23/12/2012

Meditação na Noite de Natal

por Eduardo Aroso
Uma semente te deixo,
Pérola devocional.
Aqui fica o meu espírito,
O espírito de Natal.

Cada dia, todo o ano,
Reacende tu a chama,
Sou o teu Cristo Menino,
A cada hora te chama.

Cada acção seja boa,
Reflectindo o firmamento.
Crescendo eu, tudo toma
O mais santo alimento.

Eu sou a Luz do Mundo,
Eu sou a Luz Dourada,
Eu sou o advento
De nova caminhada.

Nesta noite tão serena
Num instante pára o vento.
Cantam anjos de alegria
Por mais este nascimento.

Sou o Cristo de Aquário,
Amor total que vem,
No Natal do futuro
Toda a Terra será Belém.

do livro: CAMINHO PARA A ROSA, Eduardo Aroso
publicado pelo Centro Rosacruz Max Heindel, MINDE, Portugal, 2008

06/12/2012

Três Cidades Que Hospedaram O Cristo


Três pequenas cidades podem orgulhar-se de haver hospedado o Cristo — a maior Luz que a Terra jamais conheceu: Belém, Nazaré e Cafarnaum.

Cafarnaum significa "cidade do Consolador". Ficava no território da tribo de Neftali, limítrofe do da tribo de Zabulon. Mateus aproveitou-se disso para aplicar a Cristo o trecho de Isaías (8:23 a 9:1): "No passado, o Senhor humilhou a terra de Zabulon e a terra de Neftali? no futuro glorificará o caminho do mar, a outra margem do Jordão e a Galiléia dos gentios: o povo que caminhava nas trevas viu grande luz; sobre os habitantes da terra das sombras uma luz brilhou".

O "caminho do mar" ia de Damasco ao Carmelo, através do Jordão (também chamada "Peréia", do grego peran, que significa "além", e que hoje é denominada "Transjordânia"). A Galiléia dos gentios é a cidade de Cafarnaum, porque nela havia grande mistura de judeus e gregos e constituía um forte entreposto comercial, com ligações por terra e mar com os distritos circunvizinhos e que demandavam Horã, Tiro, Sidon, Síria e Egito. Daí serem tidos os cafarnaítas, pelos ortodoxos da Judéia, como "livres-pensadores" e como "heréticos sincretistas". Mas justamente por isso o terreno era fértil para a pregação de Cristo, com almas sinceras, sem hipocrisia, podendo manifestar livremente suas crenças.

Dentre as interpretações bíblicas, a que se relaciona com a Astrologia espiritual diz que Jacó tinha 4 esposas (Lia, Raquel e suas duas amas) que representam as 4 fases da Lua. Com elas gerou 13 filhos, sendo uma filha, Diná, que representa o único signo feminino: Virgo. Dois filhos, Simeão e Levy, representam o signo de Gêmeos; e os demais 10 filhos, os outros signos do zodíaco. A região de Neftali está ligada a Capricórnio; Neftali era um dos filhos de Jacó, representado por uma corça que partia em corrida até vencer um ano (iniciado pelo solstício de dezembro). Deduzimos, pois dentro dessa simbologia, que Neftali era um lugar de provas, de séria concentração e de análise, atributos saturninos valiosos na evolução espiritual.
publicado na revista Serviço Rosacruz de novembro de 1977

07/11/2012

CAMINHO PARA A ROSA

por Eduardo Aroso
CAMINHO  PARA  A  ROSA 

O caminho para a Rosa
Começa na sombra que oprime.
Mas há luz mais adiante
E a alma se redime.

O caminho para a Rosa
Nasce da dor do peregrino
Que morre e volta a nascer
Pra que o amor possa vencer.

E há a solidão
Deserto essencial
Onde se prova o caminhante.


do livro: CAMINHO PARA A ROSA, Eduardo Aroso
publicado pelo Centro Rosacruz Max Heindel, MINDE, Portugal, 2008
Mais artigos e poesias de Eduardo Aroso - aqui

27/10/2012

Não Resistais ao Mal

Sue Goske
Ao adentrar o pátio externo do Tabernáculo do Deserto a pessoa encontrava, primeiramente, o Altar dos Sacrifícios. Em nossos tempos, quando o aspirante põe o pé no CAMINHO, conhece,  de imediato, o passo inicial: a purificação. Em seu ardor desejará, sem dúvida, superar logo todos os obstáculos à sua caminhada. Aspirará a vencer o mal. Porém, antes de iniciar suas tentativas, deverá conhecer as técnicas, por assim dizer, que lhe assegurarão êxito em seu empreendimento.

