguições, etc.

“ O Amor “tudo tolera, nunca se irrita, nem procura o seu interesse, faz bem sem olhar a quem, não espera qualquer recompensa; não julga”. As leis regulam, julgam, geram o medo.

O Amor é fonte de inspiração, cadinho de milagres, espada libertadora, Força Cósmica de incomensurável Poder. As leis são a espada do julgamento, a força dos fracos…

Lembremos as mui sábias palavras do discípulo amado de Cristo, S. João Evangelista (Christian Rosenkreuz), na sua 1ª Carta: Se alguém disser: “ Eu amo a Deus, mas odiar o seu irmão, É MENTIROSO, pois quem não ama o seu irmão ao qual vê, como pode amar a Deus, que não vê?”

Antes Ele aconselha: …não amemos com palavras, nem com a língua, mas por acções e em Verdade.

Por sua vez S. Paulo alerta: Que podemos distribuir todos os bens em esmolas e até entregar o seu corpo para ser queimado, se não houver Amor nada vale. E logo adiante esclarece: O amor não procura o seu interesse, não se irrita, não pensa mal, alegra-se com a justiça, rejubila com a Verdade. Tudo suporta, tudo desculpa.

Face ao exposto, o que é, então, o Amor? Cada qual dará a sua reposta.

Luís de Camões afirmou, como se sabe, que O AMOR É FOGO QUE ARDE E NÃO SE VÊ.

No meu trabalho: O POSTAL ILUSTRADO NA VIA E OBRA DE LUÍS DE CAMÕES, NO TEMPO E NO ESPAÇO, está uma explicação sobre o que o será esse FOGO.

Capa do livro: POSTAL ILUSTRADO NA VIA E OBRA DE LUÍS DE CAMÕES, NO TEMPO E NO ESPAÇO

15/01/2014

A Cura Moral

      
por Giberto Silos

Continua a causar perplexidade em todo o mundo, o fato de várias enfermidades ainda resistirem aos mais sofisticados recursos da medicina, utilizados para eliminá-las.

Nas peças orçamentárias de muitas nações, vultuosas importâncias são canalizadas para a saúde pública. A movimentação de tais recursos traduz-se na construção de bem aparelhados hospitais; na criação, manutenção e ampliação de centros de pesquisas; na formação de profissionais categorizados, etc. No âmbito da iniciativa privada encontramos laboratórios investindo constantemente na elaboração de novos medicamentos para com­bater diversos estados patológicos. Outras empresas valem-se de tecnologia altamente sofisticada na fabricação de instrumentos cirúrgicos, visando a atender as mais prementes necessidades da ciência médica. Mobiliza-se, portanto, toda a capacidade do cérebro humano para deter a ação desse flagelo chamado enfermidade. É um desafio sem fronteiras.

O estudante esoterista, dentro do seu campo particular de pesquisa científico-espiritual, deve procurar conhecer a gênese das enfermidades. Max Heindel, em sua obra "PRINCÍPIOS OCULTOS DE SAÚDE E CURA", oferece-nos interessantes subsídios a respeito. Diz o fundador da Fraternidade Rosacruz que, embora condições ambientais, mudanças climáticas, acidentes ou fatores hereditários, etc. pareçam constituir as causas determinantes da enfermi dade, sua origem encontra-se em nós mesmos, em nossa conduta moral. Nossas doenças provêm de uma errônea maneira de viver, pensar e sentir. São o resultado de erros passados ou presentes. Decorrem de nosso descuido em não atender ao chamamento interno de nossa consciência, constantemente, procurando sobrepor-se à nossa natureza interior.

Como membros da Fraternidade, fazemos a apologia do método de cura Rosacruz, transmitido a Max Heindel pelos Irmãos Maiores. Tal sistema sanador promove a saúde do corpo pela combinação da panacéia espiritual, naturismo, dietética e outros meios afins. O paciente, naturalmente, deverá observar certas normas componentes do método. O primeiro passo é entrar em contato por carta ou e-mail com um centro autorizado da The Rosicrucian Fellowship e solicitar formulário e maiores informações para o ingresso no "Serviço e Auxílio de Cura" . Será orientado através de correspondência. Receberá uma pequena tabela onde estão discriminadas as datas de cura e um exemplar do Ritual do Serviço de Cura. Nos dias apropriados, quando a lua transita por um signo cardeal, deverá, às 18:30 horas (19:30 horas quando horário de verão), retirar-se a um lugar tranqüilo. Em seguida mentalizará a Rosa Branca e Pura no centro do Símbolo Rosacruz, no muro oeste do Templo de Cura da Sede Mundial, concentrando-se, com toda a intensidade de que seja capaz, no AMOR DIVINO CURADOR e se possível realizar a leitura do ritual acima referido. (Vide Nota).

