30/07/2011

Tannhäuser - o Mito e a Ópera

por Gilberto Silos
A linguagem mágica do mito fala diretamente à alma, sem interferência da razão. As Grandes Hierarquias utilizaram a mitologia para acelerar a evolução humana ao longo dos últimos séculos e milênios. Os mitos serviram para educar a humanidade através de imagens, ideais e idéias arquetípicas. Tannhäuser é um mito e, como tal, oferece valiosos ensinamentos. Wagner captou com admirável sensibilidade toda a intensidade dramática e profundo significado dessa lenda, transformando-a numa de suas mais festejadas Óperas.

Tannhäuser é, tipicamente, o homem enredado no pecado original. Na primeira cena, ele parece despertar de um sono prolongado que lhe causou o desejo de voltar ao mundo novamente.

Encontra-se na gruta de Vênus, em meio a um bacanal. Sente vontade de escapar daquela letargia. Enfrenta um drama de consciência, pois Vênus quer impedi-lo de sair daquele lugar. Tannhäuser ouve o canto dos peregrinos. O tema é o arrependimento, a chamada de consciência. Regressa ao mundo e no caminho encontra trovadores que se dirigem ao castelo de Wartburg. No castelo seriam realizados os jogos florais. Perguntam-lhe por onde andou tanto tempo em que esteve desaparecido. A resposta é evasiva, porque naquela época predominava um sentimento de feroz aversão às forças elementais inferiores.

O prêmio ao vencedor dos jogos seria entregue pela filha do Príncipe Herman, o senhor do castelo. Seu nome é Elizabeth, a quem Tannhäuser amava tão ardentemente. Era um amor sensual por uma criatura puríssima. No castelo Tannhäuser encontra Wolfram de Eschenbach, seu amigo e excelente caráter que, embora amando Elizabeth secretamente, procura aproximar os dois. No castelo, cavaleiros e trovadores aguardam o início dos jogos. Tinham seu código de honra. Os trovadores transmitiam cultura e informações. Alguns eram iniciados.

Trombetas soam convocando os menestréis para o torneio. A entrada do príncipe Herman constitui uma das áreas mais conhecidas da ópera. O premio seria concedido àquele que melhor cantasse o amor. Todos cantaram o amor da alma, menos Tannhäuser. Ele revela sua predileção pelo amor sensual, causando um sentimento de repulsa entre os presentes. No calor da disputa exalta o amor de Vênus. Seu segredo é descoberto. Elizabeth intercede impedindo que o matem.

Tannhäuser arrepende-se. Com o coração mortificado decide ir a Roma e pedir perdão ao Papa. Segue junto com um grupo de peregrinos e faz severa penitência. Dorme ao relento. Caminha entre espinhos. Venda os olhos para não contemplar as belezas da Itália.

O Papa recusa-se a perdoar Tannhäuser e o faz veementemente: “Se habitaste a montanha de Vênus, serás sempre maldito. Não encontrarás salvação a menos que meu cajado floresça” .

Elizabeth ora diante do altar da virgem aguardando Tannhäuser regressar, redimido, de Roma. Ouve-se, ao longe, o canto dos peregrinos. Tannhäuser não se encontra entre eles. Elizabeth ora com mais devoção ainda e retorna ao castelo. Pensamentos sombrios atordoam sua alma. Profunda tristeza a abate. Decide, então oferecer sua própria vida para, diante do trono de Deus, rogar o perdão por Tannhäuser.

Tannhäuser regressa, andrajoso e enfermo. Encontra Wolframe e lhe fala de sua decepção com a recusa do Papa. Desesperado, manifesta sua intenção de retornar à gruta de Vênus. Desespera-se mais ainda ao saber da morte de Elizabeth.

Tocam os sinos e alguém anuncia que, em Roma, o cajado do Papa floresceu. Um grupo de peregrinos canta o milagre ocorrido. Tannhäuser, perdoado, cai morto diante do corpo de Elizabeth. Ouve-se o canto dos peregrinos. Cai o pano.
Publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz-Sede Central do Brasil, Nov.Dez.1997

Mais sobre Tannhäuser e os ensinamentos de Max Heindel, Mistérios das Grandes Óperas:

23/07/2011

Max Heindel, Como O Conheci

 por Art Taylor (*)
Max Heindel (23/7/1865 - 6/1/1919)
     Minha mãe foi secretária de astrologia ao tempo de Max Heindel e Augusta Foss de Heindel, no início de 1914. Ela vivia em Mount Ecclesia, quando. a Fraternidade ainda era pequena em número. Todos constituíam uma família feliz, como hoje. Mamãe vinha a Los Angeles todos os fins de semana e numa dessas ocasiões me trouxe um, volume de "O Conceito Rosacruz do Cosmos". Li-o e fiquei impressionado pela apresentação clara e racional das verdades ocultas. Quando Max Heindel veio falar no Centro de Los Angeles, lá fui ouvi-lo. Ao nos encontrarmos, senti instantaneamente que já éramos amigos desde vidas anteriores.