Tudo existe como VIBRAÇÃO. A natureza de um objeto ou ser é determinada pelo seu peculiar tipo de vibração. Chamamos de "bom" tudo o que vibra em harmonia com as Leis da Natureza: colaboração, unidade, enfim, todo elemento conducente ao bem do conjunto.

O ato praticado através de motivação altruísta gera uma vibração harmoniosa com o todo. O mal é uma vibração discordante. Insofismavelmente, o mal, e o bem criam, de maneira diferente, a discórdia e a harmonia. O egoísmo é, realmente, ego-destruição. Enquanto o homem viver em desacordo com a Natureza, por ignorância ou propositadamente, terá de sofrer. Não vencerá as Leis da Natureza: elas é que o vencerão. E das dores e sofrimentos padecidos formar-se-ão pérolas de sabedoria. O homem compreenderá que não pode desafiar as forças superiores. Dessa maneira, o mal colabora para um bem final. Através dos efeitos da discórdia em sua vida, o ser humano aprende a amar a harmonia.

Os aspirantes da Antiga Dispensação obedeciam à Lei pelo medo. O Cristo trouxe a Lei do Amor à humanidade. O medo e o amor são duas vibrações bem diferentes. O aspirante moderno tem a possibilidade de efetuar a trans­mutação em seu próprio ser polo PODER DO AMOR. Cristo Jesus nos ensinou a chave oculta do método a ser empregado: "Não resis­tais ao mal". A resistência é composta por fricção, luta e intensa oposição. Essas vibrações não se harmonizam com a meta do aspirante: o equilíbrio. Ele poderá descobrir, até com certo espanto, que não possui armas para batalhar contra o mal. Foi isso que aconteceu com Amfortas, personagem de "Parsifal" tentou destruir Klingsor por meio de uma força que só devia ser usada para curar. Eis aí uma pista esclarecedora das causas profundas da derrota sofrida por Amfortas: usou um poder sagrado que lhe fora confiado, de maneira indevida. Tentou destruir e não curar. O uso pervertido acarretou-lhe a perda daquele maravilhoso dom. É particularmente significativo que ele colheu exatamente o efeito de suas próprias intenções: um ferimento sem cura, até a remissão completa do mal gerado.

Podemos, então, interpretar o princípio de "Não resistais ao mal" por "Não resistais à vibração desarmoniosa; transmutai-a em harmonia". Se a vibração de Amfortas fosse constituída de perdão, amor e sabedoria,  não teria investido contra o mago negro Klingsor. Não seria prejudicado e poderia sujeitar os poderes maléficos do mago negro pela nota-chave amorosa do poder de Cristo, cuja vibração mais elevada é capaz de transmutar o mal em bem.
traduzido da revista Rays from the Rose Cross, nº desconhecido
publicado na revista Serviço Rosacruz, julho de 1977

12/10/2012

O Valor da Humildade

por Delmar Domingos de Carvalho
Ele que é o mais alto Iniciado
Da onda de vida dos arcanjos,
Ser poderoso e Iluminado
Muito acima dos anjos.
 
Tinha Poder para vencer
Todos os exércitos, todos os militares,
Mas não o podia exercer
Senão o plano cósmico, ia pelos ares.
 
Humildade está nos Servidores,
Como está nos sábios verdadeiros,
E não na maioria dos doutores,
Nem nos que estão cheios de dinheiros,
 
Muitas das vezes obtidos
Por meios ilícitos e até legais!
E nos que estão vendidos
Aos poderes efémeros, brutais.
 
A Humildade está na Pureza
E por Ela a Deus verão
Na Sua infinita Fortaleza.
Enche o meu pobre coração.
 