Nesses dias, o paciente deverá datar e assinar, com tinta lavável (não se deve usar caneta esferográfica) um formulário específico para esse fim. Ao cabo de 6 (seis) semanas consecutivas deverá remetê-lo ao Departamento de Cura, acompanhado de uma carta relatando suas atuais condições de saúde.

O método de cura Rosacruz é notavelmente eficaz. São muitos os casos de curas consideradas como verdadeiramente milagrosas. Guarda-se, contudo, sigilo sobre os mesmos por questões de ética.

Toda enfermidade manifesta-se primeiramente no corpo vital, para expressar-se, posteriormente, no corpo denso. Os chamados "Auxiliares Invisíveis" da Fraternidade Rosacruz, devidamente instruídos nesse mister, manipulam o órgão afetado, em sua contraparte etérica, aplicando-lhe a panacéia. Restau­ram-lhe a harmonia, normalizando--Ihe as vibrações. Portanto, a cura, também, efetua-se primeiramente no corpo vital.

Há grande interesse dos estudantes em conhecimentos mais profundos sobre a panacéia. Os dicionários definem-na como um remédio universal para a cura de todos os males. é uma palavra de origem grega: PANAKEIAS. PANA (tudo ou pão) e AKESTAR (curar). Literalmente quer dizer "O pão que cura", ou seja, um remédio com a fórmula para tudo curar.

Max Heindel assistiu, no Templo da Rosacruz, à elaboração da panacéia. Diz ele: "A panacéia faz com que a substância concentrada da vida de Cristo flua através do corpo do paciente, dando a cada célula um ritmo que desperta do Ego preso em sua letargia, devolvendo-lhe o vigor e a saúde". Em outra passagem afirma: "É uma visão inolvidável. Ao penetrar no Templo, vi três esferas suspensas no teto, no meio do salão. Na esfera superior observei um pequeno recipiente com vários pacotes cheios de substâncias de Espírito Universal. Os Irmãos sentaram-se numa certa posição enquanto a música preparava o ambiente. Inesperadamente as três esferas começaram a brilhar com as três cores primárias: a supe­rior, azul; a intermediária, amarela e a inferior, vermelha. Durante esse encantamento cheio de beleza, re­parei que o recipiente dos pacotes se iluminou de uma essência espiritual. Vi como os Irmãos tomaram essa substância, aplicando-a nos pacientes adormecidos à medida que os visitavam à noite. Quanto ao efeito da panacéia, é maravilhoso. Quando aquela substância era aplicada, irradiava-se pelo corpo do pa­ciente como uma luz mágica, destruindo toda matéria cristalizada que cobria os centros espirituais do corpo enfermo. A cura era instantânea e o paciente despertava são na manhã seguinte".

O auxílio prestado pelo Departamento de Cura é efetivo e real. Cabe, entretanto, ao paciente colaborar, fazendo a sua parte. Cumpre--Ihe observar certos princípios, sem o que tudo resultará em malogro. Enfatizando a importância de tais princípios, recordemos algumas pas­sagens do Novo Testamento, que Cristo-Jesus realizou algumas curas:

Mateus - cap. 8, vers. 13: "E então disse Jesus ao centurião: Vai-te e seja feito conforme a tua fé. E, naquela mesma hora, o servo foi curado."

Mateus - cap. 9, vers. 2: "E eis que lhe trouxeram o paralítico deitado num leito. Vendo-lhe a fé, Jesus disse: Tem bom ânimo filho: estão perdoados os teus pecados. Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa."

Mateus - cap. 9, vers. 19 a 22: "E Jesus, levantando-se, o seguia e também os seus discípulos. E eis que uma mulher que durante doze anos vinha padecendo de uma hemorragia, veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste. Porque dizia consigo mesma: Se eu apenas lhe tocar a veste, ficarei curada. Jesus voltando-se e vendo-a disse: Tem bom ânimo filha, tua fé te salvou.

João - cap. 5: "Então lhe disse Jesus: Levanta-te, toma teu leito e anda. Mais tarde Jesus o encontrou no templo e lhe disse: Olha que já estás curado; não peques mais para que não te suceda coisa pior."

