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28/08/2020

O CENTENÁRIO DO TEMPLO ROSACRUZ (OCEANSIDE - 1.920 - 2.020) Suas Indeléveis Marcas

Templo de Cura
Templo de Cura da The Rosicrucian Fellowship

 por Jonas Taucci

Neste Ano de 2.020, temos o centenário de fundação do Templo Rosacruz, na cidade de Oceanside, estado da Califórnia, Estados Unidos.

 

Na quarta-feira, 12 de dezembro de 1.990, o Centro Rosacruz de Santo André, promoveu palestra nas dependências da Biblioteca Municipal da cidade de Santo André (SP-Brasil), que esteve a cargo dos irmãos probacionistas Luiz Mario Salvini e a mim.

 

Intercalamo-nos, naquela noite, para tecer comentários sobre o (então) 70º aniversário da inauguração do Templo Rosacruz.

 

Vou tentar, até onde minha memória recordar, dissertar sobre esta palestra, no que concerne os motivos de escolha do “local” e “data” de sua fundação e consagração.

 

Possa o transcrito abaixo servir de reflexão e meditação sobre este assunto, principalmente neste seu tão significativo 1º centenário.

 

LOCALIZAÇÃO

 

Muitas pessoas, através dos anos, indagam sobre o motivo de Max Heindel ter escolhido esta cidade para ser o local de nossa Sede Mundial, e no ano seguinte ao seu falecimento, ser ali assentado o Templo Rosacruz.

 

Ao receber e escrever, na Alemanha em 1.907, a maior parte dos ensinamentos contidos na obra “Conceito Rosacruz do Cosmo”, dada pelos Irmãos Maiores, Max Heindel foi orientado pelos mesmos, de que esta obra seria ampliada e reescrita na América, uma vez que ele - Max Heindel – estivesse na “atmosfera elétrica” daquele país.

 

No livro “Astrodiagnose Um Guia de Saúde”, o casal Heindel nos informa que Aquário/Urano regem os éteres, sendo este signo elétrico.

 

Augusta Foss de Heindel relata que ao ver – pela primeira vez – o terreno onde seria construído a Sede Mundial (e consequentemente o Templo Rosacruz), Max Heindel disse imediatamente:

 

- Ah, este é o lugar!

 

Certamente, “algo” motivou o Sr. Heindel a dizer, entusiasticamente, esta frase naquele local.

 

No Dia de Ação de Graças - 19 de novembro de 1.914 -  o fundador da Fraternidade Rosacruz, disse em Oceanside:

 

- “... Há seiscentos anos, um posto avançado dos mistérios se fixou na Alemanha e a Ordem Rosacruz começou a ensinar aos poucos que estavam então preparados. Hoje, aquele posto avançado já realizou o seu seu trabalho na medida do possível, naquela parte do mundo.  Um outro posto avançado foi designado para as costas do Oceano Pacífico, aqui na costa oeste do nosso continente...”

 

A Fraternidade Rosacruz foi fundada na cidade de Seattle (estado de Washington), em 08 de agosto de 1.909, contudo sua Sede Mundial e Templo Rosacruz, localizam-se em Oceanside, estado da Califórnia.


Sobre a imagem: vide nota da edição no final do texto


Elmam Bacher, em sua monumental obra “Estudos de Astrologia”, tece comentários sobre o Antigo Egito, afirmando: “uma característica desta civilização antiga e iluminada, foi que os Sacerdotes Iniciados e Reis-Sacerdotes, não foram apenas simplesmente governantes de seus súditos, eles eram Pais-Espirituais”.

 

E revela:

 

“Os americanos progressistas desta época, trazem sua descendência evolutiva desde renascimentos egípcios antigos”.

 

DATA DE FUNDAÇÃO

 

Ano de 1.920.

Em 29 de junho iniciaram-se os trabalhos de construção do Templo Rosacruz, a pedra fundamental foi colocada na data do aniversário de Max Heindel (23 de julho) e sua inauguração e consagração deu-se na “noite mais santa do ano” (Ritual Rosacruz de Natal); a noite de 24 de dezembro.

 

A sucessão de eventos, na ordem abaixo descrita, nos dá um vislumbre das vibrações emanadas na naquela sacra noite:

 

A) Probacionistas reuniram-se para o oficiamento do Ritual Rosacruz de Lua Cheia. Um coral em procissão, adentrou ao Templo, entoando a música “Vinde vós, os fiéis cheios de fé”

 

B) Ao órgão, a maravilhosa passagem “Cavaleiros do Santo Graal”, da ópera “Parsifal”, de Richard Wagner.