Poesias e Artigos do escritor Delmar Domingos de Carvalho: clique aqui

30/09/2012

A Vontade e a Razão


Tem sido dito que a inclinação do homem para o mal é mais forte do que para o bem. Indubitavelmente isto é certo no presente estado evolutivo da humanidade.

Quando o aspirante sincero se propõe à reforma de hábitos, sente agudamente a luta entre o espírito e a carne, que lhe ruge no peito com aquela violência que Paulo descreve ao desafogar seus íntimos sentimentos, dizendo como a carne pelejava contra o espírito em seu coração e como fazia o mal que não queria fazer e omitia o bem que desejava realizar.

É uma luta gigantesca, a da construção silenciosa do templo interno. E só com a ajuda da razão podemos vencê-la, como disse João, 8:32: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".

No homem comum, os princípios espirituais não se desenvolveram suficientemente para dar-lhe consciência de si e isto mostra que o "conhecer a verdade" equivale a conhecer a si mesmo". Apesar das tendências animais serem proporcionalmente mais fortes que as inclinações espirituais, há uma luz divina e eterna, dentro de nós, atraindo-nos poderosamente à Sua busca. Se resistimos a esse íntimo apelo e preferirmos dirigir-nos ao mal, essa atração não deixará, contudo, de existir. Mas também nunca poderemos alcançar a razão perfeita das coisas e de nós mesmos, se não nos dirigirmos a esta Chama interna, o Cristo interior. O homem só poderá ser completamente livre quando sua razão vibrar uníssona e harmoniosamente com a razão divina interna, que por sua vez vibra com a razão universal. Portanto, o homem só pode ser livre se obedecer à Lei, não por temor, como os antigos, mas pelo conhecimento elevado de que a razão de Deus é amorosa e justa.

Até que cheguemos lá, vamos plantando em nossa alma um número infinito de sementes. de bem e de mal, donde surgirão belas plantas e plantas disformes. O calor necessário para o seu crescimento vem do fogo que se chama vontade. Se a vontade é boa, desenvolverá plantas belas, se é má, plantas disformes. Logo, o passo atual do homem é a purificação da vontade, cultivando-a para que se converta numa potência espiritual e o único meio para purificar a vontade é a ação. Para, consegui-lo, as ações têm de ser boas, até que o agir bem seja mera questão de hábito. E o hábito se estabelece quando na vontade não haja mais desejo de agir mal.

Cristo nos está ajudando, com sua descida anual à Terra, até à segunda volta, a formar o corpo espiritual, o corpo-alma, que nos possibilitará a transição do ar. Por isso nos afirmou que aparelhará lugar. E Paulo completa: “os que vivem em Cristo”. 

Esta realmente é a condição. E, se por um lado temos livre arbítrio para desleixar tão importante trabalho evolutivo, (pois, na medida que evoluímos, influímos em todo o nosso ambiente, ajudando a apressar o novo advento) também podemos aplicar-nos conscientemente a esse trabalho, como fazem os autênticos aspirantes rosacruzes.

Não há lugar, pois, a comodismos, a procrastinações, irresponsabilidades e indiferença. A cada um será dado segundo seu mérito individual e não pelos que os "mestres" externos e humanos possam prometer.

Do editorial da revista Serviço Rosacruz de março de 1964 

17/09/2012

Acrosofia

 
Ah! tu podes ter sido programado,
Pois teu cérebro é computador.
Podes ser enfeitado, diplomado,
Bem sei que tudo tem o seu valor.

Mas o saber que é tanto desejado,
Não é sujeito ao tempo destruidor,
É do homem que foi santificado,
Em diro aprendizado pela dor.

Descobre o teu mistério e te conquiste
Com verdadeira e sã sabedoria,
Pois este é o desafio que persiste...

Vai pelo amor que abre o coração...
Conhecer a ti mesmo é acrosofia,
É a senda própria da iluminação.
Antonio Ribeiro de Mattos,
Estudante da Fraternidade Rosacruz em São Paulo

Publicado no Ecos da Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil -


23/08/2012

O Significado dos Mitos

por Gilberto Silos
 
Max Heindel afirmou que o Mito foi o recurso utilizado pelos Divinos Guias da Humanidade para orientá-la em sua infância espiritual. O vocábulo Mito origina-se do grego Mvthos que quer dizer relato. É um relato em linguagem simbólica, capaz de projetar os arquétipos de verdades espirituais na consciência humana. Em sua obra "Mistérios das Grandes Óperas", Max Heindel revela o significado oculto de vários mitos oriundos da Europa setentrional.