Convidado a descer a Oceanside, no seguinte fim de Semana, tomei o trem para Santa Fé e ao descer em Oceanside verifiquei tratar-se de pequena povoação, com apenas uns dois quarteirões e algumas casas dispersas. Caminhei umas duas milhas por uma estrada de cascalho até chegar, a Mount Ecclesia. Nos terrenos da Fraternidade havia somente um edifício de administração (abrigando todas as atividades), uma pequena capela e três pequenas casas.

Depois passei a frequentar Oceanside em todos os fins de semana e familiarizei-me com o Senhor e a Senhora Heindel. Quando havia acúmulo de trabalho no departamento astrólogico eu ajudava a levantar e interpretar horóscopos, cooperando com minha mãe e a sra. Augusta.

Depois dos serviços da manhã de sábado Max Heindel e eu nos sentávamos próximos ao lugar onde se encontra hoje o símbolo Rosa Cruz e conversávamos sobre várias coisas de mútuo interesse, tais como astronomia, astrologia, filosofia e ciências, entremeadas de reminiscências humanas e reconfortantes gracejos. Tempos felizes foram esses!

Um sábado de manhã, certo visitante aproximou-se de nós para mencionar que havia gostado muito do harmonium da capela. Max Heindel replicou: "Bem, harmonium é seu nome comum, porém o nome clássico é "venha a mim, vá a mim". Todos rimos cordialmente. Este incidente foi mencionado por mim várias vezes, para mostrar como a gente se prende gostosamente à Fraternidade depois que vem a conhecê-la.

Um dia ajudando a Sra. Heindel, chamei-a "Tia Gussie", o que a alegrou, pois me pediu que sempre a, chamasse assim. Disse-lhe de "minha satisfação em chamá-la "tia Gussie", acrescentando que, neste caso, para completar minha alegria, estenderia o tratamento, chamando a Max Heindel de tio Max, Decide então que eles se tornariam para mim carinhosos tios.

Minha colaboração mais direta começou quando, numa viagem à Mount Ecclesia, coincidindo no mesmo dia o Serviço regular e o de Véspera Lunar, fui convidado a falar, cabendo a Max Heindel dirigir a reunião. Depois procurei o Centro de Los Angeles e comecei a ministrar aulas de filosofia rosacruz durante algum tempo, particularmente sobre o Esquema de Evolução. Um dia, ao sentar-me ao piano para praticar, percebi, num relance, que o esquema total da evolução, tão belamente retratado em o "Conceito", se relacionava e ampliava, sob meus olhos, com o teclado do pia­no, mostrando o significado das cinco Hierarquias que nos deram algum auxílio e passaram depois à libertação, bem como as outras sete que trabalharam em nossa involução espiritual e evolução corporal, continuando ainda a ajudar-nos na ascensão evolutiva. Tudo isto ali estava, em progressão regular, nos mais mínimos detalhes.

Na viagem seguinte a Oceanside contei minha inspiração a tio Max. Isto o impressionou agradavelmente e sugeriu que eu escrevesse tudo, juntando um diagrama explicativo. Fi-lo com muito gosto e publiquei o artigo no número de março de 1917 da "Rays from the Rose -Cross".'

Tinha eu a pretensão de conhecer tio Max mais profundamente que outras pessoas e achava razões para isso. Quando um autor é lido e estudado, a predominante caracte­rística de sua natureza é apenas aparente, o que não sucede com as outras facetas de seu ser. Elas se encontram mais ou menos ocultas nos trabalhos em que ele se concentra. Eu tive maior oportunidade ainda: a de privar muito tempo com Max Heindel. E nessa íntima é pessoal associação, outros aspectos de sua pessoa se me foram revelando. Com isso tornei-me capaz de examinar-lhe as aspirações reverentes e devocionais, percebi-lhe o enorme cabedal de cultura, de música, de arte em geral, de ciências, que ele possuía e, o mais importante, o maravilhoso aspecto humano que ele trazia para o desenvolvimento harmonioso de seu todo.