Vimos assim que eram três as condições necessárias para que a cura se realizasse, assumindo caráter permanente: (1) Não pecar mais; (2) Ter bom ânimo; (3) Ter fé.

Hoje, mais que nunca essas condições prevalecem. O paciente, segundo o método de cura Rosacruz, deve observar as seguintes normas de conduta, análogas àquelas acima mencionadas:

1) NÃO TRANSGREDIR AS LEIS NATURAIS - Compreende a adoção de uma dieta pura e adequada à sua constituição, hábitos saudáveis, higiene pessoal e caseira, uso legítimo da forca criadora, temperança, etc.

2) NUTRIR PENSAMENTOS E SENTIMENTOS POSITIVOS — Significa manter o equilíbrio e a serenidade em quaisquer circunstâncias. Não albergar pensamentos sombrios, pessimistas ou derrotistas. Não perder o controle das emoções. Não ceder aos impulsos da ira, da inveja, do medo, do desânimo. Nada temer. Se em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, não há razão para temores. Em momentos de hesitação, conscientizar-se da Divina Presença. Amar sempre. A tudo e a todos. Amor é alegria. é luz. Mal algum resiste ao poder do amor.

3) TER FÉ NO DIVINO PODER DE CURA - Viver na convicção de que receberá ajuda e a conseqüente cura.

Deduz-se, pelo exposto, que a cura depende de uma atitude interior, de uma postura moral. É preciso que o paciente envide esforços no sentido de regenerar-se, pois, caso contrário, obstaculizará as forças que pretendem auxiliá-lo. Por exemplo: Um indivíduo sofre de problemas hepáticos. Solicita ajuda ao Departamento de Cura, obtendo-a em seguida. Tão logo se sinta melhor, volta a beber seus uísques diários. Ninguém se surpreenda se re­pentinamente a enfermidade voltar a atormentá-lo. Ora, ele está transgredindo uma lei natural, frustrando o processo de cura. é como alguém que, desejando atravessar um rio profundo, sem dispor de meios, resolve construir uma jangada. Alcançando a outra margem, ao invés de abandonar a jangada que construiu, resolve arrastá-la consigo terra adentro. Sua caminhada será difícil e sofrida, pela presença de algo pesado, e agora sem utilidade. O álcool, num passado longínquo, já serviu ao propósito da evolução. Hoje, porém, só denigre e atrasa. Nota-se, então, como muitas pessoas teimam em carregar, às costas, pesadas jangadas.

Hipócrates, o "Pai da Medicina", viveu no quinto século A.C. Dedicou-se a arte de curar, fazendo-o com extrema amorosidade. Tratava o paciente como um todo: corpo, mente e espírito. Atribui-se-lhe uma frase célebre: "Não há doenças, há doentes". Os doentes da alma acabam por adoecer fisicamente. A dor serve para alertar. O sofrimento significa que algo está errado.

Como a humanidade reluta em compreender e viver essas verdades, as Divinas Hierarquias utilizam as alternâncias para alertá-la quanto às suas transgressões. Assim, "bem e mal", "bom e mau", "dor e prazer", "alegria e tristezas", servem de parâmetros para avaliação de conduta e estabelecimento de relação causa--efeito. Se sofremos é porque produzimos alguma desarmonia. Só a harmonia nos trará a plenitude.
publicado na revista Serviço Rosacruz, abril 1982
Nota: Parágrafo editado e atualizado devido à mudanças nos procedimentos 

21/12/2013

Místico Natal

MÍSTICO NATAL

Que a luz da estrela mística desperte
dentro de ti a consciência no Natal,
e Cristo, em ti nascendo, converter-te
possa em servo consciente do Ideal.

Orienta-te por ela à tua Belém,
depondo aos pés de Cristo a tua vida;
o ouro, o incenso e mirra, sabes bem,
são símbolos da dádiva sentida
que os homens, quando magos, far-lhe-ão.

O ouro é nosso espírito em vivência
na luz, que a mirra da alma, pela dor
e ao serviço da humana redenção,
extrai de nosso corpo em suave essência,
abreviando a missão do Salvador.

Publicado no informativo 
ENCONTRO do Centro de Santo André, 
nov-dez 2001- desconheço o autor

Com estas duas expressões artísticas: uma imagem e um poema, findo minhas atividades deste ano, neste blog, desejando a todos que aqui visitam, um Abençoado Natal e um Novo Ano pleno de oportunidades bem aproveitadas para o crescimento espiritual.