 

C) Todos os presentes cantaram a música “Noite Feliz”, seguida de leitura das Sagradas Escrituras, com referência à Imaculada Conceição e ao nascimento de Jesus (que cederia seus Corpos Denso e Vital a Cristo).

 

D) Com sugestivo nome, a música “Abrem-se os portais do Templo”, foi entoada.

 

E) A Sra. Augusta Foss de Heindel, proferiu uma exortação, sobre o “propósito da obra e da necessidade da consagração pessoal, despertando em todos uma sincera resolução de persistir nos esforços pela espiritualização, por Cristo e pela humanidade”.

 

F) Uma seleção de músicas, à flauta, ecoou pelo Templo, e após isso se fez ouvir a canção “Pequena cidade de Belém”.

 

G) Em absoluto silêncio, os presentes retiraram-se do Templo, ao som do “Hino Rosacruz de Encerramento”, executado ao órgão.

 

Desde então – e por uma centena de anos - milhares de Rituais Rosacruzes foram e estão sendo oficiados neste local ( Lua Nova, Lua Cheia, de Cura, Rituais Solsticiais e Equinociais) em consonância com eventos astrológicos, fomentando assim uma Egrégora, que sem dúvida alguma, está sendo utilizada pelos Irmãos Maiores na elevação da humanidade.  

 

Inequivocamente podemos – todos e em qualquer época – contribuir para com esta Egrégora, VIVENCIANDO os Ensinamentos Rosacruzes, e não apenas os conhecendo.

 

Alguns Centros Rosacruzes, espalhados pelo mundo, em dezembro (acertadamente) organizam a comemoração (aberta do público) do NATAL, em data próxima - geralmente num sábado ou domingo anterior - a este sagrado evento, intercalando números musicais, poesias, oficiamento do Ritual Rosacruz de Dezembro, leituras devocionais, comentários ao Cristo e sobre o Templo Rosacruz, em Oceanside.

Inaugurado e consagrado na “noite mais santa do ano” a um século...

 

SUGESTÕES DE LEITURA

 

- Estudos de Astrologia, de Elmam Bacher, Volume V – Capítulos II e VII.

 

- O Faraó Alado, da autora inglesa Joan Grant, livro citado e elogiado por Elmam Bacher.

 

- Memorias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz, de Augusta Foss de Heindel. À época da palestra, em 1.990, este livro ainda não estava traduzido para o português (Memoirs about Max Heindel and The Rosicrucian Fellowship). Atualmente existe a tradução – na íntegra – e publicado graças a dedicados probacionistas.

 

- Iniciação Antiga e Moderna, de Max Heindel, Capítulo III – Sala Leste do Templo – Parte: A Mesa dos Pães da Proposição.

 

- Cristianismo Rosacruz, de Max Heindel, Conferência IX – As Alegorias Astronômicas da Bíblia.

 

- Coletânea de um Místico, de Max Heindel, Capítulo XXIV – O Objetivo da Fraternidade Rosacruz.

 

- Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel, Capítulo XII – A Evolução na Terra / Parte: A Época Ária.

 

- Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, de Max Heindel – Volume II – Pergunta 145, (ler rodapé da página, ao final da resposta, complemento importantíssimo).


- Mistério das Grandes Óperas, de Max Heindel – Capítulo VII, Parsifal.

 

- Escala Musical e o Esquema de Evolução, por um estudante rosacruz – capítulo IV – A Correlação da Música com o Deus Solar.

 

- Lições Mensais de Filosofia ao Estudante, de nossa Sede Mundial, Oceanside, anos 60’.

 

- Bíblia, Antigo Testamento – Salmos 148:03.

 

-  Ritual Rosacruz de Natal  e  RitualRosacruz de Dezembro.


01/02/2019

Sobre Aquário, Urano e Probacionismo (Tríade Rosacruciana)

por Jonas Taucci
Em momento algum da história da Fraternidade Rosacruz, seus ensinamentos foram tão divulgados como no presente. Isto deve-se às redes sociais, youtube, whatsapp, e-mails, blogues, facebook etc. O canadense, e autor de vários livros sobre comunicação de massa, Marshall Mcluhan (1.911-1.980), informou a décadas passadas, que haveria num futuro não muito distante, o que chamou de “aldeia global” em termos de informação e comunicação. Utilizo-me destes meios também na divulgação dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental.