Max Heindel foi um exemplo vivo dos preceitos da Rosacruz: "Mente sã, coração nobre, corpo são" e da contraparte: "prudente como a serpente, forte como um leão, simples e inofensivo como a pomba".

Ele estava perfeitamente ciente de que os Irmãos Maiores eram contrários a tudo que parecesse organização, padronização e, portanto, mantinha-se vigilante! para que tudo caminhasse espontaneamente e o que viesse a ser acrescentado não limitasse as atividades. Foi um líder no sentido perfeito, de supervisionar, incentivar, tolerar, orientar mui jeitosamente e nas ocasiões oportunas e, sobretudo, de exemplificar, sendo entre nós o maior servidor de todos.

Ele era agudamente consciente de que o real progresso, ao longo do caminho da iluminação, vem de dentro para fora, pela edificação do "Templo sem ruídos de martelos". Censurava publicamente toda forma de arregimentação e frequentemente nos exortava, de modo enfático, sobre a necessidade de nos aplicarmos sincera, e devotadamente ao aperfeiçoamento interior, para apressar a iluminação e neutralizar as experiências particulares que nos mesmos marcamos na horóscopo. Ainda mais, assinalava constante- mente a natureza mística, reverente e devocional que devemos cultivar (e nos recomendava a "Imitação de Cristo", de Thomás de Kêmpis), paralelamente ao lado ocultista, da compreensão intelectual, de modo que a humana tendência para tudo racionalizar, seja equilibrada com pureza, pelo coração.

Foi um grande privilégio meu tê-lo conhecido e com ele trabalhado na Obra.
publicado na revista Serviço ROSACRUZ , Jul, 1965
(*) Art Taylor escreveu The Musical Sacle and the Scheme of Evolution publicado pela The Rosicrucian Fellowship e traduzido pela Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil. Também é autor de The Occult and Scientific correlations of Religion, Art an Science publicada na revista Rays from the Rosecross na década de 1960.

22/07/2011

O Ideal Esotérico (vivenciado por Max Heindel)

Max Heindel nos ensina que em uma determinada era, a lição esotérica a ser aprendida está contida no signo oposto ao que rege essa era. Portanto, na Era de Aquário todas as atividades que forem dadas à humanidade terão a finalidade de desenvolver princípios regidos pelo signo de Leão, oposto à Aquário. 

Curiosamente, e como um motivo de reflexão, a Era cuja característica principal será de grande desenvolvimento científico e tecnológico terá como Ideal Esotérico o Amor, já que a divina Hierarquia de Leão representa a Flama Divina que tudo criou e mantém, como nos é descrito na letra do signo astrológico de Leão (no mesmo link acima citado).
Max Heindel, nascido em 23 de julho de 1865, foi um digno representante do signo de Leão em seus aspectos mais elevados, não só sob a regência solar, mas também pelo ascendente. Seu trabalho para trazer ao mundo os ensinamentos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz foi uma demonstração de amor. Deu-nos o exemplo. Lançou suas sementes ao solo, cultivou-as e amorosamente nos legou o produto de seu trabalho. Doou os seus frutos “de bom grado”, como, de forma poética, disse uma nossa irmã probacionista em sua poesia Árvore Humana, referindo-se, assim entendi eu, ao serviço amoroso e desinteressado.

17/07/2011

O Que Nos Move

O que será que nos move? Do latim movere. O que nos movimenta, nos incita para as inumeráveis ações que praticamos.
Passamos de um motivo a outro de maneira fantástica. O que antes era desinteresse, facilmente torna-se paixão; o que mantinhamos engavetado por décadas, freneticamente distribuimos em semanas; o que contestávamos com veemência, rapidamente tomamos por nossa bandeira. Quais os motivos? Cada um encontrará o seu, sem dúvida, e constatará que as emoções nos jogam de um lado para o outro.
Disse o Apóstolo Paulo: Nada dessas coisas me comove. Paulo já havia alcançado o nível onde quem determina nossas ações é o Eu Superior.  Não chegamos lá, por ora “O Amor, a Fortuna, o Poder, a Fama! Eis os quatro grandes motivos de toda ação humana.”, nos diz Max Heindel ao explicar esotericamente a Oração do Senhor – o Pai Nosso, no final do Cap.XVII do Conceito Rosacruz do Cosmos.
Estamos aprendendo, e para esta tarefa temos a inestimável ajuda da prática da retrospecção, como sabemos.  É preciso aprimorá-la constantemente, pois os motivos para nossas ações são muitas vezes sutis e sorrateiros. Temos que exercitar a arte de nos observarmos a fundo. Aqui temos um excelente artigo que pode nos ajudar:   

10/07/2011

A Escola de Verão

Ontem lembrei da Escola de Verão em Oceanside. Ocorre todos os anos em julho (verão no Hemisfério norte), com duração aproximada de duas semanas.
 