Que nestes próximos dias, em nossa habitual retrospecção anual e meditações sobre o conteúdo de "Interpretação Mística do Natal" possamos ter farta colheita com consequente preparação de novas e mais saudáveis sementes para o futuro.

07/12/2013

Vitalizemos Nosso Arquétipo(*)

"Estamos bem próximos do fim deste ano. E, como o pensamento, ao final de cada ciclo, se volta naturalmente ao passado, é oportuno considerar com que velocidade o tempo corre e quão ilusória e evanescente é a vida no mundo dos fenômenos!

Isso nos faz lembrar, também, como é precioso o nosso tempo e a responsabilidade enorme que temos no justo emprego que dele fazemos.

Em verdade, o tempo deveria ser utilizado, quanto mais possível, de modo edificante, para que resultasse em maior crescimento de nossa alma. Caso contrário, que aproveitaria ao homem ganhar o mundo inteiro se viesse a perder a sua alma?

Esta é uma época de sementeira e segundo nos foi ensinado: “aquêle a quem se dá muito, muito também se lhe há de exigir”, incumbe-nos tomar senso da responsabilidade de nossos atos. Respondemos não só pelo que fizemos, como, igualmente, pelo que deixamos de fazer. E, consoante a gradação de consciência, nós, estudantes rosacruzes que possuímos íntimo conhecimento dos propósitos de Deus e de todas as oportunidade que nos oferece, por mediação amorosa dos Irmãos Maiores, haveremos de responder em maior extensão da responsabilidade, pelo uso que fazemos do tempo.

Do exposto podemos compreender que os atos todos de cada ser humano produzem um efeito direto nos arquétipos de seus veículos, influindo na lei da vida e da evolução.de modo a fortalecer o arquétipo - ocasionando um prolongamento da vida, para lograr o máximo de experiência e desenvolvimento anímico, na proporção da capacidade de adaptação e de aprendizado – ou enfraquecendo-o – por transgressões à Lei e desarmonia arquetípica, perdendo oportunidade de evoluir pela antecipação do passamento.

Aquele que sabe aproveitar suas oportunidades e bem utilizar seu tempo poderá, em poucas encarnações, levar a cabo um grande avanço espiritual e aproximar-se da perfeição. Contrariamente, o que mal gasta a corrente vital e conscientemente busca fugir a seus deveres de consciência ou aplica suas energias de modo destrutivo, distanciar-se-á da meta, atraindo as mais dolorosas experiências – único meio de recuperação das almas teimosas.

Todos os atos contrários à Lei encurtam a vida, aumentando o número de renascimentos e protelando o Dia da Libertação.

A Bíblia, exata e verídica como é, exorta-nos a fazer o bem para que se prolongue a nossa vida sobre a Terra. Esta lei abarca todos os seres, sem exceção, mas tem maior significação nas vidas daqueles que já estão conscientemente laborando na Vinha. O conhecimento dessas verdades deve aumentar em dez ou até em um cento de vezes nosso zelo e interesse pelo Bem. E mesmo que tenhamos começado tarde, poderemos facilmente acumular um tesouro enorme nestes últimos anos bem aproveitados de nossa existência, maior até do que em grandes períodos de vidas anteriores, de semi-inconsciência. Sobretudo, estamos nos colocando em linha para iniciar em esferas mais elevadas nossas futuras existências na Terra.

Assim, pois, alimentemos o mais firme propósito, de utilizar do melhor modo possível, nosso tempo e oportunidades, na firme esperança de que os frutos colhidos no ano que passou servirão de semente para aumentar nossos esforços no ano entrante."
(*) Uma tradução antiga da carta 96 do livro Cartas aos Estudantes utilizada
como editorial  da revista Serviço Rosacruz, novembro de 1967
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27/11/2013

Ação de Graças


Desde que foi criado – em 26 de novembro de 1789, pelo presidente Washington- o Dia Nacional de Ação de Graças sofreu várias modificações. A ideia original é de que fosse um dia de oração, observado por todas as religiões e dedicado somente a agradecer a Deus.

À medida que os anos foram passando, esse dia era celebrado sem continuidade, até que em 1863 se tornou um feriado nacional e anual (*), celebrado regularmente na última quinta feira de novembro. A tradição é de se ter uma abundância de comida à mesa, com a família reunida. Por esta razão o símbolo antigo da colheita, a cornucópia da fartura é ainda o enfeite favorito da mesa.