Os mitos confundem-se com as próprias religiões. Todas as grandes religiões mediterrâneas e asiáticas possuem sua mitologia. A Bíblia, tanto quanto outros livros sagrados, contém mitos.

Os mitos contam histórias sagradas, fatos ocorridos em tempos imemoriais. Relatam como graças aos Seres sobrenaturais uma realidade passou a existir, como algo começou a ser. São geralmente, uma narrativa de uma criação, seja do Cosmos, seja de uma cultura, uma nação ou um comportamento. Explicam não apenas a origem do mundo, dos animais, das plantas e da humanidade, mas também de todos os acontecimentos através dos quais o homem converteu-se no que é hoje.

Como os mitos transmitem arquétipos de verdades cósmicas, é comum encontrarmos o mesmo relato em civilizações e religiões diferentes, que se desenvolveram em épocas distintas e locais bem diferentes uns dos outros. É o caso do mito da Sagrada Família. O mesmo enredo da história cristã de Maria, José e Jesus se repete em tempos e épocas diferentes. Na antiga religião egípcia fala-se do salvador, o deus sol Horus, filho de Isis (uma virgem) e Osiris. No norte da Europa, Baldur, filho da virgem Freya, nasce entre animais, numa estrebaria, sendo conduzido às montanhas para fugir dos perigos que o ameaçavam. Saga idêntica é a de Krishna, na índia e Quetzacol entre os astecas, na América pré-colombiana.

São muito comuns, também, entre várias civilizações os mitos do "fim do mundo". A Bíblia fala de Noé e de como ele sobreviveu ao Dilúvio. Em outras culturas o mundo foi destruído por um cataclismo e a humanidade aniquilada, com exceção de um casal ou de alguns sobreviventes. Esses mitos transmitem a ideia de que o mundo tanto quanto o homem devem recriar-se e regenerar-se ciclicamente. Mostram o final de um ciclo já exaurido em suas possibilidades evolutivas e o início de um novo, com lições inéditas para a humanidade. Essa ideia de que o Cosmos encontra-se ameaçado se não for recriado inspirava a principal festividade dos índios californianos.

A função do mito é de revelar arquétipos, dando significado ao mundo e à existência humana, mostrando, também a sacralidade inerente a todas as coisas.
publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz, set,out 1993 - Sede Central do Brasil

05/08/2012

Do Amor e do Ser (17)

por Eduardo Aroso (*)
Alguém já disse que a nossa época «é o tempo dos atrasados», isto é, por estranho que pareça, todas as oportunidades de evolução, embora dadas a todos, hoje são manifestamente oferecidas aos atrasados da humanidade: desde os mais pobres aos políticos e plutocratas, mas que ainda vivem apenas na esfera do sensível. Todas as energias e atenções estão voltadas para aqueles que se satisfazem com o conforto, os bens (ainda que necessários), em suma para «o que é de César», desde a sociedade até às igrejas instituídas que, como bem observou Max Heindel, já não podem dizer ao doente «levanta-te e anda».

Quanto aos mais adiantados, ninguém os ouve na televisão, na imprensa, salvo as possibilidades de os termos na internet, o único canal de liberdade. Todas as atenções se voltam para as banalidades diárias, extravagâncias, em suma para os heróis do efémero.

 Quem entre o público dirige a sua atenção para alguém que fale de um assunto elevado? Como diz um amigo meu, mesmo se começasse a escutar quem suportaria esse sábio por mais de um minuto?