Em momento algum da história da Fraternidade Rosacruz - penso - formam-se tão poucos probacionistas em consonância com a quantidade de divulgação e respectivo acompanhamento dos Ensinamentos Rosacruzes, como na atualidade.

Paradoxo?

Neste início de fevereiro, em que o Sol transita pelo signo de Aquário, seria oportuno algumas reflexões.

O Caminho da Iniciação Rosacruz consiste em sete passos, a saber: 


Fica evidente, haver uma enorme desproporcionalidade entre a divulgação dos Ensinamentos Rosacruzes, e o ingresso ao probacionismo das pessoas que acompanham estas divulgações.

Primeiramente, há que se respeitar – e disso não devemos abdicar – o sacrossanto livre arbítrio das pessoas em desejarem ou não serem probacionistas e consequentemente seguirem os passos seguintes.

(Os probacionistas podem divulgar este seu grau a público, contudo, a partir do seguinte, discipulado, não. A intimidade espiritual é preservada pelo aspirante Rosacruz a partir disto).

Max Heindel nos revela existirem sete Escolas de Mistérios no mundo. A Fraternidade Rosacruz é uma delas, e seu caminho iniciático consiste nas etapas acima descritas.

Todas!

A palestra (final de janeiro do ano 1.983, Sol em Aquário), realizada pelo probacionista Luís Mario Salvini, do Centro Rosacruz de Santo André, foi proferida na Biblioteca Municipal da cidade do mesmo nome, sendo baseada no artigo “Os sete pecados capitais do mundo moderno”, autoria de Christine Lindemann - publicada na revista Serviço Rosacruz, setembro de 1.982, e também na obra de Max Heindel, Ensinamentos de um iniciado – capítulo XX - Nosso trabalho no mundo, Parte I.

Vou resumi-la:

Os Irmãos Maiores, realizaram um estudo retrospectivo da linha de pensamento da nossa era, abrangendo talvez o estudo de milênios anteriores, desta forma, tornaram-se aptos a obterem uma concepção apurada da direção que provavelmente tomariam as mentes das gerações futuras e determinar suas necessidades espirituais.

O Sr. Heindel, nos informa que a conclusão tirada pelos Irmãos Maiores foi a detecção dos grandes pecados de nossa época (ou pecados capitais modernos):


Tornam-se claras nas palavras de Max Heindel no referido livro, a necessidade do (fiel) aspirante rosacruz, de sublimar estes três itens.

*** ORGULHO INTELECTUAL - Não evoluímos espiritualmente, porque sabemos intelectualmente os Ensinamentos Rosacruzes; nem mesmo por divulgarmos ou acompanharmos suas divulgações pelas redes sociais ou quaisquer outros meios.

Somente a vivência e aplicação diária destes Ensinamentos, alavancará o nascimento de nosso Cristo Interno. O fundador da Fraternidade Rosacruz, em vários de seus livros, faz esta admoestação, aventando mesmo a possibilidade do “Conceito Rosacruz do Cosmos” (obra básica), ser um fracasso, se esta obra
estiver sendo absorvida apenas em sua intelectualidade. A idolatria às nossas próprias conclusões e ditames, constitui-se num dos obstáculos gigantescos nesta obra alquímica de transmutação do nosso orgulho intelectual em sabedoria.

*** INTOLERÂNCIA - Basta darmos uma olhada nas redes sociais (ou mesmo nos diálogos verbais entre as pessoas) e veremos a quantas andam a temperatura (e rimando, postura) sobre política, racismo, sexo e religião, apenas para citar estes quatro exemplos, pois há outros.  O ódio, muitas vezes ocupa uma posição de destaque, ainda que pessoas não admitam isso (muitas admitem!).

Paulo em sua Carta aos Colossenses (3:13), nos fala de “...  suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem.  Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós”.

Há um trabalho hercúleo a ser realizado nesse sentido, onde não avançaremos um milímetro – em termos espirituais – antes que esta obra interna seja feita, independentemente da quantidade de conhecimento que possamos ter.

*** IMPACIÊNCIA DIANTE DAS LIMITAÇÕES E RESTRIÇÕES – Inexiste ser humano que não se depare com limitações e restrições; fazem parte do projeto de evolução e no seguir na caminhada de nascimento ao nosso Cristo Interno.

A) Porque determinadas limitações e restrições estão presentes na vida de uma pessoa, e a outras, não?

B) Como meu Tema Natal, pode fornecer respostas a isso?