As comemorações mudaram drasticamente através dos séculos. Antigamente as famílias podiam reunir-se com facilidade, uma vez que gerações após gerações permaneciam no mesmo local.

A comida e a atmosfera de fraternidade podem parecer as características mais importantes, mas os serviços religiosos são celebrados visando mostrar-nos o verdadeiro sentimento de gratidão que devemos cultivar pelas bênçãos recebidas.

Gratidão é um atributo de sabedoria e uma base importante de evolução. Um homem sábio valoriza as assim chamadas “pequenas coisas” da vida; na verdade ser grato pelas pequenas oportunidades é engrandecê-las.

Note que o Dia de Ação de Graças, como nos lembra Elman Bacher em seu Estudos de Astrologia, vol.II, “é comemorado quando o Sol está em Sagitário, signo regido por Júpiter” – o planeta da abundância e da generosidade. Melhor observando ainda: esse dia ocorre sempre na primeira quinta feira sob o signo de Sagitário (quinta feira: dia da semana regido por Júpiter).

“Pai e Criador de todos nós, damos-Vos graça pela satisfação de nossas almas em poder participar dos Ensinamentos Rosacruzes e do privilégio que isto significa. (trecho da Oração de Ação de Graças).
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Adaptado do ECOS da Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil, nov,dez- anos 1999 e 2000
(*) para os EEUU
NOTA: Leitura da Oração de Ação de Graças e oficiação do ritual Serviço do Templo na Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil - dia 28 próximo, quinta feira, às 13 horas - reunião pública

09/11/2013

Devoção (II) Sacrifício e Consagração

traduzido da Rays from the Rose Cross, julho 1976 (original po Thomas O'Hare)
Continuação de Devoção - Fé  e Amor (veja aqui)
 
3- AUTO SACRIFÌCIO
À medida que nosso espírito de devoção cresce, sentimos que estamos mais capazes e mais desejosos de praticar o auto-sacrifício. Devemos ser um sacrifício vivo no altar da humanidade. Nós, que aspiramos a Iniciação, temos de ter em vista e compreender que só nos aproximaremos da porta do Templo quando tivermos desenvolvido a força do amor e caminhado pela estrada do auto-sacrifício.

Uma pessoa devotada a outra ou a um ideal está pronta para sacrificar-se pelo bem do próximo. Há, definitivamente, uma necessidade no homem de aprender a sacrificar-se. A vida de Cristo sugere, com ênfase, este caminho. É importante enfatizar aqui o ideal que nós, estudantes da Fraternidade Rosacruz, aspiramos e ao qual nos dedicamos: é Cristo — tanto na pessoa figura ímpar, quanto como O Indicador do Caminho para a Iniciação.

Praticamos o auto-sacrifício para que Cristo possa nascer dentro de nós, para que possamos dizer como Paulo: "Fui sacrificado com Cristo e não sou eu que vivo, Cristo vive em mim, a vida que vivo agora na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me ama e se entregou por mim" (Gal. 2:20).
 
Devemos estar sempre cientes para quem estamos servindo, dedicando nossos esforços e nossas vidas. Estamos servindo o espírito de cobiça ou a Cristo? E quando tivermos uma resposta, analisemos novamente e em consciência, pois é muito fácil enganarmo-nos. Os testes são sutis. Quando percebemos nossa vulnerabilidade podemos apreciar mais profundamente a posição de Jesus Cristo. "Portanto, Deus o exaltou soberanamente e Lhe deu um nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Cristo Jesus se dobre todo o joelho e toda a língua e confesse que Cristo Jesus é o Senhor, para glória de Deus Pai". Quando pudermos nos dedicar ao Seu serviço com todo sentimento e com verdadeiro cuidado é que estaremos começando a alcançar a verdadeira devoção. Devemos sacrificar-nos para encontrar Sua Luz e Seu Caminho e então, conseguiremos dizer. "Senhor, fazei com que a Vossa vontade seja feita na minha vida e que eu possa servir-Vos melhor cada dia".

4 — CONSAGRAÇÃO
A lição da consagração decorre naturalmente das lições do amor, da fé e do auto-sacrifício. Ao aceitarmos o sacrifício pedido para alcançar uma vida cristã, já consagramos nossas vidas. Queiramos ou não, já consagramos nossas vidas, oficialmente, do mesmo modo que aqueles que se tornaram Probacionistas(*), não podendo permitir-nos cair em hábitos antigos. Aspiramos o máximo, daí termos que exigir de nós mesmos o máximo de modo que possamos estar em harmonia conosco, de uma forma correta. Precisamos estar constantemente atentos aos ideais que aspiramos durante o Caminho da Preparação, ao mesmo tempo que devemos consagrar nossas vidas sempre e sempre a estes ideais — como Max Heindel os define: "A serviço da Humanidade".