Provavelmente sob um lindo dia de sol, vários de nossos irmãos e amigos estão compartilhando não só vários ensinamentos, mas momentos de confraternização que ficarão gravados em seus átomos-semente. Bela oportunidade.
 
Recebi uma mensagem com um endereço para algum acesso pela internet, mas meus primários conhecimentos sobre essa moderna tecnologia não me permitiram realizar a façanha. Paciência. Vou procurar aprender como tirar maior proveito desse moderno meio de comunicação para um futuro próximo. Enquanto isso, vou distribuindo material que possuo, possuo é uma forma temporal de dizer, pois não são meus na verdade, a mim chegaram por circunstâncias várias. Alguns muito interessantes, originais até, como é o caso do artigo que insiro hoje na página Bíblia: A Comunidade Cristã.

06/07/2011

O AMOR É A CHAMA DO ESPÍRITO


O Amor é a Chama do Espírito;
É a expressão da Sabedoria,
É a Fonte da Alegria;
É a Humildade de Cristo

O Seu Altar está no coração,
Nas suas fibras transversais,
Nos Valores Universais
E na sua profunda Mansidão.


No Espírito de Vida há União,
Na dimensão da Vida Universal
A única que tem existência real,
Rumo à Eterna Perfeição.

Todos os problemas têm solução
Ela reside na Pureza do Amor
Que a todos enche de Perdão
E nos liberta da Dor.

A Rosa é símbolo de Amor e da Amizade;
É nome de mulher, irradia Beleza,
Expressão de Harmonia, de Fraternidade,
No Selo de Deus - Amor, que é a Natureza!
Lisboa, 19 de Julho de 2009
Do livro: Pintura com Palavras
de Delmar Domingos de Carvalho

03/07/2011

Sobre o Blog

e-mail: rosacruzdevocional@gmail.com 

Ao iniciar este blog comentei do meu objetivo em nele publicar artigos das revistas: Rays from the Rose Cross, de nossa querida Sede Mundial e também da revista Serviço ROSACRUZ, da Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil, pois sempre vi estas publicações como uma oportunidade, para nós estudantes, de mostrarmos como entendemos os ensinamentos, utilizando dessa forma a observação, o discernimento, nossa capacidade de expressão - enfim: a epigênese.

Desde o princípio, o Echoes from Mt. Ecclesia (depois Rays from the Rose Cross), criado por Max Heindel apresentou essa distinção. Também a revista de São Paulo mantinha a mesma característica. As duas tiveram o seu fim. Os tempos são outros, mudaram-se os meios, o objetivo continua, e é por essa razão que sempre estou postando aqui criações e interpretações de nossos irmãos e amigos: dos que já participaram alguma vez nessa atividade, como no caso das revistas que citei ou qualquer outro que queira utilizar este espaço.

Acredito que, comentando nossas observações e interpretações em diferentes formas, somamos os vários aspectos de um determinado assunto, e, muitas vezes, sem o percebermos, arrojamos imensa luz aos que nos rodeiam. É verdade que todos nós teremos que, por nós mesmos, unir os três grandes aspectos da atividade humana, mas não chegamos lá. Por enquanto, há ainda os que se inspiram e elevam-se a Deus através da Arte; os que se sentem motivados a seguir o Pai, porque foram convencidos pela Ciência de Suas grandes obras; e os que através de sua fé e Religião seguem fielmente os passos deixados por Cristo sem qualquer inquirição. Cada um dará de si e a perfeita tríade ficará completa.