 É que, geralmente, tais homens falam de assuntos de sempre (podendo, é claro, ser vistos de outro modo), de leis criadas por Deus, de princípios da Natureza que não se compadecem com modas. E isto não está no gosto das massas nem de uma grande parte dos chamados intelectuais, porque todos querem a excitação do corpo de desejos. Este é o nosso veículo mais difícil de dominar, e aqui deparamos com o cerne da diferença que separa o esoterismo ocidental do oriental: para os ensinamentos ocidentais o corpo de desejos – de onde vem todo o incentivo para a acção - não deve ser anulado («matar o desejo»), mas educado e por fim dominado.
(*) Escrito em 29-7-2012), publicado no Grupo Fraternidade Rosacruz Max Heindel (Facebook)

29/07/2012

A Tocha da Razão por Guia


Einstein afirmou em certa ocasião: "Nunca perca a sua santa curiosidade". E que dádiva maravilhosa essa santa curiosidade nos outorgou! Por seu intermédio encontramos ensinamentos capazes de nos explicar tão claramente a época tão conturbada em que vivemos, ajudando-nos a manter uma conduta serena em meio ao rugir das tempestades.

Enquanto aprofundávamos-nos à procura das respostas, nem ima­ginávamos quão bem ocultas estavam as pérolas tão avidamente almejadas. Cristo-Jesus asseverou: "Conhecereis a verdade e a verdade vós libertará". Pôncio Pilatos tão somente soube perguntar: "O que é a verdade?" Como não recebia respostas do seu mundo interior, nenhuma resposta lhe foi dada do exterior.

Muitos encontram fragmentos da verdade e por eles combatem tenazmente. Julgando único seu fragmento, investem desabridamente contra todos os outros. Esse não é um bom método para se al­cançar a verdade. Há verdades de maior ou menor profundidade. Há ângulos enfocando certas fases dessa verdade e há profundezas que o nosso entendimento não alcança.

O hino rosacruz de abertura nos ensina que, tendo a tocha da razão por guia, compreenderemos pontos até então completamente obscuros. Suas palavras irradiam essa verdade: pelo uso da razão e pela persistência, seremos capazes de anular a discórdia produzida no mundo.

Nesses poucos versos do hino, o Sr. Heindel procurou imprimir ênfase a cada palavra para que obtenhamos respostas às nossas indagações: Como? Por que? Qual o método? Qual o nosso raio de ação? O fundador da Fraternidade Rosacruz sempre destacou o fator tempo. Sua vida nos mostrou essa imagem: cada hora tem de ser aproveitada; não há imobilismo, nem pausas, tampouco saltos ou recuos para outras sendas. Assegurou-nos de que assim agindo, seremos capazes de sublimar o mal do mundo pelo bem do qual somos canais.

Albert Pine, um dos grandes filósofos da Maçonaria, afirmou que todas as religiões, todos os Mistérios, todas as ciências herméticas e toda a Alquimia velam as suas verdades transcendentais. Há acesso somente para os sábios e aqueles conhecedores da chave indispensável à percepção da verdade no meio das falsas explicações, mitos e símbolos. Estes servem para iludir aqueles que merecem ser iludidos, preservando a verdade da qual ainda devem ser afastados.

A verdade é perigosa para quem é destituído de mérito ou preparo, da mesma forma como o fogo oferece riscos a uma criança. Siegfried teve de deixar pai e mãe, credo, convencionalismos, idéias preconcebidas, opiniões e desejos mundanos antes de iniciar sua busca, como lemos no livro "Mistérios das Grandes Óperas".

A esse respeito o Sr. Heindel nos ensina em "Cartas aos Estu­dantes": "devemos viver nas condições e ambiente em que nos encontramos, procurando aprender as lições que essas condições proporcionam. Quem flutua nas nuvens em busca de idéias espirituais, negligenciando seus deveres no mundo, erra da mesma forma como aqueles que batalham no lodo do materialismo impelidos pela ambição, atraídos pelas luzes multicores da glória, ou por outros valores mundanos".

As duas categorias de pessoas necessitam de ajuda, porém em direções diferentes. Uns devem colocar firmemente seus pés na Terra. Outros devem elevar-se até enxergar as luzes do céu, para onde cumprem dirigir seus esforços na acumulação de tesouros de valor mais permanente.