Consagração implica em certa quantidade de Santidade e é o significado da palavra Santidade que precisamos entender.

Num determinado momento reconhecemos que nossas vidas são dons sagrados e que temos uma responsabilidade definitiva com esta Santidade e com ela devemos entrar em harmonia, compreendê-la e vivê-la. Devemos dizer-nos: "Foi-me dado um presente sagrado: a vida. Ao aceitar este dom eu suporto a responsabilidade de viver minha vida com Santidade". Olhemos para dentro de nós mesmos e perguntemos: "Estamos preparados para consagrar nossas vidas?" "Desejamos seguir Cristo para onde Ele nos enviar?"

A verdadeira devoção é como uma árvore que precisa dar frutos. A medida que as pessoas começam a crescer no espírito de devoção, praticando as lições de devoção, certos eventos começam a acontecer em suas vidas.

Um dos primeiros frutos da devoção é a prece. Max Heindel no diz que a prece correta é dos métodos conhecidos, o mais poderoso para o crescimento da alma. A razão disto é que a prece é um meio de espiritualizar o corpo vital. O corpo vital é formado por quatro éteres e os dois éteres superiores podem servir como veículos nos mundos mais elevados. Através da prece, os dois éteres superiores são desprendidos do corpo vital. É aí, então, que nos tornamos Auxiliares Invisíveis. Este fato nos torna mais capazes de servir em outras esferas que não seja só a esfera física.

Quem estiver fazendo um esforço para pôr em prática as lições de devoção, sentirá que a prece fervorosa que emitir terá nela todos os elementos da própria devoção. Ela revelará amor, fé, auto-sacrifício e consagração. Contendo elementos dessas quatro qualidades, ela será uma prece poderosa que trará uma resposta do Pai.

O crescimento do espírito de devoção, especialmente para aqueles que precisam esforçar-se e trabalhar para seu desenvolvimento, contribui para o fortalecimento do princípio da vontade em nossa personalidade. Tentando, conscientemente, desenvolver as sementes da devoção que são o amor, fé, auto-sacrifício e consagração, estamos trabalhando sobre os nossos desejos, como aspirantes ao Caminho da Realização e nossa força de vontade é muito importante. É através dela que conseguimos disciplinar-nos e produzir os frutos de nossas vidas.

A verdadeira devoção requer uma vontade muito forte. Não é uma tarefa fácil praticar, corretamente, as lições de amor, fé, auto-sacrifício e consagração. Daí dizer-se que um dos frutos da devoção é o desejo — o princípio positivo e masculino de Divindade.

A verdadeira devoção, assim como o amor que a precede, requer ação. Ela não permite àquele que a possui ficar recostado, deixando passar as horas. Ao contrário, ela precisa fluir tanto em ações quanto na verdade. A prática combinada das lições da devoção nos leva, inexoravelmente, ao caminho da ajuda — ajuda em amar — em esquecer-se a si próprio em prol dos outros.

Este é o ideal que aspiramos no nosso caminho até Deus. A ajuda é necessária para os verdadeiros devotos e a devoção é, do mesmo modo, necessária para que se obtenha uma verdadeira ajuda. Não podemos servir (ajudar) verdadeiramente, a não ser que tenhamos a capacidade de amar, de ter fé e que estejamos desejosos de sacrificar-nos por nossos irmãos e irmãs — em outras palavras, a não ser que sejamos verdadeiramente devotos.

Cada pessoa deverá reunir as partes que formam a devoção de sua própria maneira. Somente nós, como indivíduos, podemos praticar as lições de amor, fé, auto-sacrifício e consagração e só nós podemos julgar se estamos, realmente, esforçando-nos para atingir as metas que nos propusemos seguir.

Devemos fazer de nossos corpos instrumentos de ajuda, purificando-os e harmonizando-os de maneira que se tornem e sejam Templos dignos de Cristo.