Mais sobre o blog:
Finalmente Começo

30/06/2011

Origens Pré-Históricas da Música II


A água era o principal elemento associado com a Atlântida, onde o homem foi ensinado a controlar suas emoções e a desenvolver suas faculdades físicas. Naquele continente o psiquismo alcançou o maior estagio de desenvolvimento já visto, nunca igualado antes ou depois, tendo a musica Atlanteana se constituído em um -fator de desenvolvimento das faculdades psíquicas. A maior parte dessas músicas era solene e grave, algumas vezes alcançando níveis de grandeza imponente. Suas ondas melódicas eram comparáveis a música rítmica atualmente ouvida nos movimentos cíclicos das marés alta e baixa. O Sol nunca brilhou claramente na Atlântida. A atmosfera era sempre pesada devido à névoa existente. Nessa atmosfera nevoenta as figuras vaporosas de outros planos eram facilmente discerníveis, uma condição que auxiliou de maneira importante o despertar e o desenvolvimento das faculdades psíquicas. O Período Atlanteano terminou quando o continente foi destruído pela água.

A transição da Lemuria para a Atlântida foi marcada por um aumento da densidade da atmosfera, corpos físicos mais solidificados e a consciência humana focalizada mais definitivamente no mundo material. A humanidade estava então perdendo aquela bonita e quase continua comunhão com as hostes angelicais, desfrutada anteriormente pelos Lemurianos. Consequentemente havia uma correspondente perda na percepção das harmonias celestiais. Entretanto, neste estágio de desenvolvimento não tinham perdido contato com os mundos mais internos a ponto de negar ou mesmo duvidar da existência da Musica das Esferas, fosse ela ouvida ou não. Tais negativas não chegavam ao materialismo profundo da presente era. Assim, os Iniciados dos Templos Atlanteanos, sacerdotes e sacerdotisas da sabedoria eterna, realizavam seus rituais sagrados em total acordo com os ritmos celestiais.
Os Templos Atlanteanos eram realmente universidades onde as faculdades física, mental e espiritual do homem eram estimuladas e desenvolvidas. A partir do momento que o homem deixou de viver em harmonia com os mundos elevados, seu corpo tornou—se sujeito a desarmonias e doenças; nessas condições, um Mestre Iniciado afinava-se com a nota estelar de um indivíduo., a fim de substituir a desarmonia pela harmonia. Com essa finalidade, a música, a grande panacéia curadora, era administrada nesses templos.
Os povos Atlanteanos eram muito mais suscetíveis aos efeitos curativos do ritmo do que a humanidade atual. Eles podiam utilizar a força pulsante do crescimento das plantas e apropriar-se delas para a revitalização e renovação de seus corpos. Podiam também transferir essas energias de uma planta para outra, assim, aumentando a energia das fracas e doentes através das fortes e saudáveis. As palpitantes correntes de vida emitiam tons específicos na medida em que elas cresciam para cima. Os Atlanteanos podiam ouvir esses sons e transcrevê-los em música, tão perfeitamente afinados aos ritmos das plantas que eles possuíam uma dinâmica eficácia curadora. No devido tempo,consequentemente, a terapia musical se tornou um dos principais ramos da instrução no Templo.
A fala foi desenvolvida pelos Atlanteanos um tipo de fala cantante. Suas palavras entoadas projetavam energia em qualquer objeto especificado e por essa energia o objeto podia ser remodelado de acordo com a vontade de um indivíduo. Os cânticos e hinos de todas as religiões antigas tiveram sua origem nessa fala cantante. Os sacerdotes do Templo e seus discípulos avançados podiam ouvir também as notas musicais dos objetos naturais e estavam aptos, por meio do poder que isto lhes dava, a realizar milagres de transformação. Isto originou numerosos mitos e lendas relacionados às civilizações que precederam nossa atual Quinta Raça Original, os povos Arianos. Na Era de Ouro da Atlântida a liderança era conferida aos neófitos do templo,mais espiritualmente desenvolvidos, aos quais eram concedidas honras e reverências pelos leigos. A Realeza era um Grau do Templo ao qual somente o mais merecedor podia aspirar, pois o Rei Iniciado era precedido apenas pelo Alto Sacerdote.