C) As Leis de Causa e Efeito estão atuando neste sentido? De que modo, e como faço para transmutar estas situações?

D) Quais casas de meu horóscopo, os exercícios de Concentração e Retrospecção, (uma das fórmulas alquímicas para sublimarmos os “três pecados capitais modernos”) se fazem mais necessárias?

São boas perguntas que devemos fazer a nós mesmo, não nos esquecendo de que os mesmos Irmãos Maiores que realizaram o estudo retrospectivo da linha de pensamento da nossa humanidade - citado acima - são os mesmos que idealizaram e transmitiram à humanidade estes dois exercícios (Concentração e Retrospecção), através de Max Heindel.

Devemos observar, tirar conclusões a estas perguntas; vermos a impaciência diante das limitações e restrições por outra ótica, iniciar um processo de alquimia interna a isto, e não nos lamentarmos diante delas.

Foi o que Cristo nos ensinou ao dizer que “ao te ferir numa face, oferece-lhe também a outra” (Lucas 06:29).

(Quando – fisicamente – sofre-se uma agressão numa face, e vira-se a outra, o ângulo de visão física, muda. Esqueçamos este lado físico das palavras Cristo, Ele não pregou o masoquismo, e sim a Sabedoria de olharmos as “agressões situacionais” que a vida nos apresenta, de um outro ângulo).  

Reiterando, todos possuímos o livre arbítrio de sermos ou não probacionistas, contudo, somente os passos acima, completos, levam à Iniciação Rosacruz (uma das sete Escolas de Mistérios), de acordo com as informações de Max Heindel. 

Cabe a cada um o direito de decidir (ou não) o que deseja para si...

04/02/2018

A Autossuficiência do Método Ocidental


"O método Rosacruz difere de todos os outros num ponto especial: procura, desde o princípio, emancipar o Aspirante de todas as dependências externas e orienta-o a cultivar a confiança em si próprio ao máximo grau, a fim de que se torne num ponto de apoio e de ajuda aos demais — levando-os a alcançar a mesma desejável condição". (Max Heindel, em "O Conceito Rosacruz").

A presença e ação de um orientador espiritual autêntico, longe de impor dependência, promovem uma relação essencial do aspirante consigo próprio. Sua ajuda, como fator externo e relativo, devolve a pessoa a uma mais alta consciência de seu próprio ser. Leva o estudante a desvendar em seu íntimo uma necessidade até ali insuspeitada por ele, libertando-lhe energias e capacidades que, sem esse suscitar, não teria encontrado aplicação, continuando adormecidas dentro dele.

O orientador da Escola Rosacruz guarda-se de ser endeusado. Ele conhece a verdade ensinada pela doutrina psicanalítica: "o indivíduo, uma vez desligado da constelação familiar, esforça-se por estabelecer em os novos meios de relacionamento (a Fraternidade, por exemplo) ligações da mesma ordem. Ele está essencialmente desejoso de reencontrar uma mãe, um pai, irmãos, por causa de uma necessidade regressiva que lhe dá segurança". De fato, há no neófito inexperiente a tendência de superestimar os dirigentes de um movimento espiritual. Quando se desiludem, muitas vezes se afastam e nunca mais voltam a outro esforço dessa ordem. É preciso, pois, que saibam: todos, num movimento espiritual, são estudantes da verdade. Todos objetivam o mesmo fim, de realização individual. Se alguns se põem no difícil papel de expositor e orientador é porque não se podem negar à necessidade da difusão e do serviço amoroso e altruísta ao próximo.

O orientador esclarece desde logo e sempre que a verdade pertence ao Divino interno. O Cristo interno é que pode apropriar-se das experiências e ensinos externos, adaptando-os ao grau particular de consciência evolutiva da personalidade pela qual atua. Só o Verbo interno pode instruir. Como disse Descartes: "É preciso tornar as pessoas discípulas da verdade e não sectários obstinados do que o expositor ensina". Há sempre o risco de se corromper essa pura busca da verdade, quando o aspirante tende a venerar a personalidade do instrutor, em vez de buscar, além da pessoa, a revelação de que ele é simples mensageiro. Se buscássemos a verdade além da pessoa, poderíamos aproveitar o que diz qualquer orador, além das simpatias e antipatias exteriores. O homem aberto à verdade aprende de tudo e de todos, porque a reconhece, independentemente de sua fonte. O Divino sempre traz à nossa experiência aquilo que devemos aprender, mas isto requer que estejamos descondicionados.