Max Heindel afirma que só há uma Grande Verdade: DEUS. Este, porém, possui infinitas facetas, ou várias formas de manifestação. Esta é a razão de todas as religiões e cultos. Cada agrupamento tem a sua lição a aprender. A criança na fase pré-escolar recebe um ensinamento; no curso primário outro; no universitário tem direito a um currículo mais avançado. E o que é verdadeiro para o filósofo, não o será necessariamente para o camponês. Num dos graus da Maçonaria, ensina-se ao candidato que aquele passo não é destinado a quem se acha satisfeito, não desejando explorar os reservatórios de sabedoria encontrados abaixo da superfície, poderá, assim mesmo, avançar na direção da Luz. Que ponto pode ser alcançado? Depende do candidato. Cada mente recebe a verdade de modo diferente. Todos nós já pal­milhamos muitos caminhos em nossas vidas: sob o raio de Marte, impelindo-nos à atividade e à paixão, muitas vezes às custas dos nossos semelhantes; sob a suavidade de Vênus, ou a austeridade de Saturno, ou ainda sob a benevolência de Júpiter. Alegramo-nos na esperança de perceber a amplitude de consciência que nos será outorgada pelo raio de Urano, mesmo que devamos nos contentar, hoje, com o raio de Mercúrio. Estamos ascendendo para a Luz Branca, do Sol, e que unirá todas as outras matizes.

A História nos dá conta das mudanças ocorridas depois que os Mistérios foram modificados no Egito, pelos costumes do conglomerado de povos entre os quais foram introduzidos. Esses Mistérios, originalmente morais e políticos, sem cunho religioso, formaram a herança da casta sacerdotal.

Foram necessariamente modificados pelos sistemas religiosos dos países onde foram propagados. Na Grécia, transformaram-se nos Mistérios de Geres. Em Roma, da Boa Deusa ou Bona Dea. Na Gália, a Escola de Marte. Na Sicília, a Academia das Ciências. Entre os hebreus, os rituais e a religião de um modo geral constituíam atribuições dos levitas, a casta sacerdotal. Com o tempo, os pagodes da índia e as pirâmides do Egito deixaram de ser fontes de sabedoria e cada povo possuía os seus próprios Mistérios. Na Grécia a Escola de Pitágoras perdeu sua reputação, e naquele ponto da História, a Maçonaria passou a ser o repositório dos Mistérios.

Como podemos considerar-nos afortunados por viver em uma época em que esses conhecimentos foram liberados pelos Irmãos Maiores para todos que os procuram, Antigamente eram accessíveis uni­camente aos iniciados. Após a crucificação, porém, o Véu do Templo rasgou de alto a baixo, revelando-nos que a Luz Branca é um reflexo ainda imperfeito da Grande Luz. Por isso, nos exorta a usar "a tocha da razão por guia". É por isso que o Sr. Heindel escreveu: "Devemos ser capazes de reconhecer a verdade internamente".

Lemos na edição de maio de 1916 da revista Rays from the Rose Cross: "A Ordem Rosacruz foi fundada no século XIII por Christian Rosenkreutz, mensageiro das Hierarquias Divinas que conduzem a humanidade em sua evolução. Sua missão é amalgamar o Cristianismo Esotérico, a Maçonaria Mística e a Alquimia Espiritual num grande sistema filosófico e religioso, adequado às mentes inquiridoras, e capaz de satisfazer as necessidades espirituais do mundo ocidental durante a Idade Aquária".

Essa escola, como todas as outras ordens esotéricas, é secreta. A Fraternidade Rosacruz, porém, representa-a no mundo material, tendo como finalidade difundir publicamente essa ciência que une a mente e o coração, sedimentando uma religião científica para o mundo ocidental. Com a tocha da razão por guia, podemos dar passos seguros em direção à nossa meta. Assim, nossas faculdades transformar-se-ão em poderes dinâmicos.

Encontramo-nos no ponto cruciante de nossa evolução. Se atravancarmos a expressão de nossa natureza espiritual, achar-nos-emos reprovados quando menos esperarmos. Seria, de fato, motivo de grande pesar, se formos achados no jardim de infância da vivência espiritual, enquanto que nossas outras faculdades se expressam brilhantemente em assuntos puramente mundanos. Seria um espetáculo ridículo, se não verdadeiramente trágico.

Traduzido da revista Rays from the Rose Cross, nº desconhecido, autor: Richard Parsons - publicado na revista Serviço Rosacruz, set.,1977
Hino Rosacruz de Abertura