Será visto que no poder praticamente ilimitado dos Atlanteanos reside a semente da decadência e destruição definitivas. A tentação ao mau uso daquele poder foi para eles quase irresistível. Com o desenvolvimento de sua índole de desejos e de um concomitante crescimento em interesses egoístas, as habilidades que originalmente funcionavam sob a direção das Hierarquias de Luz foram transferidas para as da Sombra. As condições anunciando caos e desintegração — similares àquelas manifestadas no mundo atual — tornaram-se prevalentes. Tais condições eram sempre indicativas do "inicio do fim".A fala cantante dos consagrados Iniciados do Templo foi modificada para fins nocivos e destrutivos. Literalmente, as "explosões tonais", afinadas à nota-chave de uma pessoa ou objeto, eram usadas para destruir cruelmente a vida humana e a propriedade.
O conhecimento pelo homem das harmonias celestiais em ondas de tons Maiores e Menores foi comentado anteriormente. Com a depravação crescente dos Atlanteanos, as consonâncias e dissonâncias tornaram-se mais e mais agudamente diferenciadas. O resultado foi uma música estranha e sinistra, uma música capaz de produzir doença, perda da memória e mesmo insanidade. "Círculos Sombrios" compostos por neófitos do Templo, trabalhando sob influência das Sombras, estavam aptos a expressar explosões tonais capazes de expulsar um Ego para fora de seu corpo físico, frequentemente causando nas pessoas obsessão permanente ou mesmo a morte. Esses fatos são mencionados apenas para ressaltar o longo alcance dos poderes do som.
Somente um remanescente dos Atlanteanos foi salvo. Na terminologia bíblica, Noé e sua família sobreviveram ao Dilúvio. Este remanescente se tornou a semente da atuai raça Ariana. Sobre o novo continente para o qual esse remanescente migrou, o Sol brilhou claramente e pela primeira vez o homem pôde usufruir uma atmosfera oxigenada tal como a temos hoje. A humanidade dessa raça recebeu a suprema dádiva, a mente, o elo que lhe permitirá ser como os deuses. O grande trabalho dos Arianos e espiritualizar e desenvolver as mentes Crísticas. Como a mente está relacionada com o elemento Ar, é através do ar que seu progresso maior será atingido. Caso haja outra destruição deste planeta apôs suas (do planeta) lições terem sido aprendidas, ela vira através daquele elemento.
A raça humana esta destinada a recuperar as harmonias celestiais que ela perdeu na Atlântida. Isto será feito através da mente Crística e a música será o fator primordial na sua consecução. Através dos séculos os Guias da Humanidade tem enviado a Terra alguns de seus mais avançados Iniciados em música para auxiliar o homem a espiritualizar sua mente. Tal foi o propósito da Criação de Haydn, do Messias de Handel e da magnífica Paixão de Bach. Este desenvolvimento esta sob a orientação dos Senhores da Mente os quais pertencem à Hierarquia de Sagitário, o signo que conserva o modelo da mente mais elevada e seus mistérios espirituais. O objetivo dessas Hierarquias é apressar no homem seus incentivos espirituais e encorajar suas aspirações ate que ele ganhe ascendência sobre sua inferior mente carnal.
A nota-chave de Sagitário é Fá Maior e a nota-chave da Terra é também Fá Maior. Vários sons da natureza são, consequentemente, afinados a esta nota. Esta é a razão pela qual composições em Fá Maior são especialmente relaxantes para um sistema nervoso alterado, também efetivos para restaurar um corpo fatigado e para acalmar uma mente aturdida.
Através de ritmos em Fá Maior os Senhores da Mente concederam a mente germinal para a humanidade nascente e através de seu uso continuado estão trazendo essa mente para o ponto onde ela possa transmitir, para a personalidade externa do homem, a imagem—espírito existente dentro deles. Estes se tornarão os pioneiros da Sexta Raça Original e entre eles nascerá um tipo de música com qualidades que curam e iluminam. Todos os movimentos em direção ao futuro são escolas preparatórias para a Nova Era. Até que as mentes dos neófitos se tornem espiritualizadas, eles receberão, através de tons e ritmos, aqueles poderes superiores que estão aguardando para serem concedidos ao homem.
Tradução do Cap II do livro: Music - TheKeynote of Human Evolution de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross", Fev/Mar de 1988.