Assim, colocamo-nos na vida como aprendizes e mestres, uns dos outros, cada qual contribuindo animicamente pela edificação de todos. A presença, embora necessária, do orientador é ocasional, para provocar relação com a verdade que ele já atingiu em alguma medida. Ninguém nos dá a verdade porque ela já está repousando, em potencial, dentro de nós. No entanto, ela precisa ser suscitada e isto subentende a presença de um intercessor que tenha realizado boa dose da verdade. Mas isto não o converte em mestre. Ele, por sua vez, recebeu essa verdade Universal dos verdadeiros Mestres da Humanidade, aqueles altos Iniciados que, por Seu esforço individual, abriram caminho à frente, tornaram-se os vanguardeiros da evolução e alcançaram uma ampla visão da Verdade. Por amor, voltaram e no-la revelaram, através de iniciados menores, como foi o caso de Max Heindel. Tal é a garantia da verdade que recebemos, inicialmente. Depois devemos experenciar essa verdade e torná-la nossa, pela adequação a nosso nível de ser. Todo orientador aprende dos Mestres que os caminhos são individuais e diferentes, por causa da epigênese - a chispa criadora interna. Assim, a orientação legítima é encaminhar cada pessoa para que ela seja autenticamente ela mesma.

É um triste exemplo o do orientador que impõe pontos de vista e se compraz na imitação do neófito. O estudante que se esforça em alcançar o favoritismo pela imitação do orientador, amesquinha a si mesmo; e o orientador que o permite, comete deturpação pedagógica, lesa o livre arbítrio do aluno, anestesia-lhe a epigênese e assume uma dívida de destino. Ambos se iludem e prejudicam.

Max Heindel relata sua experiência com o Irmão Maior e Mestre. Sempre que ia procurá-la em busca de uma solução difícil, Ele apenas lhe indicava o caminho e nada dizia. Os Irmãos Maiores desencorajam toda e qualquer dependência. Tal é o método cristão-esotérico. Cristo disse: "Se alguém quer ser meu discípulo, tome sobre si mesmo sua cruz e siga-me". É o mesmo que dizer: "Eu te mostro a direção, mas deves assumir o teu destino, arrostando tuas dificuldades e realizando tua obra evolutiva a teu modo".

No seu último dia de vida, Sócrates dirige a seus discípulos uma solene advertência: "Não façais grande caso de Sócrates. Acreditai-me nisto. Levai em conta a verdade de que não apenas eu sou portador".

Sócrates tinha razão ao esclarecer seus discípulos na hora derradeira. Sua ausência não seria a ausência da verdade, pois ele sabia ser apenas uma interposta pessoa nesse solilóquio de cada um consigo próprio, desvelando o íntimo, que é a terra natal da verdade. Ele nos ensinou que todo o verdadeiro instrutor é um medianeiro de consciência. Por isso permanecia como um parteiro de almas. Ele suscitava e trazia à luz, o conhecimento potencial, pré-existente em cada indivíduo. Por isso reduzia-se, humildemente, à função de um parteiro espiritual, convicto da presença antecipada da verdade do Cristo interno, que deve nascer e crescer. Ele mostrou que a suprema relação é a do homem para consigo mesmo; ele revelou que o homem não tem outro centro que não seja ele mesmo. O mundo inteiro se concentra nele (no profundo sentido e não egoístico). Desse modo, conhecer-se a si próprio é conhecer a Deus.

Mas não se entenda que devamos permanecer na verdade que recebemos, comprazendo-nos em ser discípulos para sempre. Bem disse Kant: "o estudante não deve aprender pensamentos, e sim, aprender a pensar, para que não seja carregado em dependência, mas guiado e, no futuro, seja capaz de dirigir-se por seus próprios meios".

É claro que o instrutor ajuda muito na abertura, despertar e evolução da consciência, estimulando e suscitando a verdade interna potencial. A evolução humana é uma cadeia de amor. Sempre alguém ajudou outro a subir. Nosso nível evolutivo atual foi ajudado por outros que nos precederam. Há um patrimônio de cultura e de consciência que os mais adiantados vão deixando aos detrás, se bem que a assimilação da verdade é individual e cada um de nós enriquece esse patrimônio com algo de original que os outros não têm.


O importante é que cada um procure superar-se continuamente. Permanecer numa verdade relativa, sem ultrapassá-la para atingir outra mais alta, é retardante. Na escada de Jacó, aquele que não tira o pé do degrau de baixo, não pode levá-lo ao de cima, no esforço de constante ascensão.