O tempo de renovação aproxima-se. É o tempo de plantar novamente sementes de devoção e de cuidar, seriamente, dos botões que estão crescendo. Nós, aspirantes, arcamos com uma grande responsabilidade para com aqueles que estão sobrecarregados e sofrendo. Nós, que abraçamos os Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz procurando respostas e agora que as temos, devemos ir adiante e ajudar aqueles menos afortunados. Precisamos falar de nossos corações para os corações de todos aqueles com quem tomos contato, e isto requer todas as lições de devoção. Oremos para que possamos aprendê-las bem.
publicado na revista Serviço Rosacruz, agosto de 1984

19/10/2013

Hipócrates, o Pai da Medicina

por Delmar Domingos de Carvalho

Hipócrates, o Pai da Medicina,
Ensinou que o “teu alimento
Seja o teu medicamento”,
Dando valor a cada mezinha.
 
Merece ser lido e relido
O seu nobre juramento
E aplicado em cada momento;
E aqui deixo um pedido!
 
Que ele seja devidamente cumprido,
Na sua generalidade,
Haja ética, responsabilidade,
Que o amor á vida seja cumprido.
 
Leia-se o que escreveu sobre a gestação,
Considerando a sua profissão como sagrada
Com altruísmo deve ser ensinada,
Como nada deve ser usado contra a conceção.

Usou magistralmente a astrosofia
Na sagrada arte de curar,
E que quem não a souber praticar
Jamais terá verdadeira Sabedoria.

 Artigos do escritor Delmar Domingos de Carvalho: clique aqui

05/10/2013

Devoção (I) - Amor e Fé

traduzido da Rays from the Rose Cross, julho 1976 (original po Thomas O'Hare)

Os ensinamentos que Max Heindel divulgou para o mundo Ocidental estão, especificamente, destinados àqueles com mentes inquiridoras. É-nos ensinado, ainda, que o intelecto precisa primeiro, estar tranquilo para que o coração possa falar. Assim, é importante que nós, que estudamos os Ensinamentos com seriedade, tenhamos que fazer grandes esforços para equilibrar nossas tendências mais intelectuais.

O desenvolvimento da devoção pode ter esta função de equilíbrio pois se refere, especificamente, ao nosso coração, ao qual estão reservados elevados ensinamentos. Para muitos de nós, os elementos intelectuais nos chegam com maior ou menor facilidade; é preciso cuidado porque, por vezes, estão aí as nossas maiores dificuldades. Como Max Heindel coloca em "Coletâneas de um Místico" (Cap.II-Iniciação): "O maior perigo do aspirante neste ponto é cair vítima do laço que tende ao egoísmo e sua única garantia é cultivar as faculdades da fé, da devoção e uma simpatia universal. É difícil, mas pode ser alcançado e quando isso se consegue, o homem ou mulher se transforma numa força maravilhosa, para o bem do mundo". E é por isso que, como estudantes do Ocultismo, nosso crescimento moral deve ultrapassar nosso crescimento esotérico, pois, caso contrário, faremos um mau uso das forças espirituais que adquirimos. Como aspirantes ao Caminho da Iniciação, devemos cortejar a devoção e nos esforçarmos para desenvolvê-la, pois ela exerce uma grande importância no nosso crescimento. Quando a devoção surge na nossa vida e permanece viva, ela constitui uma força muito grande. Serve, também, como defesa contra as muitas tentações que nos aparecem pelo caminho.

Vamos observar primeiro, dois casos do mundo material e, por analogia, ver como a devoção age.

Uma pessoa pode ser devota à outra; isto normalmente implica amor, carinho e fé. Do mesmo modo, uma pessoa pode ser devota a um ideal; todas as suas energias estão dirigidas para alcançar e servir este ideal. Isto implica sacrifício e consagração. Na devoção, nós encontramos quatro elementos: amor - fé - auto-sacrifício e consagração. São essas as quatro lições de devoção:

1 - LIÇÃO DE AMOR:
O amor é uma lição bastante enfatizada pela Filosofia Rosacruz, pois é a própria Filosofia que procura aproximar o hiato que existe entre o coração e a mente. Devemos desenvolver um coração meigo, baseado no amor e carinho para com nossos irmãos. Se olharmos para o título de "O Conceito Rosacruz do Cosmos", encontraremos escrito em pequenas letras: "Cristianismo Místico".

Nestas duas palavras estão contidas todos os ensinamentos que Max Heindel tinha em mente quando instituiu a Fraternidade Rosacruz e escreveu seus livros.