Veja também: A Música na Lemúria

23/06/2011

Origens Pré Históricas da Música - I


Os elementos de Fogo, Ar, Água e Terra são os mais importantes no processo evolucionário da Terra; de fato, sem esses quatro elementos a vida neste planeta seria impossível. O fogo foi descoberto primeira­mente e usado pelo homem nos dias da Lemúria. Foi, consequentemente, o elemento dominante conectado à raça Lemúrica e o fator principal nas suas cerimônias de iniciação. Capacidade para andar sobre carvão em brasa ou segurar bolas de fogo nas mãos, constitui uma memória parcial desses dias antigos, ainda conservada por alguns povos primitivos.
A música que acompanhava os Cerimoniais Lemurianos de Fogo era ao mesmo tempo sobrenatural e selvagem, isso porque era afinada ao ritmo das chamas crepitantes. Foi nesta música que o jazz, tão popular nos dias de hoje, teve sua origem. O corpo de desejos dos Lemurianos necessitava de um avivamento, assim, os Guias da Humanidade usaram esta música de ritmo peculiar para estimular essa atividade. Com o passar do tempo essa torça ígnea interna despertada levou a práticas mal orientadas que reagiram sobre as correspondentes torças ígneas planetá­rias, resultando em destruição do continente Lemuriano pela atividade vulcânica. Os seres humanos que habitaram a Lemúria antiga pouca semelhança tinham com os seres do nosso tempo. Durante os primórdios daquela época, vários milhões de anos atrás, sua forma corporal era meramente embrionária. Apôs um longo ciclo evolucionário, sofreu sucessivas transformações até que, na Lemúria tardia, assumiu uma forma algo semelhante aos contornos atuais, embora com textura muito diferente. Antes de condensarem-se em substância física, os veículos dessa humanidade antiga, foram até certo ponto tênues e plásticos. Poderiam na verdade ser considerados quase uma sombra com forma.
Portanto, o corpo não tinha ainda se desenvolvido até o ponto onde o Ego pudesse habitar. O Ego era ligado ao corpo apenas magneticamente e como consequência permanecia em um estado livre, o que lhe permitia ir e vir a vontade. A mente, tal como a conhecemos hoje, ainda não tinha surgido. A humanidade no inicio, era realmente infantil e se encontrava sob a direção das Hierarquias Superiores, seres espirituais aos quais estamos habituados a chamar de Deuses.
Todavia, os Lemurianos primitivos viviam em intima harmonia com a natureza. Suas vidas estavam intimamente envolvidas e faziam realmente parte integrante das forças da natureza. Sua visão interna estava aberta para as inúmeras atividades das criaturas invisíveis para nos) que constituíam o lado vivo da natureza na sua totalidade, enquanto sua audição interna registrava as sublimes harmonias para as quais a natureza progride e através das quais ela dirige suas múltiplas ações. Também foi de acordo com as leis básicas da natureza que seus corpos originais foram moldados, desenvolvidos e animados.
Quando a humanidade for suficientemente espiritualizada para reconhecer a relação da musica com sua evolução, ela descobrirá como as harmonias celestiais emanadas das hierarquias zodiacais, nossos guardiães sagrados, exerceram influencia -formadora em cada estágio do seu desenvolvimento; perceberão ainda que cada passo tem sido acompanhado por uma orquestração celestial adaptada a cada processo criativo
O homem na sua formação era bissexual. As polaridades masculina e feminina, agora focalizadas cosmicamente no Sol e na Lua respectivamente, exerceram uma influência igual sobre os corpos plásticos da humanidade primitiva. Isto porém, ocorreu quando a Terra e a Lua eram ainda partes do globo solar. Em um estágio mais tardio, quando a Terra foi lançada para fora do Sol e mais tardiamente ainda, quando a Lua foi atirada para fora da Terra, essas duas polaridades deixaram de ter uma expressão igual e equilibrada sobre o ser humano individual. Alguns responderam preponderantemente ao pólo positivo centrado no Sol, enquanto outros responderam ao pólo negativo focalizado na Lua. Finalmente, isto resultou na divisão da humanidade em dois sexos separados, com o homem e a mulher aparecendo em cena.
A partir de então as harmonias emanadas das Hierarquias\ estelares se diferenciaram em dois tons, agora conhecidos como Maior e Menor. As notas Maiores, masculinas na potência e objetivas no caráter, foram projetadas a humanidade através da força solar. Os tons Menores, femininos na qualidade e subjetivos na natureza, foram dirigidos através da força da Lua. O homem que ate então tinha evoluído sob os ritmos divididos em uma única escala, tornava-se agora sujeito a duas. Uma, afinada aos tons Maiores, dirigindo-o para condições de crescente densidade; outra, afinada aos tons Menores, dirigiu sua alma para um contato mais íntimo com as forcas espirituais.