Só o fanatismo ignorante se detém em alguma coisa, considerando-a como a última palavra. Max Heindel nos adverte continuamente contra isso. Em o "Conceito Rosacruz do Cosmos" ele diz: "esta obra não é a última verdade. O autor reconhece a possibilidade de haver-se enganado em alguns pontos, motivo por que, quaisquer eventuais falhas não devem ser imputadas aos Irmãos Maiores". Os próprios Irmãos Maiores — Altos Iniciados — admitem que algumas vezes se enganam. Eles sabem que, em relação à verdade absoluta, todos somos discípulos. Por mais que, espirais muito maiores, Eles busquem assenhorear-se da Verdade, sempre há algo a atingir, porque a verdade é infinita. Daí que a relação deles com a verdade seja uma relação de humildade.

Uma escola é autêntica quando tem por alicerces mestres dessa natureza, que através de suas mensagens buscam orientar os estudantes à própria realização. Todos temos direito de despertar para uma verdade maior, sem dependências. Buscar segurança na tutela de um mestre, não é da Escola Ocidental de Mistérios. Seria um parasita o estudante que permanecesse na mesma linguagem recebida do Mestre, repetindo indefinidamente a tradição, receoso de errar, de faltar à fidelidade; incapaz de recriar, como lhe reclama o dom epigenético. Aprender a meditar, a pensar, é saber desmembrar uma verdade básica em todas as infinitas consequências. Se o "Conceito Rosacruz do Cosmos" é uma exposição elementar da verdade Rosacruz, isto significa:  um mundo de verdades ocultas, manifestado simplesmente no que se lê. Existem abismos de decorrências nas entrelinhas.

Apesar de seu imenso amor, os Mestres ocidentais estão prevenidos para não se apegarem aos discípulos. Só os falsos mestres submetem os incautos alunos à sua tutela, como pais que relutam em compreender e aceitar que os filhos devem ter vida própria quando se tornam adultos. A psicologia fala do "complexo de desmame" e das perturbações que ele produz na família. O mesmo sucede na família espiritual, entre mal preparados instrutores e seus alunos, que se deixam enredar nessas interferências subconscientes, em prejuízo de mútua edificação. Assim como os pais não devem submeter à escravidão os filhos que põem no mundo, também o mestre não deve prender o discípulo que formou — senão ajudá-lo a alcançar a autenticidade e consciência plena de próprio. Por isso lhe facilita a libertação e compreende quando o discípulo, no seu esforço de autoafirmação, se volta contra ele, como os rapazes em relação aos pais.

Não se trata de escolher entre o mestre e a verdade. Foi ele quem nos introduziu à verdade. A amizade e gratidão pelo mestre é a mesma amizade e gratidão pela verdade. Somos gratos ao mestre, não pela pessoa dele senão pelo papel de intercessor que exerceu, para despertar-nos a verdade. Não significa que não tenhamos o direito de contradizer e tentar ultrapassar o mestre. Esse esforço de auto-realização não é contrário à amizade, senão o fruto dela, porque recebemos do mestre a procuração para prosseguir a tarefa de investigação à nossa maneira. O que se passa é que, no esforço de auto-realização, quase sempre o discípulo se envolve na vaidade. Na tradição filosófica da Grécia há trechos lindíssimos de discípulos que se voltaram contra seus mestres, no esforço de serem eles mesmos. É como se cometessem um parricídio, ao consumar o simbólico crime de eliminar a dependência ao mestre, no rito de passagem à própria autonomia.

Mais tarde compreendem que não mataram nada porque a verdade é imortal e só ela é quem esteve presente, relacionando-os, englobando-os e tornando sublimes os seus diálogos. Só então se tornam cônscios da função do mestre e do discípulo. Só então podem atuar corretamente, em relação àqueles a quem, por sua vez, toca ajudar.

Orientador e aluno, cada um desempenha um papel essencial, um em relação ao outro, provisoriamente. É apenas uma fase na vida de cada um deles, na qual o desenvolvimento se cumpre pela verdade em diálogo, cada um exercendo o seu entendimento e buscando o outro, num confronto e desejo de mútua edificação. 

Finalizamos com um pensamento de Leonardo da Vinci: "Triste é o discípulo que não se esforça por ultrapassar seu orientador. Triste é o orientador que se indigna por ver os seus discípulos esforçando-se por ultrapassá-lo".
Publicado na Revista Serviço Rosacruz, maio de 1976