Essas duas palavras nos falam somente de amor. O Místico escolhe andar pelo caminho da tristeza e do sofrimento, por causa do amor. o ideal é sempre o mesmo: seguir Cristo, e é pelo amor Dele que o Místico seguirá para onde quer que Ele o leve. É este tipo de amor que nunca nos poderá levar à censura ou ao conflito com os propósitos de Deus. Todos nós sabemos que a palavra "Cristão" nos fala de uma forma direta e máxima de Cristo, que implantou a ideia básica do amor neste mundo.

Os dois grandes mandamentos que Ele nos deu falam deste amor: "Amarás o Senhor, teu Deus, com todo teu coração, com toda tua alma e com todo teu espírito (amar a Deus sobre todas as coisas). Este é o primeiro e o maior mandamento. E o segundo é semelhante: "Ama o teu próximo como a ti mesmo” (Mat. 22:37-39). Isto nos coloca diante de um grande ideal ao qual devemos aspirar, especialmente se andamos pelo Caminho Oculto.

A verdadeira devoção requer amor, como sua primeira lição. Nosso amor precisa ser o menos egoísta possível.

No 13° Capítulo da l Epístola aos Coríntios, Paulo fala do amor. Esta é a insuperável descrição de amor que está contida no Ritual do Serviço do Templo da Fraternidade Rosacruz. Seria muito proveitoso para todos nós se meditássemos e aceitássemos isso. Naturalmente, não podemos esperar dar um salto tão grande de nossa presente consciência de amor para a consciência ideal que for colocada diante de nós. Devemos dar-nos tempo para crescer, conscientes do ideal, mas também cientes de que somos humanos. Max Heindel expressou isto, habilmente, em um pequeno poema:

Deus ama sem cessar,
Mas nós mortais, sob certas leis,
mudamos constantemente
pelos sentimentos de dor ou de prazer.

Devemos praticar o amor no mais profundo do pensamento, cuidar deste sentimento e permitir que ele se liberte.

Um bom exercício para isto é primeiro centralizar nossos pensamentos em alguém que nos é querido e deixar fluir este amor que sentimos por este alguém. O próximo passo é desviar o fluxo deste amor para outra pessoa ou grupo de pessoas, que podem não nos ser tão queridos. Deste modo podemos lembrar e abençoar todos aqueles com quem contatamos.

2-FÉ:
Seu cultivo e seu desenvolvimento são sementes de devoção que podemos plantar. Max Heindel nos aconselha como aspirantes ao Caminho, a colocar a nossa mente numa postura infantil que será muito útil para o desenvolvimento da fé. Precisamos, também, conservar uma visão otimista. Do nosso limitado ponto de vista, pode parecer-nos que o mundo está andando numa "montanha russa", completamente fora de controle. Porém, sabemos que grandes Inteligências estão por detrás desse suposto caos do nosso mundo, controlando e dirigindo sua evolução. Da mesma maneira, com nossas próprias vidas, quanto mais nos colocarmos nas mãos de Cristo, mais começaremos a "viver a vida", a sentir a fé e mais perto estaremos Dele. Comecemos deixando que nossas vidas, nossos pensamentos, nossos sentimentos, nosso desejo sejam guiados por Ele. Esta é a idade da Fé: crer e confiar. O homem precisa aprender isto, agasalhar este senti­mento e fazê-lo penetrar em sua alma.

Max Heindel fala-nos da fé. "se trabalhamos com a lei para os. outros, a lei nos protegerá, pois estamos trabalhando com ela. A partir do momento que nos colocamos nas mãos de Deus, que pensamos como fazer seu trabalho e de que forma executar Sua vontade na Terra, então nos tornamos Seus co-colaboradores. Depositamos Nele a incumbência de nos proteger e podemos ficar tranquilos de que tudo que for necessário para nosso progresso material e espiritual virá" (Rays form the Rose Cross - agosto 1915, p. 35).

É através do desenvolvimento da fé que começamos a pôr de lado as preocupações e temores que nos assolam e que são tão prejudiciais para quem aspira o Caminho.

Viver uma vida de fé é um processo de crescimento, pois a grande maioria das pessoas aprendeu, e infelizmente muito bem, como ter preocupações e temores. Não é uma tarefa fácil livrarmo-nos dessas algemas; mas vale tentar e lutar por isso e é uma grande conquista quando nós, finalmente, o conseguimos. É natural, no entanto, que este processo seja gradativo e não devemos esperar dar um passo gigantesco com um resultado imediato. Aproximemo-nos da nossa meta, aos poucos, com persistência, através de esforços combinados, firmes e sinceros.
publicado na revista Serviço Rosacruz, agosto de 1984