Como a época Lemuriana encontrava-se predominantemente sob a influência da Lua, sua música estava afinada aos matizes mais sutis dos tons Menores. Tratava-se de uma música incomum, melancólica e sobrenatural. Vestígios dela persistem na música de Java e de outras Ilhas do Sul, estas remanescentes do continente Lemuriano.
A natureza mais intima de qualquer povo pode ser avaliada penetrando compreensivelmente em sua música.
Nenhum outro meio é mais exato para avaliar a qualidade de suas vidas e o estagio de seu desenvolvimento. A menos que estejamos aptos para visualizar os corpos plásticos e fluídicos dos Lemurianos mais antigos, jamais entenderemos a influência exercida pela música sobre eles. Ela literalmente deu forma e traços característicos aos seus veículos em desenvolvimento. As forças circundantes da natureza fluíram através deles sem obstáculos. Eles habitaram entre as árvores gigantes de suas terras e seus bosques enormes eram áreas sagradas nas quais festivais sazonais eram observados. Cerimônias de iniciação de suas temporadas sagradas eram eventos gloriosos atribuídos á música, isto é, a harmonia das esferas.
Os dançarinos do Templo Lemuriano duplicaram os movimentos e ritmos das esferas celestiais e sua "música de gestos" era ouvida pelos fanáticos que dançavam. Certos centros espirituais ou "luzes" dentro de seus corpos eram acordados por essas danças realizadas na mais elevada reverência e na mais profunda emoção. Os dançarinos eram sempre escolhidos entre os aspirantes mais evoluídos do Templo.
Os Templos da Floresta eram para os Lemurianos, o Santo dos Santos. Nesses santuários sagrados ocorriam os principais acontecimentos de suas vidas. Estes compreendiam o nascimento, a Iniciação ou iluminação espiritual e a morte - esses acontecimentos correspondem aos três passos de desenvolvimento em todas as escolas esotéricas e aos primeiros três graus das fraternidades. Era nos Templos da Floresta e sob orientação angelical que a propagação da raça era levada a efeito de acordo com os apropriados ritmos estelares, cuja música era absorvida pela audição e transmitida â função edificadora do corpo.
Os sensíveis Egos Lemurianos foram particularmente sensíveis a força do amor. A consciência era íntegra, pois os Egos não tinham ainda descido profundamente na existência material a ponto de retirar o véu existente entre os planos externos e internos do ser. Assim, a morte como a conhecemos hoje, era desconhecida. Quando os corpos terminavam seus períodos de utilidade, eram deixados de lado da mesma forma que certo& animais deixam e mudam periodicamente suas peles. Um corpo gerado sob tais condições era perfeitamente afinado com a nota estelar especifica de cada Ego. Pelo poder daquela nota era capaz de renovar ou descartar seu corpo a vontade. A doença não tinha ainda se tornado uma aflição, assim, a vida era uma canção alegre e a ferra era ainda uma reflexão do Jardim do Éden. Como a raça Lemuriana era regida pela Lua, respondeu fortemente às sempre mutáveis fases orbitais. Ao tempo das Luas Novas e Luas Cheias, forças poderosas eram liberadas; ai então, eles celebravam seus rituais místicos iniciatórios. Estes não eram dirigidos para os planos mais internos como agora, mas para os mais externos, dado que o desenvolvimento Lemuriano dependia primariamente do desenvolvimento objetivo da atividade. A música era um fator potente para capacitá-los a realizar a necessária descida para a matéria. Com essa descida a diferenciação entre os sexos se tornou mais marcante e era realizada através dos ritmos Maior e Menor que acompanham a Lua Cheia. Nas noites de Lua Cheia as forças femininas eram precipitadas através das celestiais tonalidades Menores e as forças masculinas por meio das tonalidades Maiores.
Mais tarde, quando a humanidade entrou completamente na existência física e quando, através da entrada no diferente significado da vida do mundo material, nascimento e morte marcaram as fases diferenciadas da existência. A entrada na manifestação física foi acompanhada por musica constituída pelas harmonias Maiores, enquanto que a entrada nos mundos mais internos, através do portão que chamamos morte, era afinada aos acordes Menores.
Assim, vemos quão profundamente é verdadeiro tratar-se o homem de um ser musical. Sua origem esta na Palavra falada. Pelo som ele foi confirmado e pela música ele progrediu. O que ele registrou subconscientemente na Lemúria, um dia ele saberá conscientemente. Então não mais considerará a música como uma arte mais ou menos apartada da vida e também não mais pensará na música somente como um objeto para alegria estética.
Ao contrário, ele reconhecera a música como um fator vital para a evolução física, mental, emocional e espiritual de toda a raça humana.
Tradução do Cap II do livro: Music - TheKeynote of Human Evolution de Corinne Heline, publicado na "Rays from the Rose Cross", Fev/Mar de 1988.